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domingo, 17 de dezembro de 2017

A MÚSICA FORA DO RÁDIO

Outro dia um amigo, depois de dizer um monte de coisa bonita a respeito deste blog, fez referências à qualidade musical do que hoje se ouve no rádio, na tevê etc. E disse mais: "Parece que ou não há mais bom gosto ou boa música já não se faz mais".
Tem razão esse amigo, o Marco Haurélio.
Marco Haurélio esteve ontem proseando no espaço onde se acha, provisoriamente, o acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Marco veio trazendo a tiracolo seu colega de trilhas poéticas, Pedro Monteiro.
Pedro é do Piauí e Marco da Bahia. Ambos são cordelistas, autores de bons folhetos que o povo precisa conhecer.
Fora os folhetos, Marco já publicou uns 40 livros. O cabra é produtivo e antenadíssimo.
E conversa vai, conversa vem, lembramos o poeta e jornalista da região de Bezerro Morto, PI, Firmino Teixeira do Amaral (1896-1926).
Firmino, que morou durante muito tempo em Belém, PA, é o autor do folheto A Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, publicado ali entre os anos de 1916 e 1917, tempo da Primeira Guerra Mundial, que nada tem a ver com este texto.
Lembramos muitos outros caras supimpas, como o pernambucano Manoel Monteiro.
Manoel, como o norte americano Ernest Hemingway, desenvolveu uma ficção em que ele próprio era o personagem fatal: ele matou-se num hotel, bem longe de casa. Hemingway, na sua fazenda nos EUA, onde construiu uma arapuca que acionou o gatilho de uma Winchester que lhe levou chumbo ao coração. Triste.
A vida é quase sempre um tragédia...
Em 1889, ano do golpe militar que levou à Proclamação da República, nasceu em Goiás a poeta contista e doceira Cora Coralina, de batismo Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.
Em 1901, quando o carioca Machado de Assis ainda andava prá lá e prá cá, vivo, versátil, uma antena do seu tempo, expressivíssimo, nascia no Rio de Janeiro a neta de escravos negros Clementina de Jesus.
O que é que tem a ver Cora Coralina, Machado de Assis e Clementina de Jesus?
Coralina começou a escrever dois anos depois da morte de Machado, em 1908. 
Machado deixou uma obra fantástica e Cora Coralina, também. Seu primeiro livro, que trata da poética das ruas de Goiás foi publicado em 1965. Um ano depois foi a vez de Clementina lançar-se profissionalmente em disco.
Cora Coralina ganhou a ribalta, digamos assim, quando no dia 27 de dezembro de 1980, mestre Drummond de Andrade rasgou-se em elogios à autora de O Tesouro da Casa Velha, que acabo de ouvir, é engraçado, é triste, é profundo e ao mesmo tempo leve que nem vôo de passarinho. Tem até três casos de suicídio,ui! Esse é um livro póstumo muito bem narrado e distribuído pela Fundação Dorina Nowill que chegou-me às mãos pelos gestos solidários da jornalista Cris Alves. 
Coralina morreu em 1985 e Clementina, a Quelé, em 1987.



Mas eu comecei falando de música. Realmente a música que ouvimos hoje no rádio é, grosso modo, uma música própria para matar neurônios.
Quem quiser ouvir música boa tem que pesquisar, não é mesmo? Mas, claro, sempre tem um artista aqui outro ali mostrando que nem tudo está perdido. Eu gosto do Criolo, pela mistura bonita que faz com o samba e o rap. Ele traz a novidade que vem sendo apropriada pela juventude, veja a versão de Subirusdoistiozim feita por Pedro Schin, Gui Heleodoro e Beatzoto, no segundo vídeo abaixo:




Gosto também do Lulinha de Alencar, do Mestrinho e do poeta paraibano Jessier Quirino, autor e declamador de raro talento. É dele o Bolero de Isabel. Confiram, na linda interpretação de Xangai.




RÔMULO NÓBREGA

O paraibano de Campina Grande, Rômulo Nóbrega, biógrafo do pernambucano Rosil Cavalcanti (1915-1968), está feliz da vida. E o motivo disso não é pouco: O filho Rodolfo, um cabeção desses que nascem a cada 1000 anos nalgum lugar do mundo, chegou a passeio vindo de Londres aonde mora, trazendo a tiracolo o neto Hugo e a mulher Maria Luísa, alemã. Quem também não se contém de alegria é a mulher de Rômulo, Aldany. Eita! Rômulo nunca empinou tanta pipa na vida. Ele e o neto Hugo tem chamado a atenção da Paraíba inteira, pois é, e os dois lá empinando pipa. A pipa é uma invenção chinesa que conheci no tempo em que tinha a idade do Hugo, 3 anos. E viva a criança que há em todos nós. É Natal. Todo dia é Natal.




sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

LARA MARA É LUZ

Faltam 15 dias para o ano de 2017 terminar. Quinze mais um.
Eu não ia mas fui. Coisa pessoal. E foi bom eu ter ido. Lá encontrei um monte de cego, vendo com  a memória do tempo, que nem eu. Foi bom demais. A Lúcia, do ramo Ângelo Agostini me carregou para lá. Convenceu-me. E repito: Foi bom demais.
Eu estou falando da instituição Lara Mara.
Eu frequento a instituição. a associação Lara Mara há um ano e tanto.
Na instituição Lara Mara recebi carinho, respeito, amor, tudo de bom que nós, humanos precisamos, tudo de bom!
Fiz um monte de gente bonita ver o mundo como eu vejo, com esperança.
Cego também é gente. Mas só é cego quem quer, eu mesmo fiquei cego só dos olhos.
Na instituição Lara Mara eu conheci o William, Mara, Cris, Lilian, Anderson, Jú, Rosângela, Davi, Kiko, tanta gente bonita...
E pensando na Lara Mara, eu fiz estes versos:

Lara Mara abriu a porta
E nos convidou a entrar
Prá conhecer o mundo
Onde cego pode enxergar
A luz do fim do túnel
E seguir seu caminhar...

Longo e tortuoso
É do cego o caminhar
É do cego a sina
De viver sem enxergar
A luz que vem da lua
Para o mundo iluminar

Outras luzes vêm de longe
Prá também iluminar
São as luzes do Saber
Pra quem não quer cegar
Quem caminha hoje sabe
Que o Saber faz enxergar

Mas há gente que não sabe
E se recusa a caminhar
Preferindo se esconder
A sair para lutar
O segredo está no túnel
E na luz a nos chamar

SANTA LUZIA

Olhe, este mês de dezembro é mês de tudo quanto é bom, até porque é sempre o último mês do ano. No dia 13, dia de nascimento de Luiz Gonzaga, Rei do Baião, é também o dia de Santa Luzia, a italiana etc. E prá ela, pensando no Gonzaga eu fiz essa prece:










quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

ONZE ANOS SEM O MESTRE SIVUCA


Em tudo quanto é canal que se ligue, de rádio ou TV,  só se ouve notícia de tragédia de todo tipo, inclusive sobre a corrosiva corrupção no Brasil, endêmica. A propósito  nunca se prendeu tanto figurão,  acusado de meter a mão no cofre do povo. Essas notícias são tantas que esquecem-se de noticiar coisas boas.
Sempre é tempo de falar de quem contribuiu ou contribui com a nossa  cultura, enriquecendo-a. Sejam vivos, sejam mortos. Caso de Sivuca.
Severino Dias de Oliveira, Sivuca, foi um dos maiores e mais sensíveis sanfoneiros
que o Brasil já deu. Ele nasceu em Itabaiana, na Paraíba, e ganhou o mundo já no começo dos anos de 1950. Esteve ausente do Brasil por cerca de 13 anos. Morou nos Estados Unidos, Portugal e no Japão, onde foi professor de violão. Gravou muitos discos e participou de centenas de espetáculos e de discos de artistas como Paul Simon e Garfunkel. Em 1951 Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira compuseram Sivuca no Baião, em sua homenagem, que tem apenas uma gravação até hoje: do próprio Sivuca. Esse disco se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, que presido. Num sebo da França eu achei um LP de 10 polegadas ( acima) de Sivuca, por ele lá gravado. Eu conheci Sivuca no final de 1970. Numa das edições do suplemento Folhetim, encarte já extinto da Folha de S.Paulo, publiquei uma belíssima entrevista com ele.Sivuca morreu no dia 14 de dezembro de 2006.

DOM PAULO
Hoje faz 11 anos que Sivuca nos deixou e 1 ano que Dom Paulo também nos deixou.
Eu conheci Dom Paulo e o entrevistei algumas vezes. Desnecessário, totalmente desnecessário,  dizer que ele era um ser do bem.Viva Dom Paulo, que está prestes a ganhar nome de praça no centro da cidade de São Paulo: a praça da Sé trocará de nome já já. No dia 17 de dezembro de 2016, para ele escrevi esses versos:

O bom D. Paulo partiu

Rumo à Eternidade

Depois de cumprir a missão

De lutar com humildade

A favor dos pés descalços

E contra os dragões da maldade



Foi um guerreiro da Paz

Um professor de Verdade

Que ensinou Cidadania

Em tempo de tempestade

Enfrentou a ditadura

Em nome da Liberdade



O bom D. Paulo partiu

Deixando muita saudade

Um belo exemplo de vida

De amor e Fraternidade

Viva d. Paulo Evaristo!

Viva a Dignidade!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HOJE É DIA DE REI


Assis Ângelo e Luiz Gonzaga

Faz mais de 100 anos que Exu, PE, deu seu filho mais importante para o Brasil: Luiz Gonzaga, que a população da cidade de São Paulo aclamaria, no começo de 1950, como o Rei do Baião.
Luiz Gonzaga do Nascimento veio à vida no dia 13 de dezembro de 1912.
Eu conheci bem o Gonzaga e o entrevistei muitas vezes.
Falar de Gonzaga é falar do Brasil, da sua música, dos seus hábitos e costumes, da sua cultura, da cultura popular nacional.
Gonzaga era um cidadão pé no chão. A sua obra é constituída de 627, ou 628, músicas. Desse total, apenas 53 trazem a sua assinatura como autor individual. Ele era um cidadão e tanto! Exemplo, sim, para todos nós.
A sua obra tem sido gravada em várias partes desse mundinho de meu Deus do céu, da França a África, da Argentina a Coréia do Sul.
E chega, melhor do que falar, aqui, é procurá-lo por aí afora, noutras línguas, portanto.







segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

HOJE É DIA DE NOEL E NÁSSARA. VIVA O SAMBA!

Há coincidências? Não sei, talvez sim, talvez não.
Um fato: o carioca Noel de Medeiros Rosa nasceu 29 dias depois de o seu conterrâneo Antonio Gabriel Nássara. Noel no dia 11 de dezembro de 1910 e Nássara, no dia 12 de novembro de 1909.
Coincidência curiosa ou sei lá o que, a vida os colocaria frente a frente transformando-os em grandes amigos e boêmios, frequentadores dos cabarés da Lapa famosa, também frequentados por Chico Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, O Metralha; Madame Satã e tantos e tantos que provocaram brigas por mulheres etc e tal.
Conta a história que o sonho de Noel Rosa era ser desenhista, cartunista como Nássara.
Nássara começou a publicar caricaturas no jornal O Globo em 1927.
Conta-se que um dia Noel seguia em direção à sede do carioca O Globo, quando encontrou um de seus amigos queridos, Di Cavalcanti. e a Di ousou pedir opinião sobre seus desenhos, já que os trazia aos montes numa pasta. Resposta do famoso pintor de mulatas: "Noel, jogue isso fora e continue compondo seus sambas".
Nássara, que tive a alegria de entrevistar, publicou em inúmeros jornais e revistas as suas incríveis caricaturas. Eu mesmo caí um dia num dos seus traços, cujo resultado está aí na parede da sede provisória do Instituto Memória Brasil, IMB.
Aí na parede estão eu e Luiz Gonzaga...
Pouca gente sabe: Nássara foi parceiro musical em pelo menos duas músicas com Noel Rosa, Retiro da Saudade, gravada por Carmem Miranda e Chico Alves; e Que Baixo, registrada em disco por Aracy de Almeida, a intérprete preferida de Noel Rosa.
Você meu amigo, minha amiga, já ouviu falar da polêmica musical entre Noel e Wilson Batista, iniciada em 1933 e finda 3 anos depois?

