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terça-feira, 17 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES (22)

"Esse Bolsonaro não tem jeito mesmo, abre a boca só pra dizer besteira", disse Lampa pausadamente enquanto lambia seu inestimável punhalzinho.
"Oxente, quem disse que meu ouvido ouviu foi o Lampa véio de guerra?", indagou surpreso o paraibano Mané.
"Hmmm... Fui eu mesmo!", resmungou irritado o velho pernambucano.
Realmente, o Brasil corre perigo, pessoal. Pois temos um presidente sem noção...
"Outro dia eu ouvi no rádio o artista Jorge Ribbas cantando uma música que dizia que era sua e dele, seu Assis. Essa música eu até já decorei. Mas bom mesmo é ouvir com o Ribbas", contou Jão perguntando: "Alguém aqui quer ouvir essa música?".
Todos disseram que sim, até pra relaxar o clima. E Jão pegou o celular e de repente a música saiu. Essa:


Ao fim, palmas e o elogio que me tocou: "Muito bem, muito bem seu Assis", falou por todos Zoião.
"Pois é, a temperatura está subindo em Brasília e caindo no resto do Brasil", disse Zilidoro claramente, acrescentando: "Bolsonaro está ensaiando um golpe militar a partir do descrédito às urnas que o tempo todo ataca. Isso é temperatura alta, clima tenso, tempo terrível esse que vivemos agora. E o frio pela temperatura ambiental, da natureza, que cobre de chuva de gelo e névoa no Sul, principalmente".
Zilidoro tem razão, "o presidente tem dito muita besteira, mas besteira ameaçadora. Ele está sufocando nosso país e fazendo de tudo para prender a liberdade. Mas presidente também morre...", voltou Lampa falando devagarinho como se estivesse contando palavras.
"Lampa lembrou que presidente também morre porque certamente ouviu em algum lugar um poema do seu Assis que fala disso. E fala mais, fala que um presidente também pode ser preso...", retomou a fala o poeta Zilidoro.
"Pois é, isso mesmo! Ouvi sim! E lembrei disso porque nesse tal poema ele fala que presidente também pode ser preso. E o tal aí, o Bolsonaro, disse que ninguém o prenderá jamais e quem tirará ele da cadeira de presidente só Deus. Hmmm, ele vai ver...".
"Esse Lampa está mesmo surpreendendo. De bobo, tá ficando sabido", alfinetou o bom Mané.
"O pessoal aqui realmente tá ficando de nível, de alto nível. E pra encerrar, vou declamar esse poema do seu Assis. Começa falando de pandemia, de mortes. Agora o número de mortes já passa, no Brasil, dos 665 mil", disse em tom sério o Zilidoro. E abriu a boca:

Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil

Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas

Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer

Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera 
Presidente matador 
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador