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terça-feira, 22 de maio de 2012

COMISSÃO DA VERDADE E UM HOMEM DE FIBRA

Faz uma semana que a presidente Dilma Rousseff marcou um belo tento ao anunciar à Nação a formação de uma comissão baseada na Lei 12.528 para contar, sem mentiras, a história do Brasil a partir do ano da promulgação da melhor Constituição do País, 1946, até 1988, período em que foram praticadas as maiores atrocidades contra o povo brasileiro.
A comissão é formada por nomes de gabarito: Claudio Fonteles, Gilson Dipp, José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso.
O foco será a época reinante da ditadura militar, que vai de 1964 a 1985.
Nesse período muita gente inocente foi presa, torturada e morta; ou desaparecida.
Disse Dilma:
“A palavra verdade, na tradição grega, é o contrário de esquecimento. Não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem o perdão: é memória e é história”.
E disse também:
“Não nos move o desejo de reescrever a história, mas a necessidade de conhecê-la”.
FHC entendeu e opinou:
“Não será uma revanche. Uma coisa é a justiça, outra coisa é a memória. Cada um dará a interpretação que quiser, mas os fatos são os fatos. Chegou o momento. Temos que revelar tudo”.
A iniciativa de Dilma é, sem dúvida, histórica em todos os sentidos, pois pela primeira vez se vislumbra a possibilidade de se passar a limpo a história do nosso país.
Essa história de passar o Brasil a limpo começa em 1985, quando a Arquidiocese de São Paulo editou o livro Brasil Nunca Mais, com uma longa lista de vítimas e algozes do regime militar; seguida da extinção do SNI pelo governo Collor, em 1990; da formação da primeira comissão do gênero (Comissão da Verdade) encetada pelo governo FHC, que também ampliou a lei de Anistia em 2002; a abertura dos arquivos em 2005 por Lula, quando presidente da República; e a condenação do Brasil pela OEA, que exigiu que se apurassem os crimes praticados durante o regime militar.
Iniciei este texto falando sobre a Comissão da Verdade.
Mas eu queria mesmo era iniciá-lo contando sobre um grande brasileiro, um homem de fibra, quem nem sequer cheguei a conhecer pessoalmente, mas grande sem dúvida: José Alfredo Amaral Gurgel, da safra dos fins dos 20 do século passado.
Esse Gurgel foi o mais novo, em idade, vereador de Araraquara.
Anos 50.
Tinha 21 anos quando foi eleito e era craque na oratória.
Primeiro detalhe: vereador era função sem remuneração.
Depois, José Alfredo Amaral Gurgel virou deputado estadual em São Paulo, naturalmente, e - vejam que ousadia! - votou contra projeto de aposentadoria da categoria na Assembleia Legislativa.
Segundo detalhe: ao fim do seu mandato, devolveu integralmente ao erário os valores em dinheiro recebidos.
A pensar, não é?

Um comentário:

Anônimo disse...

Já pensou se tivessemos alguns José Alfredo Amaral Gurgel lá em Brasília?

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