Seguir o blog

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

PRESIDENTE DE MENTIRA

A cena correu mundo: Bolsonaro e seus asseclas comendo numa rua de Nova York. Pizza. Na rua porque ele e os seus foram impedidos por lei de comer nos restaurantes da cidade. 
O motivo que gerou essa cena foi simples: o tal não estava vacinado contra o novo Coronavírus.
Triste, muito triste, saber que o mundo todo tira sarro do Brasil. De nós, que trabalhamos e pagamos impostos regiamente.
Charge por João Montanaro
Triste, muito triste, o Brasil ter o presidente que tem. Um presidente maluco, tresloucado, que está levando o nosso país à galhofa.
O mundo ri do Brasil, tira sarro do Brasil, enquanto o desemprego come solta.
São mais de 14 milhões de brasileiros e brasileiras desempregados.
Na ONU, o presidente mente. E mente muito. Mente com cara de pau, deslavada.
Triste, muito triste, um país tão grande e bonito ter um presidente deste tipo; do tipo Bolsonaro, boçal, Boçalnero, Sem noção.
Esse Boçalnero mente como se estivesse falando verdades.
Mentiu o tempo todo nos 12 minutos que ocupou na tribuna, na ONU. Seu público: milicianos.
Bolsonaro é feito de mentira.
Entre os membros da comitiva do presidente à ONU, estava o ministro da saúde. 
O ministro Marcelo-não-sei-o-quê protagonizou cena particular que à todos nos horrorizou, ao estirar obscenamente o dedo a brasileiros que chamavam Bolsonaro de "assassino" e "genocida".
Esse ministro da Saúde é o mesmo que há poucos dias determinou a suspensão de vacinas contra o novo Coronavírus no braço dos adolescentes.
Esse aí é o mesmo que se sente bem pendurado no saco do presidente. Que vergonha! 
Ao tentar voltar ao Brasil, Marcelo-num-sei-o-quê foi flagrado com o vírus no corpo. Resultado: está em quarentena num quarto de hotel em Nova York.
Enquanto isso, só nos resta lamentar. 

domingo, 19 de setembro de 2021

TICO TICO NO FUBÁ, 90 ANOS

Não dá pra esquecer: em 1931 foi gravado, pela primeira vez o chorinho Tico Tico no Fubá, do paulista de Passa Quatro, Zequinha de Abreu.

Essa gravação despertou, primeiramente, a atenção da portuguesinha naturalizada Carmem Miranda. E depois dela, o mundo todo tomou conhecimento de Tico Tico no Fubá, que era pra ser chamado de Tico Tico no Farelo.

A Colbaz, cujo nome tem a ver com a extinta gravadora Colúmbia, tinha como líder, o maestro e arranjador Gaó, Odmar Amaral Gurgel(1909-1992).

Zequinha, de batismo José Gomes de Abreu foi um artista que ganhou projeção mundial depois que partiu para a eternidade.

A cidade paulista Santa Rita do Passa Quatro é uma das 12 estâncias climáticas do Estado, localizada a cerca de 250 quilômetros da capital. Foi lá que nasceu no dia 19 de setembro de 1880 o compositor e pianista José Gomes de Abreu, o Zequinha de Abreu, que ganhou notoriedade mundial com o choro Tico-Tico no Fubá, de sua autoria, gravado pela primeira vez no começo de 1931 pela Orquestra Colbaz e, depois, por centenas de intérpretes nacionais e estrangeiros, de Carmen Miranda ao maestro Roberto Inglez (aí ao lado, na reprodução do selo do disco original feito em Londres), Ethel Smith, Alberto Semprini, Georges Henry e, mais recentemente, por uma malaia, JIt San, de seis anos de idade que o interpreta de modo incrível num instrumento chamado Electone. Clique:

http://www.youtube.com/watch?v=X-b7n0_3Ca0
Clique também para curtir Carmen Miranda:
Tico-Tico no Fubá, que era para se chamar Tico-Tico no Farelo, foi apresentado com letra, de Eurico Barreiros, pela primeira vez pela cantora Ademilde Fonseca (à direita, na reprodução do selo do disco), em setembro de 1942.
Zequinha de Abreu, cuja mãe o queria padre e o pai, médico, morreu no dia 22 de janeiro de 1935. 
Boa parte do mundo aplaude a obra de Zequinha.

sábado, 18 de setembro de 2021

HÁ 40 ANOS MORRIA O AUTOR DE BOI NA CAJARANA

Hoje 18 estão se completando exatos 40 anos do desaparecimento do pernambucano de Recife, Marcos Cavalcanti de Albuquerque, o Venâncio da famosa dupla com Corumba.

Venâncio nasceu em 07 de outubro de 1909 e logo cedo decidiu que seria artista.

