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terça-feira, 19 de junho de 2018

ESTÃO ACABANDO COM SÃO JOÃO




O São João como festa popular recebemos de herança dos portugueses que colonizaram o País. É festa bonita. Cresci brincando nessa festa. Brincadeira que continha tudo de bom além de música: canjica, pamonha, milho assado na fogueira, pau de sebo, quadrilha, traque, estrelinha, bombinha e mais fogos de artifício de pequeno porte.
Os balões, ah, os balões, eram balõezinhos multicores que subiam poucos metros e só.  Balõezinhos que não comprometiam a vida de ninguém. Eram balões de esperança, balões de sonhos, diferente dos balõezões atirados ao ar por pessoas que carregam na cabeça parafusos frouxos, das grandes cidades.


Cresci ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e tantos e tantos compositores e interpretes da música popular brasileira, artistas esses que cantavam, felizes, nossas tradições, a partir das festas de São João. O Santo vive, mas sua tradição por estas bandas terrenas está no fim, infelizmente.
Onaldo Queiroga (na foto acima comigo) é um paraibano de raízes profundas na cultura popular. É um cidadão por completo: sensível, inteligente. Onaldo carrega consigo a bandeira da liberdade das festas tradicionais da cultura popular. É dele o texto que segue e os dois links discorrendo sobre as festas juninas, leiam:

É com tristeza que assistimos o desmonte de uma cultura. Novamente chegam as festas juninas e gestores públicos associados ao fator comercial e outras coisas mais, adotam ações que só promover a desconstrução da Festa de São João. Cadê os 8 baixos, a sanfona, o triângulo e a zabumba? Campina Grande não pode mais dizer que tem o Maior São João do Mundo, nem Caruaru se intitular de Capital do Forró, pois promovem festivais que visam aniquilar o São João. O forró foi banido do evento e, em troca, tocam músicas eletrônicas, rap, funk e sertanejo universitário. Nada contra esses ritmos, mas não possuem ligação com a tradição da festa. O que há por trás de tudo isso?





ANDERSON

O professor Anderson Gonzaga da Cia Life passou pelo mico de apagar hoje 34 velinhas. Já passei por isso. Anderson foi recebido pela turma da academia sob uma chuva de palmas e bolo, claro. Gostei. O ambiente ficou mais leve, mais solto, legal mesmo. Aí na foto o registro. Viva Anderson!



segunda-feira, 18 de junho de 2018

TRISTE BRASIL!


Pois é, a seleção do Tite estreou ontem jogando contra a Suíça. Segundo o Macaco Simão, da Folha e Band, o Brasil apresentou-se com Cabral, Paulo Preto, Paulo Costa, Maluf e não sei mais quem, tendo, na defesa, o maioral do STF, Gilmar. Gilmar é o cabra que solta todo mundo. Tá preso, quer ser solto? Chame Gilmar.


Falando sério, a seleção do Tite não deu o que tinha de dar. Falhou muito. O Neymar, vaidoso que só, parecia preocupado apenas em não ter o cabelo assanhado. Cabelo amarelo o que já sugeria que o time, no correr do tempo, amarelaria. Fora essa preocupação, o Neymar ainda tinha o dedo mindinho esquerdo ou direito, não sei, prá cuidar. Daí ele jogar de salto alto. Ele e quase o time todo, incluindo o Gabriel Jesus. Jesus foi um fiasco, como fiasco foi o jogo que findou no empate de 1 a 1. Foi duro ouvir a narração desse jogo no rádio e na tevê. Galvão Bueno narrando é uma besta. No rádio foi melhor. Oscar Ulisses (CBN/Globo) é craque, é do ramo, transmite emoção aonde não há. Ulisses Costa, da Band, é outro craque. 
Depois do jogo, fui zapear na tevê. Horrorizei-me com o que passava no canal 7, lá do Bispo. Exploração dos infernos de crianças e gente do chamado povão. No 9 idem. 
Não há nada de bom na televisão, especialmente nos fins de semana. É triste, não é? Ouvindo a transmissão do jogo de ontem lembrei o conterrâneo Jackson do Pandeiro (1919-1982), que diria "esse jogo não pode ser 1 a 1").


MUNDIAL DE 1958

A Seleção Brasileira sagrou-se campeã em 1958. Foi uma campanha fantástica, com Pelé e Garrincha botando prá quebrar, sem falar no Didi, no Vavá, no Zagalo... O time de Feola não era brinquedo, não.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha uma raridade entre tantas: uma coleção dos Fósforos de segurança universal, com centenas de caixinhas que traziam propagandas diversas de candidatos a cargos eletivos e até de craques da seleção brasileira, campeã de 1958 (reprodução acima). Da mesma coleção, se acha também uma curiosa e violenta propaganda contra o Comunismo. Iniciada no princípio dos anos de 1960 que resultou na tomada do poder pelos militares, em 1964. A URSS tem raízes fincadas na Revolução de 1917 e na Guerra Civil de 1918. Criada, oficialmente em 1922, a URSS foi dissolvida em 1991. Isso é história.
A Copa de 58 rendeu poucas, mas boas músicas,. Entre essas músicas, o clássico A Escola de Feola.






sexta-feira, 15 de junho de 2018

GATO COM FOME, O SAMBA DE SAMPA

A Rússia goleou a Arábia Saudita, e daí?
O Uruguai meteu um no Egito, e daí?
E daí? E daí? E daí?
Portugal mostrou que se resume a Cristiano Ronaldo, e daí?
Copa é grana. Grana pela mobilização do Capital.
E a vida segue...
O Brasil, seleção de futebol, disputa partida com a Suíça domingo que vem, no começo da tarde.
Politicamente, o Brasil tá uma merda.
Culturalmente, o Brasil tá uma merda.
A besta do Temer, o Temer, acabou com os ministérios do esporte e da cultura, arrancando deles a mínima grana que tinham, para pôr no ministério recém criado de Segurança.
A besta do Temer...
O Temer é uma merda, um besta, um bobo, porém, de unhas afiadas sempre pronto para engolir o coração do povo e mais.
A salvação nacional se acha na educação. Na cultura. Sabemos. E apostemos nisso.
É bom constatarmos que há, na vida brasileira, artistas em formação e artistas formados no campo musical mostrando a beleza da arte.
Exemplos há os mais diversos, espalhados por aí.
A Paraíba, minha terra, tem gente do tamanho de gigante. Esses gigantes também se acham em Pernambuco, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro etc.
Em São Paulo tem um grupo de samba apadrinhado por mestre Osvaldinho da Cuíca. Esse grupo, já falei aqui noutras ocasiões, denomina-se Trio Gato com Fome, formado por Cadú (percussão), Grégori (cavaquinho) e Renato (violão 7 cordas).
O Trio Gato com Fome, apresenta-se hoje como a cara mais nova de São Paulo, no resgate que faz da história.
O Trio Gato com Fome apresenta-se como identidade mais bonita que São Paulo tem como samba, como música, que canta vida, cidadania.
Esse grupo é eclético. Eclético no samba. Por que digo isso?
No primeiro disco, o Gato com Fome canta Monsueto Menezes, Alcebíades Nogueira e outros artistas brasileiros, de regiões diversas. No segundo disco, o grupo passeou pela obra do paulista Raul Torres, dela tirando pérolas do samba esquecidas no Baú do tempo.
O Trio Gato com Fome se firma cada vez mais como um grupo que canta música da melhor qualidade, a partir da cidade de São Paulo. É um grupo que canta Brasil. E sambas do próprio grupo como, "Numa Certa Madrugada", "Dá de 10" e "Responderei Sambando".
A Copa do Mundo começou com goleada da Rússia contra a Arábia Saudita, então tá.
Tá na hora de a gente brasileira cuidar deste nosso País. Cuidemos deste país para que nunca mais tenhamos 7x1, e não só no futebol.
Meu amigo, minha amiga, se não sabe ainda quem é o Trio Gato com Fome corra logo pra saber. O Trio é bom.
No próximo dia 22, sexta-feira, o Trio estreia seu novo show no teatro do Sesc Belenzinho, às 21h.
E quem não for é bobo. Já reservei meu ingresso.
É bom demais ouvir o Trio Gato com Fome. Confira:

quarta-feira, 13 de junho de 2018

UM BRAÇO, UM VIOLÃO. VIVA CACÁ LOPES!


Ele é um cabra tranquilo. Sua fala é simples, clara, objetiva. Nela é possível localizar suas esperanças. Por um tempo melhor para todos, claro. É cantor, compositor, instrumentista e poeta de cordel. Eu falo de Cacá Lopes. Um artista popular.
Nascido em Araripina, cidade pernambucana localizada a cerca de 680 km da capital Recife, Cacá tomou conhecimento da música através de um rádio de pilha e de um rádio de mesa que havia na sua casa. Adorava ouvir Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Manezinho Araújo e outros mais. Seu sonho era conhecer a cidade grande. Esse sonho concretizou-se nos fins dos anos de 1980.
Cacá, de batismo José Edvaldo Lopes, começou a gravar discos no início dos anos 90. Primeiro foi um compacto simples, depois um compacto duplo; um LP e vários cedês. Também tem lançados vários folhetos de cordel e dois livros, um deles sobre a vida e obra do rei do Baião Luiz Gonzaga.
A trajetória de Cacá Lopes é uma trajetória um tanto tortuosa. E isso é fácil de explicar: Vítima de paralisia infantil, Cacá não conta com os movimentos do braço esquerdo. Com o braço direito, ele faz de tudo. "deumtudo" como se diz lá no Nordeste. O violão que Cacá Lopes toca parece ser um violão ensinado, no mínimo. No mínimo por que prá mim o violão de Cacá é mágico. Aliás, acho mágicos o violão e o próprio Cacá.
Cacá Lopes surpreende como cantor e instrumentista. O seu canto é puro, é limpo, é bonito, afinado. Suas letras, seus poemas são de uma naturalidade que se encaixa perfeitamente às coisas simples da vida. 
Ouvir Cacá Lopes tocando, cantando ou declamando é uma beleza, é uma dádiva, 
Cacá Lopes é um gigante.
Cacá nasceu no dia 24 de Agosto de 62 e vive em São Paulo alegrando o povo triste da vida e dando exemplo, a cada dia, da força que nós todos temos. Ele já realizou vários sonhos além de o de conhecer uma cidade grande. Conhecer e viver, no caso, em São Paulo.
No correr da sua trajetória, Cacá Lopes conheceu muitos dos seus ídolos de infância, como Luiz Gonzaga (1912-1989) e Patativa do Assaré (1909-2002).
De Patativa, recebeu uma carta escrita de apresentação ao cantor, compositor e apresentador de tevê, Rolando Boldrin, aí ao lado.
Um dos desejos hoje de Cacá Lopes é se apresentar no programa Sr. Brasil, da Tevê Cultura.






A cidade onde nasceu Cacá já foi cantada por muitos artistas, incluindo Luiz Gonzaga (Fole Gemedor), e o próprio Cacá. Ouçam:



















segunda-feira, 11 de junho de 2018

SERVIÇO BOM ERA "ROUBAR" MULHER

Delmiro Gouveia foi o primeiro e mais importante empreendedor nordestino. Começou por baixo e terminou por cima. Riquíssimo. Diz a história que ele era prepotente, egocêntrico etc. Mas respeitava os humildes, as pessoas mais simples, a quem dava apoio e trabalho. No grande parque industrial que construiu em Alagoas ele construiu mais de 2000 casas para seus trabalhadores, que eram bem tratados e recebiam pagamentos semanais. Coisa raríssima à época. A Vila que construiu e que depois virou cidade com seu nome, tinha suas vias limpas e sobre as quais era rigorosamente proibido que se cuspisse. Lá o homem que "abusasse" de uma mulher era punido e obrigado a com ela se casar.
O segundo maior empreendedor nordestino foi o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand, o Chatô, que criou o maior império jornalístico do Brasil e da América Latina. Esse império, no seu auge, contou com 36 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 revistas e 18 canais de televisão. Entre as revistas, a semanal mais famosa, O Cruzeiro, criada em 1929.


Chatô foi quem implantou no Brasil a televisão, em setembro de 1950. Uma curiosidade: O primeiro brasileiro a andar de avião foi, como se sabe, Alberto Santos Dumont (1879-1932). O segundo foi Chatô. Essa sua primeira grande façanha ocorreu em 1913, na capital pernambucana. Foi um voo panorâmico.
A obra empresarial de Delmiro Gouveia despertou a curiosidade de todo o país e do Exterior.
O escritor alagoano Graciliano Ramos (  ) virou fã de Delmiro, como o paulista Mário de Andrade. Ao paraibano Chatô também não passou despercebido tudo que Delmiro fez no Nordeste, chegando até a escrever um longo artigo no Diário de Pernambuco, em 1914. 
O fato de Delmiro ter "roubado" a filha do governador Sigismundo para fazê-la sua mulher  faz-me lembrar que isso era um "tradição" no Nordeste arcaico. Aliás fugir com alguém cujo namoro a família impedia era fato comum. Muitas tragédias ocorreram com isso. Lampião roubou do marido, um sapateiro, a mulher com quem viveu até morrer, em 1938. São muitos os casos parecidos ao praticado por Delmiro. Quem não conhece a tragédia Shakespeareana Romeu e Julieta, que se passa em Verona no começo do século 16. Luiz Gonzaga, o rei do Baião sentiu vontade de também roubar a garota por quem suspirava, mas uma surra providencial do pai e da mãe impediram seu ato. Mas ele deixou numa música o registro:


E ele voltou ao assunto noutra música, em Casamento Improvisado, clique:


sábado, 9 de junho de 2018

DELMIRO GOUVEIA, UMA FORÇA DO NORDESTE

Ele nasceu em junho de 1863 e morreu, com três tiros no peito, em outubro de 1917.
Em 1917, eclodiu a Primeira Guerra Mundial e o mundo ficou doido.
Delmiro Augusto da Cruz Gouveia.
Delmiro Gouveia foi, a rigor, o primeiro capitalista nordestino, empresário, a por luz no Nordeste a partir da cidade que hoje tem o seu nome, localizada a oeste de Alagoas, AL.
Delmiro foi, portanto, o primeiro brasileiro a fazer mover águas que gerariam eletricidade. Isso, no seu tempo, era novidade e das grandes. Esse milagre foi feito com águas de Paulo Afonso. Pioneirismo puro, não é?


