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terça-feira, 18 de junho de 2013

POLÍTICO TEME POVO NAS RUAS

A história registra que na virada de 31 de março para 1º de abril de 1964, os militares, amedrontados pelo comunismo e apoiados pela elite e orientados pelos norte-americanos, deram um golpe na democracia e se apossaram do Estado brasileiro.
A história registra também que o poder civil no nosso País só foi retomado 21 anos depois, com a vitória da campanha pelas eleições Diretas-já, e com Tancredo Neves (1910-85) eleito presidente da República.
Muita coisa aconteceu desde aquele longo período (1964-85).
Os conservadores ocuparam ruas da capital paulista numa passeata que ficou para a história como Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade, pouco mais de uma semana antes do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart (1919-76).
Pelo menos 500 mil pessoas participaram daquela marcha.
Um dia após o golpe, foi a vez de Minas Gerais, Paraná, Piauí, Goiás e o então Estado da Guanabara levarem às ruas multidões em nome da família com Deus etc.
Quatro anos depois o estudante mineiro Edson Luís foi bestamente assassinado em conflito militar no Rio, resultando em protesto em todo o País e numa música gerada pelo talento do paulista Sérgio Ricardo, intitulada Calabouço.
O ano de 1968 culminou com a decretação do Ato Institucional nº 5, o fechamento do Congresso, políticos cassados e muita gente presa, torturada, desaparecida e morta.
O estopim que provocou a edição do AI-5 foi um discurso sem grandes pretensões do deputado Márcio Moreira Alves (1936-2009), estimulando a população a não ir aos desfiles de 7 de setembro, em protesto contra a violência dos radicais contra os civis pacatos, trabalhadores e ordeiros 
Tudo isso eu digo para lembrar que a ditadura militar foi motivo de esperança e luta de todos nós.
Ontem, cerca de 250 mil pessoas voltaram às ruas de várias cidades do País.
No Rio, calculou-se que a multidão em passeata chegou a 100 mil pessoas.
E num junho como este, só que em 1968, cerca de 100 mil brasileiros foram as ruas centrais do Rio exigir o direito de ser livres.
E neste início de noite, agora mesmo, uma multidão caminha pelas ruas do centro de São Paulo cantando o Hino Nacional.
Naquele tempo, lutava-se contra a ditadura militar.
Hoje, o pretexto são 20 centavos acrescidos à tarifa de ônibus.
O deputado Ulysses Guimarães (1916-92) dizia que o maior temor dos políticos é povo nas ruas.
Aguardemos.