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sábado, 14 de maio de 2011

JORNADA INTERNACIONAL DE ESCRITORAS, NO SESC

As mulheres são seres obviamente importantíssimos no cotidiano do mundo todo, desde tempos de antanho.
Basta dizer que sem elas não existiríamos.
Em alguns lugares, elas são violentamente discriminadas e cerceadas no seu ir e vir, principalmente no Oriente Médio e ainda no continente africano.
Na Arábia Saudita, são proibidas até de dirigir carros, lambretas e o que for.
Pintar quadros, fazer cinema, atuar no teatro, na dança, assumir, enfim, suas aptidões intelectuais e artísticas e exibi-las em público nem pensar.
Tudo isso, mais o fato de viajarem desacompanhadas, é considerado crime pelo eterno e sem solução ultraconservador reino saudita.
Grosso modo, porém, o panorama pró-mulheres vem mudando desde a segunda metade dos anos de 1960, quando elas arrancaram dos seios o sutiã, encurtaram o vestido e foram à luta.
Movimentos conduzidos por elas antes e depois dos 60 as colocaram em situação de destaque e respeito em boa parte da sociedade civilizada do planeta.
No Brasil, inclusive.
Nos fins dos anos 20, por exemplo, elas conquistaram o direito ao voto, primeiro em Mossoró, RN.
Em 1930, como na velha Grécia, as mulheres de Princesa Isabel – cidade paraibana a 430 km da capital – se juntaram a seus homens e partiram num pé de guerra contra o governo do Estado, à época João Pessoa.
A revolta de Princesa foi um dos estopins da Revolução de 30.
O pau cantou e todos perderam.
Mas essa é outra história.
O pioneirismo no cotidiano social é marca indelével da luta das mulheres por liberdade no mundo.
E na literatura?
Em 1859 (coincidentemente, ano da fundação da cidade de Princesa), a catarinense Ana Luiza de Azevedo publicou o romance indigenista D. Narcisa de Vilar.
Nesse mesmo ano, a maranhense Maria Firmina dos Reis publicou o romance considerado primeiro do ciclo abolicionista escrito por mulher: Úrsula.
No campo da poesia, outra nordestina: a baiana Adélia Josefina de Castro Fonseca, da safra de 1827, colheu elogios do velho Machado de Assis na coluna que assinava no Diário do Rio de Janeiro.
Ele escreveu que ela agradava por expremir "uma verdadeira individualidade feminina", sem falsa "imitação dos tons másculos, que algumas escritoras procuram mostrar nas suas obras, como recomendação dos seus talentos".
Muita água correu por baixo da ponte até chegarem ao ponto que chegaram.
No CD Poetas Nordestinos dos Séculos XIX e XX, que lancei em 2009, inclui uma poeta incrível do Rio Grande do Norte: Auta de Sousa (1876-1901).
Auta é autora de muitas pérolas, entre as quais o soneto Caminho do Sertão.
Vale a pena sair procurando coisas dela.
Uma explanação a respeito deste assunto será trazida à tona durante a realização da IV Jornada Internacional de Mulheres Escritoras, entre os dias 18 e 19 próximos no Sesc Pinheiros e no Sesc Rio Preto e Associação Comercial de São José do Rio Preto nos dias 20 e 21 seguintes.
Participarão do evento, idealizado pela tradutora e pedagoga paulista Isabel Ortega, poetas e romancistas da Costa Rica, Colômbia, Espanha, Bolívia, Argentina, México e, naturalmente, do Brasil.
O evento será aberto com a entrega do Prêmio Lygia Fagundes Telles (foto)ao crítico literário e ex-presidente da União Brasileira de Escritores, em São Paulo, Fábio Lucas.
Palestras como Gramáticas Femininas: a Escritura de Mulheres Diante de novos Desafios a ser proferida pela argentina Alicia Poderte, e Mulheres que Escrevem como Homens pela colombiana Pilar Quintana, prometem.
Vamos lá?

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