Em 1956, a Odeon juntou as músicas que geraram a polêmica e as incluiu num disco LP de 10 polegadas. A capa desse disco foi assinada por Nássara.
Nos seus 26 anos e poucos meses de idade, Noel compôs 259 músicas.
Wilson Batista, que morreu em 1968, deixou um legado de 725 composições. Mais do que, por exemplo, o mineiro Ary Barroso.
Pois é, essas são histórias da nossa música, dos nossos mú

sicos, com coincidência ou não.
Ah, ia me esquecendo, em 1942, Luiz Gonzaga, rei do Baião, gravou de Nássara (e Frazão) Nós Queremos uma Valsa.




Luiz Gonzaga nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, há pouco mais de 100 anos.

domingo, 10 de dezembro de 2017

A CANONIZAÇÃO DE AUDÁLIO DANTAS




Audálio Ferreira Dantas
Jornalista, cidadão
Lutador de boas lutas
Na cidade e no sertão
Nascido em Tanque D'Arca
Pra orgulho desse chão 

Da safra de trinta e dois
Desbravou sertão e mar
Mostrando como se faz
Dos perigos escapar
Audálio sabe bem
O bem que dá ensinar
(Assis Ângelo) 




Audálio Dantas e suas família, durante a premiação.
Não são muitos os brasileiros que chegam serelepes aos 85 anos de idade. Nessa faixa etária há, no Brasil, não sei quantos cidadãos que possam bater no peito e dizer que estão bem.
O humor é uma graça especial que adquirimos com o passar do tempo quase como a própria saúde, que conquistamos no dia-a-dia.
Temos grandes humoristas da fala e do traço. Como esquecer o Barão de Itararé, Millôr Fernandes, Chico Anísio, Jaguar, Fortuna, Péricles, Ziraldo, Laerte, Angeli, Fausto... E José Vasconcelos? E Ariano Suassuna, hein? 
O alagoano Audálio Dantas faz parte da história do Brasil desde que nasceu.
Audálio nasceu um dia antes da deflagração do movimento Constitucionalista de 1932, que começou no dia 9 de Julho e findou no dia 2 de outubro, com algumas centenas de mortos.
Audálio é do reino encantado de Tanque D'Arca, situado nas Alagoas onde "o macaco avôa". 




Ele, Audálio,  chegou à capital paulista com 12 anos de idade, trazendo na bagagem muitos sonhos. Entrou para o jornalismo pela porta da frente da extinta Folhas da Manhã que deu vez à Folha de S.Paulo. Isso, em 1954. Esse ano, aliás, foi o ano em que o gaúcho Getúlio Vargas entro para a história com um tiro que deu no próprio peito.
Ontem 9 à noite Audálio refirmou-se na História ao receber mais um importe prêmio, o Averroes. Esse prêmio, criado em 2008, destina-se às pessoas que se fizeram importantes no cotidiano da vida. Leia:



Audálio é um baluarte da vida brasileira. Como presidente do sindicato dos jornalistas no Estado de São Paulo ele peitou os poderosos que governavam o país.
Em 1975, agentes da ditadura militar roubaram a vida de Wladimir Herzog, enlutando o País. E foi quando Audálio levantou ao máximo a sua voz em protesto ao assassinato de Vlado. E lá foram ele e outros cidadãos resolutos ao protesto pelo crime cometido nos porões da repressão. A Audálio se juntaram outros grandes brasileiros como Dom Paulo Evaristo Arnes e Dom Helder Câmara, que eu entrevistaria anos depois para o jornal Folha de S.Paulo e revista Visão. No culto ecumênico em memória de Vlado Dom Hélder não disse nada. Estranhando o silêncio, Audálio perguntou por que se calara. Resposta: "às vezes o silêncio fala mais alto do que qualquer discurso". Audálio lembrou isso no dia do seu 85º aniversário no auditório Wladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas, e ao lembrar isso encerrou o seu discurso, curto, de agradecimento.
Na noite de ontem, ao receber o novo prêmio, ele também agradeceu a homenagem e as palavras dos amigos, muitos, a ele dirigidas. E brincou: "se o Papa Francisco passasse por aqui, era bem capaz de me canonizar". E choveram aplausos.
Abrilhantaram o evento os geniais músicos Toninho Carrasqueira (flauta), Ivan Vilela (viola) e Emiliano Castro (violão).
Antes de tocar a sua flauta mágica, Carrasqueira teceu loas sobre o homenageado : "Audálio é um herói, um farol da democracia".
A organização da festa teve a participação decisiva de Vanira Kunk e Sérgio Gomes, o Serjão, uma história a parte.
Ia me esquecendo, ao saber da brincadeira de Audálio sobre canonização, a jornalista Cris Alves saiu-se com esta: "também acho que o Papa Francisco iria me canonizar, se passa-se por aqui, pois nessa vida só entro pelo cano e sair dele tem sido um verdadeiro milagre".
Nós, brasileiros, somos ou não somos um povo bem humorado?
Foi ótimo reencontrar os cordelistas Marco Haurélio e Pedro Monteiro. E legal também foi reencontrar o pequeno Pedro Ivo e a sua mãe Lucélia, mulher de Marco, e xilogravadora em momento de vôo. Ah sim, estive acompanhado de Ana e Lúcia. Estrelas à parte.
Viva Audálio Dantas!


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

VIVA BELCHIOR!

