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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

BRASIL FEVEREIRO DE INCÓGNITAS


Janeiro terminou com 12,3 milhões de brasileiros desempregados, pela irresponsabilidade e ladroagem de políticos que comandaram o Brasil entre FHC e Temer. Só em São Paulo, hoje, o número de desempregados beira os 2,5 milhões, sem contar os seus dependentes. Mas o Brasil é forte...
Um dia, há bem pouco, minha filha Ana encontrou-se com a minha amiga paraibana Luíza Erundina, deputada de vários mandatos por São Paulo, e dela ouviu: "o seu pai é um guerreiro".
É assim, nós, brasileiros, somos guerreiros de nós próprios, reconhecidos por amigos e vizinhos com poderes nas mãos...
Tem uma história de cego envolvendo parlamentares que eu, "guerreiro", contarei já já.
Janeiro de 2017 é defunto.
Não há confirmação na história sobre um dos maiores poetas portugueses que adotamos como brasileiro, Thomás Antonio Gonzaga...
Thomás Antonio Gonzaga, filho de brasileiro com portuguesa, formou-se no centro do saber do mundo: Coimbra.
Esse Gonzaga chegou ao Brasil pequenininho. Viveu sua infância em Recife e Salvador. Na adolescência voltou à terrinha. Depois voltou ao Brasil. Em Vila Rica, MG, ocupou o posto de ouvidor, de juiz ouvidor.
Tinha 20 e poucos anos.
E aí ele e mais alguns intelectuais de grana no bolso engendraram a conspiração que findou com o enforcamento e esquartejamento de Tiradentes.
Tiradentes caiu à toa.
Tiradentes foi um bode expiatório do movimento que teve como integrantes poetas incríveis como Thomás Antonio Gonzaga. É meu pensamento.
O belíssimo poema que dá título ao livro Marília de Dirceu nos traz a opinião de Thomás Gonzaga sobre Tiradentes. E é terrível. E é triste.
E eu e José Antonio Severo conversamos sobre a Inconfidência Mineira. Falei da beleza poética, do arcadismo muito bem representado por Thomás Gonzaga. E não vou mais me estender neste assunto. Leiam o livro Marília de Dirceu. Lindo. Marília era Maria Dorothéia Joaquina de Seixas. Morreu quando tinha 85 anos de idade, em 1853. Ele, Thomás, foi-se em 1810, com 66 anos.
Fevereiro começa com grandes nomes da vida brasileira nascendo, entre eles José Ramos Tinhorão.
O mais importante historiador do Brasil, Tinhorão, completará 89 anos de idade no próximo dia 07 de fevereiro. O Brasil tem que bater palmas para o Tinhorão... Ele é o maior.
Fevereiro começa bem...
Nesse mês temos também o aniversário do meu amigo querido Oswaldinho da Cuíca.
Nesse mês iremos falar de Clementina de Jesus, que conheci e entrevistei para o Jornal Folha de S.Paulo, quando desse jornal eu era repórter.
No comecinho dos anos de 1970.
A voz mais bonita, mais completa, mais carinhosa, mais mãe, mais vida, mais tudo: Clementina de Jesus.
Fevereiro é o mês mais curto do calendário gregoriano, mas é também o mês mais longo, mais bonito, mais completo no tocante a nascentes e morrentes da vida brasileira.



O Barão do Rio Branco dizia que o que há de mais organizado no Brasil é o Carnaval e a bagunça.

E O MAR DE MINAS, HEIN?



É bom demais falar de história, e por que não falamos de história?
O escritor paulista Monteiro Lobato cunhou uma frase que resume um ensinamento: "quem lê mais, sabe mais."
Somos uma nação nova, jovem, de poucas letras e saberes.
É preciso que conheçamos a nossa história, a nossa casa, o nosso País.
Conversar com pessoas que se interessam por história é muito bom.
Neste domingo 29, recebi a confortante visita do jornalista e historiador gaúcho José Antônio Severo, autor de livros fundamentais para o conhecimento da gente, do nosso povo, da nação brasileira.
Severo é autor do livro Senhores da Guerra, em dois volumes, que somam umas mil páginas, e que acaba de chegar às telas na forma de filme de longa metragem. Um épico.
Dessa vez, não falamos sobre a formação histórica do Rio Grande do Sul.
Falamos um tantinho assim sobre os portugueses, incluindo Dom Pedro, e do mar de Minas.
Essa história tem uns cem anos.
Essa história de o povo ter memória curta faz sentido, pois é prática dos nossos governantes apagar o que vem antes.
Exemplo: Dom João VI procurou apagar o antes dele no Brasil.
O mesmo fizeram os Pedros I e II e também o Marechal Deodoro, que foi posto para correr por seu vice, Floriano Peixoto. Um assassino.
A República Velha foi também praticamente apagada pelos poderosos d'antanho.
Ruy Barbosa, jurista e senador da primeira República, ministro da Fazenda de Deodoro, fez um monte de besteira ao apagar parte da história que tem como personagens de uma história feia os negros de África, comercializados como coisas e bichos até 1888, quando a princesa Isabel deu uma canetada os liberando para a vida sem grilhões e sem direitos...
Em 1880, Dom Pedro II assinou decreto cedendo terras para investidores da primeira estrada de ferro, a Bahia-Minas.
Em 1908, os investidores agraciados por esse decreto, faliram e o Banco de Crédito Real do Brasil ficou com as terras hipotecadas. Dois anos depois, foi a vez de esse Banco falir, e aí é quando entra na história o governo mineiro que adquiriu a papelada toda.
A Bahia-Minas, com ajustes aqui e ali, virou fantasma no começo dos anos de 1960.
De acordo com a papelada, caberia à Minas, o pedaço de terra em questão. Detalhe: se levada à risca a negociação histórica, os mineiros, por força de lei, teriam direito a um pedaço de mar. E esse pedaço de mar está bem ali no litoral Sul, no extremo Sul da Bahia dos baianos. Chama-se Caravelas, uma cidadezinha, bonita e aconchegante, habitada por umas  20.000 pessoas. Metragem? 142 km de extensão por 12 km de água adentro. Da região faz parte o distrito Ponta de Areia. Clique:




Pois é, meus amigos, minhas amigas, entendem quando eu digo que é bom falar de história?
No começo dos anos de 1970, o compositor mineiro Fernando Brant era repórter da revista O Cruzeiro, onde também trabalhei. E esse assunto, o do mar de Minas, ele trouxe à tona. Falou-se bastante a respeito à época, mas ficou tudo por isso mesmo. Houve uma troca de informações entre os governadores dos dois estados, uma comissão para estudar o caso foi constituída, mas ao fim e ao cabo Minas continua sem mar.
E aí Téo Azevedo?