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segunda-feira, 31 de julho de 2023

SARAMAGO, MULTIPLICADOR DE EMOÇÕES

O livro é uma pérola permeada de poucos personagens. O melhor e o principal deles, Tertuliano Máximo Afonso, é separado e namora sem muito gosto uma jovem bancária chamada Maria da Paz.
Com a primeira mulher, Tertuliano não teve filhos.
A história de O Homem Duplicado, do português José Saramago, começa quando um professor de Matemática sugere que seu amigo, Tertuliano, assista o filme Quem Porfia Perde a Caça. É dos anos 80, por ali. Tempos ainda de filme em VHS. Tertuliano aceita a sugestão e vai à locadora alugar o tal filme. É quando a vida dele dá uma guinada de 180°.
Tertuliano mora sozinho num apartamento, visitado exporadicamente por Maria da Paz. Essa Maria é apaixonadíssima por Tertuliano, que é professor de História de uma escola particular.
Ao assistir Quem Porfia Perde a Caça, o professor Tertuliano se depara com um personagem secundário de nome Daniel Santaclara. E é aí que a porca torce o rabo.
Após descobrir que o ator é cara cuspida e escarrada dele próprio, Tertuliano entra em parafuso e passa a ter um comportamento diferente do que tinha até então. 
Além de Tertuliano, Maria da Paz e Daniel, Saramago enfia no livro a mulher de Daniel, Helena; e a própria mãe do protagonista, Carolina. Dona Carolina, que tem uma presença curta mas significativa no enredo.
E a história segue com Daniel marcando encontro com Tertuliano. Após conhecer Tertuliano, Daniel conta como tudo sucedeu à mulher Helena. Ela pira e toma remédio pra dormir. Chega a um ponto que Daniel procura vingança, passando-se por Tertuliano para ter um encontro íntimo com Maria da Paz. Depois disso, e da noite de amor, os dois morrem num terrível acidente na estrada. Tertuliano fica com Helena e o final não conto, não. Apenas acrescento: é surpreendente, como surpreendente é o diálogo entre Tertuliano e o Senso Comum, "personagem" impagável pelas características como  o autor o apresenta.
O Homem Duplicado foi publicado em 2002.
O Homem Duplicado virou filme dirigido por Denis Villeneuve, lançado em 2014. É classificado como suspense psicológico. É por aí. Existencialismo na parada. A vontade é devorá-lo sem intervalos. Veja o trailer: 

RÁDIO MEC, VOTE: XOTE ERUDITO

Assis e Jorge
Com vistas às comemorações do seu centenário de fundação, a Rádio MEC soltou edital em âmbito nacional e internacional para escolher autores e intérpretes de músicas nos gêneros Erudito e Popular. Serão premiadas músicas instrumentais, infantis e canções. No item canção, o craque Jorge Ribbas e eu compusemos Xote Erudito, que versa sobre uma festa de forró com convidados como Simone de Beauvoir, Platão, Aristótes, Tinhorão, dentre outros. O ritmo escolhido foi o Xote, característico do nosso Nordeste. Veja a letra: 

ARISTÓFANES E ARISTÓTELES, CONVIDARAM SÓCRATES E PLATÃO
PARA IREM A UM FORRÓ, DANÇAR XOTE, XAXADO E BAIÃO
QUANDO LÁ ELES CHEGARAM, ENCONTRARAM SIMONE DE BEAUVOIR
TODA ARRUMADINHA E JÁ PRONTA PRA DANÇAR

O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON, NO PANDEIRO
O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON A PANDEIREAR

ZÉ LIMEIRA E SHOPENHAUER NUM CANTINHO FILOSOFAVAM
ENQUANTO MARX E TINHORÃO     UMA CABROCHA CORTEJAVAM

A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO
A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO

Os organizadores desse concurso O Festival Musical já fizeram a primeira seleção. É uma oportunidade, agora, para os internautas escolherem eles próprios a melhor obra. Se valer uma sugestão, lá vai: votem no Xote Erudito.

CONTENDA

O músico Jorge Ribbas ganhou o 1º lugar do concurso musical da Rádio MEC, em 2021, com Pentagonia. Este ano concorre com outra música de características eruditas. Vote: CONTENDA

domingo, 30 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (35)

Gregório de Matos
Essa coisa de duplo sentido, que às vezes mistura-se com pornografia, como está claro até aqui, dista de tempos remotos.
Os trovadores são figurinhas da poética europeia que desenvolveram suas graças e maledicências em versos em forma de Cantiga de Amigo ou de Bendizer, Cantigas de Amor e Cantigas de Escárnio ou de Maldizer.
As Cantigas de Amigo e as Cantigas de Amor têm uma pequena diferença entre si: as Cantigas de Amigo, feitas por homens, apresentavam-se no Eu feminino, exatamente ao contrário das Cantigas de Amor.
As Cantigas de Escárnio eram ou são exatamente o que diz o nome.
O poeta baiano de Salvador Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) tinha língua ferina e dela poucos escapavam. A mira era a elite social do seu tempo. Falava muito palavrão, sem rodeios. Não à toa foi apelidado de Boca do Inferno. Quer dizer, esse Gregório foi  no Brasil um representante natural da literatura poética de escárnio.
Gregório de Matos passou um tempo estudando em Coimbra, Portugal, e de lá voltou com um diploma de advogado debaixo do braço. Chegou a ser nomeado vigário-geral e tesoureiro-mor da Bahia, mas não achou isso lá muita coisa e pulou fora. Os poderosos do seu tempo terminaram por forçá-lo a passar uma temporada em Luanda, África.
O poeta escrevia coisas assim:

Sal, cal, e alho
caiam no teu maldito caralho. Amém.
O fogo de Sodoma e de Gomorra
em cinza te reduzam essa porra. Amém
Tudo em fogo arda,
Tu, e teus filhos, e o Capitão da Guarda.


E assim:

… Com dois acabo a porra do poema.
Caralho! Só mais um! Até já brinco!
Gozei! Matei a pau! Que puta tema!


A palavra caralho, palavrão entre nós, pode ter vinda da antiga Espanha, derivada de carajo. O ano não se sabe, mas que é antiga, é.

sábado, 29 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (34)

