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sábado, 18 de junho de 2016

KAFKA NO RIO SE SENTIRIA EM CASA...

O Rio de Janeiro, fevereiro e março, amanheceu em estado de calamidade pública. É novidade histórica, isso nunca aconteceu. Um horror! As balas perdidas continuam zunindo no pé-do-ouvido dos inocentes. Quer dizer, tudo anda na mesma, ou seja: a Bahia da Guanabara permanece fétida, o trânsito e pedestres seguem firmes na sua loucura descomunal. E é roubo pra cá, roubo pra lá... Kafka no Rio se sentiria em casa; e nem precisaria escrever nada pra se sentir em casa, pois o absurdo da sua ficção aparece lá como pura realidade.
Ouço no rádio que os estabelecimentos hospitalares estão a cada instante cerrando suas portas e deixando à míngua quem deles precisa. E aí é gente baleada morrendo, é gente doente sucumbindo abandonada e mulher grávida parindo na rua a cada hora do dia ou da noite. Fora isso, tem a onda “tsunâmica” de crianças e adolescentes, principalmente, abusadas no mato, favela ou no seio familiar. Aliás, estatísticas indicam que a cada duas horas uma jovem é atacada por tarados em grupo, no Rio; e nas demais partes do País, uma mulher é atacada a cada três horas. O dia tem 24 horas e façam as contas do total de mulheres sexualmente violentadas por ano. E tem ainda um pequeno detalhe: a quantidade de vítimas que deixa de denunciar à polícia os abusos sofridos, por medo ou vergonha.
Agora tem o seguinte: eu e muita gente mais ou menos informada, achamos que “estado de calamidade pública” é o estado que o governante municipal, estadual ou federal anuncia diante de uma grande catástrofe natural, por exemplo. Bom, mas pensando bem, o que acaba de ser decretado no Rio é, de fato, uma catástrofe única, original, sem precedentes. O descaso lá é histórico e contínuo, daí a justificativa para o estado de calamidade anunciado ao País. As justificativas são todas: falta de pagamento ao funcionário público, falta de recursos para manutenção dos hospitais, escolas, etc. Até a coleta de sangue nos órgãos especializados foi suspensa. É ou não é um horror o que está acontecendo no Rio de Janeiro a um mês e meio da Olimpíada? A esse estado de calamidade se acham tragédias “miúdas”, como o desabamento da ciclovia em São Conrado, causando mortes...
Os políticos, um bando enorme deles, não se envergonham de “chupar o sangue” dos contribuintes. E eles roubam, roubam... Enquanto isso, os bancos de sangue continuam escassos em todo o País. Em São Paulo mesmo. Em Salvador, Bahia, estão se distribuindo folhetos de cordel conscientizando a população a doar sangue. É uma campanha bonita essa.
Agora me vem um pensamento kafkiano: e se o Lula e a Dilma selassem um acordo de delação premiada junto a quem de direito, hein? E se isso acontecesse, quem sabe o Brasil se reencontrasse com seus pecados e seguisse o rumo da beleza gigante em benefício de si próprio e de nós todos, cidadãos trabalhadores, pacatos, que pagam em dia seus impostos para uma vida melhor?  

TRIO MARAYÁ
Mais um amigo partiu para a Eternidade. Dessa vez foi o potiguar Behring Leiros, integrante do Trio Marayá. Faz hoje uma semana que ele partiu. Quem me deu a notícia foi Lenita, agora viúva. Tinha 81 anos de idade. O trio chegou ao Rio de Janeiro no final dos anos de 1950 e pelas mãos do pernambucano Luiz Vieira, recebeu os primeiros “empurrões” na carreira. Fácil, fácil, Behring e seus companheiros Marconi Campos e Hilton Acioli, chegaram até o paraibano Geraldo Vandré e com ele desenvolveram plenamente a carreira artística. Com Vandré o trio andou por todo o Brasil e diversos países da Europa. Detalhe: o nome do trio foi um presente do estudioso da cultura popular, Luís da Câmara Cascudo (1898/1986).  
  
  
   


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