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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

HOJE É DIA DE ALBERTO MARINO JÚNIOR

Ops!
Hoje é 12 de novembro.
No ano da revolução de 30 que mexeu com o Brasil, a partir da Paraíba, um paulistano do bairro do Brás, de nome Alberto Marino Júnior, tinha seis anos. Com essa idade, ele ouvia em casa o pai, também Alberto, tocando violino com graça e perícia. Achava bonito e gostava. Tanto que já por essa idade demonstrou querer seguir a carreira de artista.
No primeiro momento, o pai deu sinal verde e aos poucos o fez ler partitura e tirar as primeiras notas do instrumento que celebrizou Paganini.
O menino foi gostando cada vez mais disso, dessa história de música, e também começou a querer cantar.
O pai não gostou e o olhou de esguelha, fechando o sinal que abrira poucos anos antes.
Queria-o doutor, por saber que a vida de artista não é fácil.
Ele mesmo que o disse, pois era compositor e maestro e tinha composições famosas, como Rapaziada do Brás, que assinou com pseudônimo.
Bem, por essa o rapaz Júnior não esperava.
Embora obedecendo a vontade do pai, Marino Júnior continuou meio às escondidas a cantar e a tocar para pequenas platéias sem refugar os estudos, sem deixar a faculdade. Ao contrário: dedicou-se à carreia jurídica, de magistrado, e se transformou, nessa área, num dos maiores nomes do País.
Antes, porém, de virar doutor, se aproximou de grandes músicos e ganhou experiência, tanto que chegou até a gravar de forma profissional, ali pelos anos de 1940, durante o desenrolar da Segunda Grande Guerra.
Era-lhe, talvez, um escape diante das turbulências da época.
No fim dos 40, participou de uma gravação história: a do Hino do Palmeiras, embora fosse corinthiano.
O hino composto por Gennaro Rodrigues, codinome do cardiologista, maestro e arranjador italiano naturalizado Antonio Sergi, é um dos mais conhecidos dos times brasileiros.
Um dia, já casado e com filhos, foi à casa do pai para um abraço.
Nesse dia, um dia de abril, chegara um pouco antes o cantor argentino naturalizado Carlos Galhardo, chamado de rei da valsa.
Galhardo queria gravar uma música de que muito gostava: Rapaziada do Brás, mas a música não tinha letra.
Foi então que recebeu o desafio de pôr letra na melodia.
E assim, do dia para a noite, surgiram estes versos imortais:

Lembrar,
Deixe-me lembrar,
Meus tempos de rapaz,
No Brás
As noites de serestas,
Casais enamorados,
E as cordas de um violão
Cantando em tom plangente,
Aqueles ternos madrigais.
Sonhar,
Deixe-me sonhar,
Lembrando aquele amor,
Fugaz,
Numa sombra envolta na penumbra,
Detrás da vidraça,
Faz um gesto lânguido,
E cheio de graça,
Imagem de um passado
Que não volta mais.
Tão somente,
Numa recordação
Restou daquele grande amor,
Daquelas noites de luar,
Daquela juventude em flor,
Hoje os anos correm muito mais,
E as noites já não têm calor,
E uma saudade imensa,
É tudo o quanto resta
Ao velho trovador.

PS - na foto que ilustra estas linhas aparecem o misto de compositor e cientista Paulo Emílio Vanzolini (E), o papai aqui no meio e o aniversariante do dia.

2 comentários:

Blog do Tiné disse...

O mais difícil é distinguir, na foto, qual dos três é mais importante para o História do Brasil. A Paraíba, que já deu Ariano Suassuna, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego, José Nêumanne Pinto, Elba Ramalho e Chico César, entre outros, dá também o pesquisador Assis Ângelo, que vive e mora sobre uma pilha de livros e discos, entre os Campos Elísios e a Barra Funda, São Paulo.

Assis Ângelo: disse...

hahaha.
obrigado, tiné.
viva o brasil, esse país tão rico de tanta coisa e gentes.
abraços,

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