Como se não bastasse, Delmiro foi o cara que implantou o primeiro shopping center no Brasil. Isso na primeira década do século passado, em Recife, PE. 
A história do empreendedor Delmiro Gouveia é uma história incrível e que todos nós deveríamos conhecer, de modo reto e salteado.
O cearense Delmiro Gouveia, como o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo (1892-1968), plantou a modernidade no nosso País. 
O nome Delmiro Gouveia é nome para ser aplaudido por todos nós.
A história leva-nos a crer que Delmiro foi um cara prepotente e mulherengo ao extremo. Tinha estampa. Falava grosso e com ele não tinha perreps. Era pão pão, queijo queijo. O impossível não fazia parte do seu vocabulário. Era homem de decisão e atos. Deus no céu, ele na terra. Terra nordestina, diga-se, onde tudo faz a vida pobre.
Humilde de berço, e órfão logo cedo de pai e mãe, a vida o fez como o fez. Aprendeu tudo na marra, na persistência. 
Pra chegar onde chegou, Delmiro brigou com meio mundo.Brigou com medíocres, medíocres poderosos, etc.
Antônio Sigismundo Gonçalves (1845-1915) foi um desses poderosos com quem Delmiro brigou. Outro foi Francisco de Assis Rosa e Silva (1857-1929), vice na chapa vencedora do presidente da República, o 4º, Campos Salles (1898-1902).
Sigismundo era governador de Pernambuco quando Delmiro resolveu raptar uma menina, sua filha, de 15 anos, para ser sua mulher. E ai começou o inferno em cujas brasas arderia para sempre o raptor. Pra piorar a situação, Delmiro encontrou-se com Rosa e Silva numa rua do Rio de Janeiro e tascou-lhe uma sova a bengaladas. Estava selado o seu fim.
Rosa e Silva foi uma das figura políticas mais poderosas do Brasil. Todos pediam-lhe a benção e literalmente ajoelhavam-se a seus pés. Perdeu pra Ruy Barbosa (1849-1923), mas morreu como senador desfrutando o bem bom da República.
No ultimo dia 5 a Câmara aprovou um projeto que impede pessoas com menos de 16 anos de se casar. Esse foi o dia em que nasceu Delmiro, que tombaria assassinado no alpendre da sua casa no dia 10 de outubro de 1917, em Alagoas. 
Saiba mais um pouco vendo o filme de Geraldo Sarno:







quinta-feira, 7 de junho de 2018

CÉLIA E CELMA, 50.VIVA!

O ecletismo musical das cantoras  Ceia e Celma é bonito e forte.
Não sei quantos anos têm  Celia e Celma, irmãs gêmeas, mas o espetáculo Duas Vidas Pela Arte, dá conta de que as duas estão completando 50 anos de carreira. Carreira brilhante, diga-se de passagem.
Celia e Celma nasceram num ano qualquer do século passado na pequena cidade do grande compositor Ary Barroso, Ubá.
No começo dos anos de 1960 no Rio de Janeiro, Celia e Celma foram "adotadas"pelo cantor Moacir Franco, depois pelo esculhambador geral da cultura popular,  Carlos Imperial. O espetáculo Duas Vidas Pela Arte transcorre em 2 horas, mais precisamente em 1h55. Assisti-o ontem 6 à noite, no Teatro Itália.
O espetáculo começa com a exibição de trechos de  filmes ainda em preto e branco, em que as duas irmãs aparecem no tempo em que eram crianças, seguido de "takes" com ambas cantando ao lado do já citado Imperial e outros personagens midiáticos de anos passados.
O grupo de músicos que acompanham Célia e Celma é pequeno, mas competente. Aluízio Pontes é um deles. Aluízio é um nome bastante conhecido na noite paulistana. Engraçado e competentíssimo pianista, todo cheio de graça e isso ajuda a moldar o texto interpretado por Celia e Celma. E as duas vão chamando, pouco a pouco, seus convidados: As Galvão, Renato Teixeira, Altemar Dutra Jr., Simoninha, Claudete Soares.
As Galvão, Claudete Soares e Renato Teixeira arrasaram. Esses 3 são um show à parte.
Aos 73 anos de idade, Renato Teixeira já completou 50 anos de carreira há algum tempo.https://assisangelo.blogspot.com/search?q=renato+teixeira

Celia e Celma justificam em as Duas Vidas Pela Arte porque são importantes no panorama da música brasileira. Ah! é sempre bom ouví-las cantar.




terça-feira, 5 de junho de 2018

BRANCO E NEGRO, POR QUE O INEXPLICÁVEL?

Em 1958,Pelé era negro. 
Em 2018, a Fabiana Cozza dormiu negra e acordou branca.
Essa é a história muito louca. História de gente.
Dona Ivone Lara morreu há pouco, com quase cem anos de idade. Dona Ivone e Fabiana tinham uma relação muito bonita, de mãe e filha. Cantavam juntas.
Em 1958, Pelé deu a Copa para o Brasil.
E começamos de novo, com Copa na parada. Quem sabe, o Brasil trará o hexa.
O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou hoje números assustadores: o Brasil continua matando negros e jovens.
Pelé e Fabiana são negros. Mas Fabiana foi impedida de interpretar Dona Ivone Lara no Teatro...
Por que? 

Meu Deus do céu, chegamos a um ponto em que o negro é afrodescendente e o movimento que carrega essa loucura acaba de impedir que Fabiana Cozza, uma negra, represente no palco uma das estrelas maiores da música popular brasileira: Dona Ivone Lara (1922-2018).
Viva o samba!


segunda-feira, 4 de junho de 2018

A VIDA É DE MORTE. ADEUS HÉLIO

Tristonha a cantora Anastácia telefona para dizer que seu produtor, empresário e amigo Hélio Rodrigues acabara de falecer. Isso foi ontem quer dizer, eu ainda nem havia me recuperado do tombo sofrido pelo desaparecimento de Audálio Dantas, quando me chega essa.
A ultima vez que fazei com Hélio não faz ainda nem um mês. Ele estava em Minas, sua terra, quando telefonara pra dizer que o amigo comum Wilson Solto, da gravadora Atração iria entrar em contato comigo para pedir que eu fizesse um texto para o DVD de Anastácia. "Precisamos desse texto, Assis", reforçou.
 Hélio Rodrigues deixa seis filhos e uma mulher chorosa por quem se apaixonara em Vitória, ES.
Hélio acabada de chegar à casa dos setenta. 