Só depois de ter posto o texto neste espaço, ontem, é que lembrei que o legendário poeta repentista pernambucano Antônio Marinho nasceu no dia 5 de abril de 1887. Ora, fazendo as contas cheguei fácil à conclusão que ele nasceu há 130 anos. E ninguém diz nada, ninguém lembra nada, por que, hein? Acho sim, importante, lembrarmos dos filhos mais importantes e contributivos desta Pátria.
Pois é, Antônio Marinho nasceu há 130 anos e nos deixou no dia 29 de setembro de 1944. E deixou também, além da sua história pessoal, uma filha de nome Helena que se casaria com o também pernambucano, e repentista, Lourival Batista.
Foi também num mês de abril que partiu para a Eternidade o poeta, cantor e violonista cearense Belchior. Foi em abril que passou, e nem faz um ano, mas a saudade de todos é tanta que já provocou um belíssimo espetáculo na unidade Pompéia do SESC paulistano. Não fui, mas me disseram que foi incrível. E não fui porque não fui convidado, nem eu, nem Ana, nem Cris Alves, que já me matou várias vezes por causa disso, mas teimoso ressuscitei. Aliás, sou danadinho para ressuscitar das cinzas que nem aquela ave paraibana que o povo chama de Fênix.
O teatro do SESC ficou lotadinho de gente chorando feito besta. Ouvi dizer que até o durão J B Medeiros, jornalista da terrinha, escondeu a cara com um cobertor para não mostrar as lágrimas. 
Saudade é saudade. Tem até um poeta popular que ficou para a história como O Poeta da Saudade. É dele este poema:





Não fui assistir ao show feito em lembrança a Belchior. Não fui, mas gostei. Confiram nas fotos que o amigo Jorge Mello, parceiro de Bel em 3 dezenas de títulos, acaba de me enviar:







Nas fotos estão (principalmente na última), todos da equipe: Jorge Mello, Ednardo, Gero Camilo, Ceumar, Banda Radar (formada por Sérgio Zurawski, João Mourão e Arnaldo Parron que são da Radar original e mais dois convidados). Show realizado no SESC POMPEIA, nos dias 1 e 2 de dezembro de 2017. Subiram ao palco no último dia, sabado, os filhos do Belchior: Camila Belchior e Mikael Belchior. Levados ao palco por Jorge Mello, amigo deles desde que nasceram por ser ele o maior parceiro de Belchior e sócio na Paraíso Discos. A tevê SESC gravou tudo para um futuro documentário.

25 ANOS SEM LOURO DO PAJEÚ

Você sabe quem foi Louro do Pajeú?
Louro do Pajeú, de batismo Lourival Batista, nasceu no dia de reis de 1915 e partiu para a Eternidade no dia 5 de dezembro de 1992. Ele foi o mais velho dos 3 mais famosos irmãos do repentismo brasileiro. Num passeio pelo Ceará, conheceu uma jovem chamada Helena, que vinha a ser filha do legendário repentista Antônio Marinho ( 18087-1940).
Louro teve 8 filhos com Helena. Uma de suas crias, Bia, casou-se também com um repentista, Zeto, com quem teve um filho a quem deu nome de Antônio Marinho, em homenagem ao seu avô.
Uma família incrível de poetas repentistas, seres privilegiados que desceram do Olimpo para nos encantar.
Eu conheci Dimas e Otacílio (foto acima).
Louro ficou famoso como o rei dos trocadilhos. E o legendário Antonio Marinho ganhou sabe-se lá de quem o apelido de o Águia do Sertão. À viola era rápido que nem um raio. Poucos poemas sobraram, pois ele não tinha preocupação de mantê-los vivos na memória ou publicá-los. Na interpretação do seu xará bisneto, eis uma amostra:




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

JOGARAM A ÉTICA NO LIXO

Políticos poderosos, e são muitos, atiraram na lata do lixo um dos valores mais importantes do ser humano: a ética.
A ética é a razão prática de quem respeita a si e aos outros.
Um cidadão de nome Aristóteles já falava, e muito bem, sobre a ética e sobre política etc.
A política deve ser feita para o bem de todos e não de alguns, de uma casta.
Através das mídias tomo conhecimento do mau comportamento de pessoas eleitas, escolhidas, pela população.
Mais da metade da população brasileira esteve, e continua estando, apta para escolher seus representantes em todas as esferas políticas: municipal, estadual e federal.
O problema das escolhas, nosso, é que continua em prática a maldita compra de votos em todos os cantos do País.
Tomo conhecimento pelas mídias que mais de sessenta mil brasileiros e brasileiras andam imunes a julgamentos e eventuais condenações pelos tribunais. Essa imunidade tem um nome: foro privilegiado.
Foro privilegiado é ou não é sacanagem?
O Supremo Tribunal Federal, STF, está dando banana ao povo brasileiro. Há poucos dias por exemplo o Ministro Dias Toffoli engavetou projeto de extinção parcial, acho, do tal foro.
Logo na primeira página da Constituição em vigor lê-se que somos todos iguais. Na prática, porém, não é o que acontece. Infelizmente.
Muitos penduricalhos acoplados a Constituição deveriam cair. Nessa brincadeira de mal gosto há uma centena de PECs.
Ano que vem a Constituição, no começo chamada de Constituição Cidadã, completa 30 anos de vigência.
Restaurem-se a ética.
Aristóteles viveu 4 séculos antes de Cristo nascer. Vejam só!

SARAU COM MASSA

Mais uma vez a agitadora cultural Cris Alves arregimentou um bando de pessoas legais, incluindo jornalistas e artistas do verso, prosa e música, para comer, beber e cantar em homenagem à vida. O sarau que ela promove na sua casa já está ficando famoso. E ocorre uma vez por mês. O de ontem foi o ultimo do ano. E lá estiveram o violonista Brau, as cantoras Rosângela, Vera, Marcli, Cícero no outro violão e Flávio no carron, todos craques da pauta musical. Uma delícia à parte, antes e depois do sarau foi o banquete feito e oferecido por Cris aos convidados. Tinha um delicioso espaguete a bolonhesa, lasanhas, capeletti com pudim e cocada de sobremesa, pão e hóstia divinas, noutras palavras tira-gostos prá rum, vinho, cerveja e cachaça. Agora só ano que vem, e que venha logo o ano de 2018. A menina Gabi fez uns registros fotográficos, estes:




sábado, 2 de dezembro de 2017

ARY BARROSO PROVOCOU O DIA DO SAMBA

No dia 2 dezembro de 1946 o mineiro Ary Barroso esteve pela primeira vez em Salvador, BA. Essa data, tornar-se - ia importante para a música popular.Isso porque acabaria por se transformar no Dia do Samba, que o Brasil todo comemoriaria, comemora e certamente comemorá por muito tempo ou pelo tempo todo. E por que isso?
Em 1938, começo deste ano, Ary tinha composto o samba Na Baixa do Sapateiro. Essa música, esse samba, faz explícta referência a uma região até hoje muito importante para os baianos.
No dia 17 de Outubro de 1938, a portuguesinha chamada Carmem Miranda,  gravou Na Baixa do Sapateiro.
A segunda gravação desta música, foi feita pelo próprio autor em 1939. Após 3 anos, foi a vez de o carioca, Silvio Caldas registrá-la em disco de 78 rpm. Essa música tem inúmeras gravações nos formatos os mais diversos no Brasil e no Exterior.Hoje é o dia do Samba. Vamos ouvir a Carmem cantar Na Baixa do Sapateiro?

