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quinta-feira, 30 de abril de 2020

ESTÁDIO DO PACAEMBU, 80 ANOS




Muita gente importante escapou da chamada gripe espanhola, que devastou o Brasil no correr de três meses e dias entre 1918 e 1919. Entre eles poetas e romancistas, como Olavo Bilac, Nelson Rodrigues e Pedro Nava. Nelson e Pedro deixaram depoimentos impressionantes sobre aquela gripe.
Aquela pandemia, que chegou ao Brasil na primeira quinzena de setembro de 1918, ceifou aqui pelo menos 300 mil pessoas. O epicentro foi o Rio de Janeiro.
Escaparam daquela praga políticos como Getulio Vargas, Adhemar de Barros e Prestes Maia, e violeiros como Raul Torres e Florêncio.
Raul e Florêncio formaram uma dupla muito importante. Eles começaram a tocar juntos em 1942. Dois anos antes, Raul lançou um disco de 78 rpm com Flausino. Esse disco tinha duas músicas, uma das quais até hoje é uma raridade: Moda do Estádio do Pacaembu, de Ari Machado.
O estádio foi inaugurado em 27/4/1940, depois de um ano e meio de construção. Participaram da cerimônia o então presidente Getulio Vargas, o interventor de São Paulo Adhemar de Barros e o prefeito paulistano Prestes Maia.
O Pacaembu foi o primeiro mais importante estádio de futebol da América do Sul.
Transferido à iniciativa privada em setembro de 2019, o gigante Pacaembu é agora um hospital de campanha para atender às vítimas da Covid-19, praga provocada pelo novo coronavírus.
A história da música brasileira registra todos os principais fatos do dia a dia. Exemplo é o que acaba de ser escrito.
Dizem que na internet há de tudo o que se pode imaginar. Mentira. O disco aqui mostrado só existe no acervo do Instituto Memória Brasil (IMB), assim como outras raridades. Mas na internet é possível ouvir um trechinho da Moda do Estádio do Pacaembu:



quarta-feira, 29 de abril de 2020

LIVE, LIVE, LIVE...

Live, live, live. O que é live?
Vivo, vivo, vivo. O que é isso?
Ao vivo é ser vivo?
Pois é, todo mundo é live, faz live todo dia, toda hora.
É live pra cá, é live pra lá, é live sei lá o quê!
Os artistas famosos continuam engolindo os artistas não famosos. Quer dizer, peixe grande engolindo peixe pequeno. Exemplo: Roberto Carlos, Caetano Veloso, Alceu Valença, Alcione, Ivete Sangalo e duplas como Chitãozinho e Xororó e Sandy e Junior...
Pois é, não é por amor e carinho que esses caras aí fazer o que fazem. Claro, estão olhando sempre para o próprio umbigo e conta bancária. E como é grande o umbigo desses caras!
Live, live, live. O que é live?
Vivo, vivo, vivo. O que é isso?
Ao vivo é ser vivo?
O coronavírus foi introduzido na cabeça de muitos artistas brasileiros, dos grandões...
Há muita hipocrisia no que está sendo feito hoje em dia. Compressível. Mas hipocrisia tem também fim.
Claro que tudo vai mudar depois dessa loucura que vivemos hoje. Presos em casa.
Quem viver verá.
Pois bem, ao vivo ou não ao vivo, sempre será bom ouvir e ver o que é bom. Exemplo?


terça-feira, 28 de abril de 2020

GOLEIRO MANGA NO RETIRO DOS ARTISTAS

Outro dia eu falei do goleiro Manga. Pensei que o manga tinha morrido, mas o goleiro Carlos Silvio (do Paiaiá), provou-me para mim o contrário. 
Descobri que o Manga continua vivo, em foto e tudo na internet, que bom. Nasceu em Pernambuco, em 1937. Mesmo ano da morte do carioca Noel Rosa. 
O Manga como goleiro foi um gigante. 
O Manga jogou em todo o canto, inclusive no Barcelona de Guayaquil. E está de volta ao Brasil, com os bolsos vazios, pobre, sem ter onde morar. 
A rainha do baião Carmélia Alves (1923 - 2012), minha amiga, viveu seus últimos dias no Retiro dos Artistas.
O Retiro dos Artistas é uma instituição sem fins lucrativos fundada no dia 13 de agosto de 1918. Seu atual presidente é o ator Stepan Nercessian.
E será nesse lugar, no Rio, que certamente viverá seus últimos dias o goleiro Manga. 
Essa é a vida: pra uns de riqueza, pra outros, de pobreza. 
E a vida continua para todos. 



PACAEMBU OITENTA ANOS

O estádio do Pacaembu fez ontem oitenta anos. Foi inaugurado no dia 27 de abril de 1940 pelo Presidente da República Getúlio Vargas. Nesse estádio estiveram grandes estrelas, como Manga. O resto é história. Inclusive o dia que entrevistei o craque Júnior. Leiam a última parte do livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira. Faz dez anos que publiquei esse livro.


domingo, 26 de abril de 2020

DIA NACIONAL DO GOLEIRO!

Eu sempre pensei que goleiro tem parte com passarinho. Ou com cobra.
 Passarinho, porque voa. Cobra, porque dá bote.
A primeira formação da seleção brasileira data de 1914, mesmo ano em que o cantor, palhaço, compositor, violonista e tal, Eduardo das Neves(1874-1919) lançava à praça a toada Luar do Sertão, do maranhense Catulo da Paixão Cearense(1863-1946).
O primeiro goleiro da seleção foi Marcos Carneiro de Mendonça
Pois é, como eu ia dizendo: goleiro   tem parte com passarinho e cobra.
Sempre admirei a profissão de goleiro.
Etmologicamente a palvra goleiro vem do inglês "goal".
Eu sou de um tempo que se usava muitas palavras de origem estrangeira para definir a posição dos jogadores em campo.
Você sabe o que é half esquerda?
Você sabe um corner?
E a origem da expressão zagueiro?
Pois bem, o caso é que goleiro tem asa e dá bote que nem cobra  surucucu.
Quem teve alegria de ver o pernambucano Manga no Botafogo cairoca, no Grêmio de Porto Alegre, jamais esquecerá dos milagres que ele fez na área dos seus domínios.
Manga, de batismo Hailton Correia de Arruda, começou a carreira no Sport de Recife.
O futebol, que tem suas origens na Inglaterra, foi trazido ao Brasil pelo paulistano Charles Miller (1874-1953).
O futebo Nasceu na Inglaterra, mas foi no Brasil que ganhou prestígio internacional. Não à toa Pelé é o rei desse esporte.
E Manga, hein?
 Manga encerrou a careira em 1971 e 5 anos depois o Brasil passoua festejar o dia 26 de abril,dia em que nasceu, dia nacional do goleiro.

E pra lembrar Marcos Carneiro de Mendonça e Manga, grandes goleiros da nossa história ilustremos esse texto com a belíssima Luar do Sertão em sua primeira gravação com Eduardo das Neves.




sábado, 25 de abril de 2020

GRIPE MATA!

Setembro ainda está longe, mas esse mês lembra a grande tragédia quero mundo viveu a Pandemia da Gripe Espanhola.
A Gripe desembarcou de um navio em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Isso no início da segunda parte de setembro de 1918.
Q Primeira Guerra Mundial estava findando.

Foi nos EUA que a Gripe Espanhola teve seu berço.

Foto: compositor Caninho
Os dados são controversos, mas calculam-se em 50 a 100 milhões de mortes provocadas por essa gripe. No Brasil, podem ter sido vítimas dessa praga até 300 ou 350 mil pessoas no curto prazo de 3 meses e dias. Um horror!
Naquele tempo não tinha cura pra nada, mais ou menos como hoje.
Não me estender muito neste assunto, mas sugiro que leiam o livro de memórias do pernambucano Nélson Rodrigues (1912-1980).
A terrível pandemia não impediu que os cariocas fossem pular no Carnaval.
O Carnaval de 1919, ano da eleição que escolheu o paraibano Epitácio Pessoa como presidente (1865-1942).
Os relatos indicam que foi um dos carnavais mais depravados da histórias, com centena de extupros, etc.
O compositor carioca Caninha(José Luiz de Moras;1883-1961), deixou um maxixe intitulado Gripe Espanhola, que dizia:

Assim é que é! Viva a folia!
Viva Momo – Viva a Troça!
Não há tristeza que possa
Suportar tanta alegria.
Quem não morreu da Espanhola,
Quem dela pode escapar
Não dá mais tratos à bola
Toca a rir, Toca a brincar...
Música de carnaval cantada nos Democráticos,
promovendo um baile no dia 11 de janeiro de 1919



WILSON SERAINE, AMANHÃ ÀS 20H30, NO INSTAGRAM (@cspaiaia) DO CARLOS SÍLVIO, ESTARÁ ENTREVISTANDO AO VIVO, O PROFESSOR WILSON SERAINE, UM DOS MAIORES COLECIONADORES DA OBRA DE LUIZ GONZAGA, O REI DO BAIÃO. WILSON JÁ PUBLICOU 3 LIVROS SOBRE O ARTISTA PERNAMBUCANO DE EXÚ. APARENTEMENTE NADA A VER, MAS SERAINE ESTÁ PRA FAZER DOUTORADO SOBRE ENERGIA NUCLEAR. O CARA É UM BOMBA! NÃO PERCAM POR NADA, ESSA ENTREVISTA.
INSTAGRAM: @cspaiaia

terça-feira, 21 de abril de 2020

O OVO GÔRO DA MORTE

O Brasil está sofrendo, a Pátria sangrando.
É um rebuliço danado que se vê a parti do Planalto Central.
O  presidente do Congresso, o presidente da Câmara, o presidente e os ministros do STF, a liberdade, a democracia, e tudo o mais anda em perigo.
O presidente foi eleito  pela maioria dos brasileiros e de todos os brasileiros ele é o presidente. Deveria comporta-se como tal.
E lá vai um poeminha, este:

Tem serpente chocando
No colo do presidente
Chocando bem devagar
De modo bem paciente
Mas o Brasil novo não quer
Mais um ovo de serpente

Já não basta meia quatro
Com morte e perseguição?
O Brasil já não suporta
Ódio e provocação
É preciso dá-se cabo
À fala do Capitão

Ele pensa e fala
Sonhando com ditadura
Quer o tempo todo fechado
Com chave na fechadura
Quem não pensa como ele
É bicho sem ferradura

Ele marcha para trás
Comandando pelotão
Incitando seus cavalos
Contra a paz e união
É um zero à esquerda
À direita é Cramunhão

É contra a liberdade
E a favor da repressão
Muita gente ele matou
De raiva, humilhação
É soldado do Capeta
Do Inferno, guardião

Pena tudo, penam todos
Penam jovens jornalistas
Que quando podem perguntam
Sobre nazifascistas
Irritado Presidente
Diz ser todos comunistas 

O que dizer de quem diz
De modo tão prepotente:
Eu sou a constituição!
Eu sou o presidente!
Ora, só faltou dizer:
Eu sou Deus onipotente 

É perfeito filho da morte
É perfeito filho do Cão
Carrega na sua mente
O mal, a dor, a danação
O que ele falta fazer
Por o Brasil na prisão? 

É preciso rezar muito
É preciso ter cuidado
Tem muito macho maluco
Pensando só em soldado
Mas o Brasil é maior
Mesmo tão judiado

Ignorância é força
E liberdade, escravidão
É isso tudo que pensam
Os cavalos do Capitão
Cavalos abomináveis
Que rugem na escuridão 

O Brasil está sofrendo
Com piolho e Cramunhão
O Brasil marcha pra trás
Com ordens do Capitão
Deus do céu o que será
Do Brasil sem direção?



Acesse o nosso site: https://www.institutomemoriabrasil.com.br/




domingo, 19 de abril de 2020

O POETA MAIS MUSICAL DO BRASIL (2)


Sem dúvida nenhuma, Manuel Bandeira foi o peota mais musical que o Brasil teve até hoje. Seus poemas começaram a ser musicados nos anos de 1920. O primeiro parceiro foi Villa-Lobos (1887-1959), que melodiou 14 poemas seus. Dentre esses, um que faz parte das Bachianas.
No correr da sua vida, Bandeira flertou o tempo todo com eruditos e populares.
O mineiro Jayme Ovalle, de Bandeira melodiou Modinha e Azulão.
Azulão virou clássico.
Vinicius de Moraes dizia que quando Ovalle chegava num ambiente, a temperatura subia 2 graus. Motivo? Ela dominava tudo, pela presença.
No primeiro LP do extinto grupo Secos & Molhados (Continental, 1973), que tinha à frente o cantor Ney Matogrosso trouxe, na faixa seis do lado B, o poema-cantiga Rondó do Capitão (ouvir, acima) musicado pelo paulista João Ricardo. Para a criançada, foi uma festa.




A poesia de Manuel Bandeira está na boca do mundo, cantada e declamada por muita gente bonita e competente como a gaúcha Mirianês Zabot.
Em 2009, Mirianês estreou, no teatro do Centro Cultural São Paulo o espetáculo Mosaico Foto-Prosaico. Nesse espetáculo ela declamou entre Disparada (Théo de Barros/Geraldo Vandré) e Reza (Marcelo Onofri/Raul Boeira), o poema Desencanto, de Bandeira. Ouçam:



Manuel Bandeira era baixinho e triste, desconjuntado como se diz lá no nordeste. Tocava violão e piano, mas nunca teve coragem de se apresentar em público como tal. Achava-se feio fisicamente.
Há, pelo menos 130 poemas de Bandeira musicados por artistas os mais diversos, incluindo Francisco Mignone, registrados no ECAD.
O poeta pernambucano também foi plagiado, até por Djavan. Mas essa é outra história...
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu no dia 19 de abril de 1886. Sua obra é m-o-n-u-m-e-n-t-a-l.
Em 1968, a cantora lírica mineira Maria Lúcia Godoy gravou um LP inteiro interpretando Bandeira. Ouçam-na interpretando o 5º movimento das Bachianas Brasileiras:

O POETA MAIS MUSICAL DO BRASIL (1)

O poeta recifense Manuel Bandeira (1886-1968) passou a vida à margem de pragas; edemias, epidemias e até uma pandemia, a de 1918.
A pandemia de 1918, conhecida como Gripe Espanhola, levou ao túmulo milhares e milhares de brasileiro no curto tempo de quatro, cinco meses. Essa doença, a espanhola, chegou ao Brasil em setembro de 1918. Nesse ano, em dezembro, morreu "gripado" o poeta Olavo Bilac. Em janeiro de 19 foi a vez de a gripe matar o presidente da República Rodrigues Alves.
Gripe é gripe. E como tal também é chamada a Tuberculose.
Manuel Bandeira teve o peito atacado pelos bacilos do Koch, que o levaram a morte aos 82 anos de idade.
Muita gente morreu de Tuberculose no Brasil e no mundo todo...
A literatura é rica no tema.
A Montanha Mágica é um romance do alemão Thomas Mann (1875-1955). Conta a história Hans Castrop que sobe os Alpes pra visitar o primo Joachim que estava se curando da "gripe". Num sanatório, é claro. E nesse sanatório o Hans acaba ficando por anos. Vale a pena ler esse livro.
Outro livro que vale a pena ler, que tem como tema a Tuberculose, é Floradas na Serra, da paulistana Dinah Silveira de Queiroz (1911-82), cuja leitura também recomendo.
Manuel Bandeira deixou um rastro de beleza no mundo, pela poesia que fez.
Embora nascido de família abastada, Bandeira identificou-se poeticamente com os deserdados da vida. Exemplo?

"Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem."

Bandeira, na sua obra falou de tudo. Nada lhe escapou aos olhos. Falou de belezas e tristezas, de feiuras e tudo mais.
Na sua poética, Bandeira inspirou muita gente. Inclusive Chico Buarque, de quem foi amigo.
Bandeira e Chico nasceram tímidos. Chico superou a sua timidez, Bandeira não.
Ouve um tempo em que Chico Buarque, estudante de arquitetura em São Paulo, ia duas vezes por semana à região da Praça da Luz distribuir, com amigos, cobertores para os miseráveis da vida. A região da Luz paulistana era, principalmente no passado, uma região de desesperados e prostitutas. Isso foi registrado numa música feita por David Nasser e Nelson Gonçalves. Ouçam:

sábado, 18 de abril de 2020

EM TEMPOS DE QUARENTENA, ARTISTAS NO AR!

Mundo e meio se acha enquarentenado nestes tempos de Coronavírus. Isso significa mais de bilhão e meio, dois, três, sei lá quantas pessoas reclusas em suas casas, à espera do maldito vírus retornar às profundas do Inferno, seu lugar de origem.
Enquanto as pessoas refugiam-se em casa, em casa elas brincam e brigam entre si...
Para distrair o povo, artistas liderados por Lady Gaga ocupam as telinhas da internet. Agora, neste momento em que batucamos estas linhas. São dezenas de artistas em performa-se, entre os quais Paul McCartneyRolling StonesElton JohnStevie WonderLady Gaga. Isso tudo pra arrecadar fundos que servirão ao combate da doença que está dizimando o mundo. Ao mesmo tempo, co isso os artistas também prestam espontânea homenage a todos os profissionais engajados na luta contra o Coronavírus. 
Em 1985, dezenas de artistas se juntaram em campanha para ajudar no combate à fome que matou muita gente na África. A campanha se chamou We Are The World. 
Naquele ano, cerca de 150 artistas brasileiros também se juntaram em campanha contra a fome que judiava o Nordeste brasileiro. Entre os artistas se achavam Chico Buarque, Fagner, Luiz Gonzaga, Simone Roberto Carlos. A propósito, amanhã 19, a parti das 19h, Roberto estará ao vivo na internet. Amanhã o artista completa 79 anos.
O bom também nessa história toda é o que há 22 dias seguidos vem fazendo o apresentador de rádio Carlos Sílvio. Fora do ar na conectados, ele entra no ar todas as noites, a parti dás 20h30, na telinha da internet. Começou no dia 27/03.  E de lá pra cá entrevistou, no seu programa (EM QUARENTENA), Vivi Seixas, Zurc, entre outros.
O Entrevistado de hoje 10 de Sílvio é o professor de matemática Leandro Rodrigues. Os dois falarão sobre educação e matemática e Covide-19, etc. 
Para acompanhar siga: @cspaiaia

100 ANOS DE EMÍLIA, A BONECA!

Brincalhona, saltitante, provocadora, sem noção...daquelas figurinhas totalmente fora do eixo politicamente incorreta. Pois bem, essa personagem habita o imaginário popular há 100 anos. Chama-se Emília.
Emília nasceu da imaginação do paulista Monteiro Lobato. É uma boneca muito vaidosa e presente nas rodas dos moradores do Sítio do Pica pau Amarelo.
Emília é incrível. Tão fora de ordem que um dia o seu criador disse que sobre ela havia perdido completamente o controle. Quando estou escrevendo, contou Lobato, "ela pula nos meus dedos e faz o que quer".
Foi e 1920 que Emília apareceu pela primeira vez em livro. Título: A Menina do Narizinho Arrebitado.
A história de Monteiro Lobato é uma história incrível. Seu primeiro livro, Urupês, teve a primeira edição lançada em 1918. É nesse livro que o personagem Jeca Tatu dá as caras pela primeira vez.
Leiam:

http://assisangelo.blogspot.com/search?q=jeca+tatu

Moenteiro Lobato era declaradamente um nacionalista extremado, Getúlio Vargas, também. Por que então, Getúlio mandou prender Lobato em 1941?
Lobato foi o criador de uma campanha nacional pelo Petróleo. Até escreveu um livro a respeito: O Poço do Visconde, lançado em 1937. Nesse ano, não podemos esquecer, Vargas eu o golpe sobre o golpe que se chamou Estado Novo. Vio-len-tís-si-mo. Mas essa é outra história...
Monteiro Lobato é o pai da literatura infantil no Brasil. deixou uma obra fantástica, Hoje, em domínio público.
Foi no dia 18 de abril de 1882 que nasceu, em Taubaté, SP, José Bento Renato Monteiro Lobato.
Antes de o amigo leitor acessar a única entrevista de Lobato que restou gravada, confira o que ele poeticamente achava da vida:

– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...]
A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre?, perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?


Acompanhe abaixo a única entrevista que ficou gravada para a posteridade.



sexta-feira, 17 de abril de 2020

TUBERCULOSE É MAL QUE MATA. E MUITO!

No breve discurso de despedida o ex ministro Mandetta, da saúde, fez referência de passagem à Tuberculose.
A Tuberculose é uma das doenças que ainda mais matam no mundo. Surgiu há cetenas de anos. A data do seu surgimento é, na verdade, imprecisa.
Poetas, romancistas e artistas de outras áreas da criação humana tiveram a vida abreviada pelos terríveis bacilos de Koch. Esse nome é uma homenagem ao descobridor dos Bacilos que provocam essa doença.
Morreramm de tuberculose Louis Braille, cego criador do método Braille; o pianista e compositor Frédéric Chopin, escritores Franz Kafka e George Orwell. Isso lá fora. No Brasil, entre muitos,  Castro Alves, Casimiro de Abreu, Arthur de Azevedo, José de Alencar, Manoel Bandeira, Cruz e Sousa, Sinhô, de batismo,José Barbosa da Silva; e o nosso primeiro grande sambista, Noel Rosa.
Castro Alves foi um dos primeiros brasileiros a gritar contra a escravidão. 
Casimiro de Abreu publicou apenas um livro, em vida, como Castro Alves.

No Rio de Janeiro há um município com o nome do belo poema Meus Oito Anos. Esse poema começa assim:

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
...
A tuberculose carregou para o túmulo grandes e jovens compositores e intérpretes como Sinhô e Noel Rosa. A propósito, Noel nasceu no mesmo dia e mês em que nasceu o patologista e bacteriologista alemão Robert Koch. Noel nasceu em 1910 e Koch, em 1843.
Dados da OMS, dão conta de que 10 milhões ou mais de pessoas são infeccionadas pelos bacilos de Koch. Desse total, 1,5 milhão morrem. No Brasil, em 2019, tombaram tuberculosos mais de 4 mil pessoas.
O romancista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues adoeceu de tuberculose quando tinha 21 anos, idade que tinha Casimiro de Abreu tinha quando morreu. Nelson relatou em crônicas a experiência que passou quando esteve num dos sanatorinhos de Campos de Jordão, SP.
Eu fui um dos "hóspedes" de um desses sanatorinhos. Nelson no começo dos anos de 1940 e eu, em 1976.
A tuberculose é um mal terrível!
Ah! Sim. A tuberculose matou muito gente nova e também gente de idade alta, como Manoel  Bandeira (1886-1868). Aliás, é de Bandeira o poema Pneutórax. Ouça Bandeira interpretando, ele mesmo.




quinta-feira, 16 de abril de 2020

SOBRE POMBOS E VOZES


A asa branca é uma ave que simboliza de modo perfeito a natureza do Nordeste brasileiro. Ela, porém, foi pela primeira vez identificada e classificada no Paraguai, no começo do século XIX. Vejam só!
Mas não é da asa branca, esse pássaro tão bonito, que eu quero falar. Dele já falei até demais. Veja nos links:
http://assisangelo.blogspot.com/2017/03/asa-branca-70-anos.html
http://assisangelo.blogspot.com/2017/03/ainda-asa-branca-70-anos.html
http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/asa-branca-voana-bienal-cearense.html
Em 16/4/1919, militares norte-americanos graduados enalteceram a façanha de uma ave que ficou conhecida como Cher Ami (Querido Amigo, em francês), um pombo-correio que levou a mensagem que permitiu salvar perto de 200 soldados aliados pegos num fogo cruzado entre tropas americanas e alemãs na floresta de Argonne, na França, em outubro de 1918.
O dia 16 de abril é também importante pelo fato de a data ter sido designada como Dia Nacional da Voz por lei de 2008. É data mundial desde 2003. Mas desde 1999, extraoficialmente, o Brasil comemorava a voz humana. Ela serve para dizer oi, olá, tudo bem... e cantar.
Chico Alves (1898-1952) passou a ser conhecido como “Rei da Voz” em 1933, quando o locutor paulista César Ladeira (1910-69) cravou nele esse título.
Um dos mais significativos compositores e cantores, de ótima voz, o baiano Moraes Moreira nos legou obra fundamental a somar-se à MPB. Foi na madrugada de 13/4, dormindo – como Manezinho Araújo e Charles Chaplin. É dele o frevo Pombo-correio, aqui ilustrado pelo cartunista Fausto Bergocce.
O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem farto material sobre Chico Alves e Moraes Moreira.


MIRIANÊS ZABOT
Quarentena é coisa que nem Deus quer. Tanto que ele está em todo o canto e lugar, pra não se cansar e morrer de tédio. Andar, falar, cantar faz bem. E, creio a melhor coisa do mundo pra enganar o tédio é se movimentar com o corpo e tudo mais.
Nessas horas e em todas as horas é sempre bom ler, escrever. Hoje é o Dia Nacional da Voz. Um pouco dessa história eu conto no texto que abre este Blog. Eu se fosse você meu amigo, minha amiga, procuraria ocupar o tempo ocioso lendo, escrevendo e cantando. Como não canto bem, faço curso. Porque você não faz o mesmo? Dica: www.mirianeszabot.com.br/estrutura.php?pagina=aulas

CRAMUNHÃO DEMITE MINISTRO DA SAÚDE

O Brasil real e o seu povo estão tensos. Tipo: mil graus centígrados.
Em minutos que pareceram mais de hora o presidente da República ocupou, neste fim de tarde, o microfone do Palácio para anunciar a decisão de demitir o ministro da Saúde. Demitiu por ciúme, ciúme é uma desgraça, os fracos sabem disso.
No correr dos minutos que falou no seu português enviesado e macarrônico, o presidente fez referencia ao poder que detêm seis vezes, ora "eu como presidente" ora "eu como chefe do executivo"... De repente lembrou que os governadores não têm poder de decretar estado de sitio no Pais. Porque isso, hein?
Antes de o presidente falar, no Ministério da Saúde, Mandetta reunido com seu time aparentava naturalidade diante da demissão feita pelo chefe do Executivo.
Mandetta é personagem do folheto de cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão.
A certa altura da "entrevista" o repórter pergunta ao Piolho sobre o agora ex-ministro da Saúde. E ele respondeu:

Mandetta é inimigo
O seu chefe é meu irmão
O que ele está fazendo
Desagrada meu patrão
Esse tal lá da Saúde
Para mim não presta, não

Calma, muita calma!
Pra tudo tem solução
O Mandetta vai dançar
Na palma da minha mão
Estou de olho nele
Por ordem do Cramunhão

A realidade, como se vê, facilmente se confunde com a ficção. O Piolho, no caso, é o ser servil, puxa-saco do Cão, na história identificado como Cramunhão.
Anteontem o influente jornal norte-americano The Washington Post disse, em texto assinado por seu conselho editorial, que o presidente do Brasil é o pior dentro todos os presidentes do mundo.
Ontem o presidente norte-americano disse que pode fechar o Congresso Nacional da terra dele. Disse isso depois de briga feroz com os governadores do seu país.
Como o presidente brasileiro é apaixonado pelo presidente americano, é possível que queira fazer o que não pode.
O Congresso Nacional do Brasil foi fechado 18 vezes...
E que Deus tenha pena de nós todos, brasileiros.


segunda-feira, 13 de abril de 2020

BEIJAR É BOM E DOCE

Judas traiu Cristo com um beijo, entregando-o às autoridades judaicas do seu tempo.
O beijo é uma das formas de comunicação mais bonitas e eficientes do mundo, desde sempre.
O beijo como forma de cumprimento é infalível e gostoso, por ser infalível.
Quem não gosta de beijar e ser beijado ou beijada? O beijo pode ser no rosto, na boca ou em qualquer outra parte do corpo, por que não?
Nos países Árabes os homens costumam não só se beijar, mas também andar de mãos dadas.
O beijo também já provocou discordâncias, desavenças, quando em certas ocasiões são roubados. Eu mesmo já ji neguinho levar tapa na cara port causa disso, por roubar o que não deveria.
Um beijo apaixonado, dizem especialistas, fazem uns 30 músculos disparar.
Um doido qualquer me disse uma vez que quem gosta de beijar beija, no correr da vida, pelo menso 30 mil vezes.
Mas ouve, na história, um poderoso que chegou ao cúmulo de proibir as pessoas de se beijarem. Foi o Rei Henrique VI, no final da primeira metade do século XIV. Ele o ban, ban, ban, da Inglaterra. Ele fez isso para impedir que as bactérias fizessem festa no corpo alheio. A propósito, um beijo de língua movimenta pelo menos 80 milhões de bactérias, é mole?
Hoje comemora-se o dia internacional do beijo.
Se Jesus Cristo vivesse hoje, entre nós, será que Judas teria coragem de beijá-lo para receber os míseras 30 moedas de prata?
O Coronavírus continua à solta.
O beijo se acha abundante mente como tema da música popular e nos demais campos da arte.
Em 1945, foi composta a cantiga "Beijinho Doce".

https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1471804/reporter-entrevista-piolho-do-cramunhao/

CORDEL: REPÓRTER ENTREVISTA / PIOLHO DO CRAMUNHÃO

O Coronavírus está assustando o mundo. Milhares e milhares de pessoas já morreram, na Itália, Espanha, EUA e aqui mesmo no Brasil . Esse vírus que resulta na Covid-19, eu o apelidei de "Piolho". Esse Piolho vive grudado no saco do cão. Mês passado publiquei um cordel tendo o Piolho como personagem. Agora publico outro cordel, com capa assinada pelo brilhante cartunista Fausto. E, mais não digo.
Leiam e deixe por aqui suas impressões. A cultura popular continua viva.

https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1471804/reporter-entrevista-piolho-do-cramunhao/

domingo, 12 de abril de 2020

UM CEGO NA RIBALTA

Pode parecer óbvio, mas o tenor italiano Andre Bocelli quando abre seu vozeirão mostra que cego também tem presença no mundo. Melhor: com o seu vozeirão, ele chama à atenção do mundo para as mazelas que a todos nos matam, como esse tal de Novo Coronavírus.
Como ser ou pessoa física Deus não existe. Cristo, sim.
Cristo nasceu e morreu negro, tendo como pais Maria e José.
No Oriente Médio não há loiro nem galego, como na Europa.
Maria teve Cristo, sem copular com José, seu marido.
Maria e José tiveram dois ou três filhos, além de Cristo.
É tudo muito complicado, na história.
A Bíblia não mostra em página nenhuma as características de Cristo.
Nem se sabe, exatamente, quando Cristo nasceu. Também não se sabe quando ele morreu. Dizem que foi numa sexta-feira. Mas nada disso tudo é comprovado, historicamente.
Cristo, pelo que se sabe, tinha lá ele uns 30 ou trinta e poucos anos quando foi traído por Judas. Houve a última ceia e houve, também, a negação de Pedro. Foi aí que o caldo começou a entornar.
Cristo foi levado à presença de Pilatos e Pilatos o encaminhou a Herodes, que o devolveu a Pilatos. Diante da saraivada de perguntas de Herodes e Pilatos, Cristo ficou em silêncio.
É uma história incrível a história de Jesus Cristo.
Condenado sem acusação formal, sua vida foi trocada pela vida do bandido Barrabás. Era o povo gritando pela soltura de Barrabás. E aí, de novo, o caldo entornou.
Herodes foi aquele que matou milhares de crianças apostando que entre elas estaria o Cristo, que ameaçaria o seu poder de mando.
Essa história sabemos.
Pilatos, prefeito ou governador da Judeia, foi aquele que lavou as mãos ao perceber que o homem que estava a sua frente não tinha culpa de nada. Na sua visão, era um pobre diabo.
Pois bem, como pessoa física Deus nunca existiu. Nunca existiu, mas muita gente já matou Deus.
De acordo com a história que conhecemos, Cristo foi torturado e morto; pregado numa cruz, quando tinha 30 ou poucos anos de idade.
A história de Cristo é uma história de reflexão. Especialmente hoje, quando a Bíblia conta que ele ressuscitou três dias após morrer. E esse dia, tão lembrado, é hoje: Páscoa.
Tudo que eu disse até aqui tem haver com as lembranças do coroinha que um dia fui. Esse coroinha, hoje adulto, chorou e chorou e ainda está a soluçar com o que ouviu na web. E o que ele ouviu foi a voz divinal de Andrea Bocelli.
Bocelli cantou a esperança, o amor, a crença e rezou pela união do mundo.
Hoje faz 150 anos e um mês que o brasileiro, de Campinas, SP, Carlos Gomes estreava no Teatro Alla Scala de Milão a ópera Il Guarany.
Foi na catedral de Milão que, hoje, Andrea Bocelli se fez mais uma vez presente no mundo. Confiram: 

sábado, 11 de abril de 2020

É TEMPO DE COMER PEIXE E REZAR. ALELUIA!

O Natal de 2019 passou e deixou conosco o Coronavírus e sua cria, a Covid-19.
O carnaval de 2020 passou e deixou conosco a quarta-feria de cinzas, que gerou Quaresma, que virou Páscoa, que gerará o Pentecoste.
Hoje 11 é sábado de Santo, de Aleluia. Amanhã 12 é domingo de Páscoa. Quer dizer, o dia em que nós Cristãos comemoramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. É isso, acho.
Essas são lembranças que trago comigo desde meus tempos de coroinha. Pois é, ajudei missa rezada  pelo padre Camilo e pelo padre Eugênio, esse último o primeiro a se casar no Brasil.
A Páscoa é renovação provocada pela reflexão que devemos fazer sobre a nossa vida e comportamento.
Ajudar o próximo faz bem. Aprendi isso desde menino.
Lembro-me nesta hora da minha avó Alcina e da minha tia Benedita.
Minha mãe morreu quando eu tinha três ou quatro anos de idade. Exatamente um ano depois, uma segunda-feira, meu pai foi-se. Ela chamava-se Maria, ele Severino. Sinto saudades dos meus pais e das pessoas que criaram, dona Alcina e dona Benedita. Todos esses hoje, no céu. E pra lá um dia irei, acho.
Aprendi que as pessoas boas vão para o céu.
Aprendi também que o céu e o inferno fazem parte de um mesmo plano. Tem até um ditado que diz: "Aqui se faz, aqui se paga".
A Quaresma dura 40 dias e é uma data móvel do calendário gregoriano.
Quaresma tem há ver com 40 dias.
Quarentena também tem há ver com 40 dias. Essa expressão, aliás, nasceu na Itália do século 14.
Acredita-se que a origem da expressão quarentena deva também estar ligada ao tempo de resguardo feminino.
É tempo de comer peixe e rezar.
Sempre é tempo de comer peixe e rezar. E ouvir boas músicas, como Aleluia, de Handel. Ouçam:




sexta-feira, 10 de abril de 2020

CELULAR, OBJETO DA VIDA!

Um coisa curiosa aconteceu comigo, ontem 9.
Foi a perda do celular nestes tempos amalucado de Coronavírus.
Quer dizer: de uma hora pra outra vi-me isolado, perdido, pois já não conseguia ligar pra ninguém. O telefone endoidou, de repente.
A sensação foi, de fato, de perda. Fique agoniado, angustiado. Que coisa!
Através do interfone, contei a um funcionário, Genival, do prédio o que ocorrera. Lembramos de David, um pernambucano morador do prédio onde moro há muitos anos. É um cabra legal, solícito, brincalhão. Toma umas biritas e é torcedor do Corinthians.
O filho de David chama-se Junior. Craque das questões relacionadas à informática. De internet, sabe tudo e muito mais. Solidário como o pai, logo prontificou-se a dá um jeito nesse aparelhinho de fazer doido, que é o celular. Mexe aqui e acolá, fez o danado obedecer  minhas ordens. E cá estou. Uso-o com voz de comando, que é assim que nós cegos fazemos.
O episódio levou-me a refletir...
Até o mês passado havia cerca de 230 milhões de celulares funcionando nas mãos de brasileiros. Loucura, não?
A conclusão a que cheguei é que o celular já é parte natural da vida que vivemos. Sem celular parece que algo muito importante nos falta.
Sem celular estaremos condenados ao passado sem futuro. Horror, mas é verdade. Sentir um pouco disso.
Celular parece complementar e dá sustâncias nossas pernas, mãos, ouvidos e pensamento.
Sem celular estaremos lascados, é o que a realidade indica. É ou não é?
É o que acho.
Ah, sim. Hoje o amigo David Completa 64 anos de vida. Meus parabéns, rapaz! Que essa data se repita por mais umas 100 vezes.

Na foto: Assis Ângelo, David e Júnior.



quarta-feira, 8 de abril de 2020

HOJE É UM DIA IMPORTANTE, DO BRAILLE!

São milhares ou milhão de pessoas que não veem nada, cegos totais dos olhos. Isso, no Brasil. No mundo todo, são milhões e milhões. Segundo a ONU, a cada 5 segundos uma pessoa fica cega. Eu sou uma dessas pessoas incluídas nessa estatística.
Perdi a visão dos olhos há uns 7 anos. Antes, eu via muito bem. Usava óculos com lentes ajustadas à miopia. Mas via bem. Hoje, vejo com os olhos alheios dos amigos, das amigas.
Conheci muitos cegos na vida. Desde a infância. No correr da vida adulta, fiz amizades com Patativa do Assaré e o sanfoneiro cantador, Luiz Gonzaga. Gonzaga via só com um olho, pois o outro perdera num acidente de carro.
Por que lembro dessas coisas?
Nos séculos passados a cegueira era questão sem solução, como ainda hoje.
Ser cego é uma barra.
No dia 8 de abril de 1834, nasceu um menino batizado com o nome de José Álvares de Azevedo. Nasceu cego. O pai de boas posses o mandou à França, onde havia uma escola que ensinava cegos a ler e a "escrever". Isso através de um método revolucionário chamado "Braille".
Braille era o sobrenome de um francês.
Muito cedo, ainda menino, Louis Braille sofreu um acidente e perdeu a visão. Em 1825, Braille difundia na França o método que criou.
Hoje é o dia Nacional do Sistema Braille.
A primeira escola de braille no Brasil foi inaugurada  em setembro de 1854, no Rio de Janeiro. Essa escola surgiu por iniciativa do carioca Álvares de Azevedo, que morreu com 20 anos de idade. A escola existe até hoje, com o nome de Instituto Benjamin Constant.
A história traz nomes de cegos muito importantes como Homero, autor de Ilíada e Odisséia.
O fato de ter perdido a luz dos olhos não me credencia, de maneira alguma, a chorar pitangas. Divirto-me fazendo versos, poemas, como esse aí.
Clique:

domingo, 5 de abril de 2020

ESTES SÃO TEMPOS DE REFLEXÃO

Os números de vítimas do Coronavírus (Covid-19) estão em fase crescente, enquanto a impaciência da pessoas explode nas casas e apartamentos das cidades e periferias do Brasil.
Ouço no rádio que os sistema de saúde do País registrou até agora 486 mortes provocadas pelo Corona.
Nunca existiu e nem existirá um mundo sem doenças.
Miseráveis e poderosos sempre existirão, em todas as partes do mundo. Tanto nas ditaduras, quanto no sistema democrático.
Sempre é tempo de aprender e transmitir conhecimentos. Os momentos de isolamento social podem facilitar isso.
Há muitos livros e filmes bons à espera de público.
Já li muito.
Vez por outra costumo expor neste blog opiniões referentes a leitura que fiz e hoje faço via áudios- livros.
Ontem 4 falei um pouco sobre 1984, de George W. Esse livro foi publicado em 1949 e seu autor morreu de Tuberculose, em 1950. A história começa num dia frio de abril com um funcionário do fictício "Ministério da Verdade" caminhando em direção ao prédio onde mora, uma mansão caindo aos pedaços compartilhada com outros empregados do Governo. Esse governo, totalitário, é representado por alguém que ninguém conhece, a não ser através de cartazes enormes espalhados por todo canto do lugar chamado Oceânia.
Oceânia, governado pelo Grande Irmão (Big Brother), tem na sua estrutura quatro ministérios: da verdade, da paz, do amor e da fatura. O primeiro cuida de notícias, divertimento e belas artes; o segundo, da guerra; o terceiro da lei e da ordem; o último, das questões de economia.
Difícil saber dos quatro o pior.
O divertimento que o grande irmão oferece à população são os enforcamentos de inimigos e traidores.
Winston Smith , o personagem referido na abertura do livro, trava consigo  questionamentos proibidos pelo Grande Irmão.
No começo da tarde de um 4 de abril, Smith decide por conta e risco escrever um diário. Mesmo sem nem a si própiro demonstrar sentimento de amor, carinho e paixão, ele aos poucos vai lembrando o que sucedeu com seus pais e irmãs. Chega a concluir que as duas morreram por ele. Leiam o livro e reflitam.
A história arquitetada por George é atualíssima e nela cabe qualquer ditador que venha a nossa memória, como o da Coreia do Norte. Até porque o Grande Irmão, que a todos "atende", não só permite como incentiva aos dominados a realizarem "passeatas espontâneas", a seu favor.
Orwell foi um visionário como Júlio Verne, Alex Raymond, Isaac Asimov, Arthur Clarke. Esses caras viam além dos olhos, muito além da mente.
É do britânico Aldous Huxley o romance Admirável Mundo Novo que rapidamente despertou atenção dos jovens de todo canto, logo ao ser publicado em 1932.
Em 1979, Zé Ramalho incluiria no LP de carreira (A peleja do diabo Contra o Dono do Céu) a balada Admirável Gado Novo, inspirada no romance do autor britânico. Essa música foi dedicada ao cantor e compositor Geraldo Vandré.  História: lembro de Vandré ouvindo essa música em fita K7, em seu apartamento, entusiasmadíssimo.




sábado, 4 de abril de 2020

QUE MUNDO TEREMOS AMANHÃ?

Há uma canção de Ronaldo Bastos e Milton Nascimento intitulada Nada Será Como Antes.
O título dessa música leva-me a matutar sobre a tragédia humana ora provocada por um vírus até aqui desconhecido, mas apelidado de Corona. Mais um Corona da série Corona, que está levando o mundo todo a pagar pecados cometidos e não cometidos.
Depois de finda a terrível tragédia que vivemos, é certo que nada será absolutamente igual ao que até aqui conhecemos.
Meu amigo, minha amiga, você leu o livro de narrativas futuristas Admirável Mundo Novo, do britânico Aldous Huxley (1894-1963)?
A história contada por Huxley tem a ver com coisas que temos vividos, mais até.
O mundo imaginado pelo autor britânico é habitado por pessoas sem vontade própria, digamos assim. Alienadas.
Programadas pelo sistema, as pessoas vivem uma vidinha de m... E são felizes assim, enchendo a cara de drogas, de todo tipo de droga. 
Admirável Mundo Novo foi publicado em 1932, ano em que os paulistas entravam em guerra contra o Governo getulista.
Os brasileiros não são o povo imaginado por Huxley.
Outros livros de ficção científica como 1984, do também britânico George Orwell (1903-50), vão mais ou menos na linha do autor de Admirável Mundo Novo. No caso de Orwell, o mundo por ele criado é totalmente controlado pelo Grande Irmão, poderoso personagem oculto na história.
Leiam:


De um jeito ou de outro, numa dessas histórias teria espaço para um certo presidente.
Vá de retro!
Pois é, a população do nosso planeta já passa de 7 bilhões.
Antes do Coronavírus morriam, no Brasil, cerca de 3 mil. Isso todo santo dia.
Dados da ONU indicam que diariamente nascem 211 mil pessoas, ou seja 180 a cada 10 minutos.
Essa nova praga continua matando milhares e milhares de pessoas mundo a fora.
Quem sobreviver muita história terá para contar.
A respeito escrevi o cordel abaixo. Leiam:

sexta-feira, 3 de abril de 2020

QUARENTENA COM ARTE

Ellis Marsalis, pianista, também compositor como os filhos Branford e Wynton, morreu no começo desta semana vítima da Covid-19, aos 85 anos. Esse cara era um papa do jazz norte-americano, mas morreu.
O novo Coronavírus está pegando pra capar mundo e meio.
Há poucos dias a Covid-19 levou pra outro plano os regentes brasileiros Naomi Munakata e Martinho Lutero, ela da Osesp e ele do Coral Luther King.
Eu conheci o Lutero. Ele participou comigo inclusive do programa Tão Brasil, que durante uns dois anos apresentei na AllTV.
Ellis Marsalis não conheci, mas seu filho Wynton sim.
Já andei falando sobre Wynton. Depois de saber o que eu fazia entorno da cultura popular, ele disse: "Se você fosse norte-americano, você teria todas as condições para realizar seus trabalhos de pesquisa". Leia: http://assisangelo.blogspot.com/2014/08/o-dia-em-que-morri-de-vergonha.html
Na verdade, não era sobre essas figuras que eu ia falar. Estão, porém, no contexto.
Com o desaparecimento do pai de Wynton é certo que o mundo do jazz ficou de luto.
Tempos da Covid-19 é o que ora vivemos.
As ruas do mundo estão praticamente vazias, incluídas as do Brasil.
Como é que as pessoas estão vivendo essa nova fase?
Eu, da safra de 1952, estou praticamente acostumado com quarentenas. Explico a chatice cômoda ou mais ou menos cômoda: meia dúzia de pessoas sabe que há uns sete anos ando cego dos olhos...
Pois bem, nestes tempos forçados de quarentena é certo que muita gente está no limite. Homem e mulher, sem falar nos filhos que devem ter. Viver a dois já é uma barra, a três, a quatro, a cinco, a seis, o que dizer?
A tempestade que o mundo vive, não é tempestade, é pra lá tsunami.
O que virá depois desse tsunami?
O francês Júlio Verne (1828-1905) antecipou na sua literatura ficcional-científica muitas coisas que hoje vivemos.
A Internet, essa caixinha incrível de fazer doido, continuará como ponto de partida para tudo que virá.
Através da Internet a home office se firmará definitivamente na vida cotidiana. E esse é o ponto.
Ouso dizer que as pessoas começam a conhecer, de fato, a Internet nestes tempos bicudos de Coronavírus/Covid-19.
A Internet propiciará a abertura de um novo mundo. Nesse mundo se acha tudo que se possa imaginar. A partir daí o trabalho e o divertimento caminharão, mais do que nunca, juntos como siameses.
Do limão, diz o dito popular, far-se-a boa limonada. Nessa limonada incluem-se dança, música, aulas de tudo que se queira.
A propósito meu amigo, minha amiga, o que é que você está fazendo nestes tempos bicudos de quarentena?
A Internet propiciará tudo que se possa imaginar...
Eu, se fosse você, estaria aguçando a curiosidade para saber o que há de melhor nessa maquininha doida chamada Internet. Procure, procure.
Procurando acha, como diz o dito popular. E procurando é possível achar pessoas e coisas incríveis. Direto no assunto: procure pessoas do mundo das artes para com elas alargar seus conhecimentos.
Você já pensou aprender com Vital Farias, Osvaldinho da Cuíca, Oswaldinho do Acordeon, Elba Ramalho, Jackson Antunes, Teo Azevedo, Jorge Ribbas, Rômulo Nóbrega, Júlio Medaglia, Carlos Sílvio, esse caras. Caras que têm muito o que dizer. Está tudo na Internet, como a cantora e professora de música Mirianês Zabot, que durante essa quarentena está dando aulas online.
Mirianês Zabot é uma das mais completas artistas da música brasileira, digo o obvio, embora o obvio não se deva dizer. Acessem: www.mirianeszabot.com.br
Não conheci Ellis Marsalis, repito. Seu filho Wynton sim.
Com isso quero dizer mais uma obviedade: a arte, quando é verdadeira, é universal.
Viva a arte! Ah sim! Sobre Júlio Verne voltarei a dizer algumas palavras.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

ECOS DA DITADURA


O dia 1º de abril de 1964 amanheceu nublado, com soldados e tanques do Exército nas ruas do Rio de Janeiro. A partir desse dia, o Brasil todo entrou em colapso, mergulhado numa escuridão que durou 21 anos.
No correr desse tempo, muita gente foi presa, torturada e morta. Jornais, livros e revistas foram censurados e até implodidos. Escritores, atores e músicos comeram o pão que o diabo amassou.
Em 1964 o cantor e compositor belo-horizontino Sirlan Antonio de Jesus tinha 13 anos de idade.
Na tarde do dia 28 de março de 1968 o estudante secundarista paraense Edson Luís foi morto a tiros pela polícia carioca.
O assassinato do estudante inspirou o jovem Sirlan e seu parceiro Murilo Antunes a comporem a belíssima canção Viva Zapátria. Ela foi finalista do Festival Internacional da Canção de 1972, promovido pela Rede Globo. Censurada pela ditadura, Viva Zapátria morreu no nascedouro e só passou a integrar o primeiro LP de Sirlan, Profissão de Fé, em 1979. Mesmo com o lançamento desse belíssimo disco, o artista foi atirado ao ostracismo pelos poderosos militares de plantão e jamais ocupou o lugar almejado e merecido entre os maiorais da nossa música popular.
Na época em que Edson Luís foi morto e Sirlan compôs Viva Zapátria, o cantor niteroiense Agnaldo Rayol lançou pela extinta gravadora Copacabana o LP As Minhas Preferidas. O repertório desse disco é irretocável. Começa com a belíssima Ave Maria no Morro (Herivelto Martins) e segue com outros clássicos, como Perfil de São Paulo, do paulista Francisco de Assis Bezerra de Menezes. Curiosidade: Perfil de São Paulo, um samba, venceu um concurso promovido pela prefeitura paulistana em 1954. Silvio Caldas foi o primeiro cantor a gravá-la.
O repertório do LP As Minhas Preferidas foi escolhido pelo general Arthur da Costa e Silva, o segundo presidente ditador do ciclo militar iniciado por Castello Branco em 1964. Costa e Silva foi quem editou o famigerado AI-5, na noite de 13 de dezembro de 1968.
Enquanto a discografia de Sirlan é praticamente zero, a de Rayol, iniciada em 1958, é enorme. O principal ponto em comum entre eles é que ambos são afinadíssimos.
Não politicamente, é claro.
Esses discos integram o acervo do Instituto Memória Brasil (IMB).
No dia 1º de abril de 2009, eu passava a usar a internet para publicar o Blog do Assis Ângelo. O primeiro texto foi sobre o golpe militar de 1964. Confira: http://assisangelo.blogspot.com/2009/04/dia-da-mentira.html

quarta-feira, 1 de abril de 2020

EM QUARENTENA, COM CARLOS SÍLVIO, NO INSTAGRAM

Nestes tempos loucos de Coronavírus, outro assunto não se ver e nem se ouve que não seja o Corona. Até parece que virou personagem vivo da morte. Aliás, é isso o que ele é.
Pois bem, em todo os meios de comunicação o que se ver e o que se ler é o Corona vírus. Até um folhe de cordel (PIOLHO DO CRAMUNHÃO - FAZ O MUNDO TODO TREMER), cheguei a escrever acessando (www.institutomemoriabrasil.com.br).
As rádios e as Tvs do Brasil e do mundo todo mudaram radicalmente sua programações. 
Sinto falta do programa Paiaiá na Conectados (Rádio Conectados), apresentado pelo bom baiano Carlos Sílvio. Um programa, que já dura quase 4 anos, normalmente é levado ao ar, ao vivo, entre as 12h e 13h de sábado. 
desde o dia 14 de março que o Paiaiá na Conectados não vai ao ar. O último entrevistado foi o maestro paulistano Júlio Medaglia. Leia, ouça e veja acessando:
Os entrevistados do programa Paiaiá podem ser conferidos acessando o site do programa (www.paiaianaconectados.com.br).
Novidade: pra não morrer de tédio, Carlos Sílvio estreou segunda 30 o programa Em Quarentena, entrevistando personagem da vida cotidiana. Sempre ao vivo, a parti das 20h30, no Instagram. O entrevistado de hoje é o prefeito Cassinho, de Nova Soure, BA. Essa cidade, de 17 mil habitantes, localiza-se no Nordeste baiano. Acho que dá para tocarmos, tranquilamente, o Jornal nacional, por esse novo programa do Sílvio. É isso!


A VIOLÊNCIA DE ABRIL DE 1964

Abril é um mês mundialmente muito movimentado.
Foi em abril, precisamente no dia 1° de 2009 que tomei coragem e batuquei o primeiro texto para ocupar este Blog. Falei do "dia da mentira" e da escuridão política e torturante, avassaladora, que tomou conta do nosso país. Muita gente foi presa torturada e morta, sem falar nos desaparecidos até hoje não encontrados. Foi um tempo terrível aquele que durou de 1964 a 1985. Nesse texto falei também da atriz e cantora Vanja Orico (1931- 2015), que num dia de outubro de 1964 desafiou o Exército com seus blindados "somos todos brasileiros". Leiam ou releiam, no link: http://assisangelo.blogspot.com/2009/04/dia-da-mentira.html








Sim, ia-me esquecendo: até esse momento 464.285 pessoas acessaram este Blog.os acessos ocorrem mais no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Rússia. Os cinto textos mais lidos , pela ordem são:
1 - Morreu Autora de Lampião de Gás
2 - João Silva Adeus
3 - Poesia Popular Cordel e Repente
4 - Por Onde Andará Belchior
5 - Ana Bernardo, Interprete de Paulo Vanzolini