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sexta-feira, 31 de julho de 2015

CAIXA PRETA NO PETROLÃO

Tem um cara da nossa literatura, que eu gosto muito: Machado de Assis
A obra de Machado, especialmente seus contos, parece ser toda baseada na vida brasileira de seus personagens. De hoje, inclusive.
Baseado em supostos manuscritos beneditinos, o diabo certa vez, segundo lê-se num conto de Machado – A Igreja do Diabo –, decidiu disputar com Deus as atenções de todos os católicos e não-católicos, criando ele mesmo, o diabo, a sua igreja. Com essa decisão, o diabo mudaria seu modo de governar desde as trevas.
Assim, as virtudes teriam todas o seu teor invertido: a preguiça, a gula, a ira etc.; seriam transformadas em coisas que não prestam. O diabo também faria valer na sua igreja o fim de todos os direitos; o humanismo não teria sentido, o amor ao próximo seria totalmente destruído, o homem teria como positividade o “direito” de vender-se, incluindo o voto, a fé e a alma.
Aliás, vender a alma, é algo que os filhos do cão têm feito desde sempre.
Ouvindo a advogada Beatriz Catta Pretta, que em nome do medo e de seus filhos afirma ter renunciado ao exercício da própria profissão, fiquei de “queixo caído”.
Queixo caído é uma expressão que faz parte do rico tesouro da cultura popular.
Ao ouvi-la, lembrei-me também da desculpa esfarrapada do engraçado e perigoso Jânio Quadros que, ao renunciar a presidência da República, num 24 de agosto, atribuiu a sua decisão “às forças ocultas”.
Pois é, como nos contos do carioca Machado de Assis, há muita realidade dolorosa expressa na fala dos personagens que dilapidam o patrimônio nacional e pululam por aí no campo do real e do irreal, deixando-nos de pelos arrepiados. Enfim, “no céu e na terra há muitas coisas e mistérios além do que pensa a vã filosofia”.
A advogada Catta Pretta seria “caixa preta” do enésimo escândalo que rouba o sonho e a esperança de nós, pobres mortais brasileiros?

Esperemos, pois nada melhor do que um dia atrás do outro.

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