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sábado, 9 de fevereiro de 2013

CARNAVAL NA TV CULTURA

O carnaval brasileiro começou há uns três séculos.
Primeiro ao modo francês, com flores atiradas uns nos outros nos salões de baile da aristocracia carioca.
Depois seguiu com o entrudo, que era um modo sujo de sacanear com os incautos lhes atirando água fedorenta e coisas piores.
Com o Zé Pereira, que dizem ter sido um português que escolheu o Rio para morar, isso foi mudando até que os foliões do Cordão Rosa de Ouro pediram a Chiquinha Gonzaga uma música para melhor lhes alegrar.
E aí Chiquinha, que compunha como quem bebe água, fez Ó Abre Alas.
E todo mundo ficou feliz, cantando na rua essa que foi a primeira marchinha de carnaval da nossa história.
Corria o carnaval de 1899.
Esse clássico popular, porém, só seria levado ao disco integralmente pelas irmãs Batista, em 1971.
Os anos 30 e 40 do século passado seriam marcados pela graça e qualidade das marchinhas de Braguinha, Nássara, Lamartine, Jararaca, Mário Lago, Ary Barroso, Zé da Zilda, João Roberto Kelly...: Chiquita Bacana/lá da Martinica... As pastorinhas... O teu cabelo não nega, mulata... Se você fosse sincera/Ôôôô... Me dá um dinheiro aí... Mamãe eu quero/Mamãe eu quero... Olha a cabeleira do Zezé?Será qu´ele é?...
Todo mundo cantava esse tipo de música.
E eram também tempos do lança-perfume.
Os anos 60 e 70 logo chegaram e as escolas de samba passaram a substituir os blocos.
Os blocos, aliás, era uma beleza à parte do carnaval.
Espontâneos, de graça.
Em 1969 o sambista Ismael Silva, um dos fundadores da primeira escola, Deixa Falar, recusou-se a participar do carnaval, porque decidiram cobrar entrada para se assistir o desfile.
Dez anos depois, o fundador da Mangueira, Cartola, estrilou quando lhe comunicaram que as escolas passariam a desfilar com tempo cronometrado: 80 minutos. Sua reação: “Isso não é desfile, é parada militar”.
E hoje é o que é: luxo só.
Quem hoje deseja acompanhar os desfiles, tem duas opções: ou paga uma nota preta ou fica em casa comendo pipoca e vendo pela televisão.
Mas os blocos aos poucos estão voltando em João Pessoa, Recife, Fortaleza, Rio, São Paulo e cidades do interior.
Pergunta: o carnaval acabou?
Resposta: não. Acabou a qualidade, a ingenuidade. Acabou a contribuição espontânea para as escolas, feita por comerciantes e bicheiros, em detrimento das prefeituras.
Espaço livre, nesse ponto, é ocupado pelas grandes empresas.
É como diz o filósofo Silvio Santos: tudo por dinheiro.
Quer saber um pouco mais sobre o assusnto?
CLIQUE:
PIXINGUINHA
Morreu num sábado de carnaval, em 1973.

BARÃO DO RIO BRANCO
Também, em 1912.
Ele dizia que só há duas coisas bem organizadas no Brasil: a desordem e o carnaval.

TV CULTURA
Logo mais às 21:15 estarei no estúdio da TV Cultura, falando sobre isso.

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