Eu
sou de um tempo recente, mas de um tempo que homem fumar era coisa elegante.
Era charmoso e denotava independência e até masculinidade. Pois é. Hoje quem fuma vive no pior dos
mundos, vive arreliado, perseguido. Na verdade, quem fuma hoje, vive no
inferno. Beber pode.
Eu
sou de um tempo em que a solidariedade existia pra valer, ao contrário de hoje.
Em
1953, Luiz Gonzaga gravou
o baião Vozes da Seca. Obra-prima dele e do seu conterrâneo, Zé Dantas. Começa
assim:
Seu dotô os
nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio
dos sulista nessa seca do sertão
Mas dotô uma
esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de
vergonha ou vicia o cidadão...
Não
era bem esse tipo de solidariedade que se praticava àquela época. E não é
também o tipo de solidariedade a que me refiro. Esse tipo de solidariedade aí,
que Dantas e Gonzaga de modo poético contestam, não é propriamente a
solidariedade no seu estado mais puro que vi, vivi entre amigos, vizinhos, desconhecidos
em geral. Esse tipo aí, no baião gonzagueano, já é o tipo de solidariedade
político/partidário, praticado pelos políticos de hoje, com bolsa disso, bolsa daquilo.
O que todos nós queremos, mesmo, é trabalho, respeito e que a Constituição nunca
mais seja violentada.
Mas
como eu ia dizendo, eu sou de um tempo recente em que fumar era coisa elegante.
No
ano em que nasci, 1952, o Rei do Baião –no mês de abril- lançou Cigarro de
Páia, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti. Cavalcanti era general. Ops!