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sexta-feira, 24 de março de 2017

ASFORA, GONZAGA E RÔMULO NÓBREGA



Mesmo vivendo a maior seca da história, a cidade paraibana de Campina Grande chamou os seus munícipes para lembrar, embora tardiamente a data de morte de um dos seus maiores filhos adotivos: Raymundo Asfora. Essa lembrança veio através da Câmara Municipal .
Raimundo foi tudo na vida. Foi cidadão exemplar, um ser incrível.
No livro Prá Dançar e Xaxar na Paraíba, de Rômulo C. Nóbrega e José Batista Alves, capa ao lado, acham-se as seguintes informações à página 353:

"De descendência árabe, Raymundo Yasbeck Asfora nasceu em Fortaleza, Ceará no dia 26 de novembro de 1930, mas abraçou e foi abraçado pela cidade de Campina Grande (PB) até seu último dia de vida, em 06.03.1987 (seis de março) quando foi encontrado morto.

Em 1954 participa do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro, onde foi orador oficial.  Foi vereador em Campina Grande, deputado estadual e federal (pela Paraíba).

Formou-se em direito no ano de 1954 pela Faculdade de Direito de Recife PE.  Como homem público, manteve seu nome apenas como Raymundo Asfora.  Como jurista, destacou-se em âmbito nacional;

Admirava uma cantoria, fiel amigo dos cantadores de viola da região e poetas populares e aprimorou sua verve poética sempre sincronizada com o cenário real do homem do Nordeste.

O soneto era o gênero da poesia que mais praticava, focado nos costumes e no nosso folclore.

Com sua inteligência ímpar, sempre surpreendia os violeiros com os motes para a cantoria.  Um deles, famoso, é: A MORTE ESTÁ ENGANADA / EU VOU VIVER DEPOIS DELA,  e completou:  A morte é muito atrevida, investiu contra Jesus / Depois de levá-lo à cruz, tirou-lhe sua vida / Maria Compadecida verteu lágrima singela / Mas Jesus disse pra ela: Pode ficar descansada / A morte está enganada, eu vou viver depois dela.

Autor oculto da letra do hino popular de Campina Grande , TROPEIROS DA BORBOREMA, gravada por Luiz Gonzaga em 1964, sua primeira versão, em parceria com o fabuloso Rosil Cavalcanti.  Nas duas vezes que Luiz Gonzaga gravou esta música, só mencionou o nome de Rosil Cavalcanti, embora este sempre mencionou publicamente a parceria de Asfora. Foi motivo, inclusive, para pedido de desculpas, publicamente, pelo Rei do Baião, em apresentação em Campina Grande.

Asfora agia como dizia:  PIOR DO QUE NÃO TER A SANTIDADE DE MULTIPLICAR O PÃO, É NÃO TER A HUMILDADE DE SABER DIVIDI-LO.

Seu amor por esta cidade, Campina Grande, era tamanho, notado em suas revelações, quando disse: CAMPINA, A ÚNICA DISTÂNCIA QUE ME SEPARA DE TI É A DISTÂNCIA DE UM BEIJO, E ESSE BEIJO  TERÁ UMA DURAÇÃO DE UMA ETERNIDADE.

Ele rasga e diz: CAMPINA ATÉ SENDO PUTA, EU QUERO SER FILHO DELA !   A Câmara de Vereadores de Campina Grande concedeu o título de Cidadão Campinense e ele recusou, veementemente, e argumentou:  Campina ficaria magoada se soubesse que ele não se considerava como um filho da cidade."

Na lembrança ao grande Raymundo Asfora, muitos artistas do Nordeste se apresentaram cantando e dizendo coisas bonitas, como Biliu de Campina, Jessiê Quirino e Oliveira de Panelas. Grande Oliveira! É sempre bom ouvir o clássico Tropeiros da Borborema, clique:




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