BULE BULE, UM GRANDE DA CULTURA BRASILEIRA




O Brasil tem 26 Estados e um Distrito Federal.
São quase 9 milhões de quilômetros quadrados ocupados por esses 26 Estados e o distrito onde rola todo tipo de sacanagem, política principalmente.
O Brasil tem mais de 200 milhões de pessoas, de todas as idades ocupando essa imensidão territorial.
Dentre esses 200 e não sei quantos mil de brasileiros, há grandes artistas. E de todas as áreas: cinema, teatro, dança, música...
Bule Bule, de batismo Antonio Ribeiro da Conceição, é um dos mais expressivos nomes da cultura popular brasileira. Nascido há 70 anos e dias e tais, Bule firmou-se na vida cultural brasileira como poucos do seu ramo.
Eu conheço Bule Bule desde o seu primeiro disco, desde o tempo em que eu apresentava o programa São Paulo Capital Nordeste, na Rádio Capital AM 1.040.
Passou-se muito tempo sem que eu o reencontrasse. Esse reencontro, aconteceu na última Bienal Internacional do livro, em São Paulo, quando eu recebi uma homenagem transformada em troféu, conferida pelo pessoal livreiro, editorialmente falando, do Ceará. Pois é.
Quarta que passou, Bule Bule e sua companheira de jornada, Gina, estiveram cá comigo cantando e contando coisas. Esse reencontro começou à boca da noite e foi até não sei que hora. 
Bule trouxe-me livros, discos e, mais uma vez, o seu coração e a sua voz e seu carinho e o seu respeito e a sua atenção e o seu talento e toda a sua brasilidade, passo a passo, junto junto, no toque da zabumba, da viola, do pandeiro e do coração brasileiro; ele, Bule.
Bule Bule é, hoje, o mais importante artista da cultura popular brasileira. No mínimo da Bahia, do Nordeste.E só não vê quem é cego, eu não sou.
Meu Deus, quando o Brasil vai descobrir e bater merecidas palmas para esse artista tão importante da nossa cultura?
Ah, quase ia me esquecendo: O Bule está bonitão, forte, sem gordura excessiva no corpo. O cabra está fazendo exercícios e não é de levantamento de copo.

GINÁSTICA

Segunda que vem 4 completam-se 7 meses de beleza e alegria na academia Cia Life, onde faço do futuro presente. É bom demais! É bom andar de bicicleta, correr na esteira, levantar peso com as pernas, com os braços e abraçar pessoas que nos chegam sempre todo dia, toda hora, o tempo todo. Tipo confraternização, como dizem os mais novos. Ginástica é fundamental para a mente e para o corpo. É tão bom fazer tudo isso! Daqui mando meu abraço forte, forte mesmo, para Anderson e Beto Júnior. Hei! Por que você não vai ali na Cia Life fazer o que estou fazendo, cuidando da mente e do corpo? Esta semana ouvi no Jornal Nacional a notícia de que o brasileiro cada dia mais está ficando obeso, por falta de exercícios. O corpo pede movimento, a mente dá inteligência. Tudo depende de nós, tem dúvida? 

GILMAR MENDES

Fera da puta, com respeito a sua mãe. Essa palavra, xingamento mesmo, anda entalada no gogó de todo bom brasileiro, do brasileiro que quer ver o Brasil melhor,sem tanta violência, sem tanta corrupção, um Brasil mais bonito, com educação e cultura para todos. 








quarta-feira, 29 de novembro de 2017

JORGE MELLO, SEMPRE INOVANDO


Neste mundo de meu Deus do Céu, é tudo muito bonito e é tudo muito feio. O belo como o contrário do belo depende do ponto de vista de cada um.
Eu tenho amigos e amigas maravilhosos. Muitos são artistas, outros cidadãos comuns. Entre os artistas cidadãos, também os há, acham-se o piauiense Jorge Mello e Papete, que se foi. Se foi para onde um dia também irei. E fica assim: entre vivos e não vivos há seres incríveis. Entre estes seres, Jorge Mello.
Jorge nasceu num dia 27 de novembro, há 69 anos. Pois bem, esse cara é um cara inquieto, inquieto, inquieto, está o tempo todo pensando coisas, escrevendo poemas, escrevendo romances, e tal e coisa.
Em 1972, Jorge Mello foi um dos grandes destaques do Festival Universitário da música promovido pela extinta Tupi. Desse festival foi à praça, em disco, o baião Felicidade Geral. Foi um barulho dos infernos à época. Pois não é que o inquieto Jorge inventou de pôr guitarra, bateria e tal no baião que o também inquieto, sensível e tal e coisa Luiz Gonzaga criou? Pois é.
É verdade que a guitarra e instrumentos que tais já se achavam na MPB, colocados desde 1967 pelos baianos Gil e Caetano.
Em 1976, Jorge Mello, ainda insatisfeito com suas próprias diabruras foi aos estúdios da Warner e em pouco tempo gravou um LP inteirinho (acima) com instrumentos eletrônicos, tendo por base e temas modalidades do mundo da cantoria. O disco chamou-se Jorge Mello Integral, que a crítica especializada daquele momento considerou o melhor e tal e tal.
Esse Jorge, beirando agora os setentinha, vai longe!
Nesse fim de semana, por exemplo, ele vai estar botando para quebrar na Unidade SESC Pompéia. E os ingressos esgotados.

PAÍS DE KAFKA

Acabo de ouvir no rádio e na tevê um estudo que dá conta de que 1,3 milhão de crianças e adolescentes brasileiros estão comendo o pão que o diabo amassou. Desse total, diz o estudo que 180 mil crianças de 5 a 13 anos de idade trabalham, contribuindo dessa maneira terrível na manutenção de casa. E estamos no 3 milênio, hein?

