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terça-feira, 22 de setembro de 2020

MENTIROSO, MENTE: BOLSONARO NA ONU (FINAL)

Passava pouco das onze horas quando o telefone tocou.
— Fala Zeca!
— Seu Assis, é o seguinte: ontem quase que eu dava umas porrada no Zebedeu. Quase! Seu Assis, o Zebedeu começou falando umas coisas muito doidas. Como sempre, defendendo esse cara aí que virou presidente de repente, à toa.
O Zebedeu não entende de política. Zebedeu é uma besta. E falou e falou sobre o presidente. Eu disse pra ele que o presidente só ia dizer porcaria na ONU. E foi isso que ele, presidente, disse: só porcaria, só mentira. Seu Assis, o Zebedeu diz que o presidente dele é o maior presidente do Brasil, do mundo. Eu acompanhei tudinho o que esse presidente falou hoje na ONU. Ele mentiu e mentiu como o sinhô sabe. E eu quase que desliguei o rádio quando ele começou a falar desse tal vírus que tá matando todo mundo. Começou a mentir aí. Depois seguiu mentindo, mentindo. Disse que a floresta pegando fogo é culpa dos caboclos e dos índios. Disse também que tava pagando 1000 dólares para os pobres. Men-ti-ra deslavada! E ele, seu Assis, disse mais barbaridades ainda. Que está combatendo a Covid-19, que está combatendo tudo que não presta. É mentira, seu Assis! O sinhô 'tá me ouvindo?
— Claro, Zeca, claro, estou te ouvindo...
— Seu Assis, posso te pedir uma coisa?
— Claro, Zeca.
— Seu Assis, eu gostaria muito que o sinhô fizesse uma apreciação do discurso do presidente na ONU. Eu já pedi pro Zebedeu, mas o Zebedeu é o que o sinhô sabe o que é. Ele é doido. Seu Assis eu quero que o senhor diga o que achou do discurso do presidente, se é que aquilo se pode chamar de discurso. Inclusive aquela coisa, que não entendi bem, de "Cristofobia".
— Zeca, você já disse tudo que eu poderia dizer. Agora essa história de "Cristofobia”, falaremos depois.
— Não, seu Assis, por favor, fale agora. O que é cristofobia?
— Bom, Zeca, a maioria dos brasileiros é cristã. Somo uma nação cristã, que acredita em Deus, em Cristo. O presidente é evangélico.
— É mesmo, seu Assis. Outro dia eu vi esse sujeito ajoelhado aos pés de um pastor. Eu acho que esse cara é um capeta.
— Zeca, há muitas religiões no Brasil, algumas de origem africana.
— E cristofobia...
— Cristofobia, Zeca, é como se os cristãos fossem perseguidos, daí a palavra usada pelo presidente: cristofobia.
— Então, o presidente disse mais uma mentira, certo?
— Certo, Zeca, isso mesmo. Você é m brasileiro antenado, curioso, perspicaz.
— Obrigado, seu Assis, outro dia eu li, numa revista, no jornal, que o presidente é uma espécie de anticristo.
— Calma, Zeca. O anticristo que se acha na Bíblia demonstra-se muito inteligente.

MENTIROSO, MENTE: BOLSONARO NA ONU (1)

Zeca e Zebedeu são amigos nordestinos.
Zeca é do Maranhão e Zebedeu, de pernambuco.
Zeca e Zebedeu brigam feito doidos. Os dois discordam o tempo todo, um do outro. Ambos se acham politizados.
À véspera do presidente apresentar-se ao mundo, mais uma vez, mentindo, Zeca provocou Zebedeu:
— Teu presidente é uma josta! Ele vai fazer besteira, ele vai dizer besteira, na abertura da assembleia da ONU.
— Esse cara é muito bom, é meu presidente. Vocês, comunistas, só enchem o saco!
Zeca olhou no olho do Zebedeu e disse:
— Olha aqui, você é cheio de onda. Você quando bebe fica rico e diz besteira como o Diabo. Amanhã o teu presidente vai falar na ONU. E vai dizer muita besteira. Vai mentir, vai dizer merda. Tenho certeza.
— Olhe, Zeca: o meu presidente é um cara muito importante. Eu acredito em tudo que ele diz.
— Zebedeu, tome juízo amigo, teu presidente é uma josta! Amanhã ele vai estar falando na ONU. E como eu disse, vai dizer só besteira, vai mentir o tempo todo. Tenho certeza disso. Olhe, eu tenho tanta certeza do que dirá teu presidente na ONU, que amanhã, logo depois da fala dele, vou ligar para meu amigo Assis pedindo que faça uma análise do seu discurso, se é que se pode chamar de discurso o que ele vai dizer lá, na ONU.
— Zeca, esse teu amigo Assis é um comunista, não vale nada!

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

ESTÃO MATANDO NOSSAS MATAS...


Hoje é o dia da árvore.
O dia da árvore é todo o dia, e não só no 21 de setembro.
Essa data existe, oficialmente, desde 1965. Tempos duros.
É em território brasileiro que se acha a maior floresta tropical do mundo.
A floresta amazônica ocupa o maior Estado brasileiro, o Amazonas e outros mais, como Maranhão, Acre, Pará, Tocantins...
São milhares de tipos de árvores, pássaros etc encontráveis nas nossas matas, mas tudo está pegando fogo. Irresponsavelmente. 
O jequitibá, como o baobá, é uma das árvores mais belas e antigas das nossas matas. 
Há no território paulista o maior jequitibá de que se tem notícia, fica lá pros lados de Passa Quatro. Tem uns quarenta metros de altura e não sei quanto de largura, com raízes fincadas profundamente no solo. É uma beleza em todos os sentidos. E como tal, desnecessário descrevê-lo (acima). 
Pois é, nossas matas continuam pegando fogo e o presidente da República diz que são apenas focos de incêndio. 
Depois dizem que o cego sou eu...
Ouça: 



