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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

CANGAÇO, ONTEM E HOJE

Essa história de indulto é uma coisa antiga.
Em1937 o ditador Vargas anistiou o cangaceiro Antonio Silvino.
O tempo passou, e o mesmo Vargas anistiou Volta Seca.
Volta Seca e outros cangaceiros do bando de lampião foram anistiados pelo presidente gaúcho Getúlio Vargas.
Entrevistei  alguns cangaceiros no programa Capital Nordeste.
E a vida foi e a vida vai e continua. E Temer, temendo  o próximo governo, pôs a caneta no bolso e não escreveu nada: recusou-se a anistiar, a perdoar, quem está preso sem muita culpa.
Corisco, o cangaceiro maior depois de lampião, recusou-se a dar a sua vida à prisão. Morreu dizendo que não se entregaria.


A GRAÇA DE DEZEMBRO, AGOSTINI

Dezembro, Janeiro, todos os dias, todas as horas, tempo de dizer oi.
Nesse tempo de dizer oi, amigos queridos  a mim vieram brincar no espaço que vivo todos os dias. Papo vem , papo vai, uma viola, um violão, uma cuíca, um dizer sim, um dizer não. Isso é dezembro, é janeiro novo, vivendo oi, dizendo sim e janeiro chegando.
Falar como falei agora há pouco, com Renato Teixeira, aquele da Romaria, dizendo oi dizendo sim, estou aí já já. Fevereiro chegarei para conversar.
Por telefone ouvir tantos amigos como Fausto, o cartunista;  Rômulo, Expedito Jorge Leite, da Ibrasa; Vital Farias....
E chegando cá em casa, Tinhorão para dizer oi e tomar um vinho, junto com Kadu, do trio Gato com Fome.  E minha namorada, Lúcia,  batendo tintim com copo de vinho, vindo das bandas de Taubaté. E veja você: Lúcia é ramo filial do Angelo Agostini, aquele dos traços pioneiros , que deram graça ao dia a dia do Pedro imperial.
Bonito, não é?

sábado, 29 de dezembro de 2018

GERALDO VANDRÉ E VITOR NUZZI

O ano de 2018 está terminando, depois de nos lembrar que houve 1968.
1968 foi um ano marcante no mundo todo, no mundo inteiro. 
Que fique entre nós: o Festival Internacional da Canção, no Brasil.
Nesse festival, o paraibano Vandré foi a figura mais marcante dentre todos os artistas que se apresentaram. Mais ainda de que Chico e Tom Jobim, com a canção "Sabiá", baseada em poema do maranhense Gonçalves Dias.
Vandré entrou para a história da música brasileira com "Caminhando" ou "Pra não dizer que não falei de flores", repito, uma canção que mexeu com todo mundo.
Geraldo Vandré é uma história particular..
Muita gente, e gente muito importante da historiografia brasileira, tentou e tenta entender a trajetória do autor de "Caminhando".
Alguns livros já foram lançados sobre ele.


O biógrafo mais dedicado e importante  à história de Geraldo Vandré, de batismo Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, foi/é o paulistano Vitor Nuzzi.
Sobre Vitor, o biografado andou dizendo palavras bonitas.
O livro de Vitor Nuzzi tem por título "Geraldo Vandré – Uma canção interrompida" (editora Kuarup, 2015).
Vitor é jornalista e profissionalmente faz o que todo jornalista tem que fazer, contar história. E ele contou uma história de  um personagem da vida brasileira. Acesse:

https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/147/geraldo-vandre-o-ultimo-show-e-a-volta-silenciosa
https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/138/geraldo-vandre-reencontro-e-desencontro-com-a-arte-e-seu-pais-1
https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/08/o-ultimo-disco-de-vandre




Vitor Nuzzi, Geraldo Vandré, Dalva Silveira  e Márcia


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O ERRO QUE DÁ SAMBA


No dia 31 de dezembro de 2009, o ex editor do jornal paulistano Folha de S.Paulo, Boris Casoy, no programa que apresentava na tevê Bandeirantes humilhou de maneira brutal, vejam só, de maneira brutal, garis que limpavam ruas da nossa cidade paulistana, da nossa São Paulo. A respeito, não me estenderei. Veja:




