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sábado, 3 de agosto de 2013

O POVO DA RUA E O PREFEITO

O que se pode esperar de um grupo de artistas do povo das ruas, embora experiente, mas sem eira nem beira e nenhuma iniciação formal e curricular musical reunido por um professor maluco, incrível, de formação erudita num espaço público em São Paulo, a maior cidade do País e do hemisfério Sul, hein?
Nada ou muito pouco, pode se dizer de imediato, claro.
Porém o que vi – e ouvi - hoje mais uma vez, entre o meio-dia e às 13 horas na Praça das Artes há pouco inaugurada ali na Avenida São João, 281, bem no centro desta capital paulista, foi algo que dificilmente esquecerei.
Ao lado de dois emboladores de coco geniais – Peneira e Sonhador (comigo abaixo, num especial da TV Record) – e à frente de um sanfoneiro e de outros instrumentistas livres com prática, mas sem erudição, um maestro compositor e arranjador importante e famoso de nome Lívio Tragtenberg, que conheci há 30 e poucos anos em início de carreira lançando o primeiro disco, um LP independente intitulado Ritual - hoje peça exemplar do acervo do Instituto Memória Brasil, IMB -, fazia misérias sem batuta e sem as formalidades que os templos de espetáculos eruditos comumente exigem.
Emocionei-me, sim, diante da integração entre os músicos regidos pelo maestro.
O Brasil precisa ser redescoberto, agora por nós.
Viva Lívio Tragtenberg!
E viva os músicos das ruas de São Paulo e a orquestra que os formam, criada por Livio!
 
CULTURA EM DEBATE
Ontem à noite estive na mesma Praça das Artes para aplaudir Antonio Nóbrega,
que cantou, dançou e fez o diabo.
É gênio, esse brincante (acima, num clique de Andrea Lago).
O pretexto da apresentação do Nóbrega foi a abertura da 3ª Conferência Municipal de Cultura do Município de São Paulo, que contou com a presença do secretário Juca Ferreira e do prefeito Fernando Haddad, que depois de falarem brincaram e fizeram onda dançando ciranda, aqui e ali lembrando Luiz Gonzaga e Dominguinhos.
Ouvi atentamente os dois.
E a fala dos dois me agradou.
Juca falou da necessidade de juntar os contrários no campo da cultura.
E cultura é tudo, da fala aos gestos.
Haddad falou da importância da cultura na vida das pessoas em sociedade.
Quando ele disse isso, eu me lembrei do estudioso Luís da Câmara Cascudo, meu mestre, que nunca deixou sem resposta qualquer pergunta que lhe fiz.
Cultura popular?
Ora, cultura popular – ele, Cascudo, definiu em entrevista que me deu em 1978, na sua casa, em Natal, e que publiquei no jornal Folha de S.Paulo no ano seguinte – “é a que vivemos, é a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica (...). Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo. Qualquer um de nós é um mestre que sabe contos, mitos, lendas, versos, superstições, que sabe fazer caretas, apertar mão, bater palmas e tudo quanto caracteriza a cultura anônima e coletiva (de um povo)”.
A cultura popular jamais morrerá, enquanto houver povo.
E povo haverá sempre, pelo bem ou pelo mal.
E eu costumo dizer: cultura popular é a digital de um povo.
Mas discussão sempre haverá; inclusive em torno do bom gosto etc.
O que é hip hop, por exemplo?
E funk?
Sabemos que hip e hop nada tem a ver conosco, como o funk.
Mas em países dominados culturalmente, as culturas locais são sempre preteridas...
...Você sabia que há um negócio chamado funk da ostentação?
Pois é, aí moram perigos.      

GROISMAN
No ar, agora, na TV Globo, o grande sanfoneiro que nos resta, e gente, Oswaldinho do Acordeon, acompanhando humildemente umas besteiras chamadas Chitãozinho e Chororó, que nunca gravaram nada de Dominguinhos e cantaram, agora, Eu só Quero um Xodó. Ora!

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