domingo, 20 de setembro de 2020

BRASIL DE GUERRA E PAZ

Liguei o rádio para ouvir a transmissão do jogo Grêmio x Palmeiras. O Grêmio, que foi fundado no dia 15 de setembro de 1903, anda com as pernas bambas, 5 atrás do Palmeiras. E não estou gostando desse jogo.
O Grêmio nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande que não apoiou a Guerra dos Farrapos, comandada por Bento Gonçalves, herói da terra nascido no dia 23 de setembro de 1788 e morreu em 1847.
O Brasil é um país cheio de guerras, revoluções, conflitos de todos os tipos, desde sempre.
O livro Dicionário das Batalhas Brasileiras, do paulista Hernâni Donato (1922-2012), trás uma quantidade absurda de verbetes contando toda nossa história abarrotada de conflitos armados.
A Guerra dos Farrapos ou Farroupilha foi deflagrada no dia 20 de setembro de 1835. Durou 10 anos. houve poucos mortos, uns 3 ou 4 mil. E tudo começou por causa dos autos impostos que o Governo Imperial dos Estancieiros, produtores de carne seca.
Essa, como tantas, é uma história cheia de lances absurdos. Revoltosos baixando as armas perante os argumentos de Luís Alves de Lima e Silva,(1803-1880),o mais aplaudido e premiado militar brasileiro em todos os tempos.Começou por baixo e terminou por cima. Duque de Caxias, herói de todo canto, inclusive da Guerra do Paraguai. Até hoje lembrado como O Pacificador.
O Herói dos Farrapos, Bento Gonçalves, morreu adoentado dois anos após a guerra. Morreu triste e desiludido, tocando a vida no seu pedaço de terra.
Tem uma cidade chamada Bento Gonçalves,, distante 121 km da capital Porto Alegre.
O líder dos Farrapos chegou a separa o Rio Grande do Sul do Brasil, virando presidente da república rio-grandense ou Piratini. Tem até hino.

sábado, 19 de setembro de 2020

OSWALDO MENDES, UM CARA PORRETA!

 


A realidade da vida e a dos palcos se fundem com perfeição no jornalista, autor, ator e diretor de teatro  Oswaldo Mendes, aniversariante do dia 19 de setembro.

Oswaldo ou Oswaldinho como preferem os mais íntimos está completando 74 anos de idade, mais de 50 dos quais nas redações, ruas e palcos.

Falei com ele, por telefone, naturalmente, já nos primeiros minutos de hoje. Coincidentemente, liguei apenas para dizer "oi". Coisa que faço sempre. Conversa vai, conversa vem, pimba! Fique sabendo do seu natalício.

Conheci Oswaldo Mendes desde fins dos anos de 1970, quando trabalhamos para o Frias da Folha e Última Hora. Também para o Maksoud, da extinta revista Visão da qual ele também foi editor. Nessa revista publiquei muita coisa, incluindo uma entrevista especial com Luiz Gonzaga, o rei do baião; e um pequeno ensaio sobre o padre padin Cícero, que gerou uma polêmica dos infernos.

São poucas as pessoas tão sensíveis, profissionais e práticas como Oswaldinho, autor de pelo menos uma dúzia de livros e peças de reconhecimento público.

Diretor de teatro, Oswaldo Mendes dirigiu muita gente bonita.   

Essa Mulher, espetáculo estrelado pela cantora Elis Regina, gaúcha, foi dirigido por ele. Aliás, foi ele quem me apresentou à pimentinha como era chamada a cantora. Eu acabara de publicar uma entrevista inédita com o cantor paraibano Geraldo Vandré, no suplemento cultural Folhetin (Folha). Conhecedor da relação explosiva entre o cantor e a cantora perguntei opinião dela sobre ele. Resposta: "esse teu amigo (Vandré) é muito difícil".


Oswaldinho é o tipo de pessoa que lá na minha terra, Paraíba, a gente costuma chamar de porreta, arretado, o cara com quem todo mundo gosta de prosear, trocar ideias, enfim estar perto.

Sempre que pude ia eu assistir peças suas. Uma delas me marcou sobremaneira: Um Tiro no Coração, com Dionísio Azevedo e Walderez de Barros. Tratava do suicídio do gaúcho Getúlio Vargas (1882-1954). Foi num teatro da Augusta, acho, ali no começo dos anos 1980. 

A última obra que assisti do Oswaldinho foi o Anti-Nelson Rodrigues, no Teatro de Arena, cá em Sampa. A história, até onde me lembro, tratava de um jovem herdeiro de uma grande fortuna que se apaixona por uma de suas funcionárias. Tipo meio tragicômico. Oswaldo Mendes é da mesma terra em que nasceu o cantor e compositor Sérgio Ricardo: Marília, SP.

Ah! sim, e como não falar do Faustinho, hein?

Fausto é um dos mais argutos observadores do nosso cotidiano. É um cartunista incrível. Capaz de fazer rir ou chorar. Seu traço é único. Sim, como o traço de Picasso, Brenan, Ziraldo, Millôr, Fortuna. Seu traço é de gênio. Não é mesmo Oswaldo?

Arte: Oswaldinho no traço de Fausto.

 Viva Oswaldo Mendes!

Foto: Oswaldo Mendes na casa do Assis Ângelo, setembro de 2014


BELAS ENTREVISTAS

Meu amigo, minha amiga, se você não assistiu, se você não viu as entrevistas que o apresentador de rádio Carlos Sílvio fez em 2019 com os jornalistas José Hamilton Ribeiro e Ignácio de Loyola Brandão, a hora é agora.

Clique:

https://www.youtube.com/watch?v=ugfb8PuCN1Q&t=1032s

https://www.youtube.com/watch?v=VPhFmJrWBVE&t=1s

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

CHATÔ, CIDADÃO COM DNA BRASILEIRO

Francisco de Assis Chateuabriant Bandeira de Mello (1892-1968) foi um paraibano nascido no sertão paraibano de Umbuzeiro, há 159km da capital João Pessoa.
Chatô, como ficou conhecido, foi o primeiro brasileiro a construir um império jornalístico formado por revistas como O Cruzeiro (1928), jornais, rádios etc. Às dezenas.
Foi um dos mais importantes cidadãos que o Brasil já teve.
Chatô nasceu gago e de família remediada.
Lutou sozinho contra a cagueira. Venceu. Era baixinho, gorducho, feio para os padrões de todas as épocas.
Estudou Direito e trocou a Paraíba pelo Rio de Janeiro, onde começou a botar pra quebrar. Comprou jornais, fundou jornais, fez o diabo a quatro, como diria dona Dilma.
Já nos anos de 1940 Assis Chateaubriand poderia ser chamado de rei do Brasil.
Os políticos comiam na sua mão, digamos assim. Inclusive Getúlio Vargas, o presidente que mais tempo ficou ocupando a cadeira de presidente.
Chatô, com a força que tinha, elegeu Getúlio em 1950.
Pois bem, em 1950 Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello trouxe para o Brasil a televisão.
A televisão no Brasil foi inaugurada no dia 18 de setembro daquele ano.
Chatô era brasileiríssimo.
Foi Chatô quem criou o Museu de Arte Moderna de São Paulo, MASP.
O acervo do MASP é calculado em não sei quantos milhões ou bilhões de dólares.
O MASP, ali na Paulista, foi inaugurado em 1968.
A rainha Elizabeth II foi convidada por Chatô à estar presente na inauguração. Esteve.
Muitas coisas Assis Chateaubriand fez para o Brasil, inclusive os aeroclubes.
A criação de aeroclubes era ideia constante da Campanha Nacional da Aviação, também conhecida à época Campanha para dar Asas à Juventude Brasileira. E diz a lenda que ele, Chatô, ligava reunia-se com grandes empresários "pedindo" doação para compra de aeronaves para seu sonho de aeroclubes. Com um revolver à mesa, a seu alcance.
O revólver era seu poder de convencimento.
Lendas, são lendas. Mas Francisco de Assis fez o que nenhum presidente da República fez, até hoje.
Chatô viveu seus últimos anos numa cadeira de rodas.
Curiosidade: No correr do tempo, a televisão não lhe deu bola. Não há entrevistas com ele.
Em agosto de 1966 foi criado um município com seu nome, no Paraná. Esse município é habitado por pouco mais de 30 mil pessoas. E é isso.
Chatô fez muito pelo bem do Brasil.



A FOME É PRAGA, BOLSONARO TAMBÉM

A fome, sabemos, é problema gravíssimo.
A fome não espera, ela mata com a rapidez de um raio.
No Brasil, pior do que a fome só o presidente Bolsonaro.
A história registra tudo, inclusive todos os problemas da vida provocados pela natureza e pelos homens.
Sou brasileiro e começo a sentir pena de mim por tudo que ouço e por tudo que a minha memória me traz.
Leiam o texto abaixo da colega jornalista Marina Rossi, publicado em fins do mês passado no jornal espanhol El País.

"Nove milhões de brasileiros deixaram de comer por falta de dinheiro durante a pandemia"

FOME E FOGO DEVORAM O BRASIL


O Brasil, como sabemos, é um país rico em tudo. Eu já disso e repito: até em miséria, até em pobreza.
Dados divulgados ontem 17 pelo IBGE mostra a cara feia da fome aparecendo mais fortemente nas regiões Norte e Nordeste.
Somos um país com mais de 200 milhões de habitantes. Desse total, mais de 80 milhões sofrem de "algum grau de insegurança alimentar". Claro, o problema é seriíssimo. 
Enquanto isso o nosso soldadinho de chumbo, diz na Paraíba (ontem 17), que o brasil "é o país que mais preserva o meio ambiente", segundo ele, pelo excelente grau de preservação do nosso meio ambiente. E hoje ele repetiu, com ligeira oscilação no seu tosco palavreado. Disse que o Brasil é exemplo, é modelo de preservação do meio ambiente. E que está havendo apenas alguns "focos de incêndio" no Pantanal.
Mais de 2 milhões de hectares já foram destruídos pelo fogo, no Pantanal. 
Mato Grosso e Mato Grosso Sul decretaram estado de emergência ambiental.

NAS ONDAS DO RÁDIO (3)

Billy Blanco, aí na foto, teve a sua primeira composição (Pra Variar)
pelo grupo carioca Anjos do Inferno. Billy Está no céu.

Como prometido, aqui está mais uma edição do programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei nas noites de sábado durante quase sete anos, na rádio Capital AM 1040. Nessa edição, os amigos e amigas poderão escutar minhas conversas com Jair Rodrigues, contando as razões que o levaram a defender num festival a música Disparada, de Geraldo Vandré; a cantora Claudia com a ex-Miss Brasil Marta Rocha, Socorro Lira, a Rainha do Baião Carmélia Alves, o poeta Thiago de Mello, o jornalista José Nêumanne, e Billy Blanco (1924-2011). Desse programa participa diretamente da China o jornalista Dimang Kon Beu, falando das origens da sanfona. E por falar em sanfona, Oswaldinho do Acordeom da um show nesse programa. Divirtam-se: 



TELEVISÃO

Hoje completam-se 70 anos que a televisão foi implantada no Brasil. A façanha deve-se ao paraibano Assis Chateaubriand. Chatô, como era chamado o magnata da nossa imprensa, foi o fundador dos diários associados. Foi em um dos seus jornais, O Norte (João Pessoa- PB), que eu iniciei a carreira de jornalista. Você já ouviu o hino da televisão brasileira? 


