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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

BATENDO PERNAS NO JUAZEIRO




A semana passada findou comigo batendo palmas, no SESC, para a cantora Kátia Teixeira.   Antes e depois do espetáculo eu  reencontrei velhos amigos, como Luiz Carlos Bahia, Oswaldinho Viana e a sua companheira Marise. O teatro estava lotado e lá fora um vento gostoso. Molhei o gogó com uma cervinha, que ninguém é de ferro. Depois fui dormir prá viajar na manhã seguinte rumo à Bahia.
Pegamos o  o vôo e esbarramos em Salvador. Em seguida, zarpamos prá Petrolina, onde pernoitamos. Um carro da Universidade Federal do Vale do São Francisco, UNIVASF,  bem cedo nos levou até a ilha do Rodeadouro. Nas águas bentas do Velho Chico que banham as terra sagradas do Juazeiro.
Foi legal.
Como combinado, participamos de um especial sobre danças populares no Brasil. Comigo, estiveram, diante das lentes da tevê Caatinga, os excepcionais criadores musicais Maciel Melo e Targino Gondim.
A diretora Fabíola Moura e toda a turma dela adoraram o resultado do nosso bate papo animado. Antes disso, a caboquinha Cora, estudante da oitava etapa do curso de jornalismo da UNIVASF, disse-me que sabia tudo e mais um pouco a meu respeito e que gostaria de, também, registrar nossa presença por lá. Foi uma bela entrevista.
Traçamos uma galinha à cabidela e uns escondidinhos feitos noutro planeta, acho. E voltamos à Petrolina, cantarolando o xote  De Petrolina a Juazeiro, do meu  amigo Jorge de Altinho.


MISTÉRIOS DO RIO CHICO

Depois da gravação para a tevê Caatinga, ficamos por ali, batendo retrato (acima),
proseando com todo mundo e sentindo o cheiro das flores que exalavam dos cajueiros, mandacarus, goiabeiras. Tudo plantado à beira do Velho Chico. As águas do rio, águas bentas, águas que nos lavam a alma e nos tiram todos os pecados, são águas bem cuidadas pelos mistérios da vida. Águas de Oxum, águas que matam sede e matam gentes desprevenidas ou sobrecarregadas das agruras que o tempo dá.
Não sei se foi o caso do ator Domingos Montagner, que dava vida ao personagem Santo dos Anjos, na novela Velho Chico. A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Capítulos recentes mostravam o desaparecimento do personagem e seu resgate pelos encantados do rio, pelos entes de suas margens. Foram as mesmas águas onde o ator sumiu de verdade.


ZÉ LAURENTINO


Rômulo Nóbrega telefona dizendo que o nosso conterrâneo Zé Laurentino partiu hoje para a eternidade, onde já deve estar tocando um dedo de prosa com o ator Domingos Montagner. Zé sofria do mal que vitimou Papete: câncer. Estava com 73 anos e a última vez que nos vimos foi em Campina Grande, cidade onde viveu por muito tempo. Ele era de Puxinanã, terra de outro grande poeta: Zé da Luz. Adeus!



XENOFOBIA

Tenho recebido vários emails falando do livro Xenofobia, que acaba de ser lançado pela Cortez Editora, o cordelista Cícero Pedro de Assis, por exemplo, escreveu o seguinte:

   Fico muito feliz com o lançamento, pela Cor-
  tez Editora, do livro Xenofobia - Medo e Re-
  jeição ao Estrangeiro, do professor Durval Mu-
  niz de Albuquerque, porque é uma obra que com
  certeza orienta o leitor como aceitar o estran-
  ro, uma vez que todos somos iguais perante a lei,
  o que nem sempre é respeitado por muitos que se
  julgam superiores. Que esse livro elimine radical-
  mente todas as ideias xenofóbicas, que é uma praga.
   Receba minhas lembranças e fraterno abraço.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

BIENAL, CORDEL E LOYOLA BRANDÃO

Em textos anteriores, eu lamentei a desgraça que é um país cujos dirigentes estão no cargo por estarem. Isto é: um país sem cidadão é, com certeza, um país sem ideias ou de ideias tristes, curtas; muito curtas. Dizem-me que o ponto e vírgula é um sinal fora de moda, mas eu gosto desse sinal. É o sinal que, mais do que a vírgula, nos faz respirar, nos leva a dar uma pausa maior ao texto, antes de continuar a leitura, não é mesmo.
Como a pausa é maior a reflexão também, o que enfatiza a ideia.
Nós, brasileiros, estamos lendo cada vez menos. É fato.
Balanço da Câmara Brasileira do Livro, CBL, conclui que 684 mil pessoas de todos os tamanhos, inteligências, sexos, raças e ignorâncias passaram por lá. A meta de visitantes era de 720 mil, mas isso não vem ao caso, até porque, a multidão que compareceu à 24ª Bienal do livro não estava a fim do produto oferecido, ou seja, o livro.
Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais completos autores brasileiros, um orgulho nosso, foi o grande homenageado dessa Bienal. Detalhe: a maior parte do tempo em que ele lá esteve, pessoalmente, autografou um número ínfimo do seu novo livro: Os Olhos Cegos Dos Cavalos Loucos.
Pois é, Loyola está no time dos craques da literatura brasileira. É novo no estilo, de idade fez 80 em julho passado.