A licenciosidade no cordel vem desde fins da Idade Média, que começou no século V e terminou no século XV com a tomada de Constantinopla pelos turcos. A donzela Teodora é exemplo. E o tempo vai, vai, vai até os dias de hoje. Na poética bilaquiana, bandeiriana, drummondiana e tantas; Hilda Hilst
A temática é sempre revisitada, aqui e alhures.
Mineiro e Manduzinho
É raro encontrar um poeta popular ou compositor popular, de coisas simples do povo, que não aborde o tema erótico no duplo sentido. Mais das vezes as abordagens beiram a banalidade, o chulo. Porém, diga-se, aqui e acolá se acham coisas engraçadas.
O mineiro Téo Azevedo, o mais prolífico dentre todos os compositores contemporâneos, popular no sentido estrito do termo, brinca com palavras que formam composições de baixo calão. Daí, muitas vezes, a graça. Exemplos: Abelha Tubi, Aperto na Ruela, Atola João Cabeçudo, Baile do Jacú, Boiola, Cacete Armado, Castrado, Cagão na Camisa, Carimbó do Filho do Tuta, Ele é Boiola, Eu Comi a Jaca Dela, Filho do Tuta, Forró do Zé Atola, O Fumo Só Ta Entrando, Jaca Dela, Sem Calcinha, Tira a Saia Maria, Vou Te Dar Minha Pitomba, A Mulher do Corno Rico, Acorda Corno, Corno Conformado.
É vasto o repertório que trata musicalmente do corno como personagem do infortúnio, digamos assim. E nunca é tarde para lembrar das gracinhas musicais que fazia o grupo Mamonas Assassinas, que tinha Dinho como vocalista. Na valsa Bois Don’t Cry, Dinho canta: “… Soy un hombre conformado/ Escuto a voz do coração/ Sou um corno apaixonado/ Sei que já fui chifrado/ Mas o que vale é tesão…”.
Até no mundo animal há bichos que pulam a cerca, ou ninhos, segundo levantamentos de cunho científico.
E a história do João de Barro, hein?
Uma lenda dá conta de que o João de Barro, quando descobre ter sido “corneado”, tranca na sua casa a infiel. E presa, morre.
Zé Mulato e Cassiano
A dupla caipira Mineiro e Manduzinho gravou em 1956 uma toada de autoria de Moíbo Cury e Teddy Vieira, que diz: “Mai neste mundo o mal feito é descoberto/ João de Barro viu de perto sua esperança perdida/ Cego de dôr trancou a porta da morada/ Deixando lá sua amada presa pro resto da vida…”.
Os violeiros Zé Mulato e Cassiano fazem comparação do homem com a espingarda, que quando jovem se acha com todo o vigor. A espingarda, no caso, é o órgão genital masculino. Diz:

— Em compade pensando bem. A vida da gente é mesmo que ver uma espingarda. É mema coisa compade. No princípio a gente dá tiro.
— É verdade. Atirar é muito bão. Vai tirando vida a fora, mais lá por fim o tem lenca. Eh, mais quando tá ficando bão lenca compade.

Dos vinte até os trinta
Nossa vida é muito boa
A espingarda anda armada
E o atirador caçoa

Sortimento tá sobrando
Muitas veiz atira à toa
É só triscar no gatilho
Que a língua de fogo avoa…

sexta-feira, 28 de julho de 2023

VANDRÉ EM ENTREVISTA NA BANDEIRANTES

Somente hoje 28 ouvi a entrevista de Geraldo Vandré ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. Foi domingo 23, à noite. Gravada. Durou uma hora e poucos minutos.
Foi uma entrevista um tanto atabalhoada, da parte dos entrevistadores Fernando Mitre, Thays Freitas e José Carlos Anguita. Geraldo estava tranquilo, como sempre muito tranquilo. Na condição de entrevistado especial, esteve sempre na dele. Parecia estudar o comportamento de cada um dos entrevistadores. Aqui e ali ria, um riso frouxo e muitas vezes um tanto irônico.
O papo começou logo após porem no ar uma versão de Pra Não Dizer que Não Falei de Flores (Caminhando). Antes da primeira pergunta, foi dito quem era Geraldo Vandré e tal. E começou o papo.
Dos três entrevistadores, o mais apressado era o Mitre. Ele fez um monte de perguntas parecendo não querer as respostas, já que o entrevistado viu-se muitas vezes propenso a interromper a resposta. O que fez, aliás. E lá ia Mitre afoito, perguntando, perguntando, perguntando. E Vandré tentando responder por extenso, até com minúcias, mas sem conseguir. Monossilábico.
O entrevistado falou de muita coisa, todas já basicamente conhecidas. Até porque já havia dito o que disse em longa entrevista que fiz com ele em 1978, publicada no suplemento dominical Folhetim, da Folha de S.Paulo. Vejam só: 1978! Disse que parou de cantar logo após a polêmica provocada por caminhando, em dezembro de 1968. Tempos do famigerado AI-5. Falou também da má distribuição de direitos autorais. de Che Guevara, Caetano e tal e tal. Falou de censura e da atual música que se ouve no rádio e na TV. Nada de novo, na música inclusive. Lembrou que nunca teve simpatia pelo movimento tropicalista que, pra ele, foi um movimento "alienígena" e não propriamente pela eletrificação dos instrumento que considera coisa de roqueiro. Nunca foi seu caso. Contou que deixou o Brasil no começo de 1969. Ficou no Chile durante seis meses. Chegou à França e tal. Quando ia falar que ficara na casa da viúva do escritor João Guimarães Rosa, foi interrompido. Foram muitas as interrupções. Respostas cortadas no ar e Mitre perguntando coisas como se já soubesse das respostas. Ai, ai. E o telespectador?
Thays Freitas foi cautelosa nas suas perguntas. Até parecia à vontade. Fez algumas poucas perguntas e até chegou a cantar, um tanto desafinada. O entrevistado riu, educadíssimo que é. 
José Carlos Anguita mostrava-se íntimo do artista.
Lá pras tantas, já com o programa chegando ao fim, Mitre perguntou algo sobre o Chile. O entrevistado disse que até fizera uma versão em castelhano para Pra Não Dizer que Não Falei de Flores. Foi quando Mitre disse que tinha uma cópia dessa versão e que iria mostrar ao público. No lugar de Caminando, o que se ouviu foi um pedaço da canção De América. Essa música, aliás, integra a 5ª e última faixa do lado A do último LP de Vandré, Das Terras de Benvirá, gravado originalmente em 1970 na França e lançado no Brasil em 1973 pela Phillips.
Temas básicos faltaram na entrevista, como o encontro da cantora norte-americana Joan Baez e Vandré. Isso ocorreu em 2014, quando eu o apresentei a ela cá em Sampa. Faltaram também questões relacionadas a livros escritos e publicados a seu respeito. E tantas outras coisas faltaram.
Bom, dias antes de gravar a entrevista para o programa Canal Livre, Geraldo esteve comigo duas vezes em casa nos dias 5 e 8 de junho. No segundo encontro esteve conosco o maestro Júlio Medaglia, mas essa é outra história.
Confira a íntegra da entrevista à Bandeirantes:
 


LEIA MAIS: VANDRÉ  CANTOS INTERMEDIÁRIOS DO VANDRÉ • GERALDO VANDRÉ E VITOR NUZZI • HOJE É DIA DE VANDRÉ, VIVA VANDRÉ! • JOAN BAEZ E VANDRÉ, O ENCONTRO •  PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES, 50 ANOS • Porta estandarte, a primeira vitória de Vandré (5/6/1966)

quinta-feira, 27 de julho de 2023

QUEM É O JUMENTO DA HISTÓRIA?