KIKO

A Kiko não enxerga com os olhos, como eu. Eu a conheci na Laramara. Ela acaba de me ligar pra dizer que Fabio, o Fabinho, trocou a terra pelo céu. Fabinho nos deu aulas de informática. Pois é, né?

domingo, 3 de junho de 2018

PRIMEIRO DOMINGO SEM AUDÁLIO



Este é o primeiro domingo sem a presença térrea do cavaleiro andante de Tanque D'Arca, Audálio Dantas. É um domingo triste, meio feioso.
Audálio foi um baluarte, um ser briguento, uma pessoa que não conseguia ficar indiferente diante das injustiças, da opressão praticada pelos poderosos de plantão.
O desenho acima, da querida Laerte, ao lado de quem por  anos trabalhei na Folha, Folhetim, resume a grandeza de Audálio. Quer dizer, diz tudo o que nem conseguimos dizer.
Outro grande artista, o poeta Marco Haurélio, também externa num soneto (Guerreiro Sereno) o sentimento que todos nós alimentamos por Audálio. Leiam:

GUERREIRO SERENO

Foi Audálio Dantas, guerreiro sereno,
Dotado de rara sensibilidade,
Repórter que sempre buscou a verdade,
Senhor de si mesmo, altivo e tão pleno.

Em tempos sombrios, sempre em tom ameno,
Falava de um mundo com mais liberdade,
Foi sopro da brisa contra a tempestade
E fez da decência seu firme terreno.

Audaz cavaleiro das lutas inglórias,
Depois registradas nas muitas memórias
De vozes e letras, de livros e gentes...

Amigo querido, que a tua coragem,
Guiando-te agora na Terceira Margem,
Esparja nas almas dos justos sementes


O jornalista José Hamilton Ribeiro, um dos mais completos do País, gerou um texto excepcional sobre o bom , velho e terno Audálio Dantas. Esse texto, que releio emocionado, é para ser impresso, emoldurado e fixado no ponto mais visível do nosso coração. Confiram no link, clique:

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/audalio-dantas-era-reporter-aliado-dos-fracos.shtml

Para encerrar, Audálio por Audálio, no discurso pronunciado na Igreja da Sé de São Paulo, durante o ato ecumênico em memória de Vlado Herzog. Clique:


Abaixo a transcrição do discurso de Audálio na Sé:
"Em nome do Deus-Homem, nós pedimos paz. Nós desejamos a paz! Nós desejamos a paz! A paz que é uma necessidade do homem!
Nós pedimos em nome da consciência, neste momento de dor para todos nós, não só os jornalistas, mas a todos os nossos irmãos de todas as crenças religiosas, eu quero fazer um apelo, uma de todas as crenças religiosas, eu quero fazer um apelo, uma última homenagem, ao nosso irmão morto, ao homem morto, ao Deus-homem morto, ao Deus que está em todos os homens. Em silêncio saiamos daqui, deste templo, sob o qual se reúnem todas as crenças. Saiamos em silêncio e aguardemos o caminho da paz!"






quinta-feira, 31 de maio de 2018

VIVA AUDÁLIO!



Hoje a noite é de lua ou lual como se diz no Nordeste. A lua Cheia, bonita e graciosa parece sorrir indicando a presença de Audálio nos mistérios e entranhas do céu.
Eu conheci Audálio Dantas na sede do  Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, em 1976. Ele era o presidente da entidade e um nome já muito respeitado no seio da categoria.Na sede desse mesmo sindicato, ao qual sou filiado desde 1977 (matrícula 5220), eu hoje dele me despedi.
No velório, feito no auditório Vladimir Herzog, reencontrei muitos companheiros: Lu Fernandes, ex-presidente do Sindicato; Denise Fon, Vanira, agora viúva de Audálio; Moacir Assumpção, Paulinho Leite, Enio Squeff, Paulo Caruso. E também poetas e cordelistas como Moreira de Acopiara e Nireuda. O padre Julio Lancelotti e intelectuais traçaram  trajetórias e pontos altos da vida do alagoano Audálio. O cartunista Fausto, sempre inspirado, depois de lamentar o sucedido, disse:"ele foi um grande, um homem  que honrou a categoria e nos deixou como  legado a sua  bonita história".
Audálio foi no Jornal Folha de S.Paulo que iniciou sua carreira profissional. Primeiro, como fotógrafo. Depois firmou-se como um dos melhores textos do jornalismo brasileiro. Era uma pessoa doce, compreensível e defensora das pessoas mais fracas, deserdadas, esquecidas pelo poder público. Recebeu muitos prêmios. Em 2013, a ONU lhe concedeu  um prêmio pela bandeira dos direitos humanos que tanto defendia. Foi, é certo, um cidadão por extenso.
Encontrei em Audálio um amigo.
Uma vez, depois que perdi a visão dos olhos, Audálio chegou a propor que escrevêssemos um livro  sobre a vida e obra do cantor e compositor paraibano  Geraldo Vandré. Mas essa ideia, infelizmente, não ganhou forma. Um registro: além de Audálio, este ano nos deixaram  Heitor Cony e, Alberto Dines, Dona Ivone Lara, Tonia Carreiro, Heloiza Helena, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias, Bebeto de Freitas e  Agildo Ribeiro.
Foi o homem, ficaram ideias e obra.


ANASTÁCIA
A pernambucana de Recife Anastácia, por todo mundo chamado de Rainha do Forró, juntou amigos na sua casa para bebemorar o seu aniversário. Foi muito tintim parabéns e músicas de ótima qualidade, interpretadas  por nomes como Luiz Wilson, Germano Júnior, Tetê da Bahia, Glória Ryos, Fatel, Sandra Belê e a própria Anastácia nos brindando com sua graça e voz de moleca catita.  Liderando o trio que acompanhou os cantores presentes, o sanfoneiro Tio Joca. Claro, eu estive lá também brindando os 78 aninhos da querida Anastácia, aí na foto.





quarta-feira, 30 de maio de 2018

ADEUS, AUDÁLIO!


A morte é uma merda, nos surpreende e nos faz chorar.
Eu e meio mundo temos dificuldade  de aceitar  essa coisa chamada morte. Por mais óbvia e certa seja a sua presença entre nós.
A gente nasce, vive e morre. Sabemos disso, mas não aceitamos isso. E quando aceitamos, aceitamos de modo reticente.
Particularmente, não tenho medo da morte.Tenho medo, isso sim de ficar prostrado numa cama a espera da megera, de como também a diaba é conhecida e temida.
Audálio Dantas, jornalista e escritor dos mais completos, acaba de partir nos braços ou nas costas da morte, não sei. Só sei que já estamos sem ele entre nós. Pelo menos fisicamente, pois na memória o teremos sempre. Ele partiu no fim desta tarde.
O amigo Audálio nasceu no dia 08 de julho de 1932, véspera da deflagração da Revolução Constitucionalista . Foi um guerreiro.
Eu conheci Audálio Dantas, alagoano de Tanque d'Arca em 1976. Foi nesse ano que decidi fcar aqui, em Sampa. Mais por provocação dele.