O livro que encabeça a lista dos mais vendidos, atualmente, é de uma atriz adolescente, chamado O Diário de Larissa Manoela, que interpreta uma personagem na novela Carrossel, do SBT.
O que é que tem a ver o Diário de Larissa com o novo livro de Loyola Brandão?
Pois é, garanto que tem, tem carrossel no meio, e dizer mais, não digo.
E pensar que somos da terra de Machado de Assis, José de Alencar, Aluízio de Azevedo, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Augusto dos Anjos...
Como eu já disse em texto anterior fui, sem precisar ser, também homenageado na Bienal. A Loa veio da Câmara Cearense do Livro, CCL. Gostei. Pois bem, o espaço em que se deu a premiação, Cordel e Repente, estava apinhado de artistas populares, artistas maravilhosos, esses que dão a cara do nosso país Brasil. Confira nas fotos a presença de Bule Bule, Jô Oliveira, Crispiniano Neto, Audálio Dantas, José Cortêz, Klevisson Viana, Marco Haurélio, que também merece prêmios do tamanho de um trem... Teve até um tróféu, troféu Joseph Luyten.
Luyten nasceu na Holanda. Fui amigo dele.
Luyten chegou ao Brasil no ano em que eu nasci, 1952. Ele tinha 11 anos de idade e sofria antecipadamente pela possibilidade de uma dia tornar-se cego. Usava óculos pesadíssimos na infância e na adolescência e danou-se a ler, a ler desbragadamente. Tinha medo da cegueira. O tempo foi passando e ele lendo cada vez mais, estudando, e se completando como gente e cidadão. A cegueira não veio e ele tornou-se um dos mais competentes intérpretes da alma popular, via cordelistas e cantadores repentistas. Levou seus estudos sobre a poética popular para a Universidade de Osaka, Japão.
Sobre Literatura de Cordel Joseph Luyten, que deixou a convivência entre nós em julho de 2006, publicou vários livros.
O troféu Joseph Luyten é uma pérola. Viva Luyten!



LIVRARIA CORTÊZ


A tendência de uma nação que não lê é, como resultado, um país sem crédito, sem credibilidade, é um país burro, com todo o respeito aos burros. As pesquisas indicam que nós, brasileiros, cada vez mais, lemos menos. Numa dessas pesquisas, há a informação de que pelo menos 30 milhões de brasileiros jamais compraram um livro. O que dizer diante disso?
A 24ª Bienal Internacional do Livro terminou com um público aquém do esperado. No resumo, o produto não alcançou o público alvo. A notícia triste é: a Livraria Cortêz está com suas atividades suspensas. A notícia alegre, bonita é que a Cortêz está com um espaço maravilhoso na Internete, clique
mkt@cortezeditora.com.br





domingo, 4 de setembro de 2016

BIENAL, FLORES EM VIDA

Marco Haurélio, Klévisson Viana, Assis Ângelo, Lucinda Marques e Crispiniano Neto na noite de entrega do Troféu Joseph Luyten, na Bienal Internacional do Livro
Foi bonita a festa, pá.
Ontem a noite, a Câmara Cearense do Livros, CCL, através de Lucinda Maria Marques, concedeu-me o troféu Joseph Luyten. Gostei. O pretexto foi eu gostar da cultura popular. Brasileira, principalmente. Flores em vida. O mesmo troféu foi compartilhado com Audálio Dantas, Jô Oliveira, Bule-Bule, Sebastião Marinho, Chico Pedrosa, Geraldo Amâncio, José Cortez, entre outros. Cortez é ícone dos editores brasileiros. Quando o seu nome foi anunciado, o Anhembi pareceu desmoronar em aplausos.
Pois bem, foi bonita a festa, pá.
Eu disse um monte de coisas e até declamei um poema que fiz em lembrança à grandeza poética do cearense Cego Aderaldo.
Na última quarta (30), desenvolvi palestra sobre cultura popular na Bienal.
Muita gente bonita, muitos artistas incríveis reencontrei à boca da noite da quarta, 30, lá. E ontem, 3, reencontrei outras pessoas tão incríveis como na noite da palestra. Reencontrei Bule-Bule, Klévisson Vianna e Arievaldo, seu irmão, Rouxinol do Rinaré, Sebastião Marinho, e tantos e tantos, incluindo o paranaense Sinval, tocador de berrante e domador de burro bravo.
Sim, foi legal estar mais uma vez participando, de modo mais intenso, da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
A organização dessa 24ª Bienal estima receber 720 mil visitantes, incluindo crianças e aborrescentes de todas as idades. Tomara que isso aconteça.
O Brasil tem uma população que ultrapassa, segundo o IBGE, os 200 mil habitantes. Somos, porém, uma das nações que menos lê no mundo. Não lemos nem cinco livros por ano.
Dados indicam que pelo menos 30% da população brasileira jamais compraram um livro. Indicam também essas pesquisas que quem lê nem sempre termina o livro, ou seja: quem lê por partes nem sempre lê o livro inteiro. Outra coisinha: o livro mais lido no Brasil é a bíblia.
Sim, somos um país de analfabetos... com Jesus no coração.