Curiosidade 1: Lolita Rodriguez não estava programada para participar da inauguração da TV no Brasil. Quem ia estar no seu lugar era Hebe Camargo, que trocou aquele momento histórico, por alguns momentos de alegria com um namorado.
Curiosidade 2: toda a programação da TV no nosso País era toda transmitida ao vivo, pois o videotape (VT) só começaria a ser usado em 1959. A novidade coube à TV Continental, que seria caçada pelos militares em 1964. Da programação dessa TV participou, como atriz, a Rainha do Forró, Anastácia.
Curiosidade 3: você sabia que o Jornal Nacional foi levado ao ar pela primeira vez no dia primeiro de setembro de 1969. Pois é. E a sua trilha sonora tem por base uma música americana.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

CAYMMI, COBRA E PREGUIÇA

Responda depressa: O que é paciência?
Mais depressa ainda: O que é tranquilidade?
E se eu perguntar o que é preguiça, hein?
As respostas às essas três interrogações diferem entre si, naturalmente.
Paciência é o exercício do Ser diante das intempéries.
Ter paciência é diferente de ter tranquilidade.
A paciência é o caminho de respostas conscientes.
A vida é uma tempestade. A paciência é o contrário.
É na paz, pacientemente, que tomamos a razão.
Tranquilidade é a perenidade que a expressão, em si, representa.
Preguiça é o abandono do corpo e da alma.
A mente nos rege.
Uma vez perguntei ao mestre Dorival Caymmi o por quê de ele não ir mais a estúdios gravar discos. E ele: "Ninguém me chama...".
Ao mesmo Caymmi perguntei sobre a fama que lhe caía de preguiçoso. E ele: "Meu filho, isso é conversa...".
E preguiça por preguiça, tem aquela no menino se balançando na rede e perguntando pra mãe: "Mãe, ocê tem remédio pra mordida de cobra?".
Ela quis saber por que, né? E ele: "É que tem uma cobra se aproximando aqui de mim...".
Baixa o pano.

FUNÇÃO DE JORNALISTA É INFORMAR

A Constituição malamanhada de 1967, do governo militar (ditadura), inventou um horror chamado Lei de Imprensa. Uma praga. Muitos jornalistas se lascaram com ela, eu inclusive.



A Lei de Imprensa foi inventada para proteger os poderosos.
Os poderosos, historicamente, detestam jornalistas.
Acho que foi em 2009 que essa praga chamada lei de imprensa foi derrubada pelo STF.
Claro que o ministro Gilmar Mendes foi contra.
A imprensa livre garante a liberdade em qualquer país. É quando a Democracia vira senhora respeitável. Essa senhora, no Brasil, anda trôpega, acusando as porradas que leva do Executivo.
Mesmo derrubada pelo STF, a Censura continua viva e vibrando na mente e nos atos dos poderosos.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar no Ato Institucional nº 5?
Há poucos dias, a TV Globo foi proibida de noticiar o caso dos Guardiões do Crivella, prefeito lamentável do Rio de Janeiro.
Pior nessa história toda é que o STJ está a favor da ilegalidade.
O STJ, contrariando o bom senso comum, bandeou para o lado do crime representado pelo Executivo municipal carioca.
O assunto Guardões interessa completamente à população. Do Rio e do Brasil todo.
A TV Globo está fazendo um trabalho excepcional.
A função de jornalista é informar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

JORNALISMO E DEMOCRACIA

Eu não imagino o mundo sem imprensa, sem jornalismo, sem repórteres.
http://www.jornalistasecia.com.br/files/cordeljeciadiadaimprensa.pdf
A Democracia é o tipo de governo mais próximo ao ideal de governança.
A Constituição de cada país prima pela manutenção dessa forma de governo, a que mais garante o ir e vir e direitos da pessoa humana.
A Imprensa, de modo geral, também funciona como guardiã da Democracia.
Sem Democracia é certo que a vida fica mais difícil. Basta uma espiada de soslaio para se perceber isso.
As ditaduras são um inferno.
Os EUA são um país conhecido e respeitado por sua liberdade. Mas é uma liberdade ora questionável.
Os negros ainda sofrem muito nos EUA e em muitos países que formam este nosso mundinho de josta.
Quando as descriminações e preconceitos serão extintas?
Os poderosos mentem, principalmente, os poderosos políticos.
Nunca um presidente norte americano mentiu tão deslavadamente como Donald Trump.
Trump mente desde sempre. E é de uma prepotência pouco comum numa democracia.
No começo deste 2020, Trump concedeu uma dúzia e meia de entrevistas ao jornalista Bob Woodward. Numa dessas entrevistas, Trump diz com todas as letras o perigo do novo coronavírus.
Trump mentiu e essa mentira ele sustentou e continua sustentando, publicamente.
Pra Trump, como para Bolsonaro, o novo vírus oriundo da China não passava de uma gripezinha, de uma bobagem. Bobagem essa que levou o mundo a uma nova pandemia. É o que se vê.
Bob Woodward é aquele que junto com Carl Bernstein provocou grandes manchetes no Washington
Post e a queda do presidente Richard Nixon, em agosto de 1974. O caso também rendeu o filme, Todos os Homens do Presidente (1974).
Bob está lançando um livro bombástico sobre Trump. Título: Rage (Raiva).
É quase certo que esse novo livro dele contribuirá para a não reeleição de Donald Trump.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

CUIDADO, DEPRESSÃO É VAGABUNDA DE FUTURO!