Eu trabalhei com Audálio na Companhia do Metropolitana de São Paulo , Metrô. Lá  foi meu chefe. Participamos de muitos encontros, de muitos eventos, como 100 anos da Literatura de Cordel, realizado nas dependências do Sesc Pompéia. À época eu comandava um programa na rádio Capital AM 1.040. Foi uma festa, tanto no Sesc quanto na rádio. Ele frequentou muitos programas meus de rádio e até na AllTV. O último evento juntos  foi também numa unidade do Sesc, ali perto da FGV, na 9 de Julho. O tema era cultura popular. Ele mediou o meu papo sobre o grande cearense Aderaldo, cego Aderaldo.Audálio costumava vir à minha casa, onde nos reuníamos com artistas e literatos. Em casa, ele fechou com informações que faltavam o seu último livro, As Duas Guerras de Vlado, as informações ele as colheu de viva voz com Geraldo Vandré, que há muito ele procurava localizar.

Quantas histórias!
Falávamos muito por telefone. A propósito eu e o cordelista Marco Aurélio, falamos muito sobre ele ontem , a noite, por telefone. Motivo: um debate sobre cultura popular que se dará no Sesc, em Agosto. Eu sugeri ao Marco que dedicasse o evento ao  Audálio. Permanece a sugestão.
Ai acima e ao lado, lembranças do Audálio em momentos diferentes.Ah! estive com ele há poucos dias no hospital Premier. Nesse mesmo hospital, em fins do ano passado, os amigos se reuniram para um vinhozinho e um documentário dirigido por Sergião. Aí embaixo.




terça-feira, 29 de maio de 2018

QUANTO PIOR, PIOR.


No dia 05 de outubro do ano passado, avisaram que iam parar. O Jaburu ficou na moita. Jaburu é o palácio do Governo. No dia 14 de março, cinco meses depois voltaram a avisar que iriam paralisar as estradas do País. Dito e feito: segunda 21 pararam, o Brasil parou, paramos todos.
No primeiro dia Deus começou a criar o mundo. No sétimo dia ele concluiu o que começara. No oitavo descansou que ninguém é de ferro, no nono... Hoje faz 9 dias que os caminhoneiros protagonizam a mais turbulenta paralisação do país. No total, há 1, 7 milhão de quilometros de rodovias Brasil afora. A grande parte dessas rodovias não tem asfalto, é esburacada, um perigo dos infernos! Por essas estradas rodam diariamente quase 2 milhões de caminhões e caminhoneiros. Desses, 176 mil são mulheres... O caos que os caminhoneiros e oportunistas da classe provocaram é incomparável. Não lembro de outra paralisação tão grave quanto essa no país.
Os prejuízos financeiros e de toda ordem são incalculáveis. Homens, mulheres e crianças estão sendo prejudicados como nunca foram.
No primeiro momento da greve, boa parte dos brasileiros e brasileiras manifestaram seu apoio. Esse apoio tem caído a cada instante, até porque descobriu-se que por trás dos caminhoneiros havia grandes empresários, grandes sacanas, grandes traidores da pátria. Esses sujeitos provocaram o que não deviam: locaute.
Locaute é uma espécie de xeque-mate. Com um detalhe: Locaute é crime. É quando, digamos, um canalha poderoso pratica a mais valia. Isso está lá no livro do barbudo alemão, o Carlos.
Muitas lições há de se tirar dessa greve. Houve nela, momentos de solidariedade por parte da população. A mesma população que agora sai correndo em desespero em direção aos mercados e supermercados e aos postos de gasolina e a tudo quanto é lugar onde possa se vislumbrar uma saída, um respiro. Essa eu ouvi no rádio: uma criança pergunta ao pai se no carro há gasolina. O pai responde que sim. O filho de novo pergunta se é suficiente para ir e voltar do supermercado. Triste, não é ?
Enquanto isso, no Jaburu tudo é moita.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

DITADOS CAMINHONEIROS...


O compositor paulista de Guaratinguetá Lourival dos Santos (1917-1997), costumava telefonar a altas horas da noite para conversa. E conversava muito. Lembro que uma vez, já de madrugada, lhe perguntei como compunha, como se inspirava. E ele disse: "me inspiro lendo os ditados dos caminhoneiros, expressos nos para-lamas e para-choques".
Lourival é autor de belíssimas modas de viola, muitas delas gravadas por Tião Carreiro e Pardinho. Ouça:

Os motoristas que acabam de paralisar o Brasil não se inspiraram em Geraldo Vandré, mas poderiam."Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Este verso se acha na composição Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores aliás, esse verso me remete a outro que eu ouvia da minha santa avó Alcina: "Quem corre cansa, quem anda alcança".
Os caminhões que rodam os quase 2 milhões de quilômetros de rodovias, 14% delas não asfaltadas, exibem verdadeiras pérolas nos seus para-choques e para-lamas, como estas:

"Nas curvas do seu corpo capotei meu coração"
"Não sou o dono do mundo, mas sou filho dele"
"Alegria de poste é ficar no mato sem cachorro"
"Quem fica parado é poste"
"Perigo não é cavalo na pista, é um burro na direção"
"Não é pressa é saudade"
"Pobre é igual barbante: quando não está esticado está no rolo"
"Pobre é igual pneu, quanto mais trabalha mais liso fica"
"Pneus cheios e um coração vazio"
"Deus é a joia, o resto é bijuteria"
"Turbinado no pé, Reduzido no mé, Carona só pra muié"
"Amor é igual fumaça, sufoca mas passa"
"É triste a dor do parto, mas tenho que partir"


domingo, 27 de maio de 2018

O BRASIL É UM GRANDE SERIDÓ

A região do Seridó é uma região parte do semiárido, do Sertão nordestino. Nem o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, conseguiu identificar com clareza o que é o Seridó. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira fizeram isso falando do Seridó:



Pois bem, o Seridó não é além e nem aquém do Sertão, mas Seridó é Sertão. O Sertão do Seridó localiza-se no Rio Grande do Norte em um pedacinho à parte da Paraíba. Lá em cima do mapa, por perto de Patos. Calor dos infernos!
O Sertão do Seridó Riograndense do Norte é Oriental. A outra parte, Ocidental, da minha PB.
Elino Julião, cantor, compositor e ritmista de Jackson do Pandeiro nasceu na parte Oriental do Seridó. 
Elino era uma figura incrível. Alegre, brincalhão. Não havia para ele maldade no mundo. Ele nasceu no dia 13 de novembro de 1936 e foi bater pandeiro prá Deus no dia 20 de maio de 2006.
E os caminhoneiros, hein?
Vamos ouvir o Elino cantar o forró Xodó de Motoristas?