Boris foi meu editor no jornal que ele editava. Anos 70. Ele sempre foi chato e calculista. Amigo de poderosos, da violência. Uma reportagem que fiz sobre o esquadrão da morte, ele a engavetou e até hoje não me explicou por que fez isso. Uma vez nos encontramos no estúdio do programa Roda Viva, na Tevê Cultura. Ao me ver perguntou, surpreso: O que você está fazendo aqui. Respondi naturalmente: atendendo a um convite de profissionais da minha profissão.
Êeeeee, Boris!
Lembrei do Boris por ouvir outro dia meu querido Fábio Pannunzio duvidar das atrocidades cometidas por um tal João de Deus, prá mim do Capeta.
Pannunzio é um queridíssimo amigo, com quem tive o prazer de trabalhar no começo da profissão. Tempos da tevê Manchete. Tempos da tevê Globo.
Lembrar do Bóris e do Fábio faz me também lembrar de abobrinhas, assim mais ou menos, do José William Waack.
O caso do Waack é um caso de vazamento, como foi o caso do Bóris. O Waack ficou nervosinho com um buzinaço a frente da Casa Branca de onde ele iria transmitir uma entrevista ao vivo no Jornal da Globo. E aí ele tascou "isso é coisa de preto".
Em quanta besteira nos metemos!
Vocês recordam A fala vazada do ministro Rubens Ricupero?
Pois é, pouco antes de entrar ao vivo num jornal da noite na tevê Globo, o ministro da Fazenda de Itamar Franco Rubens Ricupero disse que não tinha escrúpulos para esconder o mal e defender o bem que o governo fazia. E aí ele falava de inflação, por exemplo. Resultado: caiu.
As abobrinhas lamentáveis que figurinhas carimbadas do jornalismo cometem desde sempre são lamentáveis.

MIUCHA

Eu conheci Miucha, a irmã mais velha dos Buarque, linda, maravilhosa, sempre prá cima estimulando com suas palavras a vida. Miucha me dá saudades. O corpo da Miucha foi sepultado hoje. Miucha tinha 83 anos e foi vítima de câncer.

FESTA DE SAMBA

A minha casa hoje foi agraciada com a presença dos amigos Cadú, do Gato com Fome e Tinhorão. Cadú não conheci Tinhorão, Tinhorão não conhecia Cadú. Cadú tocou violão interpretando músicas inéditas que acaba de fazer com Carlinhos Vergueiro e Gregory, seu irmão. E tudo samba. Samba, sambinha e sambão, Na linha mágica do pensamento e do coração. Eu e Tinhorão gostamos de quase todas elas. Adeus Por Ficar é muito bonita. Também acho.

Ó DO BOROGODÓ

Depois de tocar e cantar músicas inéditas para mim e para o Tinhorão, Cadú do Gato com Fome seguiu para o lugar de espetáculos Ó do Borogodó. Isso fica ali pelos lados de Pinheiros. Frequentei. Cadú vai cantar lá daqui a pouco. A propósito e curiosamente depois de apresentar Joan Baez ao meu amigo paraibano Geraldo Vandré, e de um show bonito, ela disse prá mim: agora vou para o Ó do Borogodó. Ela não cantou samba, mas dançou.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

AI-5 NUNCA MAIS!