Hoje é o dia Nacional de Prevenção e Combate à Depressão.
Naquele 17 de fevereiro de 2013, o chão fugiu dos meus pés.
Naquele dia o mundo pra mim nada mais valia. Eu era nada, naquele dia.
Era começo da tarde.
Estávamos eu, a minha filha Ana Maria e a mulher que pensei Deus ter escolhido pra viver comigo o resto da vida. 
Eu estava no HC.
Eu, Ana e a minha companheira à época aguardávamos o diagnóstico dos médicos sobre a situação que eu, naquele momento, enfrentava. Problema nos olhos. Descolamento de retina.
Para descolamento de retina, não há transplante. 
Isso foi dito por uma profissional especializada em olhos.
Foi quando a terra sumiu dos meus pés.
Chorei, chorei desesperadamente.
Ora, passei a vida toda correndo o Brasil e o mundo, fazendo reportagens, tentando entender a vida, o mundo e as pessoas. E eu chorei muito, muito, desesperadamente.
A minha Ana deixou-me em casa e foi para a casa dela.
A companheira ficou comigo e comigo dormiu. E no dia seguinte, de manhã, fez um café maravilhoso para nós e depois do café, disse: "Eu vou embora. Vou cuidar da minha vida".
De novo o mundo fugiu sob meus pés. Fiquei sem ação. Não entendi nada. E em seguida chorei de novo. Chorei, chorei, chorei...
Eu cresci ouvindo a minha mãe, minha vó, as pessoas queridas da minha vida dizendo que homem não chora. Nordestino de verdade, não chora. E eu chorei. 
Chorei muito naquele 17 de fevereiro de 2013.
Poxa vida...
Descobri que homem pode e deve chorar.
Devemos chorar quando a alma chora, não é mesmo?
Nunca falei tanto sobre choro, como agora.
Quando eu perdi meus olhos fiquei sem saber o que fazer da vida.
Eu só pensava em morrer, em me matar.
Chega, não é?
Um dia fui convidado a participar de um programa de rádio, na Globo. A apresentadora era maravilhosa, é maravilhosa. Seu nome: Maju, essa mesma que hoje apresenta o jornal da tarde da TV Plim Plim. E pela primeira vez tomei coragem e falei em público sobre o horror que é a depressão (acima).
Depressão é um mal terrível. Chega-nos de repente, de repentemente.
Eu fiz um poema falando dessa coisa. Este:

Ah! Veja também:



JORNALISMO, DEMOCRACIA. FRANCIS: 90 ANOS



Faz muito tempo que vi um filme intitulado Quando Setembro Vier. Não lembro bem da história. Mas o titulo é sugestivo.
Setembro chegou, estamos em setembro. 2020.
trabalhei com muito jornalista famoso, paciente no ouvir e rápido no escrever ou falar.
Um desses jornalistas chamou-se Franz Paul Trannin da Matta Heilborn. Traduzindo: Paulo Francis. 
Paulo Francis nasceu no dia 2 de setembro de 1930, há 90 anos completados. 
Era cáustico, ferino, não poupava adjetivos para falar de quem não gostava. Aliás, não era do seu feitio falar bem de ninguém. 
Conheci Francis na Folha. Foi não foi, eu e outro colegas almoçávamos feijoada, com ele, num ou noutro hotel das redondezas da Folha. Anos 80. 
Paulo Francis foi o primeiro jornalista a voltar seus cartuchos contra diretores da Petrobrás. Ele fez isso em outubro de 1996, no programa Manhattan Connection (GNT). A denúncia não provocou alarido, mas um baita processo contra ele. Coisa de milhões de dólares. Quatro meses depois, num desespero dos infernos, abandonado pelos colegas mais graduados, sofreu um infarto e foi pro céu. 
Por que lembro disso? 
Profissão de jornalista não tem o glamour que profissionais de outras áreas imaginam.
No mundo morrem mais jornalistas em atividade do que moscas no estalar de dedos.
A UNESCO acaba de apresentar uma lista enorme de profissionais do jornalismo mortos, feridos e presos mundo afora.
Mas é uma profissão de grande importância no cotidiano de um país.
No Brasil, mesmo, há exemplos da atuação de grandes jornalistas, além de Francis.
O escritor Machado de Assis começou no jornalismo. José de Alencar também. E tantos e tantos, sem esquecer João do Rio, Drummond... Zé Hamilton Ribeiro, mais recentemente; Antonio Carlos Fon, Tim Lopes, Cláudio Tognolli, Caco Barcelos, Ricardo Kotscho, José Antonio Severo, Eliane Brum, Patrícia Campos Mello, José Arbex Junior, Audálio Dantas.
Há poucos dias a Globo denunciou a existência de um grupo denominado Guardiões do Crivella no Rio.
Esse grupo foi formado para bagunçar a vida de repórteres que exibiam matérias contra o descaso da Prefeitura carioca, no tocante ao atendimento da população em hospitais da rede pública. Pois é, e deu no que deu: o Prefeito está mais enrolado do que corda de amarrar porco.
Sem jornalismo não há democracia.
À propósito, recomendo a leitura dos livros de Paulo Francis: Cabeça de Papel (1977), Cabeça de Negro (1979) e aquele que trata do golpe militar de 1964, intitulado Trinta Anos esta Noite, O que Vi e Vivi.
Franz Paul Trannin da Matta Heilborn morreu no dia 4 de fevereiro de 1997, em Nova York.



DIA DA DEMOCRACIA

Hoje 15 é o dia Internacional da Democracia. Eu não sabia, tampouco lembrava. Não dá pra lembrar o que não se sabe. Pois bem, minha filha Ana Maria logo cedo telefona pra dizer que hoje é o dia Internacional da Democracia.
Desde muito cedo no tempo em que eu estudava em colégio de padres, em João Pessoa, PB, fiquei sabendo o que significam Monarquia, Oligarquia e Democracia.
Monarquia é o governo mono, de poder individual, de rei.
Oligarquia é o poder de poderosos para poderosos.
Democracia, palavra de origem grega, é o governo do povo para o povo.
Aristóteles é pra mim, até hoje, o mais sábio dentre os sábios gregos.
Procurem saber quem foi Aristóteles.
E viva a Democracia!

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

BELLE ÉPOQUE, TEATRO MUNICIPAL, SP (FINAL)

O Brasil viveu a Bela Época na virada do século XIX até mais ou menos 1922, quando realizou-se a Semana de Arte Moderna.
Queiramos ou não a Semana de 22, ocorrida entre os dias 11 e 18 de fevereiro daquele ano, foi um marco na história das nossas artes. Foi quando o popular fundiu-se ao erudito. Sem traumas.
À frente do movimento, estavam Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Villa Lobos.
No começo dos anos de 1930, Villa deu o pontapé inicial para a obra que correria o mundo: as Bachiannas Brasileiras. Mas essa é outra história.
Outra grande figura desse movimento foi o paulista Menotti del Picchia. Foi a mim que o mestre Menotti deu provavelmente sua última entrevista. Mas essa também é outra história.
A história da Belle Époque foi tão importante quanto o movimento Positivista, também surgido na frança do século XVIII. Seu mentor foi o filósofo Auguste Comte. Você sabia meu amigo, minha amiga, que o lema "Ordem e Progresso" que se lê na bandeira nacional foi inspirado em Comte?
Na verdade Comte dizia que tudo começa no amor, tendo como base a ordem e o progresso como finalidade.
O Teatro Municipal de São Paulo, construídos pelos endinheirados produtores e exportadores de café, entre 1903 e 1911.
O prefeito de São Paulo era Antonio da Silva Prado, o que mais durou no cargo. 12 anos.
Tomara que a programação do Municipal seja logo retomada.
Sinto falta dos seus camarotes.

sábado, 12 de setembro de 2020

BELLE ÉPOQUE, TEATRO MUNICIPAL, SP (1)

O Iluminismo e a revolução Industrial abriram mentes, a partir do século XVII, XVIII.
A Revolução Francesa foi de extrema importância para que o mundo se auto-questionasse, para que tudo isso acontecesse.
O Iluminismo trouxe à discussão questões do cotidiano defendidas pela Igreja e pelos reis europeus.
O Iluminismo foi a era da razão, chamada à Chincha.
A revolução Industrial coroou o Iluminismo.
A França foi o berço disso tudo.
A França também foi o berço do que convencionou-se chamar "Belle Époque".
A bela época européia, nascida na França, foi o tempo em que se comemorou a alegria de viver.
Estamos falando do ano de 1870, por aí. Em março daquele ano, o paulistano de Campinas, Carlos Gomes, estreava a sua grande ópera Il Guarany, na Itália.
Por essa mesma época estudava na Bélgica o paulistano Ramos de Azevedo (1851-1928).
Encurtando a história:
Na noite de 12 de setembro de 1911 a elite paulistana, engalanada, acorria com seus melhores trajes ao Teatro Municipal que estava sendo inaugurado, com a ópera Hamlet.
Ramos de Azevedo foi o cara que assinou a construção do Teatro Municipal de São Paulo. https://assisangelo.blogspot.com/2019/03/carlos-gomes-filho-duma-tragedia.html

POLÍTICO MENTE. E MENTE...

Todos os políticos mentem. Em todo canto do mundo. É só ver o que está ocorrendo nos Stêites.
O Trump baseou-se na mentira para eleger-se há quatro anos.
A base política e estratégica de Trump são Fake News. I-gual-zin-ho como ocorre no Brasil nesta era maluca do Bolsonaro.
Meu amigo, minha amiga, você já percebeu que tudo que o Trump faz lá na terra dele o Bolsonaro faz na nossa terra?
Hoje mesmo o Bolsonaro liberou o Etanol americano com taxa zero para o gringo do coração dele, Trump.
Tump mente, Bolsonaro também.
A Califórnia, Oregon e Whaschigton estão pegando fogo, se derretendo.
Vinte e cinco norte-americanos morreram queimados até agora, oficialmente. Mas há cetenas de desaparecidos da região em que o fogo anda engolindo tudo. Lá.
Aqui no Brasil, nossa terra querida, o fogo também está lambendo tudo. Na Amazônia, no Pantanal, em São Paulo, Minas Gerais...
Neste momento em que dito estas linhas, a temperatura da Capital paulista anda na casa dos 30 graus.
Em Cuiabá, agora, mais de 40.
Eu comecei falando que os políticos mentem em todas as línguas.
Esta semana que ora finda deixou o fala grave do vice-presidente Mourão. Disse ele, em conluio com seu chefe e o ministro do Meio Ambiente, o seguinte: "A Amazônia não está pegando fogo, isso é coisa dos inimigos".
Eu já andei falando a respeito desse assunto. Clique:
http://assisangelo.blogspot.com/2020/09/deu-mico.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

SOCORRO LIRA E AS TORRES GÊMEAS

A manhã de 11 de setembro de 2001 pegou-me quase pronto pra sair. Televisão ligada, dois ou três segundos foram suficientes para que eu entendesse que o mundo estava pegando fogo. Em Manhattan, EUA. Duas torres famosas iam a baixo após serem atingidas por dois aviões passageiros sequestrados por agentes da Al-Qaeda. Milhares de mortos.
A paraibana Socorro Lira, de voz afinadíssima, desenvolveu música no mote decassílabo Quem Duvida que Pipa de Criança Também Lança por Terra Arranha-Céu. O craque Vital Farias participou da gravação. Clique:


