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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Lua Luana e Marimbondo Chapéu

O mundo está pegando fogo, incluindo o Brasil e seus dirigentes sempre insensíveis com o futuro do povo.
O mundo está pegando fogo.
Vejamos o que está acontecendo no mundo árabe, na Europa.
Tudo um horror, um horror pela incapacidade de nós todos e, principalmente dos dirigentes mundiais, que escondem em si a capacidade de contribuir amando o próximo.
Os sírios continuam tentando atravessar o mediterrâneo para chegar à Itália, à Alemanha, Europa.
As pessoas continuam correndo atrás da sobrevivência. Isso mostra a importância do que é a vida.
A busca pela vida é a negação da morte.

Mas o que é que isso tem a ver com cultura popular?
O nome já diz.
Cultura Popular.
A cultura popular é feita pelo povo, povo de qualquer país.
Viver é um esforço de o povo se desdobrar em si, se desdobrar em arte.
O desdobramento do ser em si, em arte, é vida.
Quer ver?
Agora, a pouco, estiveram comigo na sede provisória do Instituto Memória Brasil (IMB), o maior cuiqueiro do Brasil, Osvaldinho, e o seu biógrafo: André Domingues. Com André veio o Gato com Fome, Cadu.
Foi uma conversa muito bonita a que nós tivemos hoje, aqui. Falamos de Brasil, de brasilidade, das incongruências da vida brasileira.
E na vida do mundo, em todos os tempos, tem e haverá, sempre, a lua.
A lua no nordeste é a lua que o mundo conhece. E tem a Lua Luana, o nome, um poema.

Na vida há tristezas, alegrias e, nisso tudo, a cultura popular.
Vocês querem saber um pouquinho sobre um fazedor de cultura popular?
O meu querido amigo jornalista Vitor Nuzzi gravou ontem as perguntas que fiz para Marimbondo Chapéu, um criador brasileiro. Leiam:




Quem é Marimbondo Chapéu? Nasceu quando, onde, e qual o nome verdadeiro?

Marimbondo Chapéu é da região dali de Alto Belo, próximo à cidade de Janaúba, vem da origem da espécie de marimbondo, foi o nome que eu ganhei, mas o meu nome mesmo é Ivanilton da Silva. Tenho 34 anos de idade, resido em Montes Claros, pretendo residir também em São Paulo, através de um grande projeto.


Você nasceu quando, exatamente?

Dia 27 do dois de 1981.


Pai e mãe, como chamam?

Maria de Fátima Marcelina Silva, Antônio Augusto Silva.


Todos mineiros?

Todos mineiros.


Quantos filhos o casal teve?

Nós somos nove filhos. Eu sou mais do meio. Tem mais três caçulas depois de mim.


E o pai e mãe, têm a ver com música?

A família já vem de origem de música, né, Assis? Desde contando com Jaquinho, Jackson Antunes, já vem do trabalho de ator. A nossa família já é direcionada a esse lado de trabalho. Eu parti para o lado da música porque gostava de ouvir o som da rabeca, pela primeira vez, com Zé Coco do Riachão. De lá para cá, apaixonei-me com a história.


E o Zé Coco, você conheceu?

Conheci, com certeza. Eu fui na casa dele quando era novinho. Um dia, vendendo picolé ainda na rua, vi ele fabricando as rabecas, as violas. Fiquei encantando com aquele trabalho dele, passei a ir lá várias vezes, fui aprendendo aos pouquinhos, depois vim a São Paulo para aperfeiçoar, porque não é fácil pegar uma perfeição de fabricar. 


O apelido, quem deu?

Foi José Osmar e Téo Azevedo.


Puxa, como assim?

Quando eu tinha 13, 14 anos, lá na Folia de Reis lá de Alto Belo, eu era meio traquinas, falavam que eu era um menino meio levado... Nisso, a gente estava foliando numa casa já antiga e na cumeeira da casa tinha a ... Aí, eu tocando a rabeca, vi a caixa, direcionei o arco da rabeca, coloquei o arco no meio dos marimbondos, os bichos veio caindo nas minhas costas, deu uma ferroada. Téo Azevedo olhou assim, deu uma risada e falou assim: "Esse aí é marimbondo chapéu, bicho". Aquela vozona rouca, estridente dele... Os dois (Téo e o declamador José Osmar) falaram na hora, né? Então ficou de autoria dos dois.


E você constrói rabeca, como é que é isso?

Assis, eu gosto de construir rabeca com pouquinha ferramenta. para mim não tem tanto maquinário para trabalhar. A rabeca é fabricada com amor, carinho, coração, você se entrega a alma, viaja no mundo. Cada vez que você dá um detalhe numa madeira, mais um sorriso você se encontra. Eu fabrico com facão, estilete, um serrotinho e o coração.


Quantas rabecas você fez até hoje, você tem ideia?

Já perdi a conta.


Quanto custa uma rabeca sua?

É baratinho, 300 reais.


E você escreve seu nome na rabeca?

Tem meu nome dentro da caixa da rabeca.


Que madeira usa pra fazer?


Eu uso pinho, cedro, uso aquela caixa de bacalhau. São madeiras fáceis de encontrar, porque tem aquela madeira de lei, que é difícil, então uso madeira mais tradicional mesmo.





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