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sábado, 26 de janeiro de 2019

MICHEL LEGRAND GRAVOU MULHER RENDEIRA....

O maestro, compositor,instrumentista francês  Michel Legrand morreu num  sábado hoje 26, aos 86 anos de idade.
Foi num sábado que conversei com ele rapidamente, por telefone. Ele no Rio de Janeiro e eu cá em Sampa. Na ocasião eu apresentava o programa São Paulo Capital Nordeste, pela Rádio capital AM 1040. Eu tinha combinado com a sua produção uma participação dele no meu programa, ao vivo. E assim foi.
O motivo da entrevista de Legrand ao meu programa era o fato de ele ter gravado o baião Mulher Rendeira, de domínio  público, adaptado pelo paraibano Zé do Norte ( 1908-1979).
Mulher Rendeira integrou a trilha sonora do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto (1906-1982). Esse filme, com roteiro da escritora cearense Raquel de Queirós (1910-2003), foi lançado  em 1953. Ganhou o mundo e muitos prêmios.
Originalmente, a música Mulher Rendeira é interpretada por Homero Marques e o conjunto paulistano Demônios da Garoa.
Dentre os inúmeros  intérpretes estrangeiros de Mulher Rendeira, se acham Joan Baez, Domenico Modugno e Michel Legrand. Daí.. não consegui fazer como queria, por problemas técnicos, a entrevista com esse que foi um dos maiores artistas da música francesa. O meu amigo Peter, francês nas origens intelectuais, funcionaria como intérprete.
Michel Legrand gravou Mulher Rendeira num dos primeiros LPs gravados no Brasil, pela extinta  Colúmbia, isso em 1960. Nesse mesmo disco há a gravação de Aquarela do Brasil, do mineiro Ary Barroso. Curiosidade: Zé do Norte morreu pobre de marré, marré. Deixou muitos filhos com mães diferentes.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha o LP de Legrand com Mulher Rendeira e Aquarela do Brasil ( foto acima). Ouça:


DOR E MORTE EM BRUMADINHO

Título: Vida e Morte em Brumadinho
Autor: Assis Ângelo

Morre sorte, morre vida
Morre fé, morre esperança
Morre fim, morre começo
Morre paz, morre bonança
Morre tudo, nada fica
Só a dor da má lembrança

Morrem homens e mulheres
E crianças nas esquinas
Morre dia, morre noite
Nos morros, nas colinas
Morre tudo que se mexe
No rico solo de Minas

Mariana se repete
Com dor e muito espinho
O povo de Deus precisa
De amor e mais carinho
Por quê morre tanta gente
D'uma vez em Brumadinho?

O terror desceu matando
Pelas águas do Feijão*
Provocando desespero
Pavor e destruição
O poder não tem limite
nem pudor nem compaixão

Força e violência
Tem o Grande Capital
Que transforma gente em coisa
Pelo tal do vil metal
Impondo a "Mais valia"
Na alma nacional

A Vale do Rio Doce 
De doce não tem nada
Tem dor, tem agonia
E chicote pra lapada
Quem reclama ganha cruz,
Vira coisa descartada

Vale tudo, vale tudo
Na terra da bandalheira
Vale roubar o povo
Vale vale a roubalheira
Só por isso vale pôr
Os ratos na ratoeira!

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*Córrego do Feijão, cuja as águas foram invadidas pelos rejeitos da barragem de Brumadinho administrada pela Vale do Rio Doce, no dia 25 de janeiro de 2019