BERNARDO FILHO
E agora tomo-me de uma tristeza profunda: Bernardo Filho, ao lado de quem iniciei a carreira no rádio, em João Pessoa (PB), partiu para a Eternidade. A informação vem de outro grande amigo, Richardi Muniz. 
Eu e o Bernardo apresentávamos um programa chamado Bandeira 2, que era transmitido pela madrugada, ao vivo na Rádio Correio da Paraíba. Eu tinha 19 anos e ele um pouco mais. Grande voz, grande amigo, adeus.
Bernardo

FERNANDO COELHO
O querido amigo, Fernando Coelho, poeta dos maiores, está sempre com sua memória fervilhante; tanto que traz à tona uma lembrança:

A tarde caia aborrecida naquele dia. São Paulo exalava um frio torto. Do lado de fora, parecia do lado de dentro, tudo nublado. Eu bebia com o meu amigo e compadre Assis Angelo no inoxidável bar Mutamba, refúgio de jornalistas desempregados, recém contratados, bêbados letrados, e das estudantes de Comunicação que prevaricavam com o amor, sempre pesquisando a nossa experiência louca. Assis Angelo, um dos maiores jornalistas deste país, autor da melhor biografia de Luiz Gonzaga, é dono de um dos mais espetaculares acervos de música brasileira. (Ela se aproxima, com sua beleza terrível. “Não se lembra de mim, da festa do Massao Ohno – Massao foi o mais importante editor de poesia que o Brasil já teve, meu amigo – eu queria me jogar do Viaduto do Chá, sua poesia não deixou”). Eu não me lembrava como a minha poesia poderia tê-la salvo, antes e agora eu estava embriagado. Naquela tarde, tínhamos uma missão digna, eu e o meu compadre Assis, dos mais experientes espiões da CIA: contrabandear uma dose de conhaque Macieira para Nélson do Cavaquinho, meio acamado no Hotel Jaraguá, vizinho do bar e do antigo Estadão, ali na esquina. A missão foi cumprida. Bebemos mais do que Nélson. Tempos depois, Nélson morre. Eu tinha balbuciado para ele a Flor e o Espinho, no quarto do hotel, sob o olhar complacente de Assis. Agora, que escrevo esta lembrança, engulo o espinho.

sábado, 3 de setembro de 2016

VAMOS À BIENAL?


A 24ª Edição da Bienal Internacional do Livro termina amanhã, 04.
Hoje, às 20 hs, estarei lá, de braços abertos,  dando e recebendo abraços a amigos novos e a amigos velhos, por provocação da Câmara Cearense do Livro, CCL, que achou de me fazer agrados com um troféu, segundo o cordelista Marco Haurélio, muito bonito. É um troféu que tem no formato uma viola etc.
As origens do livro datam de tempos imemoriais.
Antes não havia a escrita, é claro.
A comunicação entre os humanos ocorria por gestos e grunhidos, até que, depois de descer das árvores, o homem foi se virando como pode nas pernas que descobriu ter. As mãos, ele as usava para pegar bichos a unha e devorá-los, até os seus próprios iguais.
Muito tempo passou até que a inteligência ganhou forma e diferenciou o humano dos outros bichos. Mas essa mudança ainda não é tão clara...
É impossível saber o dia, mês ou ano em que o homem juntou letras e fez  be a bá, be é bé, be i bi, oba!
Deve ter sido interessante a cena em que ocorreu isso, como interessante também deve ter sido o momento em que o homem, já metido à besta, bateu uma pedra na outra, riscando faísca, e daí, fogo!
Encurtando a história, é o seguinte: o homem aprendeu a ler, a fazer fogo e a judiar seu próximo...
E aí veio Gutenberg com sua prensa fazendo a primeira impressão da Bíblia e revolucionando os quatro cantos do mundo. Isso, no século XV. Verdade seja dita, que séculos antes os chineses já haviam feito experiências nesse campo. Os sul-coreanos também. O fato é que... Viva Gutenberg!
Hoje, tantos anos passados, a invenção de Gutenberg continua em atividade.Livros ainda são impressos aos milhões, mas o número de leitores mingua, mingua cada vez mais.
Para ler é preciso saber. Analfabeto não lê e o que mais há no Brasil é analfabeto, temos analfabetos analfabetos e analfabetos funcionais, esses então...
Pesquisas indicam que mais de 12% da população brasileira não sabem distinguir um o de uma roda de caminhão.
Recente pesquisa do Instituto Pró-Livro revela que 56% dos brasileiros nunca leram um livro na vida.
Outra pesquisa, essa de Retratos de Leitura do Brasil, dá conta de que os brasileiros lêem, em parte ou por completo, apenas quatro vírgula  qualquer coisa, ou menos de cinco livros ano.
Pois é, o quadro é feio ou não é? E olhem que a população atual do Brasil é de 206 milhões de almas, a imensa parte dela sem saber o prazer que dá a leitura de um livro.
Ler Machado, Graciliano, Rosa, Augusto, Alencar...
O cearense José de Alencar, que morreu quando tinha apenas 48 anos de idade, deixou-nos uma obra monumental. A começar por Iracema e O Sertanejo. Nesse livro, de 1875, Alencar mostra o Sertão como ele é. O personagem Arnaldo, um vaqueiro, dá rumos à trama. E mais não digo. Depois, Alencar gerou O Guarani, uma obra indianista que o italiano Antonio Scalvini e o paulista Carlos Gomes transformaram na ópera homônima, em quatro atos, levada à cena, no teatro Ala Escalla de Milão, no ano de 1870. Na ocasião o célebre Verdi, instigado por um repórter, disse: "esse rapaz começa por onde eu termino".
Esse rapaz era Carlos Gomes.
Sei não, mas acho que Euclides da Cunha bebeu na mesma fonte de onde saiu O Sertanejo. Curiosamente, a obra prima de Euclides intitula-se Os Sertões. Em comum os autores apresentam ao leitor o terreno pisado pelos personagens.
Ler é bom demais.
Vamos à Bienal??


