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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

QUEM JÁ NÃO OUVIU UMA HISTÓRIA DE PESCADOR?

O que mais dói, uma mentira de homem, mulher ou menino?
Todo tipo de mentira dói, mas dói menos a inventada e contada por uma criança.  E por
pescador.
Quem já não ouviu uma história de pescador?
José Dias não era pescador, era um desses personagens inventados pela imaginação de um dos nossos maiores escritores, Machado de Assis (1839-1908).
Um dia, nos fins da primeira parte do século 19, José Dias bate à porta em uma fazenda e cura com remédios adquiridos sabe-se lá onde, um feitor e uma escrava. E não cobra nada dos pacientes e nem do seu dono, pai de Dentinho.
Dentinho, como todo mundo sabe ou deveria saber, vinha a ser Dom Casmurro.  
Ilustração de Luciano Tasso para a obra Meus romances de cordel.
Dias acaba por morar na fazenda do pai de Dentinho. Um dia, com a consciência pesada, resolve dizer que não era médico coisa nenhuma, mas sim um charlatão; e que escolhera esse caminho por ser o menor caminho que encontrara para ajudar quem dele necessitasse.  Dito isso, foi perdoado.
Quer dizer, há mentiras curiosas, engraçadas, que não fazem mal e não levam a nada; e quando leva, leva para o bem do outro.
Mentira de pescador faz mal?
Mentira de criança faz mal?
E mentira de homem e mulher, quando especialmente a mulher ou homem mente para tirar proveito próprio em prejuízo de uma sociedade, por exemplo?
Pois é, o Brasil vive numa embatucada: perdoar ou não perdoar, eis a questão.
A Democracia é um sistema político que, nas origens, foi criada para o bem de todos.
Quem não dá bola à lei e comete crime, qualquer crime, deve pagar pelo que fez ou faz, é ou não é?
Muita gente não dá bola às leis. Getúlio Vargas, por exemplo, dava de ombros e dizia que a lei era para os inimigos, “para os amigos, tudo”.
Mentir é coisa grave.
A mentira leva à degradação.
Detalhe: José Dias era daqueles que opinavam com  obediência.
Por falta de opinião, jamais morrerei. 

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