Censura nunca mais!
A censura é uma praga que existe desde sempre, no Brasil e no mundo todo. A Imprensa Régia já veio com isso e seguiu Império a dentro.
A censura continua viva.
Agora a pouco a Justiça proibiu a Globo de noticiar qualquer coisa sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Encurtando o papo estão se completando 50 anos da decretação do Ato Institucional nº5.
Esse Ato foi, dentre todos os 17 Atos baixados pelo governo militar, o mais violento, o mais temido o mais arrasador, o mais tudo ruim que se possa imaginar. O fim do mundo, digamos assim. O AI-5, anunciado ao Brasil na noite de 13 de Dezembro de 1968, permitia que os militares fizessem com o povo o que bem quisesse. E ai aconteceram cassações, torturas e mortes. Pelo menos 7 mil brasileiros e brasileiras foram forçados a deixar o País. Vandré, Chico, Caetano e outros e outros viveram essa situação.
O AI-5 fez misérias, destruindo carreiras artísticas brilhantes como a de Vandre. O AI-5 durou 10 anos de vigência. Nesse período foram censuradas milhares de músicas, peças de teatro e filmes, uns 500 pelo menos.
Mais de 2 centenas de escritores tiveram obras censuradas.
Entre as músicas censuradas incluíram-se Apesar de Você, de Chico; e Sinal Fechado, de Paulinho da Viola. LPs inteiros foram proibidos de circular como o álbum branco do Chico e Imyra Tayra Ipy, de Taiguara.
Taiguara, chamado de Cantor dos Festivais foi o artista mais proibido do período em que esteve em vigência o famigerado Ato Institucional nº 5.
Que essa desgraça nunca mais caia sobre nós!
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha muitos discos e livros da época em que a Censura foi mais violenta entre nós.
Detalhe: em pesquisa publicada há 10 anos pelo paulistano Folha de S.Paulo dizia que oito num grupo de dez brasileiros e brasileiras nunca ouviram falar do AI-5 e suas consequências. Isso é péssimo, não é?
Para lembrar ouça:

A canção Pra Não Dizer que não Falei de Flores foi liberada ao público depois de uma longa e polêmica entrevista que fiz com o autor, Geraldo Vandré, publicada em setembro de 1978 no suplemento dominical, extinto, da Folha.



29 ANOS SEM O REI DO BAIÃO


Hoje, 13 de dezembro, é o dia em que nasceu o rei do baião, Luiz Gonzaga. Isso  foi 1912, em Exu PE. Nesse mesmo dia, só quem 1934 nascia Tião Carreiro.
Sábado próximo estarei dizendo umas coisas sobre Luiz Gonzaga. Minha fala já está gravada e irá ao ar no programa Vira e Mexe, da USP,  apresentado por Paulinho Rosa.

http://assisangelo.blogspot.com/search?q=luiz+gonzaga

Hoje comemora-se o dia de Santa Luzia. Para ela, escrevi essa prece:





quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A HORA ESTRELA DE CLARICE LISPECTOR

A realidade da vida vista por Clarice Lispector se apresenta nua e crua em sua obra. Crua, aspas: nessa realidade ela põe umas pitadas de fantasia como, diga-se de passagem, também fazia muito bem o baiano Jorge Amado.
Acabo de ler A Hora da Estrela, obra prima, em que o real e a fantasia se encontram de modo perfeito, sem tirar nem por. Algo como também acontece no romance Os Capitães da Areia, do velho Jorge.
A criatividade de Clarice no seu mundo real é, sem dúvidas, im pres sio nan te!
Primeiro Clarice inventa um narrador: Rodrigo S. M..
Em seguida o narrador por Clarice inventado inventa Macabéa e seu primeiro e único namorado Olímpico de Jesus Moreira Chaves. O sobrenome, como diz o narrador, pura bobagem.
Macabéa é um ser inventado de uma realidade incrível. Ela vem das Alagoas, terra do Graciliano e do meu amigo Audálio Dantas.
Olímpico é paraibano, que nem eu.
Macabéa, uma jovenzinha minguada de nascimento cheia de fome e sonhos que vem aportar na grande cidade do Rio de Janeiro. É lá que se passa a história. Macabéa tem 19 anos de idade quando chega lá. 
Órfã, com os pais perdidos ali quando tinha uns 2 ou 3 anos, nada sabe de nada, fez o primeiro ou segundo ano primário. Fala mal e escreve pior. A sorte dela foi fazer um curso de datilografia, por iniciativa da tia ranzinza, que foi não foi lhe dava uns cascudos para que se endireitasse na vida.
No Rio, morando nas proximidades da zona do Mangue, de malandros e prostitutas, Macabéa vai vivendo num quarto de pensão dividido por quatro Marias, todas simples como ela. Uma delas lhe empresta um rádio e Macabéa se informa e se ilustra com a cultura descartável que ouve. Ficou sabendo, por exemplo, que o cavalo é o único animal que não abusa do filho. E um dia ela encontra o paraibano personagem Olímpico de jesus etc. Olímpico, também semianalfabeto, sonha alto, quer ser deputado. Olímpico é uma figura real saída da imaginação de Clarice Lispector. O que dizer mais? o óbvio: A Hora da Estrela é uma obra prima, cujo personagem central se confunde com todas as Marias da vida real e irreal, como a Dora do romance Os Capitães da Areia. E nada mais direi. 
Viva Clarice Lispector.
A Hora da Estrela virou filme em 1985, oito anos após lançado o livro. Assista:




