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terça-feira, 19 de julho de 2011

CHICO BUARQUE, PELÉ, CRIANÇAS E DROGAS

A programação da TV brasica está aquém do desejável.
E muito!
Entrevistadores e entrevistados contribuem com a inteligência dos quadrúpedes para a perpetuação da mesmice e a destruição da linearidade do pensamento.
Parece coisa orquestrada.
E deve ser, será que não?
Ficar diante da “maquininha de fazer doido”, como dizia o velho Stanislaw, é sofrer; com raras exceções: Inezita Barroso, Caco Barcelos, Arnaldo Duran e mais um e outro “do ramo” que escapa dessa loucura toda, que tem também por nome Globalização.
Televisão, como rádio, tem de privilegiar a sensibilidade, a espontaneidade e a inteligência – ou conteúdo, como se diz hoje.
O profissional para apresentar programas na televisão e rádio tem de ser gente com formação humnitária e descompromissado com o deus ibope.
Há pouco, lamento, vi/ouvi na telinha de um canal supostamente dirigido à alma da cultura, de São Paulo, um apresentador – cujo nome eu não guardei –, atabalhoado com sua produção ou direção, sei lá, pedindo vinhetas, imagens, sei lá, que não vinham nunca por razões que, sei lá, nos deixou “a ver navios”, como se dizia antigamente.
Lamentável, não é?
No canalzinho referido o tema era Chico Buarque, que até sexta-feira lançará à praça um novo disco, para deleite de muitos brasileiros.
Viva Chico!
O entrevistador entrevistava um crítico recém saído dos cueiros, que dava opiniões com a segurança de um bobo.
- Chico está velho, ele dizia com um sorriso de inteligência.
- Chico está lançando um disco inferior aos que já lançou, acrescentava.
- Chico nem sabe o que está dizendo o que lhe pediram para dizer.
- É marketing!
- Bom é Caetano cercado de rapazes, acrescentava o apresentador com um sorriso luminar; do tipo de quem acabara de ser alumiado pela chama do saber socratiano.
- Chico já era.
- Chico liberou, está dando vez à nova geração com esse disco de arranjos malfeitos.
E a imagem de Chico agora aparecia em p&b na telinha, rindo feito criança e com a naturalidade de um sábio.
Qual o problema de dizer que Chico Buarque de Hollanda é um grande artista brasileiro?
Por que sepultá-lo vivo, hein?
E, principalmente, num canal de TV que supostamente tem o compromisso de levar cultura aos telespectadores?
Foi isso o que tentaram o apresentador risonho, o crítico bobo e a TV que acolheu a ambos e a si própria.
O bom Lupicínio dissera nos 50:
- Ah, esses moços, pobres moços!
Ó: o saber não nasce bebê em ninguém.

PELÉ, CRIANÇAS E DROGAS
- Hoje é o Dia Nacional do Futebol.
Lembrei de Pelá no programa O BRASIL TÁ NA MODA, que apresento todos os dias na rádio Trianon AM 740, ao vivo.
Quando Pelé fez seu milésimo gol, chamou a atenção do mundo para o futuro das crianças.
Neste momento, agora, às 23 horas, o amigo e colega jornalista Caco Barcelos está mostrando a tristeza do fim da infância nunca iniciada de milhões de crianças, no Brasil.
Meu Deus, estou triste.

3 comentários:

andrea disse...

“Vós que vireis na crista da onda em que nos afogamos, quando falardes de nossas fraquezas pensai também no tempo sombrio a que haveis escapado”. Brecht, em citação na contra-capa do disco revelação de Vandré: Canto Geral.

Alcides disse...

vai ver que é um destes programas que só curtem a pauta pop pobre mas milionária que vem de fora, babam pela Gagá, que numa análise séria não chega aos pés de qualquer trio de musica nordestina - quanto ao Pelé lembro até hoje "vamos cuidar das criancinhas geennnteee" ufanismos à parte fiquei sabendo que existem quase 2 milhões de brasileiros que moram nas ruas, chore Assis!
Fica mal com Deus quem não sabe amar...

Anônimo disse...

Geralmente um crítico é um artista que não deu certo, um cara que nunca foi esportista. Tem crítico que não gosta do Spilberg, para mim é um alienado não gostar de um gênio. Vi na TV brasileira um crítico dizer que o Chico Buarque está ultrapassado, com arranjos obsoletos, que o Caetano é moderno. Você pode questionar algumas letras co Chico, mas o cara é o maior letrista do mundo, suas melodias são ríquissimas e harmonícas. Sou violonista. Determinadas músicas do Chico não consigo tocar pelo grau de dificuldade. Hoje os que fazem sucesso na mídia usam 05 acordes de violão e repetem letras sem nenhuma poesia. Chico Buarque ao falarmos dele devemos antes de tudo dizer que ele é o maior artista de todos os tempos da MPB. Ainda bem que não ouço os críticos para gostar de música, filmes ou qualquer outra coisa. Gostei muito da sua observação.

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