RACISMO

Pois é, uma mulher que se diz, brasileira residente nos EUA, leva às redes sociais o seu pior de gente. Não sei o nome dela e nem quero saber, até porque a notícia que eu ouvi foi muito rápida, mas o suficiente para entender que essa pessoa é um horror. Ela xingou, esbravejou, usou palavreado chulo pára falar mal de um ser humano, uma criança negra de 4 anos adotada por um ator. Affff, Nossa! Qualquer tipo de preconceito, qualquer tipo de discriminação devem ser abolidos do repertório e da prática humanas. Somos todos iguais perante a Lei dos homens e perante Deus. Quem foge disso é, no mínimo, desumano.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

CHICO SALLES E GONTRAN BRILHAM NO CÉU

Viver é bom morrer, não.
Todo o dia nascem e morrem milhões de seres. Chora-se ao nascer e também ao morrer. Quer dizer: os começos são de prantos e os fins, também.
Sábado 25 o Brasil perdeu dois grandes nomes das artes: Chico Salles, no campo da música, e Gontran Netto nas artes plásticas.
Gontran, paulista de Vara Cruz, era um desses artistas insatisfeitos completamente com o dia dia do capitalismo. Detestava expor em galeria. Suas oras eram feitas para museus e espaços públicos, como o metrô de São Paulo.
Em 1969 Gontran foi exilado em Paris, onde morreu aos 84 anos de idade. Eu o conheci no tempo que chefiei o departamento de impressa a Companhia do Metropolitano de São Paulo. Ele era amicíssimo do brasileiro nascido no Egito Peter Alouche, engenheiro elétrico com passagem pela FAAP e Mackenzie, como professor. Peter, que também moru em Paris e formou-se em Letras pela Universidade de Nancy, integrou o time de fundadores do metrô paulistano.
Chico Salles, paraibano como eu, e engenheiro civil, era um baita sujeito. Bom de papo bom de proza e poesia. Com assento na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ABLC, com sede no Rio de Janeiro.
Chico trocou o município de Souza, no alto Sertão Paraibano, pela cidade do Rio de Janeiro. Na época ele tinha 18 anos de idade. Uma insuficiência respiratória o tirou do nosso convívio. Ele tinha 66 anos de idade e deixou, além de mulher e filhos, vários CDs e folhetos de cordel. O último CD, uma homenagem ao pernambucano Rosil Cavalcante autor de várias músicas gravadas pelo Rei do Baião Luiz Gonzaga. Ele entrou na música pelas mãos do humorista Mussum (1940-1994) que o apresentou aos bambas do samba do Rio. Ali pelo ano 2000 eu dei texto ao prefácio do livro Cordelinho, de sua autoria.
Em outubro de 2013 eu o incluí no projeto Rodas Gonzagueanas, que apresentei no Centro Cultural dos Correios do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele formou ao lado de Oswaldinho do Acordeon, Anastácia, Azulão, e outros artistas da nossa boa música. Relembre clicando:


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CANOA É PAU QUE BOIA

Brasília anda às chamas, queimando-se, pegando fogo em tudo. E nem é o caso de se falar em fogueira de vaidade. É tudo muito mais grave, é tudo pior. Lá há homens de papel em fogo. Queimando o País.
Temer continua cercado de figurinhas, ou figurões, que deveriam estar no xilindró.
O governo, ou desgoverno, do tieteense Temer faz-me lembrar a tchurma dos 40 de Ali Babá.
O Brasil tá doido, de cabeça pra baixo.
O Congresso, resultado da Câmara e Senado, está com pautas que arrepiam. Eu, heim!
Mas vamos falar de coisa melhor, ou de outro assunto. Vamos falar de canoa que é pau que boia.
Você sabe, meu amigo, minha amiga, o que é pau que boia?
Nas origens mais distantes, pau que boia é pau grande, grosso que vira canoa depois de ser escavado. É coisa antiga, como se vê. A propósito, você sabe com quantos paus se faz uma canoa?
Uma canoa, das boas, se faz é com um pau só. Mas com um pau que boia, dos bons.
A expressão "você sabe com quantos paus se faz uma canoa?" é, popularmente, dita em forma de ameaça. Mais ou menos como aquela outra que diz: "você sabe com quem está falando?".
Pois bem, essa história de canoa, é história que quase nunca dá em nada. Fica só nos ditos ou no dito por não dito. 
Cachorro costuma latir como o diabo, não é mesmo? Pois bem, você conhece a expressão "tá mais assustado que cachorro em canoa"? 
Os ditos populares são engraçados, bonitos, bobos, inteligentes e sábios. Mas eu estava falando era de Brasília pegando fogo, não era mesmo?
Será que o Temer vai chegar até o fim? 
E o futebol, heim? 
Ouvi na TV o Renato Gaúcho, do Grêmio, dizendo que "o mundo é dos espertos". Tem a ver com Temer, não tem?
Ouço na TV, notícia dando conta de que três entre cinco brasileiros morrem por negligência médica, erro médico e tal. Num ano qualquer no século passado, publiquei uma longa reportagem sobre o tema, cujo título ainda lembro: A Máfia de Branco. Saiu na revista O Cruzeiro. Quer dizer, pelo jeito, nada mudou.
Mas bom mesmo é falar de canoa, que é pau que boia.
Em 1964 a eterna rainha do rádio Emilinha Borba (1953 - 2005) lançou, com grande sucesso, a marchinha carnavalesca Se a Canoa Não Virar. Esta:


CIDADANIA

Ontem publiquei neste espaço uma nota falando sobre uma garota de treze anos, transexual que fora expulsa da escola Educar-SESC, de Fortaleza, CE. A notícia provocou uma repercussão danada depois que a mãe da menina botou a boa no trombone. Resultado: a escola Educar reconheceu o absurdo que fizeram e anulou a expulsão. Menos mal, não é?

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O NORDESTE COMO ELE É: MARAVILHOSO.

