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quarta-feira, 2 de julho de 2014

SÃO JOÃO SEM BALÃO NO CÉU

Se seguido a rigor o calendário festivo da Igreja católica, o ciclo junino deste ano já acabou. Mas se observarmos o andamento do calendário turístico em vigor veremos que o santo João despertou no dia seguinte ao seu dia, 24, e continua acordadíssimo, principalmente em algumas cidades do Nordeste, como Caruaru e Campina Grande. E cá na capital paulista a festa ainda nem começou; começa sábado, no parque da Luz onde outrora costumavam se apresentar personagens ilustres, como o maestro Carlos Gomes e o poeta Castro Alves.
Como no ano passado, eu e Alessandro Azevedo (acima, com a atriz Milena Toscano ao centro num clic de Michela Brígida) estaremos no palco animando o povo e apresentando as atrações musicais.
Bom, em parte a folia junina mantém a tradição.
Em parte porque alguns pormenores da festa foram excluídos por lei pelo perigo óbvio que oferecem atualmente nos grandes centros, como as fogueiras que já não ardem mais na frente das residências e os balões que não sobem para se misturar às estrelas do céu*, como antigamente.
As festas juninas são uma herança portuguesa fincada nesse pedaço de mundo desde os tempos coloniais, mas as suas origens vão muito além de Portugal.
Segundo a tradição católica, a fogueira que servia para queimar pecadores serviu para Isabel avisar à prima pura Maria Mãe de Cristo do nascimento do seu pimpolho, ninguém menos do que João Batista, que viraria santo e dominaria o ciclo que leva o seu nome.
Os balões (ao lado, detalhe de uma obra do rei da embolada Manezinho Araújo enriquecendo parede do Instituto Memória Brasil), as danças de quadrilha e as bandeirinhas são um detalhe à parte do todo que constitui o colorido das festas enriquecidas pelo espocar dos fogos de artifício.
Além de iluminar o céu, os balões anunciavam o início das festas e levavam bilhetinhos de mocinhas apaixonadas desejosas de encontrar seu par certo e com ele se casar.
De origem pagã, as festas juninas remontam à Idade Média.
As quadrilhas são uma contribuição dos franceses e o foguetório, da China, serve até para acordar o preguiçoso e dorminhoco santo João.
Judeu de Jerusalém, João era um pregador que acreditava na purificação do ser pelo batismo. Preso pela polícia de Herodes, ele foi decapitado a pedido de Salomé.
Hoje João seria considerado um subversivo, como o Cristo.
Por sua vez, o lisboeta Antônio, de batismo Fernando, é o santo que abre o ciclo junino que tradicionalmente fechado por São Pedro - e São Paulo -, no dia 29.
Pedro ou Simão Pedro, Petrus etc., era palestino e pescador por profissão. Ele foi o primeiro dentre os apóstolos a dizer que Cristo era o filho de Deus. Tornou-se o primeiro papa da Igreja.
Paulo, também chamado de Saulo, era um implacável perseguidor de cristãos até se converter ao Cristianismo. Não há provas de que tenha conhecido Cristo e o seu nome é motivo de polêmicas até hoje.
Ao contrário de Pedro que foi crucificado de cabeça para baixo e da mesma forma que João, Paulo foi decapitado pela polícia de Nero, em Roma.
Enquanto isso Israel continua em pé de guerra com a Palestina, acusando o Hamas de terrorismo. A pendenga mortal já dura anos, agora agravada pelo sequestro e morte de três jovens estudantes israelenses, cujos corpos foram encontrados ontem, carbonizados. O Hamas não assumiu a tragédia. A situação pode piorar, com o apoio dos EUA pró Israel.

(*) O novo CD do pernambucano de Serra Talhada Emídio Santana traz xote, xaxado e baião, além de um martelo e uma marchinha junina composta por mim e o mineiro de Alto Belo Téo Azevedo para alertar o quão perigoso é hoje soltar balão. 
Clique sobre a imagem: 

Um comentário:

Anônimo disse...

A essência da tão tradicional festa junina, outrora tão comemorada, nos lares, no sertão nas ruas, simplesmente, acabou.
Não temos e nem sentimos o cheiro da fumaça da lenha queimada o calor das brasas e das cinzas, tudo apagou de forma triste, melancólica. Os balões cortavam a escuridão das noites, disputando com as estrelas a imensidão do azul dos céus. Nem mesmo, as musicas ,hoje, nos empolgam mais, fogem da realidade. O poeta Zé Dantas, sentiu e explicou: Pra dizer com alegria/Mas morrendo de saudade/Não mudei em o São João/ Quem mudou foi a cidade.

Aloisio Alves

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