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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PATATIVA, LUIZ GONZAGA, JOSÉ CORTEZ, GLOBO E CARNAVAL


Nesta terça-feira gorda, acordei, não sei por que, pensando no poeta do Assaré, o Patativa.

Patativa não compôs nada sobre o Carnaval, mas o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, sim. Gonzaga, por exemplo, compôs com Humberto Teixeira a marcha “Meu Brotinho”, sucesso na voz de Francisco Carlos, que ficou conhecido como El Broto.

No último dia 1º, permaneci durante hora e meia falando sobre Carnaval e outras coisas no estúdio da CBN, cá em Sampa. Foram muitas as pessoas do Brasil e do exterior que entraram no site da emissora fazendo perguntas. Da França teve alguém que perguntou sobre a relação da literatura de cordel com o Carnaval. Relação direta, nenhuma. Mas essa é outra história. De qualquer modo, clique: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-noite-total/2016/02/01/HISTORIA-DO-BRASIL-E-DO-CARNAVAL-E-MUITO-MAIOR-DO-QUE-O-PUBLICO-CONHECE.htm

Meu amigo Vitor Nuzzi acaba de abrir meus e-mails e, de supetão, damos de cara com uma mensagem de um velho amigo meu, lá da Paraíba: Alarico Correa Neto. Que, se dependesse dele e de outro amigo, Evandro Nóbrega, eu nem estaria em São Paulo, pois ambos, junto com Jurandy Moura, fizeram de um tudo há 40 anos para que eu, da terrinha querida – João Pessoa –, dela não saísse.

A mensagem de Alarico trouxe no anexo um vídeo de uma garotinha chamada Laís Amaro, 10 anos, cantando e se acompanhando à sanfona que nem gente grande. Sim, a Laís, já grande no talento, é incrível. Laís é do sertão paraibano, Cajazeiras. Ouçam-na:



Mas eu disse que acordei pensando no meu querido Patativa, sobre quem, aliás, escrevi o livro “O Poeta do Povo – Vida e Obra de Patativa do Assaré”. Eu andei gravando algumas coisas do velho Patativa, como “Maria Gulora”, acompanhado pelo talento do mineiro Téo Azevedo.

Pois bem. A pequena Laís interpreta à sanfona o baião imortal do também imortal Gonzaga (e Humberto Teixeira) “Qui nem Jiló”. Essa música foi originalmente gravada no dia 5 de janeiro de 1950 no estúdio da extinta Victor, no Rio de Janeiro.

Patativa nasceu no dia 5 de março de 1909. Patativa começou a fazer poesia aos 8 anos de idade, quando ouviu alguém declamando um folheto de Leandro Gomes de Barros, que desde então virou seu ídolo. Leandro(1865-1918) morreu um dia antes de Patativa completar 9 anos.

Enquanto eu pensava no Patativa, e, de tabela, Luiz Gonzaga, o telefone toca: é o amigo José Cortez, da Cortez Editora, nos convidando, a mim e a Ana Maria, minha filha, para almoçar num restaurante recém-inaugurado, no bairro paulistano do Pacaembu (Rua Traipu, 91, telefones 4306-2078/2082, www.baiaocozinhanordestina.com.br). No restaurante Baião comemos um belíssimo baião de dois. Não por coincidência, foi a composição primeira que marcou a vida de Luiz Gonzaga; e “Baião de Dois” é música de Gonzaga (e Humberto) que hoje faz parte dos clássicos da música popular brasileira.

Eu gostei do que comi. E a cervejinha estava também muito boa. Poxa, esse Cortez é do balacobaco! Como todo mundo sabe,  o mineiro Juscelino Kubitscheck ficou famoso como “pé de valsa”, e Cortez já entrou também para a história como um “pé do forró”. O cabra dança que nem uma carrapeta num salão de forró! E mais, muito mais importante, José Cortez é um apaixonado pelo Brasil mais profundo; o Brasil pé no chão, o Brasil povo, o Brasil gente, o Brasil que pensa, o Brasil que chora, o Brasil que lê. José Cortez é daqueles brasileiros que a gente sente orgulho de tê-lo como amigo, de tê-lo nas proximidades, de saber que nele há um cais, há uma âncora. Viva José Cortez!



Ah, eu ia esquecendo. No restaurante Baião há música ao vivo, e hoje lá estava Fernandinho do Acordeon, cantando e tocando com seus músicos um repertório muito bonito, baseado em Luiz Gonzaga.

Em 1964, só para arrematar essa história, não custa lembrar que Luiz Gonzaga lançou, de autoria de Patativa, a obra-prima popular “A Triste Partida”, espécie de hino do povo nordestino.



ESCOLA DE SAMBA

No texto anterior, aí de baixo, eu falo do fim das escolas de samba. Elas agonizam, essa é a verdade. Eu afirmei e reafirmo que no dia em que a TV Globo decidir não mais transmitir os desfiles do Rio e de São Paulo as escolas darão o seu último suspiro e cairão que nem um Pierrô traído pela Colombina. E tudo acabará em cinzas, isto é: em compacto.

Quer ver? Ontem mesmo, que nem um babaca, fiquei diante da telinha de fazer doido, como diria Stanislaw, esperando o início da transmissão dos desfiles do Rio. Mas cadê? A Globo engoliu a transmissão da escola que abriu a segunda noite na Sapucaí: Vila Isabel. Pobre Noel, de bela memória e obra inesquecível. Aqui em São Paulo, acaba de sair o resultado deste 2016. A vencedora foi a escola Império de Casa Verde, com samba-enredo que trata dos mistérios da vida. 

Do primeiro grupo, caíram as escolas Pérola Negra e X-9 Paulistana. Aliás, na X-9 tive a experiência de desfilar em 2010 (abaixo). O tema abordado na ocasião foi a língua portuguesa.


O cantor Roberto Leal, Álvaro Alves de Faria, Celso de Alencar, Luiz Roberto Gudes... 

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