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

XENOFOBIA E NÓ EM PINGO D'ÁGUA

Nó em pingo d’água é um tipo de flor daninha muito especial, carregada no bolso por malandros da política tupiniquim. Essa flor, de origem desconhecida, cresce fácil no terreno planaltino; e foi não foi, calhordas deram de mão dela para nos asfixiar. Foi o que aconteceu no meio da tarde da última quarta, no Senado Federal.
Que nem o Titanic, o Brasil embicou rumo às profundezas do desconhecido. Nesse mergulho, cerca de 200 milhões de almas penam, procurando solo firme para sobreviver. É uma luta danada, a luta pela sobrevivência. Mas, firmes e fétidas, as mentes que alimentam nós em pingo d’água, seguem indiferentes à gritaria das almas que afundam. Quem quer que seja, aspas. Até quando?
O último dia de agosto foi um dia de esperança que findou com gosto de jiló, ou seja, amargo; até porque, o doce guerreiro Chico Buarque ficou aqui como quê atravessado na minha garganta - e na garganta do Brasil. Dá pra explicar a presença do Chico na sessão de impeachment?  
A presidenta inocenta caiu, como grande parte da população brasileira esperava. Mas caiu de pé, pois deixa a Presidência sem perder os direitos de continuar a vida de modo serelepe.  Nesse ponto, a Carta de 88 saiu ligeiramente chamuscada. Um perigo, diga-se.
Muitas coisas de suma importância para a vida brasileira são relegadas, desde sempre, a último plano. Refiro-me, por exemplo, à educação, à cultura e aos esportes que formam a mente e ilustram gentes.
Educação, cultura e esportes são itens básicos na formação de qualquer cidadão.
A cultura popular está na boca de todo mundo. Antes de fatiar o artigo 52 da Constituição, junto com o presidente do STF, o presidente do Senado disse ser contra fazer o mal a quem quer que seja. Quem quer que seja, aspas. Os sem-caráter estão em estado de êxtase. Aproveitando a deixa, o presidente do Senado lembrou um dito popular corrente no Nordeste: além da queda, um coice.
O coice pegou de cheio o traseiro do povo brasileiro. Pena, não é?

XENOFOBIA


É oportuníssimo o lançamento do livro Xenofobia – Medo e Rejeição ao Estrangeiro, do professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior, paraibano titular da cadeira de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O livro trata de assunto em dia e pauta, necessariamente de todas as mídias. A xenofobia mais do que um mal dos tempos, é uma doença, e, como tal, merece ser conhecida, destrinchada e curada. Essa doença atinge o mundo todo e todos nós, de um modo ou de outro, somos vítimas dela. O livro traz a chancela da Cortez Editora. O dono dessa editora há muito se preocupa com a cura das mazelas do mundo. E não à toa, merecidamente, acaba de virar nome de uma escola da rede pública do Estado de São Paulo, na zona Sul da capital. Xenofobia foi lançado ontem na 24ª Bienal Internacional do Livro.  




LOYOLA BRANDÃO – O araraquarense Ignácio de Loyola Brandão, autor de Zero e outros romances, estava solitário, sentado à mesa de um stand da Bienal. Loyola, também afamado jornalista, completou 80 anos de idade há dois meses. Vê-lo sozinho à mesa, doeu. Mas esse é o Brasil dos políticos espertos e essa é uma cena que se repete no mundo da cultura brasileira, cada vez mais, de modo intenso. E pensar que o Brasil foi berço de Machado de Assis...


CELIA E CELMA
As mineiras Celia e Celma são cantoras, isso todo mundo sabe. As duas são cozinheiras de altíssimo padrão, isso também todo mundo sabe. Em 2007, Celia e Celma foram à China receber o prêmio Gourmand World Cookbook Awards, pela obra Do Jeitinho de Minas, (Editora Senac), isso pouca gente sabe; mas os chineses até agora continuam se deliciando com as receitas no livro contidas. O Temer tá lá... Domingo 28, as duas compareceram à Bienal para autografar o livro Vozes Ítalo-Brasileiras que reúne contos de 30 autoras brasileiras, descendentes de italianos. Esse livro, com textos bilíngue, será distribuído nas universidades italianas.

HOMENAGEM

Dia 30, das 17 às 19 horas, desenvolvi palestra sob o título A poesia popular como fonte temática de outras linguagens artísticas. Foi bom e gostei, pois tive a oportunidade de reencontrar amigos como Geraldo Amâncio, Marco Haurélio, Paulo Araújo, Paulo de Tarso, Jô Oliveira, entre outros cordelistas e cantadores repentistas. Foi no stand da Câmara Cearense do Livro. E agora, cuspindo pra cima: sábado, 3, às 20:00, estarei todo pimpão e de braços abertos recebendo loas em vida.    

