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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O QUADRINISTA ALOISIO DE CASTRO E O CANGACEIRO CARCARÁ


Aloísio de Castro é um dos quadrinistas brasileiros mais talentosos e respeitados que conheço, na atualidade. É da linhagem dos grandes e a prova disso está na nova produção em forma de revista que acaba de pôr à praça através da Qualidade em Quadrinhos Editora, de São Paulo, depois de ser premiada para publicação pelo edital do Programa de Ação Cultural, ProAc, da Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo, neste ano de 2011.
Trata-se de uma história muito bem contada e magnificamente desenhada com traços fortes, marcantes, seguindo argumento assinado pelo próprio autor e que se passa num lugar qualquer, ermo, do causticante sertão nordestino, de tantas lutas e desigualdades sociais insolúveis.
Chama-se Carcará o personagem que dá título à revista e movimento à história.
De um lado, além de Carcará, há um coronel folgazão e violento de nome Emerenciano; e, de outro, um humilde e sensato cidadão chamado Ananias, pai três vezes e dono de um pedaço de terra almejado pelo truculento e ganancioso coronel.
O enredo é simples e muito bem desenvolvido.
Na verdade, os personagens do enredo e a própria história são o grande pretexto para o craque Aloísio mostrar mais uma vez o seu enorme talento na arte de quadrinizar histórias, e essa começa em 1928, dez anos antes da morte de Lampião, o Rei do Cangaço, representando, de certo modo, pelo celerado Carcará e seu bando de valentões; e pode ser dito que finda no início de outra, a da revolução dos paulistas, ou Constitucionalista, em 1932, desencadeada no dia 9 de julho daquele ano contra o ditador Vargas, o mesmo que poria fim ao cangaceirismo no Nordeste.
Nas quase cem páginas em que se desenvolve a trama, Aloísio gera pérolas de estranha força literária, como esta:.
“O som dos cascos quebrando ossos, torturam minha alma”.
Poesia pura, como se vê; com gosto de sol, fel e coragem, gritada num pesadelo do velho Ananias.
E esta:
“As lembranças parecem tiros dentro da cabeça de André”.
Na história, André é um dos filhos de Ananias, que volta à casa onde viveu e em lugar dos pais encontra cruzes indicando que foram mortos. O pai de peito aberto, num tiroteio irregular com os cabras de Emerenciano; e a mãe pelas costas, com tiros disparados covardemente e à queima-roupa pelo filho de Emerenciano, Antenor.
É uma história danada, que prende atenções.
Agora, o seguinte: se eu fosse você iria correndo procurar essa revista pra ler no próximo feriado, que, aliás, tá batendo à porta, hein?

Um comentário:

PedrO MonteirO disse...

Meu estimado Assis Ângelo
Eu tive a satisfação
De visitar o seu Blog
E como recordação,
Marquei aqui o meu traço,
Deixando um forte abraço
Do fundo do coração.

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