Posso dizer com todas as letras, com todas as palavras, que aqui neste Blog nunca postei fotos, vídeos, áudios, desenhos, caricaturas ou charges do presidente passado que levou o Brasil a um buraco profundo. Também sempre evitei escrever ou pronunciar o nome do sujeito que por pouco não nos levou à bancarrota. Por que citá-lo nominalmente?
Pois bem, o sempre impróprio às mentes boas e lúcidas xingou Lula de "jumento" e "analfabeto". Lula ficou na moita, mas ontem 26 acabou dizendo que "A imprensa me pediu para responder uma pessoa que tentou me atacar chamando de ‘jumento’. Um animal simpático e mais esperto que alguns". Irônico, acrescentou: "O que seria ofensivo seria comparar um jumento a ele, isso sim. Ofensivo aos jumentinhos que não fazem mal a ninguém".
Ele, no caso, é o tal que deve num futuro não muito distante amargar a vida atrás das grades. E é por isso que eu também não o cito nominalmente, até porque para bom entendedor um sinal qualquer basta.
Quanto à expressão analfabeto não custa lembrar que o tal do governo passado emperrou o quanto pode o sistema educacional do Brasil. O resultado é que ainda há no nosso país cerca de 11 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, infelizmente.
Bom, jumento é um animalzinho de fato muito simples, simpático e trabalhador. 
Foi montado num jumentinho que Jesus Cristo foi levado em fuga ao Egito pelos pais Maria e José.
Em 1976, Luiz Gonzaga gravou uma coisinha muito bonita intitulada Apologia ao Jumento (O Jumento é Nosso Irmão), dele e do parceiro José Clementino. Ouça:
 


MARIELLE FRANCO (2)

Como todo mundo sabe, a vereadora Marielle Franco e o seu motorista Anderson Gomes foram metralhados na noite de 14 de março de 2018. Foi no Rio. Ao governo anterior, do Coiso, tudo indica que não havia interesse nenhum no tocante ao esclarecimento de tal fuzilamento. Por que, hein? Em poucos meses, o governo Lula já está apresentando resultados promissores que certamente levarão aos mandantes e às razões do duplo homicídio. Agentes da PF estão em campo. Tem cheiro mal no ar.

MEDO E DELÍRIO EM BRASÍLIA

Atenção, atenção pessoal! A Internet é boa para o bem e para o mal. Tem uns ótimos podcasts e pra achá-los, basta procurá-los. Clique aí no link e veja se estou certo: https://open.spotify.com/episode/0fmmxt0gpFzgqLukZWK3wr?si=c175e7b558c847d5

quarta-feira, 26 de julho de 2023

FOGO E MAR APERREIAM O MUNDO


Ouço notícia dando conta de que países da Europa e Ásia estão com a temperatura lá em cima, queimando e matando gente e outros animais. Na Espanha, na Itália, nos EUA, na Grécia...
O governo grego anunciou estado de emergência ou algo parecido com isso.
Cerca de 50 novos focos de incêndio são detectados diariamente em vários lugares da Grécia. Vários países estão mandando forças para ajudar a apagar o inferno vivo que se vive por lá. Até uma aeronave do governo grego caiu em meio ao fogaréu, enquanto despejava água. Piloto e tripulantes morreram.
Isso tudo lembra conversas que no passado tive com o compositor e sanfoneiro paraibano Sivuca.
Contou-me Sivuca que no começo de sua carreira integrou um trio chamado O Mundo Pegando Fogo. Esse trio era formado por Hermeto Pascoal e seu irmão Zé e o próprio Sivuca.
O trio Pegando Fogo de Sivuca, Hermeto e Zé, não foi avante. Não deixou registro musical gravado.
Uma coisa puxa outra: hoje, 26 de julho, marca o nascimento do pernambucano Fernando Lobo. Fernando, que nasceu em 1915, era pai do inspirado compositor e violonista Edu Lobo.
Fernando Lobo era jornalista e radialista. Foi ele, no final dos anos de 1940, que proibiu o sanfoneiro Luiz Gonzaga de tocar e cantar ao mesmo tempo. Fernando era diretor, à época, da rádio Mayrink Veiga. Ele teria dito a Gonzaga: "Você foi contratado para tocar sanfona".
Mas voltando ao assunto inicial.
De fato o calor tá matando muita gente e muito bicho "ao redor do mundo", como se diz.
Do jeito que vai o mundo, tudo vai mesmo se acabar. Acredito nisso, até porque não nascemos para nos salvar. 
Somos todos ruins, uns com os outros.
E pensar que Jesus Cristo morreu por nós pregado numa cruz...
Enquanto o calor derrete gentes e bichos na Europa e Ásia, o nível do mar vai cada vez mais aumentando, com as águas engolindo ruas e bairros mundo afora. No Brasil inclusive. 
Veja e ouça, um poeminha que fiz falando do assunto mar. Tem uma criança envolvida na parada:


terça-feira, 25 de julho de 2023

EM TEMPO DE VIOLÊNCIA


A entrevista do cientista paraibano Silvio Meira ontem 24 no programa Roda Viva na TV Cultura, foi marcante por chamar atenção diversas vezes do telespectador comum e mortal. A produtora de arte Anna da Hora, sempre atenta a tudo, disse depois de ver e ouvir o cientista falar a respeito de Inteligência Artificial: "Ele é bastante positivo no que diz respeito à Inteligência Artificial. Ele a vê como uma ferramenta importante e útil para o nosso dia a dia. Eu penso diferente. Vejo essa questão como algo extremamente preocupante para a humanidade".
Acho isso também e o óbvio: a Internet está nos consumindo, tomando todo o nosso tempo à toa. É muito tempo oito e até dez horas diante do computador. Até comida está sendo produzida por uma tal Impressora 3D. Pra mim, isso tudo é violência e autoflagelação.
O papo no Roda Viva edição de ontem foi sério e de certo modo preocupante, por tocar na questão Inteligência Artificial, mas ganhou graça com o traço personalíssimo do chargista Fausto Bergocce. Confira:

MARIELLE FRANCO

O caso Marielle Franco está tendo uma reviravolta. Uma das pessoas envolvidas nessa história toda, o ex-PM Élcio Queiroz, abriu o bico sob juramento e contou tim-tim por tim-tim como ocorreu a perseguição de fuzilamento de Marielle e seu motorista Anderson Gomes. Marielle e Anderson foram assassinados no dia 14 de março de 2018. Tudo indica que o caso está caminhando para seu esclarecimento. A pergunta que não cala: quem matou Marielle e por quê? Curiosidade: mais um Queiroz na parada!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

PAPO SÉRIO NO RODA VIVA

 
As meninas da Seleção do Futebol panamenho caíram hoje 24 de manhã de quatro perante às meninas da nossa Seleção canarinha. Três dos quatro gols foram marcados pela maranhense Ary Borges, no estádio Hindmarsh, em Adelaide. Austrália. O jogo foi válido pela Copa do Mundo Fifa do Futebol Feminino, agora na sua 9a. edição. 
Os EUA lideram essa copa. Ganharam a primeira em 91 e mais duas em 2015 e 2019.
A Seleção de Futebol Feminino da França é a favorita no campeonato que ora se desenvolve. 
O próximo embate da Seleção canarinha será no próximo sábado 29.
Enquanto os torcedores e torcedoras do futebol feminino vibravam com a vitória das nossas meninas, os amantes da boa música choravam a perda das cantoras Dóris Monteiro e Leny Andrade. Dóris morreu em casa aos 88 anos de idade e Leny, aos 80, no Retiro dos Artistas, RJ.
Dóris Monteiro, carioca como Leny de Andrade, começou cantando fados e música francesa em francês. Era a cantora predileta do magnata da imprensa Assis Chateaubriand. 
Leny Andrade viveu no México, EUA e países da Europa. Adorava bossa nova, como Dóris Monteiro. 
Logo mais às 22 horas o cartunista Fausto estará mostrando o seu talento ao vivo no Roda Viva, principal programa de entrevista da TV Cultura. Hoje o entrevistado do Roda é o cientista Silvio Meira. O tema é Inteligência Artificial. 
Esse programa, com Fausto "cartunizando" na Cultura, vai dar o que falar. Ora se vai!
 

