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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

NA SANGRIA O RIO SÃO FRANCISCO GEME




A história é incrível, tanto a real quanto a fantástica.
Os negros de África trouxeram para o Brasil a lenda de Iemanjá, rainha dos mares, oceanos... Segundo a lenda, Iemanjá salgou as águas do mar e do mar se fez dona.
Desde menino, ouvi dizer que no mar tem sereia...
Iemanjá é uma divindade, de acordo com a lenda, nascida no Rio Ogum.
Iara é a rainha, é a dona das águas doces; das águas de todos os rios...
O mundo é fantástico, incluindo o real em que vivemos.
A divindade que habita as profundezas do rio São Francisco atende pelo nome de Irati.
Irati, segundo a imaginação geral dos ribeirinhos do São Francisco era uma índia; uma índia apaixonadíssima por seu índio que um dia, de arco e flexa, saiu da oca para enfrentar o inimigo branco, invasor...
O Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas.
O Rio São Francisco é comprido e largo, muito largo, e na origem com águas da quantidade de um mar.
O Rio São Francisco corta a Bahia, faz fronteira com Pernambuco e põe limites em Sergipe e Alagoas. Tem mais de 2.800.000 quilômetros. Bondoso, receptivo, atende diretamente a mais de doze milhões de pessoas.
O Rio São Francisco foi descoberto em 1501, pelo navegador aristocrata Américo Vespúcio.
O Rio São Francisco está sofrendo, há muito tempo. A razão do seu sofrimento somos nós, chamados de humanos.
Desde o começo do ano de 1990 que ele, o rio, está sendo demasiadamente violentado pelo homens que o querem minguado, dividido, judiado... Tudo isso em nome do povo, dos Estados de Pernambuco, Paraíba...
A primeira grande seca de que se tem notícia ocorrida no Brasil data do começo do século XVIII.
Entre os anos de 1876 e 79, a seca no Nordeste fez pedra chorar, de tão grande. Num momento qualquer desse período, um agente do governo cearense procurou o imperador Dom Pedro II para lhe propor a transposição das águas do Velho Chico. O imperador, depois de ir pessoalmente ao Ceará e constatar com os próprios olhos a desgraça, disse que isso não era possível. Detalhe: por esse mesmo tempo, Dom Pedro jurara que venderia até a última pérola da Coroa para que a situação dos flagelados fosse minimizada...
Depois da seca de 1877, veio a de 1915.
A seca de 1915 também matou muita gente e muito bicho no Nordeste; de novo no Ceará. Dessa vez, lá, foram construídos até campos de concentração.
E se olharmos com olhos de quem vê, veremos que nada mudou no Brasil; no tocante, especialmente, à seca.
Os problemas do nosso País são os mesmos do passado agigantados no presente.
Deus do Céu, como erramos na escolha dos nossos governantes!
O Rio São Francisco é conhecido desde séculos como o Velho Chico.
Como o Velho Chico, o rio tem despertado a atenção de todo mundo.
E no seu silêncio, a tragédia se consome.
Mais de 15 bilhões de reais já foram desviados em seu nome. E outro dia ouvi a notícia de que serão necessários mais pelo menos 10 bilhões para que ele seja sangrado para  Pernambuco, Paraíba...
O Velho Chico virou tema de livro, de estudos. O seu nome é cantado em verso e prosa, por repentistas e poetas de bancada. Já virou nome de filme e telenovela.
O Velho Chico está sofrendo (eu constatei estando lá, acima).
Eu gostaria de saber a opinião de Guimarães Rosa sobre a violência, mais uma, que está se praticando contra esse fabuloso rio, um dos maiores do mundo.
Já que isso não é possível, na minha imaginação eu perguntaria a Diadorim... Melhor, imagino o valente Diadorim convidando Riobaldo a, com ele, atravessar o São Francisco numa canoa antes de o São Francisco se acabar.
Ah! Rômulo Nóbrega acaba de me mandar as fotos que ilustram esse texto. São fotos feitas no município pernambucano de Sertânia, terra do meua migo cordelista, radialista, Luiz Wilson. O governo promete às vítimas da seca as águas do rio São Francisco ainda para este mês. Veja as fotos. Vc acredita?
Ouça, agora, meus amigos Valdir Teles e Sebastião da Silva cantando a modo próprio...




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