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sábado, 9 de maio de 2015

BRASIL, POVO E CULTURA


“Trabalhar com cultura popular em nosso país não dá, é muito difícil”, disse num tom de desabafo, triste, o cara que deu voz, sorriso e choro à cuíca: Osvaldinho da Cuíca, de batismo Osvaldo Barro, cidadão paulistano nascido no bairro do Bom Retiro num dia de Carnaval.
Osvaldinho, desencantado com o nosso meio musical, acrescentou numa conversa comigo, que está abandonando a carreira.
Ontem 8, fez dois meses que a cantora paulistana da Barra Funda , Inezita Barroso morreu. Pouco antes de eu publicar o primeiro livro a seu respeito (A menina Inezita Barroso; Editora Cortêz, 72 pags.; 2011), ela me contou que fizera uma longa e proveitosa viagem por estados nordestinos colhendo ditos, benditos, cantos populares, coisas do povo enfim. Para colher tudo isso, um tesouro, ela permaneceu na região por meses. Aliás, foi nessa ocasião que ela, pelas mãos do compositor e pianista Capiba, iniciou sua carreira profissional no mundo artístico. Conclusão dessa historieta: ela voltou com centenas e centenas de anotações e, toda feliz, se apresentou à direção da rádio e TV Record e para sua surpresa as pesquisas que fez não despertaram nenhum interesse. Decepcionada ela voltou para casa e chorou, chorou e chorou. Em seguida acendeu a lareira e por horas o fogo engoliu o motivo de sua decepção. “É duro trabalhar com cultura popular”, resumiu a mais importante cantora de sambas e do folclore brasileiros.
Hoje faz nove dias que partiu para Eternidade o cantor e apresentador de rádio e TV Jorge Paulo Nogueira, o homem do Chapéu de Couro.
Jorge foi um dos nomes mais conhecidos da televisão e da radiofonia de São Paulo a partir do começo dos anos de 1960. Ele apresentou programas na Bandeirantes, Gazeta, Record, Cultura e Globo, com muito sucesso. Por seus programas passaram Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês, Carmélia Alves, Oswaldinho do Acordeon e todo mundo.
Você amigo/amiga, viu ou leu alguma notícia a respeito da morte do Jorge Paulo?
No correr do mês passado morreram três sanfoneiros famosos: Mangabinha, Camarão e Severo.
Severo acompanhou por muitos anos o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro.
Você amigo/amiga, viu ou leu alguma notícia a respeito da morte desses artistas?
Pois, infelizmente, está mais do que provado que trabalhar com cultura popular no nosso país não é bolinho, não.
Certa vez, no programa São Paulo Capital Nordeste que apresentei por mais de seis anos na rádio Capital AM 1040, apareceu de supetão o maestro João Carlos Martins. Como muita gente ainda lembra, o programa era uma festa só, e transmitido ao vivo para todo o País. Comigo, naquele dia, estavam Pery Ribeiro, Claudia e o Trio Virgulino, entre outros artistas. De repente, sorrindo, o maestro pegou a sanfona do Enok e dela puxou a melodia de Ciranda, Cirandinha.
Ciranda, Cirandinha é do nosso rico folclore. E aproveito para dizer o seguinte: a cultura popular, seja de onde for, é de muita importância para a identificação de um país, pois é a cultura popular na sua essência que dá identidade a um povo, uma nação. Mas no Brasil, quem poderia entender e chancelar isso, não entende nem chancela.
E pensar que toda a obra de Shakespeare é baseada no folclore da sua terra...

Você já ouviu falar do Instituto Memória Brasil, IMB?


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