PALHAÇO

O palhaço Piccolino paulista de Ribeirão Preto morreu no dia em que nasceu Clarice Lispector, 10 de dezembro. Ele tinha 96 anos de idade, completados no dia 07 de novembro passado. A tristeza e a alegria se misturam. Tudo é palhaçada. Clarice entendia isso per fei ta men te. Ela era no mais das vezes de sentimento publicamente triste. Clarice, como Piccolino se completavam nas suas alegrias de viver. Clarice de câncer. Piccolino de falência múltipla dos órgãos. E viva a vida! Aliás, o dia 10 de dezembro é o dia do Palhaço!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CÃES E GATOS TAMBÉM TÊM DIREITOS "HUMANOS"

Há vários pontos em comum entre um homem e um cachorro. E não adianta duvidar, é fato.
O primeiro ponto em comum entre um homem e um cachorro é que ambos são animais, cada qual com sua linguagem.
Ao correr do tempo, ficou conhecida a frase "o cachorro é o melhor amigo do homem". A questão, porém, é a seguinte:e o homem, será que é o melhor amigo do cachorro? No dia 10 de dezembro de 1948, em Paris, uma assembléia geral da Organização das Nações Unidas, ONU, aprovou um documento que identificava os direitos da espécie humana. Esse documento ficou conhecido como Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em 1931, em Florença, Itália, um Congresso que reuniu ecologistas de várias partes do mundo decidiu que os animais, todos, têm direito à vida etc.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é violentada todo dia em todo o canto.
Prendem-se meninos, meninas, mulheres e homens por nada. Pessoas são torturadas e mortas, como aconteceu há poucos dias com um jornalista na Turquia. No Brasil, brasileiros e brasileiras são mortas que nem moscas, enquanto a impunidade persiste nos rincões do território nacional. O mesmo acontece com cachorro, gato, cavalos, jegues...
O Dia Universal dos Direitos Humanos é comemorado ou lembrado todo dia 10 de dezembro desde 1948.
O Dia Mundial dos Direitos dos Animais é comemorado ou lembrado no dia 4 de outubro, desde 1978.
Uma vez o advogado Sobral Pinto ganhou uma causa ao utilizar a Lei de defesa dos animais a favor de um cliente. Quer dizer: gentes e bichos são iguais perante as leis, mas as leis quase sempre são esquecidas ou atiradas ao lixo, simplesmente.

Não é todo mundo que conhece as leis. Tanto que é comum ouvir a frase das pessoas mais humildes: "direitos humanos é só prá bandido, não prá trabalhador".
Em 1973, o cantor Baiano Waldick Soriano fez um sucesso dos diabos com a música Eu Não Sou Cachorro Não, ouça:



O cantor e compositor cearense Falcão, todo cheio de graça, arrancou muita risada com Eu e Meu Cachorro, ouça:



E o que dizer dos gatos, hein? Entre cães e gatos, os gatos são minoria no Brasil. Segundo o IBGE, há 52,2 milhões de cachorros no País. O número de gatos é da ordem de 22 milhões. Os cachorros, têm necessidade de sair, de passear com seus donos, os gatos, não. 
Um homem bonito, assim como eu, normalmente é chamado de gato. Aliás, Gato é um personagem interessantíssimo do romance Os Capitães da Areia de Jorge Amado, cuja leitura recomendo.
Uma mulher bonita normalmente é chamada de gata. E por que isso? Porque um gato é um gato e uma gata é uma gata com suas manhas. E por isso cativantes. A foto aí é prova:





A Declaração Universal dos Direitos humanos, com seus 30 Artigos, não tem impedido as guerras mundo afora. A intenção, porém é importante e necessária. Muitos artistas da música brasileira têm cantado em nome da paz, como Marinês. Ouça-a numa composição do paraibano Antônio de Barros.



