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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MACUNAÍMA, JÂNIO E SARNEY. ALGO EM COMUM?

Não há como dizer o contrário: o modernista paulistano Mário de Andrade, de batismo Mário Raul de Moraes Andrade, da safra de outubro de 93 do século 19, foi, de fato, um cidadão que encontrou na cultura literária (e musical) o caminho para agitar o Brasil do século 20 e até hoje, com seus escritos de grande importância documental e de esclarecimento.
Exemplos são muitos, como as cartas que enviou a centenas de intelectuais maduros ou em formação, mas que não queria que fossem publicadas depois da sua morte, como segredou ao poeta pernambucano Manuel Bandeira: “As cartas que mando pra você são suas. Se eu morrer amanhã não quero que você as publique. Essas coisas podem ser importantes, não duvido, quando se trata dum Wagner ou dum Liszt, que fizeram também arte pra se eternizarem. Eu amo a morte que acaba tudo. O que não acaba é a alma e essa que vá viver contemplando Deus”.
Pois bem, agora mesmo acabo de ler 71 Cartas de Mário de Andrade, Coligidas & Anotadas por Lygia Fernandes (Livraria São José; s/d).
Nessas cartas, o missivista fala de tudo.
Nada lhe escapa.
A sua visão crítica aparece com clareza nas observações que faz a obras que marcaram época, como A Bagaceira, de José Américo de Almeida.
Em carta a Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde, datada de 22 de abril de 1928, ele diz:
“Acho de fato um livro muito bom, mas muito irregular. O assunto geral, sobretudo, tem um ar de coisa já sabida, já lida que agúa bem o livro”.
Depois, ele reconhece:
“Esse paraibano (José Américo) é de força”.
Ao mesmo Tristão, que parece não ter gostado de ser chamado pelo pseudônimo (“Está feito. De hoje em diante você fica sendo Alceu de Amoroso Lima pra todos os efeitos da camaradagem”), Mário revela que um de seus livros máximos, Macunaíma, o Herói Sem Nenhum Caráter, foi “escrito em dezembro de 1926, inteirinho em seis dias, correto e aumentado em janeiro de 1927”. Ele explica:
“Resolvi escrever porque fiquei desesperado de comoção lírica quando lendo o Koch Grünberg (etnólogo, explorador alemão de Oberhessen falecido em 1924, no Brasil) percebi que Macunaíma era um herói sem nenhum caráter sem moral nem psicológico, achei isso enormemente comovente nem sei porque, de certo pelo ineditismo do fato, ou por ele concordar um bocado bastante com a época nossa, não sei... Sei que me botei dois dias depois pra chacra dum tio em Araraquara levando só os livros indispensáveis pra criação seguir como eu queria e zaz, escrevi feito doido, você não imagina, era dia e noite (...) Seis dias e o livro estava completo”.
As 71 cartas recolhidas por Lygia Fernandes foram endereçadas a 29 de intelectuais brasileiros, entre os quais Antônio Cândido, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Lacerda, Dyonélio Machado, Francisco Mignone, João Condé, Jorge de Lima, Luís Martins, Menotti Del Picchia, Moacyr Werneck de Castro, Oneyda Alvarenga e Paulo Duarte.
Numa busca a sebos, talvez seja possível achar esse livro.
Vale a pena lê-lo.

SARNEY
- E o Sarney, hein? É uma espécie de Macunaíma?
Piorada, eu acho.
O outro era preguiçoso e gozador, fruto da imaginação de um escritor.
Esse, fruto de si próprio, goza com a desgraça alheia e passa o tempo todo tramando tirar vantagens das tetas da varonil vaquinha brasil.
Ao contrário do outro, que não era político e nem nada, esse vive serelepe, singrando garboso com seus bigodes esvoaçantes os céus do País em helicópteros do governo, com prejuízo ao contribuinte. E por mês, na sua conta, pelo menos 62 paus saídos diretamente do erário público.
Do Maranhão, com QG no Amapá há anos, esse não nasceu entre índios e é sarna, é saúva, que consegue sobrevidas incríveis, uma atrás da outra.
Sustenta-se até em paus de sebo.
Um dia cairá?
Hoje, aliás, faz extatos 50 anos que Jânio Quadros surpreendeu a nação renunciando à Presidência da República.
Fica o registro.

IBYS MACEIOH
- O cantor, compositor e violonista alagoano de Porto Calvo Ibys Maceioh, de batismo Valmiro Pedro da Costa, é o meu convidado hoje no programa O BRASIL TÁ NA MODA, no ar todos os dias pela Rádio Trianon AM 740, a partir das 14 horas.

2 comentários:

Marco Antonio Zanfra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marco Antonio Zanfra disse...

Por mim, você poderia ter-nos poupado desse espaço com o Sarney. Estava tão bom o texto sobre Mário de Andrade..

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