SEDENTO POR SAMBA

Numa breve visita, Gregory e Cadu fizeram a festa ontem 10 com cavaco e pandeiro. Pra molhar a garganta , uma coisinha de nada trazida do Nordeste. Ah, sim! O calor de mais de trista grous obrigou a tirar a camisa. Desculpem. É o que sobrou do registro
Simplicidade e competência permeiam o novo disco do Trio musical paulistano Gato com Fome.
São onze imperdíveis faixas de Sedento.
O CD Sedento, terceiro do grupo, abre com “Numa Certa Madrugada”.
Numa certa madrugada, de Cadu e Gregory, é uma ousadia, como certamente chamariam os conservadores.
Essa música, esse samba, é ousado por trazer instrumentos tradicionalmente alheios ao samba.
O ousado Trio Gato com Fome investe nas suas novas composições, muita percussão, cordas e sopros.
O Trio vai além da comodidade musical.
Nesse novo disco, ouvem-se os autores do repertorio passo a passo cantando.
Numa certa madrugada, que abre Sedento, traz mais de uma dezena de instrumentos incluindo sopros e cordas e até uma garrafa. Nessa faixa, o grupo mostra a que vem o disco: muitos instrumentos, canto pra cima, com letras cheias de poesia e balanço.
A segunda faixa, Da de dez, é uma brincadeira que envolve carinho, amor, respeito e bola. Nessa faixa, alguns instrumentos param para descansar.
Responderei sambando é a terceira faixa de Sedento. Linda, linda, linda. O verso que dá título até poderia ser substituído, no gerúndio naturalmente, por amando...
A quarta faixa é um breque comparável, na beleza, só a última faixa. Também um breque.
Vocês já ouviram falar em Tocandira?
Tocandira é uma formiguinha que mata como mata o beijo de uma gata malvada.
A sexta música, além de muito bonita, traz de volta a voz do compositor paulistano Carlinhos Vergueiro. Bobagem entrar nos detalhes. Melhor ouvir.
O preço da felicidade é como se chama a sétima faixa do Sedento. O autor é o faminto Renato Enoki. Letra excepcional. A voz do autor, temos a satisfação de ouvir na decima faixa. Título: Tempo. Voz afinada, diferente, bonita. O violão 7 cordas desse cara extrapola o bem querer.
Vou de samba extrapola a ousadia do grupo Gato com Fome.
Vejam vocês, um disco de samba com piano e tudo. E sopros. Claro, isso não é claro. Mas é bom. Ouçam.
O novo disco do grupo musical Gato com Fome traz muitas surpresas, todas agradáveis.
Felicidade é uma palavra que se acha duas vezes nesse disco.
Felicidade é ouvir esse disco.
O ouvido agradece.
Ah sim! Ia me esquecendo: Como se não bastasse, o disco traz a voz do camaleão Cadu. Muitas vozes há no seu gogó.
Como aperitivo, ouçam:



GRAVAÇÕES RARAS DE JK COMPLETAM 50 ANOS

Dois ilustres brasileiros nasceram no dia 12 de setembro. Um deles, Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976).
Juscelino, ou JK, virou presidente da República sem sonhar ser presidente da República. No caso dele, era formar-se em Medicina. Formou-se, mas o tempo, nas suas voltas, levou-o à política. E foi assim: prefeito, deputado federal, governador e presidente.
JK assumiu a Presidência da República em 1956. O marechal Lott garantiu-lhe a posse, pois o poder paralelo da época não o queria.
Bom, essa história todo mundo sabe. E se não sabe, deveria saber.
Já famoso e cassado pelos militares em 1964, Juscelino foi convidado a participar de um LP. Cantando. Era bom de voz, melodioso, afinado, e um bom pé de valsa.
Juscelino gostava de cantar, tocar violão, junto com amigos. Entre estes, a cantora Inezita Barroso.
Muita história bonita deixou JK.
Já em 1960 ele havia participado da gravação de uma música feita para homenagear a cidade que idealizou: Brasília, Capital da Esperança, de Ariowaldo Pires e Simão Neto.
O LP J.K. em Serenata foi lançado pelo selo Berverly (Copacabana) em 1970. Ele aparece cantando em três faixas: Elvira Escuta (João Macedo de Andrade), Varrer-te da Memória (Anônimo) e É a Ti, Flor do Céu (Modesto A. Teixeira e Teodomiro A. Pereira). Antes, o próprio JK endereça mensagem (1ª faixa, lado A) aos ouvintes. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=M48V0gCYVvY&feature=youtu.be
O nome de Juscelino aparece em várias músicas, incluindo Pagode em Brasília. Essa música, de Tião Carreiro e Lourival dos Santos, saiu em disco de 78 rpm meses antes de Brasília ser inaugurada, em 1960.
Bons tempos aqueles em que presidente da República era inteligente, respeitador e sensível.
Ah, sim! O outro ilustre brasileiro nascido em 12 de setembro atende pelo nome de Geraldo Vandré.
O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem o LP J.K. em Serenata e vários discos com músicas homenageando o fundador de Brasília.

NAS ONDAS DO RÁDIO (2)

Hoje é sexta feira, dia de se curtir o programa São Paulo Capital Nordeste. Ficou, no ar, durante seis anos e meio na Rádio Capital AM 1040. Noites de sábado, quem não se lembra?
Eu o apresentava.
Na edição de hoje podemos ouvir, entre outros, os artistas Pery Ribeiro cantando e contando histórias de Luiz Gonzaga; Cláudia, as repentistas Mocinha de Passira e Minervina Ferreira; Peter Alouche, engenheiro de formação e compositor e cordelista por diletantismo; Inezita Barroso e Martinho da Vila, falando da sua vida e cantando em francês.
O dia do Rádio é no próximo 25. Clique:

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

DEU MICO!