QUE PAÍS É ESSE?


No começo dos anos de 1930, um escritor escreveu um livro intitulado Brasil, o País do Futuro. Depois disso, ele matou-se.
No começo dos anos de 1970, um político piauiense virou governador de Minas Gerais e, no momento qualquer, fez-se a pergunta que ganhou manchete Brasil afora: "Que País é esse?"



Pois é, o nosso patropi é de fato incrível!
Hoje faz sete dias que os caminhoneiros pararam nas estradas exigindo que o Governo baixe o preço do diesel etc. Essa aliás, a notícia que não sai das mídias.
A TV mostra a toda hora, a correria do povo aos postos de gasolina, supermercados etc.
É o caos caminhando para seu estágio maior e se chegar lá, ai, ai, ai.
O Brasil está sendo levado a um caminho muito perigoso.
Em 1973, o presidente chileno Salvador Allende, caiu depois de dançar miudinho na palma da mão dos caminhoneiros de lá, da sua terra, durante 26 dias.
Aqui é certo que não chegaremos a tanto, até porque há tempos o Brasil anda desgovernado. Mas pensemos, se cai Temer entra o presidente da Câmara, ou o presidente do Senado, elas por elas, portanto, hipoteticamente sobraria a presidente do STF.... Como se vê estamos num mato sem cachorro, mas com ladrões nas mais diversas esferas da política nacional.
Sim, os caminhoneiros autônomos têm toda razão de reivindicar o que reivindicam.
Por trás dos caminhoneiros há empresários que visam apenas lucro, lucro, lucro.
Vivemos o Capitalismo no seu  estágio mais selvagem.
Empresários como Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá (1813-1889) há muito, não existem no Brasil.
O Mauá foi grande. Foi ele que fez o Brasil dar os primeiros passos nos trens, literalmente.
O Brasil tem, hoje, 1,7 milhão de quilômetros de rodovias. de ferrovia, apenas 27.782 quilômetros. Detalhe: os trens, hoje, transportam basicamente minérios. Quer dizer, Estamos lascados!
Mas vamos amenizar a situação com música.
Ali pelos começos dos anos de 1960, o paraibano Jackson do Pandeiros, gravou o forrozinho gostoso e safado, Xodó do Motorista, do potiguar Elino Julião (1936-2006). Clique:






sábado, 26 de maio de 2018

NA BOLÉIA COM LUIZ GONZAGA

O mês é de Maria, de José, de João, Severino, Antônio e Luiz...
No Nordeste da minha infância havia novenas e procissões. Eu nem sabia rezar ainda, mas fazia de conta.
O mês de maio foi um mês que deixou muitas marcas na França e no mundo todo. Foi, digamos, o mês de cachorro doido. Brigas, guerras etc.
Há quem diga que o mês de Maio é o mês do Conhecimento.
Muita coisa boa tem ocorrido no correr dos maios. E coisas não tão boas também.
De uma hora para outra, os caminhoneiros do Brasil resolveram dar um murro no ar e bloquear as estradas. O tamanho disso é uma zebra dos infernos!
São 1,7 milhão de km de rodovias estaduais e federais pelas quais trafegam cerca de 2 milhões de caminhoneiros, desses ao menos 600 mil são autônomos.
O que eu acho dessa paralisação dos motoristas? Acho justa, mas a coisa pega pelo fato de a grande maioria de profissionais do volante pesado está sendo manipulada pelos empresários do setor, ou seja: os donos das grandes transportadoras. E isso é crime. Eles estão praticando o que os gringos do norte chamam de Lockout.
No Nordeste da minha infância, além de novenas e procissões, havia as gracinhas que a molecada aprontava. E dessa não esqueço: "Chora Pirrita/prá correr no caminhão/Pirrita deu um peido/que acabou com a direção.
Lembro que uma vez eu contei isso para o amigo sanfoneiro Dominguinhos e ele caiu na gaitada, depois de dizer que também se lembrava disso.
Luiz Gonzaga, o rei do baião, também era cheio de "nove hora".
Mas, de vera o que ele nos legou foi uma obra fantástica.
Uma vez em 1978 ou 79, num papo com Gonzaguinha no Hotel Jandaia, ali perto da Folha, onde eu trabalhava, ele me disse com entusiasmo que iria gravar "uma música nova que o velho acaba de fazer". Essa música, A Vida do Viajante, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil foi gravada originalmente no dia 25 de agosto de 1953 pela extinta RCA Victor. Detalhe: na ocasião, Gonzaguinha e Gonzagão estavam se preparando para se apresentar juntos pela primeira vez, como pai e filho. A convivência dos dois era conflituosa e Gonzaguinha, a rigor, desconhecia a obra do pai. Esse espetáculo, que virou disco, eu assisti no Clube do Palmeiras cá em Sampa. Abaixo um registro dos dois no programa do Chacrinha:




quinta-feira, 24 de maio de 2018

LUIZ GONZAGA E A GUERRA DO PARAGUAI

O mês de maio de 1968 foi muito importante no mundo inteiro.
Importante sobre todos os aspectos. A mulher, em tese, liberou-se rasgando sutiã e mandando tudo para o inferno. E junto com isso, galhardamente, inventou uma linguagem nova para ser reconhecida perante a sociedade machista.
Ainda maio de 68: Guerra no Vietnã, com meu amigo José Hamilton Ribeiro cobrindo os horrores da vida. Nessa brincadeira, digamos assim, ele deixou uma perna na terra vietnamita e história para o povo livre. Viva Zé, um mestre. Mestre em todos os sentidos, principalmente no campo da Cidadania. Pois, pois. O maio de 68 existiu pra lascar!
Luiz Gonzaga do Nascimento, que o Brasil e boa parte do mundo guardou e guarda na memória como Lua, Rei do Baião, nasceu no dia 13 de dezembro de 1912.
O dia 13 de dezembro marcou todos nós, brasileiros, por ter sido o dia da decretação do ato institucional,  AI 5, pelos militares que assumiram o poder à época.
E o que é que o Rei do Baião tem a ver com isso?
Em 1968, Luiz Gonzaga gravou a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (Caminhando), do paraibano Geraldo Vandré.
Em 1968 Luiz Gonzaga conheceu a advogada Edel Zuita Rabelo. Ela seria o seu grande amor pra vida que lhe restava.
Eu disse que Luiz nasceu em 1912. Isso é história.
Luiz não gostava de viajar fora do Brasil.
No dia 7 de maio de 1982 ele tinha 69 anos, 4 meses, 3 semanas e 4 dias de idade. Nesse dia no Le Bobino, em Paris, ele fez um belíssimo espetáculo ao lado da cantora nortista, de Xapuri, Nazaré Pereira. Grande Nazaré! Foi ela quem me contou isso, num dia de manhã no seu apartamento em Paris.
O Gonzaga me contava mil histórias, verdadeiras e do arco da velha. Verdadeiras foram, grosso modo, muitas da sua vida. Vida marcada por episódios, os mais diversos.
Numa entrevista que fiz com ele para o suplemento extinto Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo, ele contou que participou de várias guerras Brasil afora, desde a deflagração da Revolução de 1930. Como soldado, lutou em São Paulo, Mato Grosso etc.
Clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf  

GUERRA DO PARAGUAI
Datas são datas, história é história. Hoje 24 de maio faz um tempão que o Exército brasileiro pôs de joelho o Paraguai. Nessa data, o bravo Duque de Caxias enfrentou a tropa de Solano Lopes. Umas cem mil almas foram parar no céu, na ocasião. Isso ocorreu ao largo do lago o mar Tuiuti. E tudo começou, essa guerra toda, no dia 13 de dezembro de 1864. Durou até março de 1870, com a morte de Lopes.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

HOJE 25 ANOS SEM MANEZINHO ARAUJO...