Passa do milhar o número de municípios que formam os nove Estados nordestinos.
O Nordeste ocupa uma área que passa de 1,5 milhão de Km², área idêntica à que ocupa São Paulo.
Quem nasce no Nordeste é gente boa, tipo Cortez.
José Xavier Cortez é nordestino de Currais Novos, RN.
É no Rio Grande do Norte, terra do estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), que se passa a história da peça A Invenção do Nordeste, baseada no livro de mesmo título assinado pelo professor Durval Muniz de Albuquerque Jr e publicado pela Cortez Editora.
Dois atores se submetem a uma seleção para contar uma história, a história da terra de onde são originários.
No correr da preparação dos atores, são mostradas a complexidade e idiossincrasias da região, incluindo lendas e mitos. Personagens históricos como Padre Cícero e Lampião são lembrados, como lembrados também são os problemas derivados do preconceito que sofrem as pessoas de lá. Alguns recortes atuais são feitos com precisão. Caras e falas de políticos, como Renan, aparecem  nuas e cruas à platéia, que rapidamente entende o saque da direção e aplaude.
A direção e figurino da peça trazem assinatura de Quitéria Kelly.
Os atores Henrique Fontes, Mateus Cardoso e Robson Medeiros dão vida ao espetáculo. 
É raro, até hoje, um nordestino comum não ser discriminado fora da sua região. Esse é um mal que também atinge pobres, negros, analfabetos e minorias diversas que pela sua diversidade formam maioria. Exemplos disso? Se acha em todo canto e quase a toda hora. A peça, baseada no livro de Durval Muniz aborda os mais delicados problemas que afligem o Nordeste e os nordestinos. A seca, a fome, etc. Só que isso tudo é contado de modo bem humorado, com graça, gracioso, por isso é tão fácil, natural, a receptividade do público que ri e aplaude as cenas do começo ao fim.
O Nordeste continua a merecer a atenção do resto do Brasil, pois somos todos brasileiros. 
No Nordeste há muita história prá se contar. E parodiando o mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967): o Nordeste está em todo canto.




CIDADANIA

A rede SESC é formada por centenas de unidades Brasil afora. Surgiu em 1946, logo depois de Dutra assumir a presidência da República. Essa rede vive da grana do empresariado, das indústrias. E é muito boa, diga-se de passagem, porém, há sempre um porém, como já dizia Plínio Marcos. Fui assistir a peça A Invenção do Nordeste na Unidade Belenzinho do SESC. Tive dificuldade em acessar o teatro. O elevador estava quebrado e tal e nenhum funcionário ofereceu ajuda. Diabos! Não é nada não, mas um desses acasos da vida levou-me a perder a visão. Ando de bengala e tal, para facilitar os passos. Mas não é fácil andar sem luz nos olhos. Acho que os funcionários da Rede SESC poderiam ser melhor treinados para atender o público do qual faço hoje parte. E agora, neste instante, tomo conhecimento pelo Facebook de mais um caso absurdo, caracterizado pela ausência de cidadania: diz a notícia que uma menina de 13 anos foi expulsa da Escola Educar Sesc, de Fortaleza, CE,  pelo simples fato de ser transexual, quer dizer, somos ou não somos todos iguais? A nossa Constituição garante igualdade entre todos os brasileiros, certo? O SESC cearense precisa se manifestar imediatamente sobre esse assunto, até porque um país sem educação e cultura é um país infeliz, de povo bambo e sem rumo.



terça-feira, 21 de novembro de 2017

VIVA O SABER E MARCO HAURÉLIO

Quando todos nós entendermos que na história fria do tempo a fantasia e sonhos, sonhos e fantasias, o real fica mais leve antes de virar história, ou depois.

O poeta, antes de criador, é inventor d e si e do seu tempo.

A história mostra isso, mas pé preciso sensibilidade para perceber isso.

Quem foi o primeiro poeta do mundo, da história?

Há muitas e muitas interrogações, perguntas sem resposta.

Homero existiu?

Augusto dos anjos, que foi conhecer a Eternidade quando tinha 30 anos de idade, deixou sua impressão, marcante, sobre o viver e o morrer.

Entenda-se a morte como vida, na obra dele.

E aí hoje chegou-me à casa o querido Marco Haurélio, trazendo, como sempre, muitas histórias.
Histórias frias do tempo e história que o tempo fantasia, ou nós fantasiamos. Pois bem, através dele tomo conhecimento de um poeta rio-grandense do norte chamado Antônio Damasceno (1902-1947).
Damasceno foi, e ainda é, um desses grandes poetas que o Brasil esqueceu. Ele, nos seus poemas, falava com muita propriedade e uma certa razinzice sobre o comportamento humano, sobre a vida humana. Palavras chulas que usava na sua obra desnudam a formalidade hipócrita dos dias de sempre. É dele, por exemplo, Tudo é merda:

O mundo é simplesmente merda pura
E a própria vida é merda engarrafada;
Em tudo vive a merda derramada,
Quer seja misturada ou sem mistura.

É merda o mal, o bem merda em tintura,
A glória é merda apenas e mais nada.
A honra é merda e merda bem cagada;
É merda o amor, é merda a formosura.

É merda e merda rala a inteligência!
De merda viva é feita a consciência,
É merda o coração, merda o saber.

Feita de merda é toda a humanidade,
E tanta merda a pobre terra invade
Que um soneto de merda eu quis fazer.

Damasceno morreu sem nenhum reconhecimento público. No seu tempo, era bastante conhecido na cidade onde nasceu, Natal. O que lemos acima, é um soneto. Esse tipo de poesia era muito comum no século até a metade do século seguinte. É, digamos, um estilo poético não muito praticado. Mas, aqui e ali, há um poeta desgarrado a poetar no modo soneto; um estilo poético italiano...

Bom, Marco Haurélio é um desses desgarrados poetas que se divertem com categoria desenvolvendo poemas em quartetos e tercetos, isto é, sonetos.

O Marco, fico sabendo agora, que está em vias de publicar o seu primeiro livro reunindo um monte de sonetos. Aguardemos, né?

Marco Haurélio é um dos mais prolíficos poetas brasileiros da altura dos seus 43 anos de idade uns 40 livros.  E uma coisa legal é que o Marco tem buscado na história obras de Shakespeare, Alexandre Dumas e José de Alencar e, ao seu modo, traduzido, as adaptado, para o público de hoje.

A conversa hoje com Marco girou, como sempre, sobre temas os mais diversos, e um assunto só: cultura brasileira da dita erudita à popular. Além de Damasceno, falamos sobre Augusto, Nietzsche, J. Borges, José Saramago, Jota Barros, Sebastião Marinho, João Filho Salatiel Silva, Manoel D’Almeida Filho, Leandro Gomes de Barros, Patativa do Assaré, Klévisson Viana, Wagner, Mozart, Salieri, Bizet, Ariano Suassuna, Audálio Dantas, Luiz Gonzaga e Bárbara Alencar, avó do grande José de Alencar.

