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domingo, 4 de setembro de 2016

BIENAL, FLORES EM VIDA

Marco Haurélio, Klévisson Viana, Assis Ângelo, Lucinda Marques e Crispiniano Neto na noite de entrega do Troféu Joseph Luyten, na Bienal Internacional do Livro
Foi bonita a festa, pá.
Ontem a noite, a Câmara Cearense do Livros, CCL, através de Lucinda Maria Marques, concedeu-me o troféu Joseph Luyten. Gostei. O pretexto foi eu gostar da cultura popular. Brasileira, principalmente. Flores em vida. O mesmo troféu foi compartilhado com Audálio Dantas, Jô Oliveira, Bule-Bule, Sebastião Marinho, Chico Pedrosa, Geraldo Amâncio, José Cortez, entre outros. Cortez é ícone dos editores brasileiros. Quando o seu nome foi anunciado, o Anhembi pareceu desmoronar em aplausos.
Pois bem, foi bonita a festa, pá.
Eu disse um monte de coisas e até declamei um poema que fiz em lembrança à grandeza poética do cearense Cego Aderaldo.
Na última quarta (30), desenvolvi palestra sobre cultura popular na Bienal.
Muita gente bonita, muitos artistas incríveis reencontrei à boca da noite da quarta, 30, lá. E ontem, 3, reencontrei outras pessoas tão incríveis como na noite da palestra. Reencontrei Bule-Bule, Klévisson Vianna e Arievaldo, seu irmão, Rouxinol do Rinaré, Sebastião Marinho, e tantos e tantos, incluindo o paranaense Sinval, tocador de berrante e domador de burro bravo.
Sim, foi legal estar mais uma vez participando, de modo mais intenso, da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
A organização dessa 24ª Bienal estima receber 720 mil visitantes, incluindo crianças e aborrescentes de todas as idades. Tomara que isso aconteça.
O Brasil tem uma população que ultrapassa, segundo o IBGE, os 200 mil habitantes. Somos, porém, uma das nações que menos lê no mundo. Não lemos nem cinco livros por ano.
Dados indicam que pelo menos 30% da população brasileira jamais compraram um livro. Indicam também essas pesquisas que quem lê nem sempre termina o livro, ou seja: quem lê por partes nem sempre lê o livro inteiro. Outra coisinha: o livro mais lido no Brasil é a bíblia.
Sim, somos um país de analfabetos... com Jesus no coração.


BERNARDO FILHO
E agora tomo-me de uma tristeza profunda: Bernardo Filho, ao lado de quem iniciei a carreira no rádio, em João Pessoa (PB), partiu para a Eternidade. A informação vem de outro grande amigo, Richardi Muniz. 
Eu e o Bernardo apresentávamos um programa chamado Bandeira 2, que era transmitido pela madrugada, ao vivo na Rádio Correio da Paraíba. Eu tinha 19 anos e ele um pouco mais. Grande voz, grande amigo, adeus.
Bernardo

FERNANDO COELHO
O querido amigo, Fernando Coelho, poeta dos maiores, está sempre com sua memória fervilhante; tanto que traz à tona uma lembrança:

A tarde caia aborrecida naquele dia. São Paulo exalava um frio torto. Do lado de fora, parecia do lado de dentro, tudo nublado. Eu bebia com o meu amigo e compadre Assis Angelo no inoxidável bar Mutamba, refúgio de jornalistas desempregados, recém contratados, bêbados letrados, e das estudantes de Comunicação que prevaricavam com o amor, sempre pesquisando a nossa experiência louca. Assis Angelo, um dos maiores jornalistas deste país, autor da melhor biografia de Luiz Gonzaga, é dono de um dos mais espetaculares acervos de música brasileira. (Ela se aproxima, com sua beleza terrível. “Não se lembra de mim, da festa do Massao Ohno – Massao foi o mais importante editor de poesia que o Brasil já teve, meu amigo – eu queria me jogar do Viaduto do Chá, sua poesia não deixou”). Eu não me lembrava como a minha poesia poderia tê-la salvo, antes e agora eu estava embriagado. Naquela tarde, tínhamos uma missão digna, eu e o meu compadre Assis, dos mais experientes espiões da CIA: contrabandear uma dose de conhaque Macieira para Nélson do Cavaquinho, meio acamado no Hotel Jaraguá, vizinho do bar e do antigo Estadão, ali na esquina. A missão foi cumprida. Bebemos mais do que Nélson. Tempos depois, Nélson morre. Eu tinha balbuciado para ele a Flor e o Espinho, no quarto do hotel, sob o olhar complacente de Assis. Agora, que escrevo esta lembrança, engulo o espinho.

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