O pernambucano de Cabo de Santo Agostinho Manezinho Araújo foi um dos mais importantes artistas da música popular brasileira. Foi cantor e compositor. Descoberto por Carmen Miranda. Compôs e gravou em diversos ritmos musicais e teve parceiros como o alagoano Augusto Calheiros, o Patativa do Norte. Compôs toadas e sambas e ficou conhecido como o Rei da Embolada. Suas primeiras gravações, Minha Prantaforma (6 de abril de 1933) e Se eu Fosse Interventô (11 de Abril de 1933) foram feitas nos estúdios da Odeon, no Rio de Janeiro. Muita gente boa gravou música de Manezinho, incluindo o rei do Baião Luiz Gonzaga. Toda a obra de Manezinho Araujo se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. Manezinho nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e morreu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993. Curiosidade: Manezinho um dia brigou com Luiz Gonzaga. Imagina, Assis, "o Luiz queria me ensinar a cantar, e aí brigamos. E gravei como eu queria. E ele gravou tudo também como ele queria". Claro, fui conferir com Gonzaga essa conversa. Perguntei sobre essa história e Gonzaga caiu na risada e disse -foi isso mesmo.



terça-feira, 22 de maio de 2018

ALBERTO DINES NÃO MORREU



Os relógios de São Paulo marcavam 7:15 h. Nessa hora o coração do jornalista carioca Alberto Dines parou. Parou no dia do abraço, que é hoje. De vida eu tinha meses no ano em que Dines estreou no jornalismo: 1952. O africano Mia Couto, jornalista e escritor, nasceria 3 anos depois.
O que é que tem a ver Alberto Dines com Mia Couto?
Hoje de manhã terminei de ouvir o primeiro romance do jornalista, poeta e romancista, Mia Couto. Título: Terra Sonâmbula (capa ao lado), lançado aqui pela Companhia das Letras. É de 1992.
Terra Sonâmbula é história que se passa na Moçambique arrasada desde 1965. Nessa história há de tudo: há briga do ser humano pela sobrevivência e seus conflitos internos e externos, entremeada de sonhos e pesadelos, dramas etc. É um livro lindo que retrata os absurdos da vida. Nessa história há personagem que morre e ressuscita. Histórias de fantasmas, com ditos populares, lendas e mitos, feiticeiros e mar revolto. É um livro incrível!
Depois de estrear na Revista Cena Muda, Dines passou pelas extintas Visão e Manchete, assumiu a editoria de Cultura do extinto Jornal Última Hora de Samuel Wayner.
Em 1965, Mia Couto tinha 10 anos de idade.
Em 1965, Alberto Dines revolucionava a imprensa brasileira com os cadernos que inventou no Jornal do Brasil.
Mia Couto e Alberto Dines são revolucionários e em comum têm o jornalismo nas veias.
Eu conheci Dines na Folha, jornal paulistano em que ele estreou como Ombudsman. Essa figura, a de ombudsman, nem existia por aqui ainda. Esse personagem, dele, surgiu nas páginas da Folha apontando os erros cometidos pela própria Folha. A seção, assinada por Dines, chamava-se Jornal dos Jornais.
Reencontrei Dines na redação da tevê Brasil, no Rio, onde fui gravar um especial sobre Luiz Gonzaga, o rei do baião. E a última vez que nos vimos foi, acho, no lançamento de um livro de Audálio Dantas ou de José Hamilton Ribeiro, amigos queridos, aqui em São Paulo.
Mia Couto está vivo, Dines também.

JORNALISTA&CIA

Imperdível o caderno especial que o pessoal do News Letter, Jornalistas e Cia fez com o mestre Alberto Dines. Confira no link acima.

DIA DO ABRAÇO

Em 1969, o baiano Gilberto Gil levou à Praça a belíssima Aquele Abraço, ouça:






segunda-feira, 21 de maio de 2018

ARGENTINA PROIBIU O BAIÃO DE LUIZ GONZAGA





No dia 22 de maio de 1946, o mercado recebia uma grande novidade: Baião, uma criação do pernambucano Luiz Gonzaga  (1912- 1989)  e do cearense Humberto Teixeira (1915-1979). 

A novidade, um novo gênero musical, logo ganhou aplausos da crítica especializada e regravação de praticamente todos os grandes intérpretes da época, do Brasil e do Exterior.
Baião, foi lançado pelo grupo musical 4 Azes e 1 Coringa pela extinta gravadora RCA Victor.
Esse novo gênero musical não demorou e foi parar no cinema, em trilhas assinadas por vozes como a portuguesinha Carmen Miranda (1909-1955). Luiz Gonzaga só faria o registro dessa obra anos depois. No livro Dicionário Gonzagueano (capa ao lado) eu conto essa história, em detalhes.
A música e o gênero baião deu muito o que falar mundo afora. Na Argentina, por exemplo, o Congresso aprovou uma lei dificultando a execução de músicas estrangeiras nas emissoras de rádio. Estrangeiras, aspas: o baião de Luiz Gonzaga. Isso, porém, não impediu que as lojas distribuíssem discos com esse ritmo (ao lado, Sivuca e Carmélia Alves interpretando uma seleção de baiões)




domingo, 20 de maio de 2018

HOJE É DIA DE RENATO TEIXEIRA



Renato Teixeira é um dos mais férteis compositores da boa música brasileira, inserido na raia da chamada música caipira. É dele a belíssima Romaria, que a gauchinha Elis Regina (1945-1982) gravou em 1976 ou 1977. Um clássico do gênero. No começo de julho de 1978, há 40 anos portanto, eu o entrevistei para a Folha de S. Paulo (acima). Até então ele era um talento em ascensão, mas ainda desconhecido. Romaria já foi gravada de modo diferente por pelo menos duas centenas de cantores e cantoras. No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha toda a obra de Renato gravada em compactos, LPs e CDs, sendo o mais recente o que ele gravou com a Orquestra de Mato Grosso, sob a regência de Leandro Carvalho. Curiosidade: a primeira vez que Renato entrou num estúdio para gravar foi com a baiana Gal Costa. A música, que concorria num festival da Record, chamou-se Dadá Maria.A obra de Renato já se acha enriquecendo filmes e novelas. A primeira novela que conta com uma música sua na trilha, foi Mulheres de Areia, em 1973/1974. 
Renato Teixeira nasceu no dia 20 de maio de 1945, em Santos SP. Passou parte da infância em Taubaté, que trocou pela Capital paulista. Hoje ele se divide entre Mato Grosso, Santos e São Paulo. 