DIA DE CLARICE


Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia. Ela chegou ao Brasil com dois meses de vida. Morou em Recife e no Rio de Janeiro e a partir de 1944 passou a ser conhecida no meio literário. Seu livro mais conhecido é A Hora da Estrela, que ela publicou em 1977. Ano da sua morte, aliás, ela morreu um dia antes de completar 57 anos de idade. Clarice era uma mulher incrível. Lembre a escritora no vídeo ao lado.

DOZE ANOS SEM SIVUCA


É mal nosso, humano, esquecermos com facilidade de coisas e pessoas.
Quem se lembra de Joaquim Antônio da Silva Callado Jr.? Esse cara foi, digamos assim, o pai do Chorinho. E de Pattapio Silva, hein? Esse ai foi, simplesmente, o melhor e mais novo flautista brasileiro. Morreu com 26 anos de idade.
Pixinguinha, com centenas e centenas de composições, também já anda no limbo. E olha que ele foi o autor de Carinhoso e tantos e tantas pérolas musicais...
E Waldir Azevedo, autor de Brasileirinho? E Benedito Lacerda, Altamiro Carrilho, Carlos Poyares...?
O paraibano de Itabaiana Severino Dias de Oliveira, que boa parte do mundo conheceu como Sivuca, nasceu em 1930 e partiu para a Eternidade no dia 14 de dezembro de 2006.
Sivuca eu o conheci bem e até virou meu amigo.
No dia 1º de abril de 1979 eu o chamei a um canto pra uma prosa. Isso foi logo após ele retornar dos Estados Unidos, onde viveu durante anos. Essa prosa eu publiquei em três páginas do extinto suplemento dominical Folhetim, do diário paulistano Folha de S. Paulo (abaixo).
Sivuca foi um ás da música popular brasileira. Compôs muita coisa bonita, incluindo forró, baião, samba e choro, muito chorinho. Sanfoneiro, foi professor de violão até no Japão e produtor musical da cantora africana Mirian Makeba (Pata, pata). Para lembrar, ouçam:
Em 1950 Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979) compuseram Sivuca no Baião, que o próprio homenageado gravaria em disco Continental de 78 rpm (ao lado), no ano seguinte. Dois anos depois o mesmo Sivuca gravaria, junto com a rainha do baião Carmélia Alves (1925-2012), um Pout- Pouri com sucessos do programa No Mundo do Baião que era apresentado pelo compositor pernambucano Zé Dantas (1921-1962) na Rádio Nacional.
Os nomes aqui citados são, todos, de grande importância para a música popular brasileira.

Quer saber mais sobre Sivuca, clic:



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O BRASIL DOS CORONÉIS DE SEMPRE EM ZÉ LINS

Politicamente o Brasil continua velho.
Desde 1500, quando oficialmente é chancelada a chegada de Cabral à Costa baiana, vivemos a sofrência indígena, negra etc.
Tempo é tempo. E como tal, parece que tudo continua como antes: os mais fracos, indígenas e negros especialmente, sucumbindo sob o bastão dos poderosos.
Foi aqui, em 1808 que a família real portuguesa, fugida de Napoleão, encontrou guarida.
Antes de 1808 o Brasil era pouco, muito pouco, para Portugal.
O escritor maranhense Aloísio de Azevedo (1857-1913), retratou o que era aquele tempo, seu tempo. O tempo dos negros, o tempo dos pobres, o tempo dos pés no chão.
O Brasil é riquíssimo, eu já disse, até na pobreza com a sua riqueza...
O escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957), estreou no romance realista com Menino de Engenho, o primeiro do Ciclo do Açúcar.

