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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LUIZ GONZAGA E A ORIGEM DO BAIÃO

Conversa!
Luiz Gonzaga não morreu, embora haja quem diga que foi no dia 2 de agosto de 1989, portanto a exatos 21 anos, e após 42 dias preso aboiando num leito do Hospital Santa Joana, em Recife, que o caso se deu. Ou seja: que ele, o rei, deixou escapar o último suspiro, junto com o fole de sua sanfona.
Mas que conversa é essa?
O véi Gonzaga está vivinho da silva, mesmo que se alardeie aos quatro ventos com as trombetas dos mil-e-seiscentos-diabos que haja se finado.
Ora, ora, que imensa bobagem!
Pessoas como o Rei do Baião não se findam jamais.
Encantam-se.
Finda-se quem nada deixa à posteridade, sequer uma historiazinha pra se contar na roda de amigos, filhos e netos.
Finda-se quem não deixa caminhos para serem seguidos.
Não findou o Rei do Baião, por isso.
Ele nos deixou um legado e tanto, uma escola, alunos e seguidores.
Ele deixou uma obra monumental completa, espalhada mundo a fora e em línguas diversas: japonesa, inglesa, rapa nuí...
E se formos ouvir direito, chegaremos à conclusão de que a sua voz está mais bonita, já repararam? Está mais melodiosa, plumosa, cheia de nordeste,cheia de Brasil.
Ouçam-no cantar qualquer uma de suas músicas e constatarão a obviedade.
Em junho de 1951, Zé Gonzaga gravou Viva o Rei!, de sua autoria e de Zé Amâncio, em que diz:

Luiz Gonzaga não morreu
Nem a sanfona dele desapareceu...
Luiz escuta esse baião
Quem tá cantando
Com a sanfona é teu irmão
Ta esperando
Todo povo brasileiro
O seu grande sanfoneiro
Com as cantigas do sertão.

Pois, pois, ops!
Aí está.
Lembro de uma conversa que tivemos num ano qualquer da década de 70, ocasião em que ele nos explicou a origem do ritmo que o alçou à categoria de rei: “Quando o cantador está afinando a viola, quando ele sente que a viola está afinada, ele bate no bojo assim: t-chum, t-chum... Eu tirei o baião dessa batida”.
Nessa mesma década, em entrevista ao Pasquim, ele lembrou: “Eu já toquei em assustado. Fui sanfoneiro, rei do baião, quase sumi na poeira; agora sou lúdico, autêntico, virei um tal de folclore”.
Folclore, não: mestre.

Um comentário:

nilson araujo disse...

Gonzagão é imortal.
E sobrevive às custas do prório nome.
E sobrevive a muitos.
Viva O Rei!

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