TEU MUNDO NÃO CABE NOS MEUS OLHOS

Captalismo, história e religião, o que tÊm a ver?
Humanismo e futebol, tem a ver com quê?
O Santista de Santos, SP, que fique bem claro, José Ramos Tinhorão é apreciador profundo  das idéias do "Barba Branca" alemão, Karl Marx (1818-1883).
Marx foi o grande teórico do Capitalismo, sabemos todos. Ele nasceu há exatos 200 anos e será eterno pelas  suas idéias futuristas.
O mundo está se perdendo pelo poder, e poder é grana, é capital.
O  dólar fechou a semana,  no Brasil em quase 4 reais. É dinheiro pra caraca! mas não é sobre Marx e captalismo que quero falar.
A cegueira do capital, dos grandes criadores e valorizadores dos dinheiros do  mundo inteiro,está se perdendo por falta de visão. Cegos são e assim continuarão por não verem  o óbvio da vida. O filme Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos é um  bom filme, bom enredo.
O ator Edson Celulari esforçou-se o quanto pode em fazer o que fez, o papel principal , do cego Vitório.
Vitório nasceu cego e no correr do tempo pessoas dele muito próximas quiseram e tentaram fazê-lo ver as cores e outras vidas que ele não conhecia. È ficção.
E não sei se houve em mim alguma identificaçao maior com o personagem Vitório.
O Vitório,  de Paulo Nascimento, é um cara que nasceu cego ....e não vou contar mais, vão ver o filme, é bonito.
Como há muito tempo não tenho o que fazer, depois que perdi a luz dos meus olhos, tenho feito coisas assim:

sábado, 19 de maio de 2018

TINHORÃO: O PAPO É FORRÓ

É dança e música e gênero.Refiro-me ao forró. Mas José Ramos Tinhorão não considera isso. Pra ele não é gênero e tal. Discordo, naturalmente,  com dados históricos à mão:o forró como dança, música e gênero musical, surgiu em 1949. A autoria disso são os pernambucanos Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e  Zé Dantas. Foi a praça depois de gravados nos estúdios da antiga RCA Victor.
Nessa história há porém uma curiosidade, a palavra forró saiu em disco, pela primeira vez, em 1937. Chamou-se a música, essa em questão, Forró na Roça, identificada como gênero " choro sertanejo" e quem a gravou foram os cearenses Xerém (Pedro de Alcântara) e sua irmã Tapuia (Nadir). O detalhe, há sempre um detalhe, Xerém e Tapuia gravaram Forró na Roça na gravadora que sucedeu a RCA grafada só como Victor.
Tinhorão esteve ontem 18 de novo conosco (acima), falando e falando e falando. Com ele também estiveram Ayrton Mugnaini e Getúlio Mccord. E falamos, falamos e falamos. O Getúlio gravou tudo, é material para o livro dele, entre uma fala e outra, uma bicadinha aqui e ali e um tiragosto, que ninguém é de ferro.
Pois é, a semana finda com amigos nos visitando.
No começo da semana chegaram o radialista Antonio Poderoso e sua companheira Isabel. Poderoso, todos sabem, além de radialista é compositor e cantor, com a voz que Deus lhe deu. Depois estiveram também as cantoras mineiras, Célia e Selma, comunicando que estarão no palco do teatro Itália no próximo dia 6. A apresentação marca os primeiros 50 anos de carreira da famosa dupla.
Antonio Poderoso e Assis


quarta-feira, 16 de maio de 2018

TV CULTURA É CULTURA PURA

Nestes tempos atuais, bicudos, falar de cultura popular brasileira é uma dádiva, refresco para a mente e sonhos.
Nestes tempos atuais, bicudos, em que a palavra mais ouvida em todas as mídias é corrupção, é muito bom ouvir alguém de respeito falando de cátedra sobre cultura popular brasileira.
Nestes tempos atuais, bicudos, em que o vale tudo da vida é manter-se distante do respeito à honestidade... é muito bom ouvir o que ouvi hoje 16 de um cara comprometido com a cultura, com o respeito ao próximo, com a educação, com a formação de quem chega, do porvir....Esse cara tem nome:  Marcos Mendonça.
Tudo de bom referente a cultura e à educação ouvi hoje de Marcos Mendonça, presidente pela segunda vez da fundação Padre Anchieta. A essa fundação estão atreladas a  rádio e TV Cultura, de São Paulo.
Marcos Mendonça formou-se em Direito há exatamente 50 anos. Ele é da turma de 1968, largo de São Francisco, por onde passaram figurinhas como o poeta Castro Alves.


Marcos Mendonça  acaba de receber o Prêmio Personalidade de Comunicação 2018 , que existe há 21 anos. Esse prêmio é uma criação da Mega Brasil. E originalmente chama-se Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégia.
A entrega do   prêmio foi justificada pelo jornalista Eduardo Ribeiro, que fez uma rápida retrospectiva do Congresso que chega à maioridade. E falou e falou sobre o agraciado, ressaltando seu talento de profissional político e empreendedor. Depois de Eduardo falou o comentarista político Torquato Galdêncio.
Torquato falou e falou sobre as qualidades do homenageado e da importância do jornal da cultura, de cujo quadro é integrante.Em seguida foi apresentado um vídeo sobre Marcos e o próprio, depois, falou da sua trajetória na vida social de São Paulo e de gestor à frente da fundação Padre Anchieta. Lmbrou do tempo que comandou a Secretaria de Cultura do Estado e das obras  que fêz como Secretário: Pinacoteca do Estado, Museu da Língua Portuguesa, Sala São Paulo, entre outras.Foi aplaudido, de pé, pela platéia que lotou o auditório do Centro de Convenções Rebouças.
O Prêmio Personalidade de Comunicação 2018 a Marcos Mendonça foi merecidíssimo. Reportagem recentemente publicada no O Estado de S. Paulo apresentou números segundo os quais o Brasil terá que viver pelo menos  260 anos para equiparar-se, no campo da educação,  aos chamados países desenvolvidos, ou como queiram "de primeiro mundo". A respeito disso, Marcos Mendonça prometeu que fará de tudo para encurtar esse tempo. Quer dizer, já está de mangas arregaçadas.
Marcos Mendonça daria um excelente  ministro da cultura,certo? . Entre a platéia  se achava o cartunista  Paulo Caruso, que  a seu modo registrou o evento (acima) e Lúcia Agostini também, ao lado e abaixo.





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