Menino de Engenho trata de uma história, embora realista, fantástica.
Em Menino de Engenho, lançado em 1932, circulam nas suas páginas personagens tocantes. Começa com Major matando a sua mulher, Clarice. A tiros. O menino Carlos, filho do casal, quatro anos, vê a cena chocante que carrega por toda a vida. O pai, assassino, vai prá o Hospício, a mãe pro cemitério e ele, Carlos, Carlinhos, três meses depois da tragédia vai morar no engenho do avô Coronel Zé Paulino. E ali tudo acontece...
Os coronéis dos engenhos sertanejos dão tudo que é possível para os seus descendentes.
Essa realidade ainda ocorre no sertão nordestino, mas está se acabando.
O Sarney, lá do Maranhão, já está vivendo além da conta. Na Bahia, ACM já foi. Nas Alagoas, os Calheiros ainda resistem com todas as putarias possíveis, com apoio do PT. São 26 Estados e um Distrito Federal, capital do Brasil.É como se ainda vivêssemos no tempo das capitanias hereditárias...
Menino de Engenho retrata a vida brasileira do século 19 e começo do 20 e, comparativamente é como se retratasse o  21, este em que vivemos e onde sobrevivem ainda os coronéis engravatados como os deputados federais e senadores, para lembrar o mínimo.
Sinhazinha no romance de José Lins é o cão. Ela bate no Carlinhos sem dó nem piedade, à toa. Ninguém gosta dela. Maria menina, ao contrário é um doce de côco. Judite também. No colo de Judite, Carlinhos começa a pensar besteiras de homem. E com a prima Maria Clara, ele endoidece. E nesse tempo da sua vida, ele tem só 8 anos. Com 12, que é quando termina o romance, ele é mandado para estudar fora do engenho.
Menino de Engenho é um romance fantástico.
Em Menino de Engenho as secas e cheias que machucam violentamente os ricos e os pobres do Nordeste de sempre.
Há um filme e um documentário sobre Menino de Engenho, veja o documentário:




ENCONTRO DE AMIGOS



Os amigos Fausto, Rômulo Nóbrega, Ibes Maceió, o Águia das Alagoas e o craque das ideias Calos Sílvio, estiveram aqui dizendo coisa com coisa. A foto aí mostra esse encontro.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A REALIDADE EM JORGE AMADO



Pessoas em situação de rua sempre existiram. Diógenes, aquele que morava numa barrica se incluía nessa condição. As narrativas levam a essa conclusão.
No correr de todo o século 19 não era diferente, no Brasil.
No livro A Alma Encantadora das Ruas, que reúne uma trintena de textos impagáveis de João do Rio, essa situação também é explícita. Esse livro foi publicado em 1907/08. Nele o autor mostra que as cadeias já andavam lotadas de homicidas, ladrões etc. Não eram diferentes também os reformatórios, orfanatos e hospícios. 
Lembro essa questão após a leitura do clássico Capitães da Areia, de Jorge Amado, lançado em 1937. Nesse livro o autor retrata o dia a dia de uma centena de crianças jogadas à rua. Pedro Bala, um loiro com uma cicatriz de navalha na cara, é o líder do grupo. Tem uns quinze anos. Os outros personagens são tão visíveis na trama jorge amadiana quanto as ondas do mar que lambem as praias da Bahia. Gato, bonitão e elegante, anda bamboleando nos cabarés e chamando a atenção das quengas. Uma delas, Dalva, rende-se a seus encantos e termina sendo por ele explorada, sexualmente. O professor é outro personagem incrível. Ele passa a noite lendo a luz de vela. Prá si e prá seus companheiros de aventuras. 
Em Capitães da Areia a violência policial é marcante. 
O personagem Sem Pernas pode ser comparado a qualquer um aleijado. Naquele tempo não havia essa coisa de cadeirante. Aleijado era aleijado, cego era cego, mudo era mudo.
Sem Pernas era órfão e muito cedo caiu na rua. Ele, na trama de Jorge Amado, é o espião do grupo. Quer dizer, era quem infiltrava-se numa casa de gente rica prá anotar dela os pontos fracos, passíveis de invasão. E aí é quando o leitor é tocado pelos passos de Sem Pernas. Ele é ocasionalmente "adotado" por Dona Ester e seu marido, o advogado Raul. E mais não conto.
O bulling também está presente nesse romance do autor baiano. A pederastia e tudo mais. 
É muito bonito esse livro. É um romance realista.
O mais novo integrante do bando de Lampião, Volta Seca, também passeia nas páginas de Capitães de Areia. Há muito o Brasil é como um dos meninos do bando de Pedro Bala: abandonado.
Em São Paulo há entre 20 e 25 mil pessoas em situação de rua. Desse total, 3% são crianças. 
A população de São Paulo cresce, anualmente, 0,7%, enquanto a população em situação de rua cresce 4,1% no mesmo período. Quer dizer: os capitães da areia se multiplicam como a miséria no Brasil. A propósito, dados divulgados hoje indicam que o número de pessoas que sobrevivem abaixo da linha da pobreza, no Brasil, anda num crescente. 
A mais recente pesquisa do Banco Mundial indica que o número de pobres no Brasil pode chegar a 3,6 milhões até o final deste ano.