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AGOSTO, MÊS DE DESGOSTO

Agosto, mês de desgosto. É o que diz o dito popular.
Nesse mês, o mês de agosto, historicamente acontecem coisas do arco da velha.
Agosto, mês do cachorro louco.
Na segunda parte do século 19, o arqueólogo de origem anglo-saxão criou , movido pela curiosidade, o Dia Internacional do Folclore.
Até então, não existia sequer a locução "folclore".
O dia 22 de agosto é o Dia Internacional do Folclore.
Muita tragédia ocorreu, e certamente continuará a ocorrer, no mês de agosto; no Brasil e em todo o canto deste planetinha que a gente judia tanto.
No dia 22 de agosto de 1976 ocorreram dois fatos de extrema importância na vida brasileira: a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, JK, num acidente automobilístico na Dutra, ali em Rezende, e a minha chegada à cidade de  São Paulo, rá rá rá.
Muita coisa de real importância agosto nos reserva.
O rei do baião, Luiz Gonzaga, partiu para a Eternidade num dia 02 de agosto.
Foi no dia 25 de agosto de 1961 que o mato grossense Jânio Quadros renunciou à presidência da república.
Sete anos antes, no dia 24 desse mês, o gaúcho Getúlio Vargas meteu um tiro no próprio peito e entrou para a história.
E hoje, 31, a mineira Dilma Roussef foi impichada no Senado pelo placar: 61 x 20.
Mas, ao contrário de Vargas, ela continua viva. Ah! o espírito folclórico rondou o tempo todo na Câmara e no Senado. Quer ver? Um exemplo: "uma no casco, outra na ferradura". Ou seja: a Dilma foi impichada, mas os seus direitos políticos não foram cassados.









segunda-feira, 29 de agosto de 2016

QUEM CASA QUER CASA... E VIVA LUIZ GONZAGA!

https://www.youtube.com/watch?v=8zkn-8ZxHzI
Quem casa quer casa, diz sábio ditado popular. 
A origem da expressão casamento vem daí, de casa. E o hábito de juntar-se um ao outro, ou a outra, data de tempos d'antanho. Coisa do começo dos tempos; dos tempos em que o homem desceu da árvore e passou a se meter a besta só pelo fato de equilibrar o corpo sobre as pernas. Claro, uma façanha e tanto! Depois disso, o homem passou a criar muitos maus hábitos. Entre esses maus hábitos, incluiu o de arrastar mulheres pelos cabelos. O machismo, certamente, vem daí.
Pois bem, aos maus hábitos, inseriram-se, no correr do tempo, bons hábitos. Entre os bons hábitos, destaque para a união formal entre o homem e a mulher. Depois, bem depois, entre homem e homem e mulher e mulher. E há bem pouco tempo, está-se inserindo o hábito formal e triangular do casamento, ou seja, casamento a três. Eu, Tu, Ele...ou Eu, Tu, Ela...
Foi na Bahia, bem recentemente, que um juiz de Direito validou o casamento a três. Mas não há motivo para espanto, meu amigo, minha amiga que me lê. Lei árabe chancela há não sei quanto tempo a convivência matrimonial de um homem e seis mulheres. Desde, claro, que tenha ouro para bancá-las. É né? Não, não se espante: Há muito e muito tempo, já era permitida a prática de sultões e marajás proverem haréns. Não sei não, mas passagens do Velho Testamento indicam que o rei Davi pôs no mundo um milhar de descendentes diretos.
Mas por que diacho estou falando essas coisas?
Outro dia ouvi no rádio a notícia de que dedicados cientistas haviam descoberto mais um entre milhares de planetas: Próxima B, que fica, acho, já do lado de fora da Via Láctea. E não é tão próximo da gente a Próxima B, calculadamente a 4,2 bilhões de anos/luz do nosso judiado planetinha Terra.
Pará você não pirar de vez, meu amigo, minha amiga, 4,2 bilhões de anos/luz significam algo em torno de 74 mil anos. O cálculo é baseado no calendário gregoriano do velho e bom Papa Gregório, certo?
Mas eu dizia que quem casa quer casa.
O hábito de casar, comumente chamado de "juntar os trapos",  continua em prática, como em prática continua também o hábito de descasar.
O nosso planetinha acolhe, desorganizadamente, cerca de 7,5 bilhões de pessoas. Não seria uma boa, parte desse volume de pecadores ir de uma vez para o espaço? Mas, como vimos, Próxima B está completamente fora do alcance dessa pretensão, pelo menos por enquanto.
O que é que tem a ver amor com união contratual? 
Há mil e poucos anos a igreja católica teve a brilhante ideia de faturar em cima do homem e da mulher, de capitalizar o matrimônio. Detalhe: entre os mil e um pecados cometidos pela madre Igreja está o de não reconhecer a pureza entre sexos. Ou seja: a igreja não admite abertamente o casamento entre homem e homem  e mulher e mulher etc.
Em junho passado o Papa Francisco disse que era preciso pedir perdão aos homossexuais pela forma como a Igreja tem tratado a questão. 
Prá mim e muita gente, todo tipo de discriminação faz mal à saúde.
Quem casa quer casa...
Eu tenho um amigo, que tem casa e acaba de casar. Esse amigo passou boa parte da vida namorando  uma só mulher. Esse amigo, chama-se Joel. E a mulher,  Gracilda. Ele é paulistano, ela é mineira. No último dia 25 os dois resolveram unir-se em matrimônio, exatos quarenta anos depois de haverem juntado os trapos. Os dois são jóias raríssimas nesse mundo tão perdido de gentes e coisas.