Tanta coisa pra dizer...
Ah! E fiquei sabendo, e isso não é fofoca, que a comadre Lucélia está enveredando pelo mundo da xilogravura.

Que maravilha!





domingo, 19 de novembro de 2017

HOJE É O DIA DA BANDEIRA

A geração do 50 cresceu ouvindo na escola que o verde da Bandeira Nacional significa, as nossas matas, florestas, e que o amarelo dessa mesma bandeira significa nossas riquezas, o ouro, o metal. Mas não é bem assim, há outa história segundo a qual o verde e o amarelo remetem as casas reais de Portugal e do Império astro-húngaro.  Pois é, não podemos nos esquecer que a nossa bandeira foi inspirada na bandeira do Império, criada por decreto do Imperador Pedro II.
A bandeira brasileira foi criada quatro dias depois de proclamada a República. Detalhe, a proclamação da República teve origem no golpe militar que levou ao poder o alagoano Deodoro da Fonseca.
O azul da Bandeira Nacional tem a ver com o céu, o mar e os rios. E o branco, paz.
Quando a Bandeira Brasileira foi criada, havia 21 Estados. Hoje o número de Estados é de 26, mas o Distrito Federal. Essa representação se acha nas estrelas de 5 pontas que aparecem sob a belíssima cor azul.
Meu amigo, minha amiga, você sabe o que significa a estrelinha vista acima da faixa Ordem e Progresso? Significa o estado do Pará. Crescemos ouvindo nos bancos escolares que a estrelinha significa a represetação do Distrito Federeal.
E a expressão Ordem e Progresso, você sabe de onde vem?essa expressão foi inspirada no positivismo do francês Auguste Comte (1798-1857)
Conte fez a alegria de meio mundo ou mundo e meio de intelectuais de seu tempo. Estamos falando dos começos da segunda parte do Século 19.
O Imperador Pedro II era doido por Comte e suas idéias.
A Ciência ganhou altíssima importância com o positivismo.
A letra do Hino à Bandeira, é de autoria do poeta Olavo Bilac ( 1865-1918) e a música recebeu a assinatura do maestro e compositor Francisco  Braga (1945).
Bilac foi aquele cara chato que ao ser informado sobre a morte do poeta paraibano Augusto dos Anjos em 1914, respondeu com cinismo ao interlocutor :"ah é! não sei quem é, nunca ouvi falar".
A gravação da paulistana Inezita Barroso ( 1925-2015) fez do Hino a Bandeira, acompanhada pela banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, é primorosa. Ouçam:

sábado, 18 de novembro de 2017

CARTUNISTA FAUSTO LANÇA LIVRO

Fausto pé um dos maiores cartunistas do Brasil, isso todo mundo sabe. O que o mundo todo ainda não sabe é que Fausto lança amanhã, 19, mais um belíssimo livro de sua lavra, cuja capa é a que abre este texto aí em cima. Esse livro surgiu no dia a dia deste Blog, como muita gente já deveria saber. 
A respeito de Fausto, o paraibano Kydelmir Dantas escreveu o que segue:

A PRÉ-HISTÓRIA DO FAUSTO

E numa manhã qualquer estava eu no trabalho, em Mossoró – RN, atendendo um telefonema e escutando do lado de lá: “Venha até o Museu Histórico que tem um jornalista de São Paulo que se interessa por cangaço e quer te conhecer.” Daí fui e encontrei o Fausto. Depois dos primeiros contatos e as visitas à História Mossoroense, fomos até o poeta Antônio Francisco. Dia seguinte, partiria eu à Campina Grande – passando antes por minha cidade Nova Floresta-PB - e o Fausto, que também estava se programando pra visitar o amigo Fred Ozanan por lá, aceita o convite pra me acompanhar. Então vi que além de chargista, caricaturista e jornalista o homem se interessava por fotografia e geologia – não podia ver uma pedra na estrada, independente de tamanho que ou fotografava ou recolhia para ‘levar pra casa’ (terminou esquecendo algumas no carro) - um mandacaru mais vistoso ou um juazeiro verde, símbolo da resistência na paisagem da caatinga nordestina; um carcará ou uma ave canora de nossa caatinga, que embelezam e encantam as paisagens do sertão de antanho e d’agora. A fala mansa, o olhar perspicaz e o cuidado no que falava ou fazia me fez ver ali ‘um cabra especial’, destes interioranos que sentem saudades do seu torrão natal e dos que não esquecem o(a)s amigo(a)s de ontem, de hoje e de sempre.

Seguindo a máxima do filósofo grego Aristóteles – assim disseram que ele disse no Séc. III A.C.: “Felicidade é ter o que fazer.”, talvez venha daí a sua ideia de retratar, rabiscar e enriquecer estórias da pré-história de animais e do homo erectus/sapiens nas suas tiras que ora me atrevo a comentar. 

O livro será lançado em evento intitulado SketchCON II pelo editor Carlos Rodrigues da Editora Criativo. Estarão presentes ao Evento mais de 40 autores, entre cartunistas, quadrinistas e artistas gráficos. Serão também lançados pôsteres de vários artistas, inclusive dois do Fausto. Apareçam por lá: Largo Ana Rosa, 33, ao lado da Estação Ana Rosa do metrô, a partir das 11 hs da manhã.

FESTANÇA DA MÚSICA INDEPENDENTE NA TOCA DO AUTOR

Ontem a Toca do Autor completou seu primeiro ano de apoio à música independente com uma festa muito bonita. Nem a chuva impediu a gostosa reunião de compositores, instrumentistas, cantores e artistas completíssimos que encontram na Rua João Adolfo, 108 o espaço acolhedor para apresentarem suas criações, sob a batuta de Alexandre Tarica. Estiveram presentes o violonista Bráu Mendonça, o violinista João Antônio Galba, compositores como Nando Távora e Cássio Figueiredos, o jornalista e músico Arnaldo Afonso,as cantoras Susie Mathias, Helen Torres e Regina, entre outros. Confira as fotos dessa alegria:









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