Queimadas na Amazônia: número aumentou 145% na região - Greenpeace Brasil
Foto por Victor Moriyama, Greenpeace
Acabo de ouvir notícia dando conta de que o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, e do vice presidente da República, Hamilton Mourão.
Essas duas personagens da vida republicana endossam um vídeo negando que há fogo na amazônia.
No dia 10 de setembro de 1808 foi publicado o primeiro jornal impresso em solo brasileiro. Chamou-se Gazeta do Rio de Janeiro. Era uma publicação de cunho oficial. O dirigente do País, era dom Pedro I. Essa publicação durou até o dia 26 de zembro de 1821. Foi substituída pelo Diário Fluminense.
Pois bem, por que digo isso?
Milhares e milhares de jornalistas ajudaram e continuam ajudando na formação do nosso Brasil.
No dia 1º de junho de 1808, na Inglaterra, foi publicado o jornal Correio Braziliense. O editor era Hipólito José da Costa.
O jornal de Hipólito foi criado para denunciar e combater a corrupção que já grassava no Brasil, àquela época. E a violência, também.
Os escravos da corte pagavam o pato que os brancos cometiam.
Preto no branco, resumo: o ministro do Meio Ambiente e o vice presidente da República, farinha do mesmo saco, com o vídeo que patrocinaram querem apagar a história de um país construído pela força e ideal do jornalista. Detalhe: nesse vídeo, posto na internet ontem 9, aparece um personagem muito bonito que em fase de extinção chamado Mico-Leão-Dourado.
O Mico-Leão é um bichinho originário da Mata Atlântica.
Na postagem dos coisas do Ambiente e da vice presidência o Mico aparece como sendo originário da Amazônia.
Salles e Mourão dizem que não há fogo na Amazônia.
O que dizer desses dois cidadãos?
O compositor e instrumentista pernambucano baseado em Campina Grande, PB, Jorge Ribbas, compusemos uma modinha intitulada Presidente Sem Noção, que serve também para definir ou ilustrar os ridículos que são Ricardo Salles e Hamilton Mourão. Clique:





PINTANDO O SETE, HÁ 13 ANOS NO AR

O craque Luiz Wilson 
Cabra bom, inteligente
Há 13 anos no ar 
Canta forró e repente
O seu Pintado o Sete
É pra nós um bom presente

Assis e Luiz Wilson
Ontem 9 o cantor e compositor Pernambucano, Luiz Wilson, deu uma passada por cá com o propósito de lembrar que o programa Pintando o Sete, que apresenta na rádio FM Imprensa, está completando 13 anos interruptos de existência no ar.
Papo vai papo vem, Wilson declamou um folheto de cordel contando a trajetória de vida e arte da dupla Caju e Castanho. Nota dez.
Wilson trouxe a tiracolo, a cantora mineira Fatel, sua produtora, e o amigo, Arimateia. 
A conversa foi muito boa, mantida com os devidos cuidados que uma pandemia exige. No caso, a Covid-19, que tortura e mata sem quem não lhe dá bola.
O programa Pintando o Sete foi inaugurado no domingo de 9 de setembro de 2007. Começou com uma hora de duração, agora são três. Papo bom, música boa e tal. O nordeste se acha lá, nesse programa. 
O nordeste brasileiro é um celeiro enorme de cultura musical, inclusive. 
Luiz Wilson é pernambucano, como Luiz Gonzaga, Rosil Cavalcanti, Zé Dantas, Anastácia, Otacílio Batista, Oliveira de Panelas... 
Sinto falta dos clássicos da nossa música e da cantoria de improviso. Quer dizer, isso tem no Pintando o Sete, mas poderia ter mais. Não é mesmo? 
A Capital paulista é habitada por quase 12 milhões de pessoas. E são dezenas e dezenas de emissoras de rádio em funcionamento da cidade, mas só Imprensa (FM 102.5) e USP (FM 93.7), mantém na grade programas que tratam da música nordestina. 
Houve um tempo em que se tocava mais o nordeste nas rádios de São Paulo. Eu mesmo cheguei a apresentar um desses programas, São Paulo Capital Nordeste (Capital AM 1040). E por pouco, muito pouco, não voltei ao dial em 2019. O programa de estréia seria esse ai: 



QUE TAL DERRUBAR O MINHOCÃO?

Ontem 9 a Câmara Municipal aprovou realização de um plebiscito sobre o elevado João Goulart, que corta um pedaço da capital paulistana. É um monstrengo de uns 4 km construído no tempo da ditadura pelo larápio Paulo Maluf.
O plebiscito aprovado pelos vereadores deixa a critério da população a ideia de derrubar por inteiro, ou parcialmente, o viaduto. Ou transformá-lo num parque.
Por mim, eu o poria abaixo.
O referido monstrengo já ganhou até música, sabiam?
Ouçam o mungangueiro Genival Lacerda:



quarta-feira, 9 de setembro de 2020

SEXO, POLÍTICA E FOGO!

 Não sei se choro, grito, esperneio. Não sei o que faço. E agora?

Ouço dizer que os sites pornôs estão perdendo terreno para os games.

São muitos os jogos que prendem a atenção da molecada. E também de adultos.

Anna da Hora disse baixinho cá no ouvido que Faustão  é um dos líderes desses jogos.

Gincana do Faustão. É este o tipo do tal jogo que traz o ex-gordo às paradas de sucesso da internet. O barato desse jogo, segundo Anna, é que bonequinhos ridículos disputam numa esteira sem fim espaço que dará ao vencedor batatas, como no conto do bruxo Machado. Ao vencedor, as batatas.

Pois é e assim caminham os internautas, ontem loucos com sexo, hoje isso aí.

Claro, claro, isso tudo é enfadonho e não leva a nada. Leva, sim, à alienação pura e simples.

Eu nem ia falar disso.

Eu ia falar de política.

Os preços dos alimentos dispararam de modo maluco e inexplicável, como sempre.

Temendo bronca pra si, o presidente pede aos representantes dos grandes mercados que baixem os preços, que sejam patriotas.

Um dos produtos, o arroz, teve aumento só comparado a 2005.

E agora?

Pesquisa que acaba de sair diz que 33% da população dedicam a Bolsonaro a pandemia provocada pelo novo Coronavírus. Acho pouco. A culpa deve ser toda dedicada a ele, que tirou sarro do vírus e até disso tudo não passaria de uma "gripezinha".

Essa gripezinha já levou ao túmulo quase 130 mil de brasileiros.

Os norte-americanos dizem, também através de pesquisa opinião, que o responsável pela pandemia por lá é toda de responsabilidade do bicho feio Trump.

Enquanto isso, cá por nossas paragens, as florestas viram cinzas. 

O bicho mata a mata

Mata tudo que avista

Mata onça, mata boi

E tudo que põe na lista

Esse bicho é tranqueira

É cupim capitalista...



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