Tinha 19 anos de idade quando conheceu Manoel José do Espírito Santo, que se tornaria conhecido como Corumba.

Venâncio e Corumba compuseram muitas músicas, entre elas alguns clássicos como os baiões Boi na Cajarana (1952) e "Último pau-de-arara"(1956).

No correr do tempo, Venâncio separou-se de Corumba depois de 40 anos de parceria, em 1968.

Os dois seguiram desenvolvendo atividades relacionadas à música. 

Em 1970, Venâncio criou a ARPOFOB (Associação de Repentistas, Poetas e Folcloristas do Brasil).

O baião Boi na Cajarana, de tanto sucesso que fez, terminou por virar mote no chamado mundo da cantoria.

"O Venâncio me inspirou a fundar a UCRAN – União dos Cantadores, Repentistas e Apologista nordestinos, que reúne profissionais da área residente em São Paulo", diz o profissional da viola repentista Sebastião Marinho.




JORNALISMO/JORNALISTAS

Apesar dos riscos naturais, o jornalismo continua sendo importante na vida de qualquer sociedade.
O jornalismo está em todo canto. Está onde o fato está.
Ontem, completaram-se oito anos do encantamento do jornalista Lourenço Diaféria.
. O texto continua repercutindo. Bom. Os coleguinhas Simão Zygband e Selma Nunes, compartilharam o nosso blog com seus leitores.

Enquanto isso Carlos Sílvio continua impossível, em batepapos, imperdíveis. Os dois últimos entrevistados dele foram a angolana Neusa e Silva  e o paulistano Rivaldo Chinem.
Neusa, ex-aluna do norte-americano Bill Hinchberger falou e falou bastante sobre jornalismo investigativo. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=Bqr-Wp5kEsY&t=625s .Rivaldo lembrou algumas passagens do tempo de repórter diário e revelou que um dia seu amigo Tim Lopes contara-lhe que andava com medo das reportagens que estava fazendo. https://www.youtube.com/watch?v=ItgPkG9GP74

O BRASIL É UM BARQUINHO DE PAPEL NO MAR

 
O Brasí é um barquim
Deslizano pelo má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá

Nesse eterno vai-vem
Muita gente cai no má
Muita gente vai pro céu
Sem saber que trem tem lá

Desse jeito o Brasí vai
Se balançano no má
Pareceno u’a donzela
Convidano pra dançá

Esse barco já levô
Muita gente além do má
Já levô Audáio Dantá
Valdi Tele e Jão Bá

Barquero desse barco
Castro Alve foi pro má
Levano o bão Bandeira
Pra um dedo prosiá

Gente de todo tipo
Nesse barco foi pro má
Quereno sabe untudo
Querendo sábi ficá

Há muito ele nasceu
Num belo berço do má
Andô, correu pirigo
Mas sempre sôbe lutá

Lá vai ele
Leve e livre no má
Garboso, sinhô de si
Com o céu a li guardá

Viva o Brasí barquinho
Na sua missão no má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

LOURENÇO DIAFÉRIA, UM MESTRE DA CRÔNICA

Nestes tempos malucos em que o presidente da República chama o Exército brasileiro de “meu”...
Nestes tempos malucos de fome e guerras absurdas que matam homem, mulher e criança, brancos e pretos…
Neste mês de setembro, quando o mundo lembra os 20 anos do ataque terrorista às Torres Gêmeas, que mataram quase 3 mil pessoas, de Manhattan, não custa também lembrar que foi num mês como esse que Lourenço Diaféria foi preso acusado de “manchar” a imagem do nosso brioso Exército.
Lourenço Diaféria foi um mestre da crônica jornalística e essa acusação “rendeu-lhe”, lamentavelmente, enquadramento na Lei de Segurança Nacional, LSN.
Antes do enquadramento, o chefe militar de gabinete do governo de Geisel (1974-1979), Hugo de Abreu, telefonou ao dono do diário Folha de S.Paulo, Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), ameaçando fechar o jornal.
A Folha era editada por Cláudio Abramo (1923-1987), cuja a cabeça foi pedida pelo militar.
No lugar de Abramo ficou Bóris Casoy, que se identificava plenamente com o regime da época.
Depois de muita confusão, depois de muita polêmica, Lourenço acabou solto por decisão do Supremo Tribunal Federal, STF.
A crônica Herói. Morto. Nós., que entrou para os anais da história, rendeu também a seu autor um chute na bunda. Quer dizer: demissão do jornal onde trabalhava.
Eu conheci Lourenço na Folha, em 1977.
A amizade seguiu firme por outros lugares: JT, Diário Popular…
Foi não foi, Lourenço me citava em suas crônicas. Levantava a bola, como se diz.
Um dia, pedi-lhe que escrevesse um texto de apresentação para o livro que eu estava em vias de publicar: Nordestindanados, Causos e Cousos de uma raça de cabras da peste (1992). E em três páginas, sob o título Como um Gosto de Tapioca, ele começou:

“Este é mais um livro do mais paulistano dos paraibanos. Vivendo uma diáspora sentimental em busca de melhores perspectivas de trabalho, Assis Ângelo, o autor, não abandona as raízes, a placenta e o umbigo viscerais de seu modo nordestino de ser. A escritura de Assis Ângelo tem a umidade fecunda que banha a lâmina ao talhas a palma do xique-xique. Como não é romance, nem novela, nem autobiografia, nem relatório de serviço, a primeira vantagem deste livro é que as páginas podem ser lidas sem sequência, de trás para frente e vice-versa. Todavia, se alguma página for saltada, e não for lida, o leitor ficará sem saber algumas coisas que o tornarão mais rico de conhecer a alma de um autor. Por vezes, são anotações quase fortuitas, temperadas em meia dúzia de palavras, escritas, aparentemente, como rubricas de uma vida”
No seu delicioso texto, sempre na linha de loas, conclui:
“Este livro nada tem de empombado. Não pretende ser um ensaio. Muito menos tratado. É simples, como a tapioca. Mas para fazer igual é preciso ter estrada. Ser filho de dona Anunciada. Ter ido a trezenas de santos infinitos a rogo de dona Alcina. Ter sabido ganhar e perder na vida. E ter aprendido a receita de saber dosar com emoção o recheio do alimento sertanejo”.
O pai de Lourenço era italiano e a mãe, portuguesa.
O resultado dessa mistura deu no que deu: um cidadão explicadíssimo à vida, de olhares sensíveis ao cotidiano da cidade que lhe deu berço. Nascido no dia 28 de agosto de 1933. “Não havia lugar melhor pra nascer, a não ser o bairro paulistano do Brás”, disse-me uma vez.
Lourenço Diaféria, de batismo Lourenço Carlos Diaféria, cresceu brincando e chutando bola, como qualquer moleque de infância comum. Pelo gosto do pai, seria advogado. “A minha mãe não ligava muito pra isso, ela dizia não querer interferir na minha escolha profissional. Bastava-lhe que eu fosse uma boa pessoa, sem inimigos”, lembrou.
Lourenço começou, mas não terminou o curso de jornalismo na Cásper Líbero.
Em 1956, inscreveu-se num concurso para redator do extinto Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo. Passou, trancou o curso que também iniciara na USP, e seguiu firme na mesma profissão que seu pai exercia no começo dos anos 20, quando chegou da Itália e escolheu o Rio de Janeiro para morar.
Lourenço Diaféria era onipresente. Estava em todo lugar. Ele via tudo e tudo anotava com descrição: as pessoas, os animais, a chuva, o sol, o vento, tempestades, caras feias e bonitas, sem falar dos monumentos espalhados pela cidade, dos teatros, dos cinemas, dos jardins...
Foi um cronista completo.
As palavras ele colhia do seu jardim particular, que regava com dedicação e amor.
Em 2000, o Jardim da Luz completou 200 anos.
Para comemorar a data, o cartunista Fausto desenvolveu uma obra gigantesca em que aparecem pessoas que marcaram a cidade. Pessoas simples, inclusive. E lá está Lourenço.
Lourenço fazia das palavras suas amigas. Da mesma maneira que ele cuidava delas, por elas era cuidado.
Ele sempre pôs as palavras no lugar certo, nos lugares certos. Elas não o surpreendiam. E vice e versa.
Era um craque, um verdadeiro jardineiro do Lácio.
Lourenço foi jornalista, cronista, romancista...
Deixou uma montanha de belos livros, entre os quais: Empinador de Estrelas, Um Gato na Terra do Tamborim e Coração Corinthiano.
Foi um grande corinthiano. Sabia tudo e algo mais sobre o Timão.
Quando um dia dispensaram sua crônica do Diário Popular, sem justa causa, sem motivo algum, escrevi uma carta que o jornal publicou. Nela mostrei a minha insatisfação, o meu desgosto como leitor. No dia seguinte, pra minha surpresa, recebi uma carta do mesmo Lourenço agradecendo o que eu fizera. Ele começava dizendo: “Querido Ângelus”.
Ângelus, na verdade Di Ângelus, foi um dos pseudônimos que usei nos meus tempos de artista plástico.
Quando uma equipe da TV Gazeta me procurou pra falar do bairro do Brás, lembrei-me do livro de Lourenço: Brás - Sotaques e Desmemórias.

Lourenço Diaféria morreu no dia 16 de setembro de 2008.
Morreu não, encantou-se
Ah! Sim: seus pais eram Filipe e Maria.
Grande Lourenço!

POSTAGENS MAIS VISTAS