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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

KUARUP E O BRASIL MUSICAL

A Argentina é o país do tango, Portugal do fado, a França da valsa, a Itália da ópera, os Estados Unidos do rock, jazz e do blues e o Brasil... Bom, o Brasil é o país mais musical do mundo, com dezenas de ritmos, do chorinho à bossa nova, do baião à tropicália, do forró ao samba, passando por gêneros dos  mais diversos no correr dos últimos pouco mais de 100 anos, como o maxixe, o lundum, marchinha (de carnaval e de São João), moda de viola, cateretê, xote, xaxado;  sem falar do repentismo nordestino, do cururu paulista, do calango mineiro e do partido alto carioca.
O Brasil é o país das pérolas, como Carlos Gomes (o maior compositor operístico das Américas), Ary Barroso, Dorival Caymmi, Anacleto Medeiros, Pixinguinha, Tonga, Lamartine Babo, Chiquinha Gonzaga (a nossa maior maestrina), Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Renato Teixeira e centenas e centenas de pedras preciosíssimas.
Mas os brasileiros desconhecem esse País tão rico, tão bonito, tão incrível.
Mas nem tudo está perdido, pois a esperança é um bichinho invisível que nos faz vivos para sempre, por isso jamais deverá morrer mesmo faltando, no caso, meios adequados para mostrar a rica musicalidade brasileira. Entre esses meios, estão -  ou deveriam estar – gravadoras para lançar as obras musicais em disco.
Mas há selos musicais insistindo trazer a tona obras registradas nos tempos do velho e bom vinil, como a Kuarup.
Aparentemente como quem nada quer, mas tudo querendo, a Kuarup, como a fênix surge do limbo trazendo no bojo alguns tesouros que agora ganham o formato de CD, como Taperoá, do paraibano Vital Farias; Tiro de misericórdia, do carioca João Bosco; Telma Costa, título homônimo da mineira; e Outros sons, da paulistana Eliete Negreiros.
Esses discos, cada um com seus gêneros são um bálsamo, uma alegria para todos aqueles que cuidam dos ouvidos e gostam de ouvir música de boa qualidade.
O dico Taperoá foi gravado originalmente entre dezembro de 1979 e março de 1980. Nele há belíssimas surpresas, como a faixa que o abre: Pra você gostar de mim, que eu ouvi do autor bem antes de ele a gravar. Nessa faixa tem até o grande Manduka – filho do poeta Thiago de Melo – tocando charango. No mesmo disco há faixas assinadas pelo poeta Salgado Maranhão, que estranhamente anda sumido, e Oswaldinho do Acordeon exibindo a sua sensibilidade genial.
O disco de João Bosco, o quarto da sua carreira,  é simplesmente uma obra-prima.
O disco de Telma Costa, o único da sua carreira e não se sabe porquê, é para ser ouvido,, ser ouvido, ser ouvido e dito ao vizinho, ao amigo, amiga e todo mundo que é excepcional, poi ela com a sua voz suave, bem colocada, não tem como não nos encantar.
O quarto disco dessa leva da Kuarup, Outros Sons,também  aparentemente não apresenta defeitos. É bom desde a faixa título, de autoria do compositor, arranjador e intérprete paranaense Arrigo Barnabé, um inquieto  experimentalista do ramo que escolheu para dar a sua contribuição ao Brasil, que é a música.
Arrigo tem um pouco de Tom Zé e de Lívio Tragtemberg.
Pois é, o Brasil precisa ser descoberto por todos nós, brasileiros.
Viva o Brasil!

Atenção: Hoje, a partir das 19h, haverá uma audição especial do disco de Outros sons na Livraria da Vila, à rua Fradique Coutinho, 915 , no bairro paulistano de Pinheiros.
Eliete e a Kuarup estão nos convidando para um bate-papo, regado com umas coisinhas. Você vai? Eu vou. 

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