domingo, 23 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (33)

E Rita Cadillac, hein?
Rita Cadillac, no RG Rita de Cássia Coutinho, integrava o corpo de dançarinas do “velho guerreiro” Chacrinha. Depois da morte de Chacrinha, Rita passou a fazer apresentações nos palcos da vida cantando, inclusive. Depois, virou atriz pornô.
Em 2023, a apresentadora de TV Xuxa Meneghel abre a mente e o coração no podcast Quem Pode, Pod, para lembrar suas aventuras sexuais com alguns de seus ex-namorados. A respeito de Pelé, diz que ele se dividia em três personagens: Edson, Dico e Pelé, que ao final lhe deixou traumas. Depois disso ela tece loas a Ayrton Senna, que correspondeu a todas suas fantasias e ainda tirou-lhe os traumas deixados pelo Rei do Futebol.
Luz Del Fuego
Anos antes do advento da TV no Brasil, em 1950, a bailarina capixaba Dora Vivacqua marcou época. Apresentava-se em circos e em ambientes impróprios para menores de 18 anos dançando de modo sensual, deixando a plateia masculina ouriçada. Detalhe: ela ocupava o palco “brincando” completamente nua com duas jibóias chamadas de Cornélio e Castorina. Isso a partir de 1944, no Rio.
Em 1947, Dora adotou o pseudônimo de Luz Del Fuego. Foi presa diversas vezes.
Em 1949, Del Fuego lançou o livro A Verdade Nua enquanto formava o Partido Naturalista Brasileiro.
Dora/Del Fuego nasceu em 1917 e morreu em 1967, assassinada

sábado, 22 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (32)

Licenciosidade é o mesmo que putaria; e numa expressão mais leve, erotismo.
O erótico se acha em tudo quanto é canto da vida. Está na boca do povo através da literatura popular até na arte erudita que ocupa espaço no balé, no teatro, no cinema, na ópera, desde que ópera é ópera cujo marco se acha na Alemanha e na Itália.
E nunca é tarde para lembrar que o velho teatro de revista, há muito fora de pauta, abordava com alguma ingenuidade as questões referentes a sexo e fantasia. Nesse tipo de teatro destacou-se, entre outras atrizes, Aracy Cortes.
Em 1923, Aracy Cortes já era nome consagrado.
De certo modo, foi o teatro de revista que inspirou a indústria de filmes pornôs.
O duplo sentido no campo erótico é algo que vem de tempos imemoriais.
Em tempos mais recentes, quando ainda havia bancas de revistas em tudo quanto é esquina, era fácil comprar revistas do tipo Ele e Ela e Status. Na Ele e Ela havia um encarte mensal intitulado Fórum, onde os leitores contavam seus sonhos e aventuras na cama. A revista Status chegou a promover Concursos de Contos Eróticos. Fez sucesso.
E a Playboy, hein?
Foi na revista Playboy que o Brasil tomou conhecimento da existência do criador dos “catecismos” que faziam a alegria da molecada, entre os anos 50 e 60. Seu autor: Carlos Zéfiro, na realidade Alcides Aguiar Caminha.
E na TV, hein?
Muitas cantoras brasileiras, e Anitta não foi a primeira, se apresentaram em público de modo insinuante, provocativo, semi-nuas. Muitas vezes, ao cantarem, insinuaram uma relação sexual. Isso aconteceu nas apresentações de Sol, Gretchen, Sharon, Tiazinha, Rita Cadillac.
Sol, pela mídia sensacionalista, era chamada de "sex symbol". Deixou o Brasil e foi buscar fama no Japão, onde conquistou um público que a chamava com entusiasmo de Musa do Imperador. Lá, no Japão, ela cantava em inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e japonês. Nome de batismo: Sandra do Valle Reis.
Outro nome marcante no campo da música sensual e de duplo sentido foi Gretchen, de batismo Maria Odete Brito de Miranda de Souza. Se apresentava cantando igual a Sol. É de se perguntar: “Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?”. Gretchen, que era chamada de Rainha do Rebolado, e Sol se apresentavam de modo praticamente idêntico, mas chegaram a brigar no campo jurídico. Sol processou Gretchen por ser citada no livro Gretchen: Uma Biografia Quase Não Autorizada (Ed. Ilelis Letraria, 2015) como Barbie P…
Sharon e Tiazinha foram outros dois nomes bastante frequentes nas telinhas de TV. Sharon era dançarina do SBT e Tiazinha, da Bandeirantes, fazia um sucesso danado com uma máscara cobrindo parte da cara. Sensualíssima. Uma festa é tanto para os onanistas de plantão.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

EU E MEUS BOTÕES (65)

"Seu Assis! O Sr. conheceu o cantor americano Tony Bennett?", perguntou num pulo o botão Barrica lendo notícia no seu celular. 
Eu disse que não conheci pessoalmente o Bennett, mas gostava do jeito dele cantar suas baladas românticas. Gravou muitos discos, muitas músicas. Estava com 96 anos de idade. Aniversariaria no próximo dia 3 de agosto. Estava com Alzheimer e a última vez que se apresentou foi em 2022 ao lado de Lady Gaga...
"Poxa! Não conheceu o Tony Bennett, mas sabe de toda sua história", surpreendeu-se Barrica enquanto o irmão Biu perguntava: "E ele gravou alguma música de compositor brasileiro?".
Notei que Biu se enroscou um pouco com essa pergunta, que passou pra mim. Eu disse: Sim, o Tony Bennett gravou vários autores brasileiros como Dorival Caymmi, Mário Albanese e Milton Nascimento.
"Seu Assis esse Albanese aí é o criador do ritmo musical Jequibau?", perguntou Zilidoro.
Sim, eu disse. Agora é o seguinte: eu acho que Nelson Rodrigues acertou na mosca quando disse que nós, brasileiros, sofremos de "complexo de vira-lata". Ele quis dizer, certamente, que estamos sempre abaixo das qualidades dos estrangeiros. Quando ocorre a morte de um americano, o que ocorreu hoje com Tony Bennett, ficamos imediatamente consternados, emocionados, lamentando. Foi assim com Sinatra e com todos os outros nomes da terra do Tio Sam.
"É verdade, o Sr. tem razão. Que eu saiba só dois grandes artistas da nossa música popular receberam as homenagens merecidas quando morreram: o rei da voz Chico Alves e o rei do baião Luiz Gonzaga", lembrou ainda Zilidoro.
Concordei com o que o poeta disse. Não nos consternamos, não ligamos muito para os nossos artistas mortos. É histórico. Pena.
Lampa, que a tudo observava e ouvia atentamente, pôs o bedelho: "Quando o rei do Cangaço, Lampião, morreu o mundo todo ficou sabendo".
"Esse Lampa só diz besteira!", interrompeu Zoião.
"Quem diz besteira é a tua vó, cabra dos infernos!", atirou Lampa. E Zoião: "Quem diz besteira é tu e a tua vó, e não a minha!".
Para, para, para, pessoal! Assim, não! Vamos manter a linha, a calma. "Isso mesmo! Isso mesmo!", emendaram em uníssono, como se tivessem ensaiado, os discretos Zé e Mané.
Em tom provocativo, mas numa boa, rindo, Zilidoro perguntou enquanto ligava o seu laptop: "Seu Assis, posso botar o Tony Bennett cantando Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant?".
Ao mesmo tempo que perguntava se podia ou não podia tocar Tony Bennett, apertou o play da música:

quinta-feira, 20 de julho de 2023

INTELIGÊNCIA NA CULTURA

Ilustração de Fausto Bergocce

Tempos atrás diríamos: "A coisa tá preta!".
A propósito, a expressão aí aspeada faz parte de uma moda de viola eternizada pela dupla sertaneja das antigas Tião Carreiro e Pardinho. Mas, claro, não é de Tião e Pardinho que quero ora falar. 
Está se tornando realidade uma ficção até aqui inimaginável: Inteligência Artificial.
Inteligência Artificial é um tipo de "inteligência" gerada por uma série de combinações e conexões próprias da Internet. Essa tal inteligência poderá ser capaz de tudo em pouco tempo.
As máquinas nos dominarão?
As máquinas, robôs, podem ganhar vida própria.
No dia 2 de maio passado os roteiristas de Hollywood entraram em greve pedindo revisão e atualização dos seus contratos. Não foram atendidos até agora e no último dia 13 foi a vez de atores e atrizes também cruzarem os braços. 
A reivindicação dos atores e atrizes de Hollywood não é a mesma dos roteiristas de TV e Cinema. Querem o compromisso dos seus contratantes de que não serão substituídos, nem a sua imagem usada à revelia. Temem que sejam clonados, copiados pela tal Inteligência Artificial.
Pois é, diríamos em um passado recente: "A coisa tá preta!".
Daqui a pouco chegarão a todas as ruas carros elétricos e sem ninguém a dirigí-los.
Daqui a pouco robôs tomarão conta de tudo, quem sabe?
Meu amigo, minha amiga, você já pensou ter seu filho sendo levado à escola por um robô? Tsk, tsk; pois, pois.
Uma coisa é certa, as máquinas robóticas não alimentarão a humanidade, tampouco os pobres que vivem ao Deus dará neste mundinho de josta!
As máquinas criadas pelos homens, da inteligência dos homens se alimentarão. 
É tudo muito complexo, reconheço.
Segunda-feira 24 o tema do programa Roda Vida, da TV Cultura, SP, será Inteligência Artificial. No centro da roda estará o cientista Silvio Meira, que será entrevistado por jornalistas e especialistas no assunto. No lugar do velho e bom cartunista Paulo Caruso, estará o craque do traço Fausto. Originalíssimo.
Essa roda de segunda, quer dizer de primeira, vai render por conta do entrevistado e por conta do grande chargista que é Fausto Bergocce.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

DE NOVO, LUIZ GONZAGA EM LIVRO

Wilson Seraine volta à cena publicando mais um livrinho da sua lavra: Luiz Gonzaga em Palmeirais-PI (Ed. Nova Aliança, 36 páginas).
Esse novo trabalho de Seraine trata da presença do Rei do Baião no Piauí. Uma de suas últimas viagens à região foi a Palmeirais. É o primeiro de uma série, promete o autor.
A presença de Luiz Gonzaga em Palmeirais, município localizado a sudoeste de Teresina, PI, com pouco mais de 13 mil habitantes, ocorreu precisamente no dia 7 de dezembro de 1985. À época, o prefeito era Cândido Soares Sobrinho. E foi com base em depoimento de Cândido, por muitos chamado de Candinho, que Wilson Seraine desenvolveu a história no seu novo livro, cujo o formato lembra os velhos e não mais publicados livrinhos de bolso tão comuns até fins dos anos 2000.
Lá pras tantas, o autor recomenda ouvir uma fala de Gonzaga em Palmeirais, pra onde foi contratado para inaugurar o Parque da Vaquejada:


LEIA MAIS: ODE A LUA  SERAINE É CULTURA DO PIAUÍ

segunda-feira, 17 de julho de 2023

OS BOSSA-NOVISTAS ESTÃO PARTINDO...

Os dinossauros brasileiros da Bossa Nova estão partindo. Só no mês de julho morreram João Gilberto (06/07/2019), Billy Blanco (08/07/2011), Vinícius de Moraes (09/07/1980) e hoje 17 o acreano de Rio Branco João Donato.
Donato começou a carreira familiarizando-se com uma pequena sanfona que ganhou quando tinha uns 10 anos de idade. Passou o tempo e ele deixou a sanfona de lado e partiu para o piano. Em seguida foi morar em Los Angeles, EUA, onde desenvolveu a carreira e afeiçoou-se aos ritmos locais e caribenhos. A Bossa Nova entrou de tabela. À época tinha 25 anos de idade e a Bossa Nova, apenas um ano.
Donato chegou aos EUA em 1959, ano em que o nosso presidente da República era o mineiro Juscelino Kubitschek.
Muitos artistas da MPB compuseram junto com Donato e de Donato muitos outros artistas gravaram um monte de suas músicas. Entre esses Chico Buarque, Caetano Veloso, Martinho da Vila, Gal Costa e Gilberto Gil. Com Gil, para lembrar, ouça:

domingo, 16 de julho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (31)

Nada impede que se interprete temas em duplo sentido poético ou musical em textos líricos, de amor, de paixão. Chega a ser, digamos, brincadeira ou desafio. Pode se contar uma história em versos com um quê de graça e lirismo pra se falar de uma relação sexual, por exemplo.
Os franceses criaram uma palavra para definir pessoas que sentem prazer ao observrem outras em carícias e atos sexuais. A palavra é “voyeur”. Ipsis Litteris, a definição da palavra é esta: “é a prática que consiste em um indivíduo obter prazer sexual através da observação de pessoas praticando sexo”.
No poema Sexo e Liberdade/No Jogo Louco da Paixão, eu utilizo de um personagem real (Lampião) e crio dois outros (Zilidoro e Riachão) para contar um pouco da história do Nordeste. São poetas esses dois últimos personagens. Cordelistas. Mudo um pouco o rumo da história para inserir mais dois outros personagens (Rita e Juca). Até aqui tudo em sextilha. Rita é uma moça muito bonita, fogosa, que não se faz de rogada para cair nos braços dos admiradores. Alguns até a levam pra cama, sob aquiescência do companheiro Juca. Essa primeira parte, termino ao moldes dos repentistas. Em seguida, a narrativa segue abordando mais diretamente o sentimento paixão, em quadras.
O poema é este:

Dizem que sou poeta
Bobagem! Isso não sou não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Que do nada fazem versos
E brincando até canção!

Zilidoro e Riachão
São da lira popular
Fazem versos de Cordel
Pra o povo apreciar
São versos bem bolados
Que dão pra rir, dão pra chorar

Eu li de Zilidoro
O Macho Alfa do Sertão
Cordel que conta tudo
A respeito de Lampião
Desde seu nascimento
Até a morte sem perdão

Não foi no Norte nem no Sul
E tampouco no Sudeste
Que um dia tombou morto
Lampião cabra da peste
Por muitos considerado
Uma praga do Nordeste

O velho Lampa derramou
Muito sangue pelo chão
Seu prazer era matar
Inclusive sem razão
Mais prazer teria tido
Se tivesse um bom canhão

Mas canhão ele não tinha
Tinha só muito poder
E uma moça bonita
Que jamais pensou perder
Por ela faria tudo
Se preciso até morrer

Riachão por sua vez
Detestava hipocrisia
Detestava o que não presta
Pelo bem da fantasia
Seu cordel A Quenga Pura
Tem bastante putaria

O cordel começa assim:
Leitor preste atenção
No que ora vou contar
É um causo de traição
Provocado por um corno
Chamado Juca Pavão

Rita mulher do Juca
Era linda como a lua
Andava se balançando
Sem vergonha quase nua
Era fácil gostar dela
Daquele jeito na rua

Seu andar bamboleante
Provocava sensação
Uns a levavam pra cama
Outros ficavam na mão
Rita rindo punha galhos
Na testa do seu Pavão

Mas ele não ligava
Pois gostava era de ver
Rita nos braços dos outros
Se desmanchando em prazer
Pra ele era tudo
Que um corno podia ter

Mas deixa isso pra lá...
Pois poeta não sou não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Cujos versos eles tiram
Com delicadeza do chão

Chão bom tem o Nordeste
Coisa boa é meu torrão
Semente bem plantada
Na terrinha dá pirão
É por isso que dou vivas
Aos poetas pés no chão

Poetas plantam versos
E também paz e paixão
Plantam sonhos e desejos
De inverno a verão
Dá tudo o que se planta
Quando cai chuva no chão

Dá romã, dá siriguela
Dá maçã em bananeira
Dá cana, caju e cajá
E manga em pitombeira
Só não dá se não plantar
Buraco na buraqueira

Mas chega de conversa!
Eu não sou poeta não
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Pra vocês o meu abraço
E um beijo no coração



Mais ainda posso falar
De amor e sedução
De prisão e liberdade
De Justiça e traição
Pra mim falar é fácil
Até mesmo de paixão

Paixão é mal que pega
Ou um bem que faz tremer
Um ser apaixonado
De repente sem querer?

Quem na vida nunca teve
Um xodó, uma paixão
Um amor destemperado
Mal criado, sem razão?

A razão não tem espaço
Nos domínios da paixão
— E o ser apaixonado?
— É bicho besta sem noção!

Até eu posso dizer
Sem temer estar errado
Que já vi um bicho desse
Choramingando, coitado!

Não há quem não se fira
Nos espinhos da paixão
Espinhos que deixam marcas
Indeléveis no coração

Se alguém lhe perguntar
O que diacho é paixão
Diga logo: É um trem bala
Disparado na contra mão!

Pra que fique muito claro
Clara é a conclusão:
A paixão é uma fada
Com garras de gavião!

Dito isso, não se perca
Não se meta em confusão
Ninguém escapa ileso
Aos caprichos da paixão

Quem avisa amigo é:
Ninguém se perde no baião
Ninguém se perde no batuque
Mas se perde na paixão

Se não crê no aqui dito
Solte freios e direção
Caia na buraqueira
E nos domínios da paixão

 

Ilustração de Fausto Bergocce

sexta-feira, 14 de julho de 2023

SONHAR É UM DIREITO DE TODOS

É bonito meu país Brasil. Bonito de todas as formas e rico em tudo, com seus 8.515.759 km².
No meu país Brasil tem tudo quanto é minério, inclusive o que mais brilha: ouro.
O Brasil é rico em tudo, inclusive no tocante a fauna e a flora. Mas sabemos que a Amazônia corre risco em todos os sentidos e em toda a sua área. A fauna também.
A Amazônia está sendo "loteada" por organizações criminosas como Família do Norte, Comando Vermelho e PCC. Como se não bastasse, ainda há as ONGs estrangeiras, infernizando aquele ambiente.
Mais do que nunca o governo brasileiro tem de pôr rédeas e controlar nossa terra, nossa gente, nossos bens; proteger os indígenas e prender e punir os bandidos que nos massacram.
Nos últimos quatro anos o Brasil virou uma espécie de "terra de ninguém".
Onde o Estado não chega, não se impõe em benefício da população, os bandidos chegam armados até os dentes e tomam conta de tudo.
A diretora de cinema Theresa Jessouroun, sempre preocupada com as questões sociais que afetam o Brasil, acaba de pôr nos canais a cabo Claro TV+ (Now), Vivo e Oi Play o seu novo filme, um documentário, intitulado Direito de Sonhar.
Esse filme de Theresa é um grito de socorro colhido numa comunidade do Rio de Janeiro. Ela diz:
"Gravado no Complexo do Alemão, Direito de Sonhar mostra como a ausência do Estado, a violência, o racismo e o difícil acesso à educação e à cultura afetam vidas e sonhos de crianças e jovens e mostra as soluções criadas para superar estes desafios".
Não é de hoje que Theresa Jessouroun volta seu olhar às injustiças que o povo humilde mais sofre.
Em Direito de Sonhar tem depoimentos tocantes, profundamente tocantes, como o de uma garotinha vestida de bailarina. Essa garotinha diz que muita gente lhe diz que como bailarina ela não chegará a canto nenhum. Mas ela garante não acreditar nisso, pois a esperança a move e a moverá sempre na vida. Tem uns 8 anos, talvez 9 de idade.
Um garoto de uns 10 anos aparece no filme de Theresa lendo livros com o maior gosto do mundo. Emociona.
Crianças e jovens adultos permeiam todo o filme de Theresa.
Direito de Sonhar, ao mesmo tempo que é um grito de socorro, é também um sopro de esperança. A pesquisa, muito bem desenvolvida, traz a marca da jornalista paulistana Cilene Soares. Veja o trailer:

quinta-feira, 13 de julho de 2023

HOJE É DIA DE ANACLETO E CORNÉLIO PIRES

Anacleto e Cornélio
Meu amigo, minha amiga, você sabe quem foi Anacleto de Medeiros?
Meu amigo, minha amiga, você sabe quem foi Cornélio Pires?
Bom meu amigo, bom minha amiga, Anacleto de Medeiros foi um negro fantástico, músico. Nasceu na Ilha de Paquetá, RJ, em 1866.
Anacleto e Cornélio Pires têm algo em comum: ambos nasceram no dia 13 de julho, um dia como hoje.
No tempo de Anacleto, os negros eram simplesmente escravizados.
No tempo de Cornélio, que foi também um cara incrível, a escravidão ainda corria solta no Brasil.
Cornélio, nosso primeiro produtor musical independente, nasceu no município paulista de Tietê no ano de 1884. Morreu em 1958, no Hospital das Clínicas. Não casou e nem deixou filhos, mas deixou 52 discos de 78 rpm gravados e 23 livros publicados.
Anacleto Augusto de Medeiros, esse o nome completo de Anacleto de Medeiros, interessou-se pela música muito cedo. Começou tocando flautim e seguiu apaixonado por outros instrumentos de sopro. Seu instrumento preferido era o saxofone. Aos 18 de idade, já era um bam-bam-bam conhecido em Paquetá. Foi maestro da Banda Musical do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. É autor de uma centena de músicas. Uma de suas músicas, Rasga Coração, ganhou letra do poeta e violonista Catulo da Paixão Cearense e chegou a inspirar o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos num chorinho. 
Rasga Coração ganhou a primeira versão em disco na voz de Mário Pinheiro e Vicente Celestino. Ouça com Celestino:
 


LEIA MAIS: O CHORO É NEGRO  CORNÉLIO PIRES E POLÍTICA  Humor desde sempre. Viva Cornélio Pires!

quarta-feira, 12 de julho de 2023

DEUS, O DIABO E LULA

A simbologia do mal tem por nome Diabo.
Cresci ouvindo dos mais velhos que "Deus está em todo canto".
Pra contrariar essa fala, sempre tinha alguém a dizer que o Diabo está em todo canto. Eu me arrepiava. 
Confesso que, pelo pavor que eu tinha do Demo, eu me arrepiava todo.
Fui crescendo e sabendo que o diabo "atende" por vários nomes: Demo, Demônio, Belzebu, Capeta, Cão, Bute, Satã, Satanás, Lúcifer, Tinhoso... 
Essa história vem-me à memória após ouvir o Lula tirar onda do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que insiste em manter a taxa de juro na estratosfera. Lula chamou o cara de "Teimoso" e "Tinhoso".
Tinhoso, como se sabe, é o Diabo. 
Aliás, o Diabo personagem vivo na memória popular e em tudo quanto é mídia desde tempos d'antanho. 
No século XV foi gerado um livro tornado clássico desde então: A Divina Comédia, do italiano Dante Aliguieri (1265-1321). Esse livro tem por partes o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Nessas três partes, na primeira principalmente, o bicho pega.
O livro de Dante inspirou outros grandes autores, como Goethe (1749-1832). Desse alemão é também a obra-prima Fausto. 
O personagem Fausto, de idade alí pelos 50, é um sujeito cheio de curiosidade. Quer saber de tudo: de onde viemos, pra onde vamos e tal. Realiza seu sonho, depois de "vender" sua alma ao Diabo.
Ah! Dante é nominalmente citado por Goethe na parte chamada Carnaval, na qual desfilam deuses e demônios à moda do sambódromo carioca.
Cresci ouvindo histórias de pessoas que vendiam até a mãe para alcançar seus objetivos. 
Também cresci ouvindo histórias de pessoas que tinham "o corpo fechado". Um cara assim, como Lampião, é duro na queda. Leva tiro, leva facada, leva pedrada e não cai, não morre. E quando morre é porque o corpo já não se segura de pé.
Lampião morreu com 39 anos de idade. 
Goethe com o seu Fausto inspirou até o nosso Guimarães Rosa. E antes, Machado de Assis. 
Machado fala do Diabo a dar com pau. 
Em 1884, Machado escreveu o belíssimo conto A Igreja do Diabo. A respeito não falarei, pois prefiro que você delicie-se com a leitura:

terça-feira, 11 de julho de 2023

VIOLÊNCIA E BOLSONARISMO, UMA PRAGA!

A violência continua atingindo o Brasil e brasileiros.
A violência, de todo tipo, flui com a naturalidade de quem tira um pirulito das mãos de uma criança. Infelizmente. Essa violência encontra guarida na cartilha bolsonarista. Não que antes dessa praga não existisse violência, mas multiplicou-se com o incentivo de Bolsonaro.
Estimular a população a comprar armas indiscriminadamente é, por si só, um crime. Isso foi feito no decorrer dos último quatro anos. E o resultado é o que se vê.
Até templos católicos têm sido alvo da bandidagem.
E o que dizer das torcidas de futebol, hein?
As brigas entre torcidas "organizadas" estão se multiplicando. O último caso, de morte, ocorreu no último fim de semana em São Paulo.
Uma jovem de 23 anos, Gabriela Anelli Marchiano, estava numa fila para comprar ingresso e assistir a uma partida entre Flamengo e Palmeiras. De repente, uma briga. A polícia chegou e passou a ser agredida a garrafadas pelos tais torcedores. Uma garrafa atingiu a jugular da jovem. Isso foi sábado 8. Dois dias depois, na Santa Casa de Misericórdia, ela não resistiu e morreu.
Neste ano de 2023 torcedores de times diversos morreram em confusões em Fortaleza, Alagoas, Pernambuco e sei lá onde mais!
É triste e perigoso viver numa sociedade violenta, onde as leis nem sempre são cumpridas e a impunidade resiste que nem um jatobá milenar. 
Tudo isso tem a ver com Justiça e Política.
Apesar de tudo ouso dizer que a Justiça jamais morrerá, ao contrário de Bolsonaro.
Politicamente Bolsonaro morreu. O bolsonarismo, não.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

JACKSON E ROSIL, SAUDADE

Ilustração de Fausto Bergocce


Foi num dia e mês como hoje que partiram para a Eternidade os craques da boa música popular Rosil Cavalcanti, pernambucano, e o paraibano Jackson do Pandeiro. 
Rosil morreu em 1968, ano da decretação do famigerado Ato Institucional nº 5. Jackson, em 1982.
O pernambucano Rosil Cavalcanti deixou menos de uma dezena de composições, mas muitas delas clássicas. Ele mesmo não gravou nenhuma, mas Luiz Gonzaga e tantos e tantos gravaram.
Em 1953, Jackson do Pandeiro estreava em disco de 78 rpm com as músicas Sebastiana, de Rosil; e Forró em Limoeiro, de Edgar Ferreira.
Edgar Ferreira (1922-1995) eu conheci durante palestra que fiz em Aracajú, SE. Grande figura!
Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro têm suas histórias contadas em livros. O primeiro por Rômulo Nóbrega (Pra Dançar e Xaxar na Paraíba) e o segundo, pelos jornalistas Fernando Moura e Antônio Vicente (Jackson do Pandeiro: O rei do ritmo).
O coco Sebastiana, primeiro grande sucesso de Jackson, foi lançado há 70 anos. Ouça: 



sábado, 8 de julho de 2023

LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (30)

Pedi a Oliveira de Panelas que desenvolvesse um texto poético abordando a questão palavrão no mundo da Cantoria. Sem se fazer de rogado, lá foi ele serelepe dizendo tudo o que sabe dizer. Com lirismo, graça e tudo mais. O resultado foram 120 versos distribuídos em 20 estrofes.
Começa assim:

Na Cultura Popular
De nossa imensa Nação,
O palavrão tem espaço
Em toda nossa emoção
Não há quem não tenha dito
Algum dia um palavrão.

Ninguém procure deter
A fúria desse sujeito,
Que na hora que o bicho “incha”
Nas cavidades do peito
Se a gente tentar freá-lo
O desmantelo está feito.

Até Índio na aldeia
Diz palavrão com o tacape...
Se for necessário diga
Antes que você “derrape”
Porque o buraco é fundo
Talvez você não escape.

Ele ama a liberdade
Deixá-lo preso é tolice,
É ótimo pras coronárias
Ante tanta esquisitice.
É mentiroso quem fala
Que um palavrão nunca disse.

Você topa numa pedra
E fere o dedão do pé,
Você diz, gota serena
Moléstia de cabaré,
Nessas horas a gente sente
O bom que o palavrão é.

Acho eu que até o Papa
Se levar um machucão,
Se for forte ele não lembra
Da Virgem da Conceição
Diz inconscientemente
O nome de um palavrão.

O palavrão está na China,
Japão, Itália, Paris...
Até o nosso vigário
Quando reza na matriz
Não diz na hora da missa
Mas fora da missa diz.

Vladimir Putin na Rússia
Solta seu palavrão brabo,
Diz pensando na Ucrânia:
Dessa vez sei que me acabo,
Pensei de vencê-la fácil
Mas vou levando no rabo.

Rita Lee era famosa
Nos palavrões que dizia,
Não tinha papas na língua,
Em todos shows que fazia,
O pau rolava e cantava
Sem nenhuma hipocrisia.

Só que o palavrão não pode
Ser dito de qualquer jeito,
Com calúnia e com fobia
Com ofensa e desrespeito.
Senão perde toda graça
Se denegrir o sujeito.

Assim foi Dercy Gonçalves
A rainha absoluta,
Babaca na unha dela
Levava pau na disputa,
Em meia hora escutava
Quarenta filha da puta.

O palavrão no Brasil
Vem de nossos ancestrais!
Está dentro da política,
Nas camadas sociais,
Quanto mais o tempo passa
Mais o bicho aumenta mais.

Romário, Zico, Pelé
E outros da Seleção,
Todos os craques da bola
Ou noutra competição,
Ninguém sabe o quanto eles
Falaram de palavrão.

Dilma Rousseff enfrentou
Selvageria e tortura,
Fez o mundo inteiro ver
Os males da Ditadura,
Seus palavrões têm espaço
Dentro de nossa Cultura.

Chico Anísio, Jô Soares...
Nem precisaram de teste,
O jornalista Assis  Angelo,
Esse é um Cabra da Peste,
Difunde no mundo inteiro
Os palavrões do Nordeste.

Palavrão é uma arte
Depende como se diz,
O palhaço diz com graça,
O louco fala feliz.
Sem o palavrão vejo “furo”
Na Cultura do País.

Roberto Carlos, Ratinho...
Têm seus palavrões também,
O Rei do Baião dizia:
Eu falo e me sinto bem.
Tinhorão, gênio escritor
Falava pra mais de cem.

Lampião, Rei Virgulino
Com sua bela Maria,
Só suportava a dureza
Do Cangaço em que vivia,
Pela coragem que tinha
E os palavrões que dizia.

Os palavrões mais usados
Que o Brasileiro já viu:
“São filho de rapariga,
Vai pra puta que pariu,
Vai tomar naquele canto”
E muita gente aderiu.

Do jeito que o mundo está
Passando tanto aperreio,
Os dias densos chumbados
E o ódio ferindo em cheio,
Sei que pra gente escapar
É necessário jogar
Uns palavrões pelo meio.

No dia 23 de julho de 1981, o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão publicou belo e analítico texto sobre o LP O Perguntador, que na ocasião estava sendo lançado à praça. Anos depois, precisamente em 2010, Tinhorão inseriu o referido texto no livro Crítica Cheia de Graça. Para acessar a leitura, clique: OLIVEIRA DE PANELAS VEM CHEIO DE RESPOSTAS EM SEU O "PERGUNTADOR"
Ainda sobre Oliveira de Panelas, clique na entrevista que fiz com ele em 2012: https://www.youtube.com/watch?v=__NTrRZ4ezE

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

sexta-feira, 7 de julho de 2023

MARIA MOITA FOI PLAGIADA

Ontem 6 escrevi uma coisinha a respeito da canção bossa-novista Maria Moita de Vinícius e Carlos Lyra. Essa música foi composta em 1962. Recebeu várias gravações, inclusive do Lyra. No ano seguinte, no estrangeiro, Maria Moita foi simplesmente plagiada. O autor da façanha foi um grupo, por sinal, muito conhecido em todo canto: Deep Purple.
Não é de hoje que músicas de autores brasileiros "grampeadas" por plagiários internacionais.
Em 1968 ganhou notícia mundo afora o plágio que o gringo Rod Stwart fez de Taj Mahal, de Jorge Ben ou Jorge Ben Jor. O autor brasileiro entrou com processo na Justiça e ganhou. Mas a grana não chegou a suas mãos: foi para uma instituição filantrópica.
Outras músicas de Ben também foram alvo da cobiça gringa, e plagiadas. Entre essas Cinco Minutos.
No Brasil, brasileiros também plagiam brasileiros. Até o RC. Mas essa é outra história.
Ouçamos Maria Moita na versão plagiada:

quinta-feira, 6 de julho de 2023

LULA APROVA LEI DE IGUALDADE SALARIAL

O negro e a mulher sempre sofreram na sociedade brasileira. Sempre foi assim e assim continua sendo, de certo modo. Na tentativa de corrigir um pouco essa situação, o presidente Lula sancionou na segunda-feira 3 a Lei nº 14.611 que "Dispõe sobre a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens; e altera a Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943".
Quer dizer: há exatos 80 anos nada havia sido feito, nesse sentido em prol da mulher. E é coisa óbvia, pois se a mulher desenvolve funções idênticas a funções que um homem desenvolve, por que ela ganha menos?
Essa história tem a ver com cidadão e cidadã de segunda classe, não é mesmo?
A história registra muitos absurdos no tocante à figura do negro e à figura feminina. Mas isso aos poucos vai mudando, como se vê.
Não custa lembrar, porém, que jornais, revistas, livros e nossa música popular registram as desigualdades da sociedade de todas as épocas.
O poetinha Vinícius escreveu uma letra muito interessante chamada Maria Moita, musicada pelo bossa-novista Carlos Lyra. Lá pras tantas, diz a letra: "Deus fez primeiro o homem/ A mulher nasceu depois/ Por isso é que a mulher/ Trabalha sempre pelos dois".
A Bossa Nova nasceu em 1958.


Ouça a música Maria Moita, clicando: https://youtu.be/FB3ekFa3oqc

TEATRO OFICINA

O Teatro Oficina surgiu na Capital paulista em 1958, com iniciativa de José Celso Martinez Correa. À época Zé era estudante de Direito no Largo São Francisco. Não concluiu o curso, mas arregimentou estudantes para pôr em prática suas ideias para Teatro. É uma história e tanto!
José Celso morreu na manhã de hoje 6, vítima de complicações decorrentes de um incêndio no apartamento onde morava no bairro do Paraíso, SP.
Segunda-feira 3 escrevi texto especial sobre Licenciosidade na Cultura Popular, série que vem sendo publicada há uns meses no Newsletter Jornalistas&Cia e neste Blog. Um trecho do texto ainda inédito: 

Em 2005, o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa esteve em Berlim,  Alemanha, apresentando a peça Guerra no Sertão. Baseada no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, na história adaptada por Corrêa aparecem personagens vivenciando o dia a dia da região de Canudos. E aí tem putaria, sexo e tal.
Boa parte da imprensa alemã não gostou do que viu. O diário Bild, em matéria de página inteira, pergunta o que os problemas dos brasileiros têm a ver com orgias. O diretor da peça respondeu: 

“O desejo da orgia vive em cada cultura e em cada pessoa. O teatro pode contribuir para libertar esse desejo”.

Disse mais:

“Trata-se do ímpeto de liberdade das sociedades isoladas. Mas eu vejo isso só do ponto de vista político, econômico ou militar. Trata-se da libertação das origens humanas que isolamos em nós”.