QUE NEM GENTE

Foi morta sem razão. Umas porradas desferidas com a violência do mundo levou a morte uma cachorrinha sem nome. O caso ocorreu semana passada, em área própria de um supermercado Carrefour em Osasco, região da grande São Paulo. O assassino ainda não foi preso, mas já está mais do que claro que faz parte do corpo de segurança desse supermercado. Caso seja preso e condenado, o criminoso pode pegar uns 3 anos e cumprir a pena solto, sem tornozeleira. São os absurdos da vida, repetidos no dia a dia de todo canto. Sobre cães leias mais:


domingo, 2 de dezembro de 2018

MÚSICA, LIVRO E FEIJOADA NO JARDIM DE SORAYA



Mais uma vez reencontrei amigos queridos como Elifas Andreato, Sérgio Gomes, o Sérgião;Vanira Kunk e sua filha Mariana, Eduardo Ribeiro, Marco Aurélio,  José Roberto e o diretor do hospital Premier, Samir Salman. Foi ontem 1(registro acima) no começo da tarde, no centro cultural  jardim de Soraya, localizado na zona sul da Capital paulista. Sobre o palco do jardim apresentou-se o grupo feminino Ilu Obá de Min. Aí abaixo uma pequeníssima mostra da apresentação das mulheres que formam esse grupo.


O pretexto desse reencontro foi o lançamento do livro Empoderadas (Mulheres eternas, corpo a corpo com a vida), do amigo jornalista Palmério Dória.
Esse novo livro de Dória trata, como sugere o título, de mulheres que se destacaram na sociedade do tempo em que viveram no Brasil e fora do Brasil. Entre essas mulheres a compositora e instrumentista Francica Edwiges Neves Gonzaga (1847-1935) que entrou para a história de nossa música como Chiquinha Gonzada; Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962); a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999); Maria da Penha; Marielle Franco e até a deputada paraibana, Luiza Erundina, até a cantora Josephine Baker, que chegou a gravar música do mineiro Ary Barroso, se acha lá.



Empoderadas é um livro que se lê de um só fôlego, pois a leitura flui fácil, fácil. Nessa coisa de escrever Palmério Dória é craque.
O reencontro no jardim de Soraya findou com uma belíssima feijoada e caipirinha.
Achei apenas uma falha no livro , a falta de numeração das páginas. Ah, não custa dizer, senti falta de textos  sobre Maria dos Reis e a  poeta Potiguar, Nízia Floresta. Andei escrevendo sobre ela,confiram:
















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sábado, 1 de dezembro de 2018

HOJE É DIA DE ROBERTO LUNA


Há exatamente 89 anos, completando-se hoje 1,  nascia na cidade paraibana de Serraria o menino que se transformaria num dos mais importantes cantores do Brasil: Roberto Luna
A história desse artista é fabulosa.
Luna conviveu com grandes nomes de nossa música, entre os quais Chico Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves com quem uma vez teve um arranca rabo por causa de uma cubana muito bonita; Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dorival Caymmi e tantos e tantos mais, sem esquecer Assis Valente, que lhe ensinou a arte da prótese, pois Assis era um valente protético.
Roberto Luna merece toda a nossa atenção e respeito, até porque ele é de um tempo em que os cantores costumavam cantar bem e bonito. O seu maior sucesso foi o samba canção Molambo de Jaime Florence e Augusto Mesquita. A propósito, a música completa este mês que se inicia, 63 anos do seu lançamento. Ela foi gravada, originalmente, no dia 28 de novembro de 1955 (Odeon),
No acervo do Instituo Memória Brasil, IMB, se acha toda a discografia desse artista. Ouça Molambo, com o próprio Luna: