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terça-feira, 22 de abril de 2014

ROBERTO CABRINI E O BRASIL

Um tanto sorumbático por razões diversas, deixei de preencher este espaço ontem com texto alusivo ao feriadão em homenagem à memória do mineiro Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e dos 19 anos de ausência entre nós de outro mineiro, Tancredo Neves, o único presidente do Brasil que foi sem ser, isto é: eleito não tomou posse por apresentar uma série de complicações que o levaram primeiro ao Hospital de Base em Brasília, e depois ao Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Tancredo foi a via de travessia entre o regime militar iniciado em 1964 e a redemocratização vigente desde 1985.
Hoje eu poderia falar um pouco sobre o achamento do Brasil pelo português Pedro Álvares Cabral, no dia 22 de abril de 1500.
Prefiro falar a respeito de um personagem contemporâneo em plena atividade profissional: Roberto Cabrini.( ao meu lado, com a editora do portal Por Dentro da Mídia, Luciana Freitas).
O piracicabano Cabrini iniciou a profissão de repórter aos 16 anos de idade, cobrindo partidas de futebol.
Aos 17 anos ele era contratado pela Rede Globo de televisão.
Foi o mais novo profisisonal de jornalismo até contratado pela plim plim.
Fiquei sabendo disso ontem de manhã ao ouví-lo falar no programa Morning Show, no ar pela Rede de Rádio Jovem Pan.
Foi uma entrevista e tanto.
Ex-correspondente de guerras em várias partes do mundo, Roberto Cabrini especializou-se na cobertura de reportagens perigosas: É o mais eficiente profissional de reportagens investigativas no Brasil.
A sua eficiência profissional refletida no programa Conexão Reporter, do SBT, nos orgulha a todos.
Na vida pessoal, também agitada, Cabrini se destaca também como um cidadão exemplar. Não à toa, ele diz que a importância de uma reportagem está no que ela pode transformar para melhor a vida de pessoas, comunidade ou país.
Cabrini não acredita em reportagens que não levem a mudanças sociais.
Viva Cabrini e a sua aposta por uma sociedade melhor.


INVASÃO BAIANA. Ontem a noite, dei uma esticada até o Vale do Anhangabaú, onde se apresentavam artistas do solo baiano. Entre as atrações Márcia Castro, Baiana System e o veterano Pepeu Gomes. Pepeu, como convidado especial, foi a diferença do projeto denominado Invasão Baiana. Aliás, uma denominação sem graça e pra lá de dúbia. Enfim, já se passou o tempo de invasão de brasileiros em terras brasileiras: brasileiros visitam e trabalham por seu território, sem necessariamente invadí-lo.

domingo, 20 de abril de 2014

HOJE É DIA DE JOANNA

Ela não é cantora, compositora e não toca sanfona, piano, nem tuba; tampouco flauta, piston, viola, violão ou clarineta. Aliás, ela não toca nenhum instrumento musical, embora seja amiga de virtuosos, tanto da música popular quanto de eruditos.
Ela é das antigas, do tempo em que o rádio ainda ganhava forma no Brasil e a seca em São Paulo levava ao desespero do racionamento d´água e energia elétrica que fazia os bondes deslizarem nas linhas com seus passageiros.
Ela é do tempo em que a cidade paulistana era habitada por cerca de 700 mil pessoas; tempo da Revolução Esquecida liderada pelo general de pijamas Isidoro Dias Lopes que feriu e matou muita gente a tiros e a bombas atiradas por aviões da força federal comandada pelo presidente Artur Bernardes.
Ela é do tempo em que Cornélio Pires engatinhava com seus projetos culturais pioneiros na pauliceia desvairada de Mario de Andrade.
Sim, ela não é paulista nem paulistana, mas por seus olhos viu passar muitas histórias de amor, guerra e paz. Seu nome: Joanna de Arruda Câmara Neiva, hoje viúva, avó e bisavó.
Joanna nasceu no Rio de Janeiro, num domingo como este, de Pascoa, há exatos 90 anos.
Ela faz parte de uma multidão de brasileiros que tem pra lá dessa idade.
Viva Joanna!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

EDUCAÇÃO X IGNORÂNCIA

A inteligência e a simplicidade fazem de Romário de Souza Faria uma pessoa rara neste universo terrível de inversões de valores em que vivemos.
Carioca da safra de 66 e tetracampeão mundial de futebol pela Seleção Brasileira em 1994 http://www.youtube.com/watch?v=iGTOGYRZCno, Romário é um cidadão ciente de seus direitos e deveres, tanto que quer implantar nas escolas de níveis fundamental e médio uma matéria de iniciação às normas constitucionais, feitas e aprovadas no Congresso para dar rumo e sustentação a este País tão brutalmente judiado pelos poderosos de plantão desde sempre.
Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com quase 150 mil votos em 2010, Romário diz que fará tudo para ver aprovado seu projeto de conscientização cidadã nas escolas. Mas para que isso ocorra é preciso antes mudar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Aguardemos, não é?
Há uns seis ou sete anos deixamos no Congresso a ideia de se trazer de volta às escolas o ensino básico da música. Nesse sentido, projeto foi aprovado pela ex-senadora Rosenana Sarney, mas até agora nada.

PUTAS TRISTES
O DESAPARECIMENTO DO ESCRITOR Gabriel Garcia Marques por si só é uma tristeza infinda, mais triste ainda é ouvir, como ouvi hoje no começo da madrugada, um apresentador da Rádio Jovem Pan se recusando a pronunciar o título de uma das últimas e belas obras do autor, Memórias de Minhas Putas Tristes. Gaguejando, o moço do microfone da Pan fez o ouvinte pensar que se tratasse o título de um palavrão.
Infelizmente é assim que se acha o rádio hoje, cheio de ignorantes, pedantes e preconceituosos.
Dá nisso não estudar.

terça-feira, 15 de abril de 2014

MOACYR FRANCO E LUIZ GONZAGA

Billy Fontana iniciou a carreira de artista em 1959, gravando um disco de 78 voltas com as músicas Baby Rock e Nairobi, acompanhado pelo conjunto musical Rockmarkers.
Billy era Moacyr Franco.
Nesse mesmo ano Roberto Carlos também dava início a sua discografia, com os temas bossa-novistas João e Maria e Fora do Tom.
Moacyr não tem nada a ver com Jovem Guarda e Bossa Nova, embora no correr do tempo tenha gravado nos mais diversos modos musicais, incluindo sambas, boleros e até marchinhas de carnaval; além de algumas versões estrangeiras, com sucesso.
A ver com Roberto, Erasmo e Wanderléia, que apresentavam o programa Jovem Guarda na antiga TV Record, na Miruna, tem o locutor e produtor musical Antônio Aguillar, um cara bom de papo e em dia com histórias e cidadania.
Nesse ponto, especialmente, há algo em comum com Moacyr.
O cantor, compositor, ator e humorista mineiro Moacyr Franco é do tipo que a gente sabe só fazer o bem e acha que solidariedade e amizade são palavras inventadas pra ele.
Em torno de Moacyr existem muitos causos e histórias curiosas.
Uma dessas histórias ocorreu há poucos dias, quando Aguillar o convidou para abrilhantar uma de suas festas feitas para homenagear com jantares e troféus nomes da Jovem Guarda, como seus amigos Roberto (acima, entre Darlan Ferreira e Aguillar), Erasmo &Cia.
Marcada para acontecer – como aconteceu - num clube da Avenida Paulista, a festa começou pontualmente.
Moacyr chegou atrasado, justificando que batera seu carro, fato que o fez perder  algum tempo registrando a ocorrência em delegacia. Depois ele cantou, abraçou todo mundo e recebeu os mais prolongados aplausos da noite.
Grande Moacyr!
Acima, comigo e amigos num intervalo da gravação do CD Inéditos do Capitão Furtado e Téo Azevedo.

REI DO BAIÃO
Audálio Dantas e seu parceiro de estripulias fotográficas Tiago Santana lançam hoje no Teatro Dragão do Mar, em Fortaleza, o livro Céu de Luiz, no caso, Luiz Gonzaga. A chancela é da Editora d’Imagem, com apoio do Sesc paulista.
Esse livro seria antecedido por uma exposição que faríamos em parceria com o Instituto Memória Brasil, IMB, no Centro Cultural BNB de Fortaleza, mas o BNB não apostou no projeto e bau, bau, pois o centenário de nascimento de Luiz havia expirado. Pois é, este parece ser mesmo o País “dos ganchos” e das efemérides,
pois sem isso as bancas oficiais que administram verbas públicas direta ou indiretamente não bancam nada, principalmente se tiver a ver com memória e cultura popular brasileiras.

domingo, 13 de abril de 2014

NOÉ, LATIFUNDIÁRIO E MISANTROPO

Antes de tudo, uma história: no começo não havia nada, só escuridão e silêncio.
Aí Deus, que não tinha o que fazer, inventou de brincar.
E foi então que Ele criou o Paraíso, também chamado de Jardim do Éden; no caso a Terra ou o mundo, como queiram.
E surgiram os pássaros, os peixes, o fogo, o garfo, a faca e bons pratos à base de peixe e camarão feitos pelos chefes Adão e Eva e seus ajudantes de cozinha Abel e Caim, sendo o primeiro assassinado pelo segundo durante uma disputa por rabo de saia.
A vida monótona de Adão e Eva, que desfrutavam do bom e do melhor sem pagar um tostão, levou a sapeca Eva a azucrinar o bobo do Adão que caiu na besteira de comer o fruto proibido de uma macieira plantada ao norte do Éden, onde muito tempo depois surgiria a Argentina...  
Esse é mais ou menos o enredo que nos dá a produção do filme Noé, que anda lotando salas de cinema mundo a fora.
O Noé desse filme, que não tem nada a ver com o Noé bíblico, é um Noé misantropo e se dele dependêssemos nem existiríamos.
Gostei dos abusos do enredo.
Ah, sim, Noé foi o primeiro latifundiário de que se tem notícia.

sábado, 12 de abril de 2014

SOCIEDADE DE MISANTROPOS

Ontem falei um pouco sobre o monólogo Não Existe Mulher Difícil.
Existe, sim.
Existem mulher e homem difíceis, pois a raça humana é assim mesmo, de natureza complicada, chata, egoísta, individualista, um horror.
Somos todos misantropos.
Somos difíceis porque queremos ser difíceis.
Aliás, a invenção humana por si só é uma tragédia.
Não à toa, o ser humano é o único que se mata.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O CAÇADOR E MULHER DIFÍCIL

Embora iniciada com frase Shakespeariana constante em Hamlet, no Ato III, Cena I, que expõe uma eterna dúvida humana (“Ser ou não ser, eis a questão”), a peça no formato de monólogo Não Existe Mulher Difícil, baseada no livro homônimo de André Aguiar Marques, não tem nada a ver com reflexões filosóficas que possam ser consideradas de alguma validade. O texto, aliás, não é propriamente uma joia de natureza artística, mas sim uma beberimboca que trata dos conflitos do cotidiano de um coitado que leva um pé na bunda da mulher amada e se vê de repente perdido no oco do mundo, sem saber o que fazer.
Estive na estreia ontem, e gostei.
O personagem principal do monólogo é interpretado com competência pelo ator André Bankoff, que de lambuja ainda convence a plateia do alto nível do seu talento ao emprestar uma dúzia de sotaques e timbres a outros personagens secundários e invisíveis que permeiam a história.
Toda quinta-feira, no Shopping Frei Caneca.
Sim, vá lá dar umas boas gargalhadas com essa beberimboca.

O CAÇADOR
Nova minissérie da Globo, assinada por Marçal Aquino e Fernando Bonassi, estreia daqui a pouco.  O personagem central é vivido por Cauã Raymond. Ouça o meu amigo Marçal contado lorota: http://pordentrodamidia.com.br/cascudo-9/
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A VOZ DO BRASIL, HEIN?

Como suporte das ditaduras Vargas (1937-45) e do ciclo militar subsequente (1964-85), o programa A Voz do Brasil deve ter cumprido com suas finalidades. Hoje, não. O sistema que vivemos é democrático, portanto não faz sentido mantê-lo no ar, tampouco de modo obrigatório e pago com dinheiro público.
Esse programa é o mais antigo do rádio brasileiro, surgido em julho de 1935 com o nome de Programa Nacional, depois Hora do Brasil, que servia basicamente para Vargas, chamado de Pai dos Pobres, divulgar oficialmente as realizações do seu governo.  
A atual denominação, Voz do Brasil, data de 1971 e foi escolhida pelo general Garrastazu Médici (1905-85), de triste memória.
E pensar que hoje tramita no Congresso Nacional um projeto do PSOL para transformar esse programa em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil...

MARCO HAURÉLIO
E para você que gosta de boa leitura, este convite na forma de versos do craque da literatura de cordel:
Marco Haurélio
Neste sábado, às 15h,
A cultura vai ter vez,
Vai ter voz e gestual
Na Livraria Cortez,
Pois Hércules, o grande herói,
Espera todos vocês!
A Livraria Cortez fica ali ao lado da PUC, no bairro de Perdizes.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

NORDESTE E A CHEIA DE 1924

http://www.youtube.com/watch?v=C50z1GV5T6g
Enquanto a população de São Paulo vivia o levante tenentista e a seca mais terrível em toda a sua história entre 1924/25, a população do Nordeste vivia as agruras da inversão do tempo, isto é: sofria com o excesso de chuvas, com o estouro de barragens, açudes, rios etc. Aquilo foi quase um dilúvio, que matou gente e bichos.
O movimento tenentista, liderado em São Paulo pelo general Isidoro Dias Lopes, tinha por objetivo derrubar o governo de Artur Bernardes, em vão.
Isso tudo se acha registrado em folhetos de cordel, livros, fotos e em vários discos de 78 voltas da época, como a história da grande cheia daquele ano (acima).
Os reservatórios de água de São Paulo estão em rápido processo de esvaziamento, sem que medidas concretas sejam tomadas para evitar o racionamento, como ocorreu no passado.
Quando chove muito e as águas engolem a cidade, as autoridades caras de pau dizem que os estragos são culpa de São Pedro. Quando não chove, como agora, a culpa é também do santo Pedro.
Durma-se com um barulho desse.

AI-1
Hoje faz 50 anos que o governo militar legitimou a tomada de poder, através da decretação do Ato Institucional n 1, que já nas suas primeiras linhas diz que "A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma".
Fica o registro.

terça-feira, 8 de abril de 2014

SÃO PAULO E A SECA DE 1924

O outono por estas bandas do Sudeste tem sido incrível, com frio e calor nas madrugadas e calorzões no correr dos dias, e nada de chuvas, chuviscos ou garoas em quaisquer horas do dia ou da noite.
Os paulistas, principalmente os paulistanos, estão à beira de um ataque de nervos generalizado pela eminência de um colapso no fornecimento de água potável.
O reservatório da Cantareira, que abastece boa parte da população da cidade, já está com a sua capacidade minguando para o nível péssimo dos 12% de sua capacidade total.
O governador Geraldo Alkmin se não sabe rezar já está aprendendo, pois a situação do abastecimento de água é deveras preocupante.
Situação pior do que os moradores de São Paulo estão vivendo só se viu entre 1924 e 1925, quando foi decretado um rígido racionamento.
Aquela foi a pior seca que São Paulo viveu, e de algo parecido estamos perigosamente nos aproximado.
Em reportagem da Revista Brasileira de Engenharia, num exemplar de 1926, lê-se:
"Durante o primeiro quarto do século XX as explicações oficiais mais utilizadas para o fenômeno da escassez recorrente de águas na cidade foram o aumento da população em proporções vertiginosas e as sucessivas e prolongadas estiagens. De fato, São Paulo ultrapassou o Rio de Janeiro no censo industrial de 1920 e as estiagens eram recorrentes. No período de 1924-1925 a falta de chuvas foi muito severa, sendo que o índice pluviométrico atingiu apenas 900 m/m em 1924: Foi a seca mais forte ocorrida nestes últimos trinta e seis anos”.
A seca de 24, que seguiu até 25, gerou a construção da represa Billings, que tem 800 quilômetros de margens de mananciais, quatro vezes a extensão da represa Guarapiranga e abastece cerca de três milhões de pessoas na Grande São Paulo.
As desculpas que as autoridades da época davam para a escassez d´água nas torneiras da continuam praticamente as mesmas 90 anos depois.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O FIM DA MÚSICA

À indústria cultural e do entretimento não interessa mais alimentar artistas e nem gravar músicas no formato convencional, como se fez no correr de todo o século passado.
Isso acabou, independentemente do gênero.
Música de autor tampouco tem importância para a indústria, inclusive porque o descarte, diante da falta de bons ouvintes, está na ordem do dia.
O pior é o que presta.
O que vem por aí ainda não se sabe, mas os tempos são outros.
Sim, os museus continuarão a existir.
A poética improvisada ao som de viola está fora de moda, pois só os mais antigos ainda cultuam esse tipo de expressão artística.
As cantorias continuarão para poucos, e para piorar os cantadores estão virando cantores de estilo brega, ruins.
Esses e outros assuntos permearam durante horas uma pauta espontânea ontem, cá em casa, com a presença e participação do historiador José Ramos Tinhorão (no registro acima, feito por Darlan Ferreira) e de compositores, cantores e instrumentistas como Geraldo Vandré, Osvaldinho da Cuíca e Ibys Maceioh, além do poeta repentista Sebastião Marinho e do contista Roniwalter Jatobá, vice-presidente do Instituto Memória Brasil, IMB.
Foi uma tarde pra lá de boa, com o sempre cáustico, conciso, ferino e bem humorado Tinhorão encerrando o encontro com a frase “Quero morrer com raiva”.
Vandré soltou uma risada, enquanto eu dizia que compartilhava com a frase.

sábado, 5 de abril de 2014

ADEUS, WILKER

Este sábado de outono chegou com cara de verão, com o sol sem vento judiando olhos incautos e pondo em teste a resistência de retinas repuxadas, como as minhas e as de outros 20% da população verde-amarela.
Este sol sem vento é um danado, faz a gente suar e querer timbungar num mar, poço ou piscina que dos nossos anseios esteja mais perto.
E foi assim que senti este dia chegando, e no íntimo torcendo por um convite – que não veio - para dividir impressões recentes de coisas e gentes e almoçar fora das quatro paredes que indubitavelmente nos levam a pensar o mundo na solidão do espaço a que cabe cada ser.
A invenção do Meucci, antes atribuída ao apressadinho Graham Bell, me levou a falar com a Cla, Ana, que aniversaria amanhã; Andrea, Peter; Luciana Freitas, Darlan Ferreira e Oswaldinho do Acordeon, sempre atencioso e solícito.
A água que faltava, também chegou pelo telefone.
E cá estou com meus botões.
Ao ligar a CBN, ouço a triste notícia que o ator cearense José Wilker, fora achado morto em casa, vítima, provavelmente, de um fulminante ataque cardíaco.  
Eis aí uma forma elegante e supostamente sem dor de se despedir deste mundo ingrato.
Aliás, comigo eu gostaria que fosse assim, como foi com Manezinho Araújo e Charles
Chaplin...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A PETROBRAS E O REI DO BAIÃO

Dá pena ouvir o falatório negativo em torno da maior e mais resistente empresa brasileira de exploração de petróleo e derivados, a Petrobras, que em 1959 mereceu do rei do baião, Luiz Gonzaga, uma bela homenagem na forma de música:  Marcha da Petrobras http://pordentrodamidia.com.br/chegam-ao-brasil-os-homens-miudinhos-que-querem-passar-as-pernas-nos-eua/.
Estatal de economia mista, a Petrobrás opera hoje em quase 30 países; e na sua especialidade, é, de acordo com dados da Bloomberg, a maior de todo o continente americano e a segunda do mundo.
Em outubro de 2010 a Petrobras galgou na sua especialidade o posto de segunda maior empresa de capital aberto do planeta a realizar uma operação de capitalização da ordem de US$ 72,8 bilhões. Foi a partir daí, aliás, que Lula da Silva passou a usar a frase que se tornou jargão “Nunca na história deste País...”.
Hoje a Petrobras, criada em outubro de 1953 por lei sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, é uma das 20 maiores empresas do mundo todo dentre todos os ramos, segundo anotações da revista Forbes.
Sim, dá pena ouvir falar mal da empresa símbolo do orgulho nacional.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O GOLPE DE ABRL

Trocando ideias ontem à noite cá em casa com Geraldo Vandré, ele concordou:
- 1964 teve início em 1961, com a renúncia de Jânio.
Pois bem, a esta hora da tarde de 31 de março de 1964 soldados e oficiais do Exército se achavam em total prontidão nos quartéis, aguardando ordens para por tanques nas ruas e bater, prender e até matar suspeitos e incautos em geral.
O motivo da prontidão do golpe militar que se avizinhava era a instabilidade politica reinante no País, provocada por setores radicais descontentes sem dó nem piedade com o governo de alinhamento à esquerda do gaúcho de São Borja João Goulart.
O golpe contra o povo e a democracia seria desfechado nas primeiras horas de 1 de abril, Dia da Mentira.
Mergulhado em tétrica escuridão, o Brasil penou durante 21 anos.

LITERATURA INFANTIL E VANDRÉ

Hoje 2 de abril é comemorado em boa parte do mundo o Dia Internacional do Livro Infantil, criado para homenagear o autor dinamarquês Hans Christian Andersen, nascido nesse dia e mês, em 1805.
A data foi lembrada efusivamente (acima) na Livraria Cortez, em Perdizes.
Na ocasião o editor e fundador da Cortez Editora, o nordestino do Rio Grande do Norte José Cortez, falou um pouco sobre Andersen e da sua própria trajetória a dezenas de autores e amigos convidados para um café da manhã. Ele contou que Andersen o inspirou para criar, há dez anos, uma linha editorial com vistas a valorizar e a levar à praça livros destinados ao público infanto-juvenil.
“Hoje já temos no nosso catálogo mais de 300 títulos de autores brasileiros, alguns até republicados no exterior”, disse.
A Cortez Editora tem títulos negociados em vários idiomas, entre os quais o chinês e o espanhol.

CAMINHANDO COM VANDRÉ
A reportagem sobre Geraldo Vandré publicada domingo passado no caderno Aliás do Estadão http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,seguindo-a-cancao,1146727,0.htm,
assinada pelo repórter especializado Jotabê Medeiros, tem sido uma das mais comentadas e compartilhadas pelos leitores nos últimos anos. Por enquanto, só uma reportagem do mesmo Jotabê a respeito Bob Dilan, mereceu tanto destaque da parte dos leitores do jornalão paulistano, um dos mais expressivos do mundo.
Geraldo Vandré não canta no Brasil desde fins de 1968.
O seu último disco, um LP, data de 1971, e foi gravado em Paris.
Abaixo, uma música que compusemos - e o cantor Emídio Santana gravou - em homenagem à marca Geraldo Vandré, cujo criador e dono é o paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias.
Cliique:
https://www.youtube.com/watch?v=JeRMSqOXfYk

terça-feira, 1 de abril de 2014

DITADURA DE 21 ANOS

Hoje faz cinco anos que iniciei postagem regular de textos neste espaço. E curiosa e coincidentemente num 1º de abril, falando do golpe civil-militar de 64 e do próprio período, que se estenderia por 21 anos ininterruptos.
Triste verdade foi aquela iniciada no Dia da Mentira, neste Brasil brasileiro de todos nós.
Sim, todos os grandes empresários da indústria brasileira, de notícias inclusive, participaram do golpe, apoiando-o. Até onde lembro menos o jornal Última Hora, de Samuel Wainer.
No meu texto de estreia neste espaço também falo da atriz Vanja Orico (acima, na foto), que entrevistei e fiz cantar em russo uma canção folclórica. Vanja foi a única brasileira e sul-americana dirigida pelos legendários diretores de cinema Alberto Latuada e Federico Felini http://assisangelo.blogspot.com.br/2009/04/dia-da-mentira.html.
À época, ela morava na Itália, com o pai embaixador.

AINDA VANDRÉ
Artistas e intelectuais ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo escolheram 40 músicas mais significativas do período de repressão no País. A lista é encabeçada por Caminhando, mais conhecida como Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, do paraibano Geraldo Vandré. Clique: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1432319-confira-a-lista-das-40-musicas-mais-votadas-pelos-artistas-e-intelectuais.shtml

FILME
Para entender melhor o que foi o golpe civil-militar de 1964, no Brasil, que teve a participação direta dos americanos do Norte, clique: https://www.youtube.com/watch?v=GNkziKTM_nc

quinta-feira, 27 de março de 2014

A REVOLTA DOS MARINHEIROS

Ontem fez 50 anos que os marinheiros brasileiros se levantam em terra contra o que eles identificavam como desmandos, perseguições à categoria etc.
A deflagração da revolta foi na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.
Até então vivíamos em clima de relativa democracia.
Vivíamos.
Lembrando: a nossa Constituição não garantiu - como deveria - a posse imediata do vice-presidente João Goulart como presidente da República em 1961, após a estrondosa renúncia de Jânio Quadros.
Na ocasião ele se achava na China, é verdade, mas isso não era razão para que se tornasse o imediato sucessor de Jânio.
Ele só virou presidente do Brasil depois de uma costura política que mudou o sistema político, de presidencialista para parlamentarista.
O ano de 1964 começa, portanto, em 1961.
Mas nesse mês de março há 50 anos, o caldeirão Brasil fervia, de Norte a Sul.

CIRCO
Hoje é o Dia do Circo, que foi criado em comemoração ao palhaço Piolin.
Piolin, de quem falo no livro A MENINA INEZITA BARROSO, era um cidadão paulista, de Ribeirão Preto, nascido no dia 27 de março de 1897.
Mário de Andrade o adorava.
Sim, ele era palhaço. De profissão.
 

quarta-feira, 26 de março de 2014

JOAN BAEZ E VANDRÉ, O ENCONTRO

No último fim de semana eu conheci em São Paulo uma das mulheres mais incríveis do mundo, a norte-americana Joan Chandos Baez.
Joan nasceu no distrito nova-iorquino de Staten Island e essa foi a segunda vez que ela veio à capital paulista para cantar.
A primeira foi em 1981, quando o general João Figueiredo a proibiu de cantar em território nacional. Mas mesmo assim ela cantou e cantou bonito fora do palco do teatro da PUC a canção Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré.
Centenas de estudantes a acompanharam em coro, tornando o acontecimento inesquecível.
Domingo e segunda-feira passados, depois de se apresentar em Buenos Aires, Montevidéu e Santiago, Joan voltou a cantar a canção de Vandré junto com o público que lotou o Teatro Bradesco, na zona Oeste da cidade.
O ponto alto foi a presença de Vandré no palco, emocionando muita gente.
Sim, sem dúvida, foram profundamente marcantes as apresentações de Joan Baez em São Paulo. Primeiro por sua elegância, talento e categoria ímpares de intérprete incontestável da canção popular, depois pela presença histórica do autor de Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores.
Na primeira noite, Vandré subiu ao palco e ficou calado enquanto a sua música era cantada por todos.
Na segunda noite ele subiu ao palco e, para surpresa geral, declamou com emoção e firmeza trechos de um poema que fez para homenagear São Paulo, cidade que o acolheu no início dos anos de 1960.
Esse poema, Soberana, é inédito.
Após a declamação ele ainda surpreendeu a plateia ao deixar um recado na forma de praga e desabafo para os algozes dos tempos da ditadura militar que levaram o Brasil à escuridão por duas décadas inteiras e mais um pouco http://www.youtube.com/watch?v=ThIqzq60Y8s:
- Pra quem pensava que podia me calar, aquele silêncio de não se aguentar!  
Essa frase eu ouvira dele horas antes na minha casa, mas não imaginei que ele fosse pronunciá-la no palco.
Pois é, Vandré continua absolutamente surpreendente. Tanto, que no primeiro instante não acreditei que ele estivesse falando sério quando no início deste mês me telefonou do Rio de Janeiro pedindo para que eu promovesse esse encontro com Joan, que me disse em entrevista que fiz para o meu programa de rádio que vai gravar Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores.
Também perguntei se podemos esperar em breve um álbum intitulado Joan Baez e Geraldo Vandré Juntos. Ela disse que só depende dele.
Ao nosso lado, enigmaticamente, ele apenas riu.
Aguardemos.

segunda-feira, 24 de março de 2014

VANDRÉ, DITADURA E JOAN BAEZ

Há exatos 50 anos, quando o Brasil mergulhava na escuridão da ditadura militar, que duraria 21 anos, o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré lançava à praça o primeiro dos seus cinco LPs, Geraldo Vandré, pela etiqueta Audio Fidelity, já extinta.
Antes, ele estreara em discos de 78 voltas por minuto.
O LP Geraldo Vandré n 2008, de 1964, já trazia um repertório com títulos que se tornariam clássicos (ao lado).
A obra do famoso autor paraibano não é extensa, mas é intensa.
Ontem no início da noite a cantora norte-americana Joan Baez cantou no palco do Teatro Bradesco, do Bourbon Shopping São Paulo, no bairro paulistano de Perdizes, a guarania Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, uma espécie de hino da resistência civil dos anos de chumbo vividos no Brasil.
Embora convidado para cantar, o autor permaneceu de pé, respeitosamente, ao lado da artista, ouvindo em silêncio a sua interpretação e a reação de alegria e surpresa da plateia que lotava todos os 1.456 poltronas do teatro, que tem cerca de 700m2.
Eu estava lá, assistindo da cochia, e depois do espetáculo perguntei:
- Você se emocionou, Geraldo?
Ele olhou pra mim e mentiu:
- Não.

sábado, 22 de março de 2014

O RÁDIO DE HOJE E MORAES SARMENTO

Nos últimos meses tenho me tornado um compulsivo ouvinte de rádio, navegando por todas as ondas e escapado milagrosamente de me afogar be0las, embora mais das vezes morra de tédio e raiva.
No correr desses mergulhos dá pra perceber sem demora que as AM e FM se equiparam no nível, péssimo, de programação que apresentam e que beiram o insuportável.
O que dizer, por exemplo, dos horários ditos pastorais com figurinhas carimbadas como o cavernoso Davi Miranda fazendo, aos berros, a cabeça dos miseráveis em desespero?
Esses enganadores poderiam facilmente ser enquadrados em diversos artigos do Código Penal por prometerem o imponderável a seus amalucados e ingênuos seguidores.
A música brasileira perde feio para a música dos gringos no dial FM; no AM, então...
E o jornalismo, hein?
Ainda feito com base no noticiário impresso e no que se posta na Internet, o jornalismo do rádio encontra alguma salvação na Pan, Band, Estadão e CBN, com entradas frequentes chatas de repórteres dando informações sobre o trânsito sempre louco de Sampa.
Diga-se de passagem: as entrevistas em estúdio da Pan são quase sempre muito boas e comprometidas pela coloração partidária as opiniões dos colunistas políticos, entre os quais o cabeção Reinaldo Azevedo, sempre disposto a falar de tudo, até do sexo dos anjos.

MORAES SARMENTO
Hoje faz 16 amos da morte do radialista campineiro Moraes Sarmento (acima, comigo na foto), famoso por sua posição radical a favor da nossa boa música popular. Ele nasceu no dia 14 de dezembro de 1922.
Sarmento começou a carreira no rádio aos 15 anos de idade, na Educadora de Campinas.
Por um desses inexplicáveis acasos da vida, fui eu quem ocupou o seu horário na Rádio Capital AM, de São Paulo, com o programa São Paulo Capital Nordeste, no ar por mais de seis anos.

HAROLDO BARBOSA
O radialista carioca Haroldo Barbosa, de batismo Ary Vidal, teria feito ontem 99 anos de idade. Ele chegou a desenvolver várias atividades profissionais, além de radialista. Ele iniciou no rádio em 1933, na Philips. Foi compositor de sucesso e amigo de Noel Rosa e Wilson Batista. Entre suas músicas mais conhecidas se acham De Conversa em Conversa e Barnabé, curiosa expressão que identifica até hoje o funcionário público de baixa renda, digamos assim.

quarta-feira, 19 de março de 2014

MEIO CONTO QUASE NADA

... E tinha um bom coração!
Sim, era de bom coração a pessoa que fazia até pé de pimenta murchar.
Bastava ela pegar na planta, que a planta não resistia, murchava e morria.
Era mulher e até bonita, daquelas branquinhas sardentas, metida, provocativa que só.
Era fogosa.
No norte das Gerais não tinha quem não a conhecesse.
Havia quem a achasse meio gente, meio bruxa.
E um dia ela casou-se e teve uma penca de filhos.
As meninas, umas mais bonitas do que as outras.
Os meninos pareciam ter azougue nos olhos e faziam sucesso entre as moçoilas.
E um dia ela murchou e morreu.
Ninguém chorou.

terça-feira, 18 de março de 2014

IGNORÂNCIA E GUERRA-PEIXE

O petropolitano Cesar Guerra-Peixe completaria hoje 100 anos de idade, mas até este momento, a data e o personagem, não mereceram nenhuma referência no rádio ou televisão. Os jornais também amanheceram mudos quanto ao assunto, como as revistas de fim de semana.
Somos mesmo umas bestas.
Enquanto continuarmos assim o Brasil será de todos, menos nosso.
Que pena.
Guerra-Peixe foi um dos maiores artistas que já tivemos.
Ele começou a carreira com sete anos de idade, tocando bandolim, aos oito violino, aos nove piano e depois tudo quanto é de corda e outros instrumentos, em seguida virou compositor, maestro, tudo.
Grade Guerra!
E nós aqui batendo palmas para o lepo lepo.
Que tristeza!
Sim, o Brasil oficial não conhece e nem liga para o Brasil das artes e dos artistas.

domingo, 16 de março de 2014

O FENÔMENO DO ABANDONO

Este é o último domingo de verão deste ano de 14.
Por estas bandas de cá do Sudeste não caíram do céu as águas que um dia levaram o soberano maestro Tom Jobim a, digamos, se inspirar numa simples moda do povo, Água do Céu, para gerar a bossa famosa Águas de Março. "É chuva de Deus, é chuva abençoada/É água divina, é alma lavada", diz a letra - e a melodia - que não é do Tom, mas essa é outra história.
Na região Norte, em Rondônia principalmente, tem chovido horrores. Lá o número de vítimas já passa dos 100 mil.
O Rio Madeira (acima), por exemplo, já subiu perto dos 20 metros acima do seu nível, cobrindo cidades e matando gente e peixes.
Essa tragédia de excesso de chuvas no Norte me faz lembrar a tragédia secular da seca no Nordeste, que um dia, em 1877, fez o imperador dom Pedro II prometer vender até a última joia da Coroa para pelo menos amenizar sofrimento das vítimas.
A seca daquele tempo fez pelos menos 500 mil almas, deixando insepultos e à mercê dos urubus os seus corpos.
Claro, a coroa permaneceu intacta brilhando sobre a coroa do rei, que segundo os compêndios era um cara justo e sensível, estudado, sabedor das coisas do seu reinado.
Muitas outras grandes estiagens se repetiram em 32, que fez o poeta popular Patativa do Assaré compor sem plágio a obra-prima A Morte de Nanã; 79, que quase levou às lágrimas o general de ferro João Batista de Figueiredo, que detestava cheiro de povo; 85...
Em 1985, choveu tanto no Nordeste que o Nordeste quase se acaba.
Chico, Fagner, Gonzaga, Gonzaguinha, Gil, Jobim e outros artistas se juntaram para gravar um disco cuja renda se reverteu às vítimas.
Nesse mesmo ano, Michael Jackson e outros se juntaram com o mesmo propósito para atender as vítimas da seca na África, que matou uma quantidade enorme de pessoas, incluindo mulheres e crianças.
O projeto brasileiro se chamou Nordeste, Já http://www.youtube.com/watch?v=g4Om94w_61g.
O projeto estrangeiro se chamou USA and Africa, com a música We Are The World.
O projeto brasileiro não deu certo porque as emissoras de rádio do Brasil só tocaram, e à exaustão, a música dos gringos.
Você sabe por que as secas e as enchentes ainda são um fenômeno no Brasil?

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