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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CONVERSA, SUICÍDIO E PAZ

Se o mundo conversasse entre si, o mundo seria melhor.
Se todos nós conversássemos, claro seríamos todos melhores.
Conversar faz um bem danado!
Mas como estamos sempre distante de nós mesmos, nos perdemos. Não nos amamos, e de novo nos perdemos.
Não é porque não existam guerras, as guerras sempre existirão porque sempre serão um bom negócio para quem vive das guerras.
E são muitos os que vivem das guerras no mundo todo. Putin e Obama, por exemplo.
Poxa, não conversar não é bom.
Conversa e guerra têm a ver com poesia?
Pois bem, foi-não- foi amigos batem à minha porta para conversar, e eu fico muito feliz com isso.
Domingo, meu amigo Peter chegou trazendo um galeto numa mão e na outra um uísque; e comemos o galeto, bebemos o Uísque e conversamos. E tivemos uma conversa que durou mais de hora. E aí senti-me feliz, porque conversar é entender.
E papo vai, papo vem, Peter me pergunta se eu conheço o poema Ismália. Fiquei em dúvida. Ele deu dicas: Mallarmé foi um poeta simbolista. O autor desse poema era simbolista. Augusto dos Anjos também foi simbolista, eu disse. Aí foi legal, Peter lembrou que conhecera Ismália desde a adolescência. Ismália é uma obra prima de Alphonsus de Guimaraens, em que nos fica na memória a cena mais linda de um suicídio, se é que se pode chamar de linda uma cena de suicídio.
Conversar com Peter Alouche, só soma, nos engrandece. 
Eu sempre aprendi com pessoas que passei a amar, como Luís da Câmara Cascudo, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, José Ramos Tinhorão, Papete e tantos e mais alguns que me trouxeram à luz a vida mais forte do que ele é.
Mas ele insistiu se eu conhecia o poema Ismália.
Ismália, ele me disse, é um poema muito bonito do Alphonsus.
A ficha caiu: o autor de Ismália nasceu no dia 24 de julho de 1870, mesmo tempo em que Carlos Gomes estreava na Itália a ópera indigenista O Guarani, a sua primeira das seis óperas que o transformaram no maior compositor das Américas.
Coisas incríveis nos dão vida, não é?
Alphonsus de Guimaraens nasceu em Ouro Preto e morreu em Mariana. Meu Deus! A poesia faz bem e a tragédia é o que é...
Em 1954, Getúlio Vargas foi para o inferno com um tiro no peito. Motivo? Um mar de lama que o ladeava. Denúncia do Lacerda.
Um mar de lama, é, na verdade, um horror que engole tudo que vai achando pela frente, inclusive almas inocentes. 

Quando a democracia nos fará felizes?

E conversar faz um bem danado, não é mesmo Eduardo Valbueno? 
Ah, sim! Alphonsus de Guimaraens, ao contrário de Vargas, chegou ao Céu no dia 15 de julho de 1921. 


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