TV OSASCO

A TV Osasco levou ao ar ontem, 28, entrevista que concedi (clicar link acima) ao programa Salada Brasil By Night. Falei sobre a importância musical do multimídia Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. O competente entrevistador Cícero Walter tratou o tema com muito carinho e reconhecimento da obra do autor de Asa Branca e tantos outros clássicos imortalizados na alma do brasileiro. Aliás, por falar na toada Asa Branca, expressei a  minha insatisfação pelo espetáculo de abertura da 31ª Olimpíada, no início deste mês. Falei que faltou ênfase à cultura do Nordeste brasileiro, faltou Baião, por exemplo. No show de encerramento, foram apresentadas diversas manifestações culturais, incluindo ritmos como frevo, forró e baião. Um espetáculo e tanto! E lá, muito merecidamente,  estavam sendo lembrados Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. 
O coração do povo identifica e canta facilmente a sua cultura.


BIENAL

Amanhã, às 18:00hs estarei falando sobre cultura popular na Bienal Internacional do Livro. Vamos lá? 


domingo, 14 de agosto de 2016

DIA DO PAI, DO FILHO E DA MÃE

Até aqui, o resultados dos Jogos Olímpicos, Rio 2016, é pífio. Muita gente já fez as malas e voltou para casa. As meninas do Basquete por exemplo. As medalhas insistem a continuar distante do eito dos nossos atletas. Por que será, hein? 
Mais não é disso que quero falar.
Em 1909, em Washington, EUA, uma garota de nome Luísa, ouvindo um discurso em homenagem as ma~es, decidiu fazer o mesmo com seu pai João, veterano da Guerra Civil Norte-Americana. E assim surgiu o Dia dos Pais.
Hoje é Dia dos Pais, dos filhos e tudo o mais, para alegria dos comerciantes e da sociedade consumista.
Mas não é disso que quero falar, não.
Ontem, da tarde pra noite, a Livraria Cortês ficou apinhada de artistas populares e doutores de áreas diversas. O motivo disso foi a inauguração da 10ª Semana do Cordel, idealizada em 2012.
Apresentaram-se cantando, tocando e declamando astistas do quilate de Moreira de Acopiara - que também atuou como Mestre de Cerimonia, João Gomes de Sá, Cacá lopes e sua filha Alice, de cinco anos; Luiz Carlos Bahia, Audálio Dantas, que inventou de me chamar irresponsavelmente de "Simbolo da Cultura Popular", e mais e muita gente.
Grandes destaques do evento, além de José Cortez, que empresta nome à Editora, Valdeck de Garanhuns e a dupla fabulosa de emboladores: Peneira e Sonhador. 
E mais nem conto, porque foi tudo de fato muito bonito.
Ah! José Cortez, que vai ganhar nome de escola pública da rede de ensino do Estado, no próximo dia 20, na Zona Sul de São Paulo,merece nota um milhão e um milhão de medalhas de ouro por nos honrar com seu trabalho...


PETER
O engenheiro Peter Alouche continua brilhando nas páginas dos jornais e nos jornalísticos da televisão. Clique aqui e aqui também.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

UM PEQUENO MERGULHO NA HISTÓRIA



O Brasil é cheio de Silvas, Watanabes, Müllers, etc.
Pois bem, o Brasil de raça e tudo o mais.
Rafaela, uma Silva, é preta, pobre e militar da Aeronáutica. Sargenta com soldo de aproximadamente três mil reais. Muito esforçada, dedicada ao judô o tempo todo. Em Londres foi xingada por não ganhar ouro... agora, ganhou. E a sua namorada Tamara, ex-judoca e também muito esforçada, cuida da casa e cachorros, enquanto Rafaela tapa a boca dos maledicentes.
Viva Rafaela, a cara do Brasil!
O Brasil, um país por natureza multifacetado, tem lá suas esquisitices. 
Você sabia que cerca de 30% dos atletas brasileiros que participam dos jogos Rio 2016 são militares?
Eu já disse, digo e certamente voltarei a dizer que o Brasil é injusto com os brasileiros. Seus governantes desde a primeira República, com Deodoro, nunca deram bola à Educação, à Cultura e aos Esportes, por exemplo.Já tivemos até presidente doido de juízo perdido, como o Delfim Moreira.
A primeira e única vez que o Brasil ganhou medalha de ouro na modalidade tiro esportivo foi em 1920. Agora, nesses jogos, o Brasil ganhou a segunda medalha: de prata, nessa modalidade.
Na primeira parte dos anos 1930, Getúlio Vargas empossou Capanema como ministro da Educação, e  como seu chefe de gabinete, o poeta Drummond. Nesse meio tempo, outras duas figuras também marcariam época à frente de projetos vinculados à Cultura: o paulista Mário de Andrade e o carioca Villa-Lobos. E desde então nada mais significativo aconteceu. Triste dizer isso, não é mesmo?
Dia desse conversando com os amigos Biancamaria Binazzi e Cadu Gato com Fome,  eu expus esse raciocínio. Os dois chiaram e pularam que nem calangos em frigideira quente. A Biancamaria ainda tentou rebater fatos históricos; o Cadu, nem isso. Pois é.
Juscelino criou Brasília, Jânio renunciou, Jango levou uma rasteira dos militares, que assumiram o poder por vinte e um anos, Tancredo morreu antes de assumir o cargo de presidente, Sarney fez o que fez sem acreditar que seria presidente; postiço, mas presidente. Depois vieram Collor, ai ai ai; FHC; Lulalá e Dilma, cuja corda ela mesma enfiou no próprio pescoço para os congressistas puxarem. Mas a verdade, a verdade verdadeira, é que a Cultura, como o vento, sobrevive sozinha a todas as intempéries. 
Um país sem cultura é um país sem identidade. Não é mesmo?
Pois bem: O Brasil parece, mesmo, uma casa da Mãe Joana.
A última Copa do Mundo de futebol, realizada no Brasil, foi um Deus nos acuda. Aqueles 7 x 1... Tudo quanto era gringo da direção do Mundial mandou e desmandou nesta terra abençoada por Deus, na cantiga de Benjor.  Usurparam até a nossa língua. E agora, nos Jogos que ora se realizam no Rio e noutras capitais do País, o Hino Nacional era posto nos nossos ouvidos pela metade. Tocava-se a primeira parte e logo depois pulava-se para o final. Isso, por determinação dos gringos. Pode? Não pode, tanto que a partir de hoje já anunciam mudanças nessa execução.
O Hino Nacional é um dos nossos quatro símbolos. Foi originalmente criado para banda, em 1831.Francisco Manuel da Silva, maestro, foi o autor da melodia. No começo da primeira década do século passado, a Banda da Casa Edison registrou o Hino numa curiosa gravação (acima). Em 1909, o poeta e jornalista Joaquim Osório Duque Estrada criou a letra, e o hino, oficialmente foi dado por concluído em setembro de 1922. Em 1917, o cantor Vicente Celestino registrou a sua versão (abaixo).
Essa é parte da história, como parte da história é o Hino Nacional Brasileiro.
Ah! Você sabe quem foi o autor do Hino da Independência? Pois é, foi um tal de Dom Pedro I. Essa é outra história...









quinta-feira, 11 de agosto de 2016

OLIMPÍADA E FEIJOADA

Edmundo, Erivan, Assis e Carmem.
Silva, Rafaela Silva, 24, carioca, negra e pobre. É a cara do Brasil, não é mesmo ?
Felipe Wu, 24, paulista ...
Rafaela e Felipe são os primeiros medalhistas da Olimpíada de 2016, hora em andamento no Rio de Janeiro e noutras capitais.
Os dois, além da idade, em comum têm o fato de serem sidos adotados por nosso brilhoso Exército. Os dois recebem um soldo para sobreviverem às intempéries do cotidiano . Ele é sargento ...
Essa Olimpíada, como todas olimpíadas, é caríssima aos bolsos brasileiros.
Quanto custa uma Olimpíada.
Historicamente os governos brasileiros nunca investiram de verdade na educação, na cultura e nos esportes. Uma pena. Esse papo de bolsa disso e da daquilo incluindo para atletas, é uma piada de muito mal gosto.
Inaugurada no ultimo dia 5, a Olimpíada 2016, também chamada de Jogos Rio 2016, rendeu aos nossos representantes apenas 2 medalhas: a de ouro conquistada por Rafaela e a de prata, conquista por Felipe.
Na verdade, os nossos atletas são heróis por treinarem praticamente sozinhos sem o devido apoio do chamado poder publico.
Mais vamos torcendo para que o melhor sempre nos aconteça.
Dia desse, fui convidado pelo amigo e conterrâneo Erivan Dantas para comer uma feijoada no Hotel San Raphael.
Adorei o convite e a feijoada, uma das mais saborosas que o meu paladar refinadíssimo, já provou .
Na ocasião, tive a alegria de conhecer o fisioterapeuta das seleções masculina e feminina de judô. De cegos, é o detalhe.
Edmundo Costa é mineiro e integra das duas seleções há cinco anos.
O Hotel San Raphael me trás boas lembranças do tempo em que eu era repórter do jornal Folha de S.Paulo. é um hotel famoso, bonito e um dos símbolos da cidade de São Paulo. Nos seus quartos se hospedaram personalidades muito conhecidas, como a cantora Edith Piaf e Mohamed Ali.


domingo, 7 de agosto de 2016

FALTOU BAIÃO NO MARACANÃ

Os Jogos Olímpicos começaram ali pelos anos 800 a.C.
No começo, não eram tão espalhafatosos como o são hoje. E eram bons, principalmente por que não havia TV Globo e nem o chato de voz chata Galvão Bueno.
Na antiguidade, os jogos tinham por finalidade enaltecer e valorizar a força dos gregos.
Tudo começou em Olímpia, no ano de 776 a.C. com o domínio romano, as coisas ficaram ruins para os gregos.
Os jogos eram de cunho pagão.
O imperador romano Teodósio I, que de uma hora pra outra converteu-se ao Cristianismo, decidiu extinguir os Jogos. Isso no ano 993 d.C.
Cerca de 1500 anos depois de iniciados os Jogos Olímpicos, o barão de Coubertin (1863 - 1937), decidiu reascender a chama dos Jogos, isso em 1896, em Atenas.
O barão era francês, educador e historiador muito respeitado no seu tempo.
O barão, portanto, deu o pontapé aos jogos da Era Moderna.
Por razões até hoje ignoradas, as mulheres não participavam dos jogos da Antiguidade.
As mulheres só começariam a participar dos Jogos Olímpicos na virada dos 900.
Também demorou muito até que fossem criados os Jogos Paralímpicos.
As pessoas com deficiência visual, total ou quase total, passaram a disputar os jogos oficialmente em 1984, acho.
Em 1978, cegos de vários lugares do País participaram dos jogos estudantis, em Natal/RN, disputando o futebol; futebol dos cinco. Depois, em 1984, foi realizado o primeiro Mundial em São Paulo.
A presença de pessoas deficientes visuais nos Jogos Paralímpicos ocorreu em 1998, na Grécia.
Pessoalmente, acho de suma importância a realização desses jogos. Primeiro e principalmente porque reúne representantes de todos os países, incluindo os não reconhecidos pela ONU, como Vaticano, Palestina e poucos mais. É uma confraternização entre os povos. Ficamos sabendo, por exemplo, que o Brasil acaba de receber 207 representações estrangeiras. Detalhe: a ONU reconhece, oficialmente, apenas 193. 
Uma coisa, porém, não posso deixar de dizer: a sociedade em que vivemos é totalmente visual. Melhor: os poderosos que mandam. Na sociedade em que vivemos insistem em não reconhecer a existência de pessoas com deficiência física, visual ou mental. Quer dizer: grosso modo somos uma sociedade hipócrita, individualista... Uma sociedade que valoriza os seres "perfeitos". Quer dizer, somos ainda uma sociedade preconceituosa e aparentemente sem salvação. Doente.
O show de abertura dos Jogos Olímpicos, no Maracanã, dizem, foi liiiindo!
A televisão dos donos do poder não descreve os eventos para cegos.
Até onde ouvi, o espetáculo ganhou beleza com a participação do querido Paulinho da Viola. No mais a ver.
Musicalmente, o espetáculo ficou a dever. Não é o que as mídias estão dizendo por aí a fora. Foi uma salada de ritmos, mas não uma amostra real, que represente o nosso cancioneiro. E quem fez o repertório apresentado aos quatro cantos, sabe disso. Faltaram o baião, o forró, o xote, o arrasta pé, a marcha junina, que poderia ser uma reunião perfeita, mas faltou. E cadê o cantador repentista? Oliveira de Panelas, Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, Valdir Teles. Lembraram, ainda bem, do mineiro Ary Barroso... 
Na batucada final, por ironia do destino, de um colapso, morreu em sua casa o mais importante cirurgião plástico do mundo, que era brasileiro, Ivo Pitangui.
Pois bem, a plástica das Olimpíadas 2016, me disseram que foi perfeita.
Ivo Pitangui passou a vida inteira fazendo plásticas perfeitas, mas ele não cuidava de conteúdo... E ele, na véspera, carregou a tocha Olímpica pelas ruas do Rio de Janeiro.




ENTREVISTA À TV VEJA:
No último dia 2, dos 27 anos de desaparecimento do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, dei entrevista ao jornalista Sérgio Martins, da TV Veja: http://veja.abril.com.br/tveja/veja-musica/luiz-gonzaga-e-a-criacao-da-identidade-nordestina/ .

sábado, 23 de julho de 2016

PARA AQUELES QUE JUNTAM OS PEDAÇOS DO BRASIL. PARA FORMAR O PAÍS

As obviedades estão longe ou perto da gente?
Dia desse, há uns dois meses, o telefone tocou me chamando para participar do I Encontro Internacional de Discotecas, no Centro Cultural São Paulo.
Antes de aceitar, eu disse que o Brasil e os brasileiros, nós, sobrevivemos por insistência de sermos o que somos.
Meu Deus do céu, quando é que os dirigentes da empresa Brasil, o meu Brasil, de tantos brasileiros inteiros e íntegros, sobreviveremos ao não?
Não pra isso, não pra aquilo, não pra tudo. Mas, claro, se quisermos aprenderemos com o não. O não é sim, sempre que o questionemos.
Sexta, ontem, foi um dia maravilhoso.
Eu fui falar no Centro Cultural São Paulo, sobre Brasil e brasilidade; sobre literatura, música...








Cenas do I Encontro Internacional de Discotecas

Reencontrei muita gente, como Laís Barg, Alcides Campos... E conheci pessoas que me fizeram muito bem pela fala exposta no correr do evento, como a gaúcha Rosane Fontana de Camargo, que falou da importância da sua terra, sem esquecer o grande poeta Mário Quintana.
Eu conheço a Casa do Quintana, muito bonita e importante como celeiro do saber.
Do Rio Grande do Sul para São Paulo, a distância é curta.
A bibliotecária Monica Aranha, depois de falar de todas as dificuldades que encontra para manter vivo o sonho da preservação da história do nosso país, continuamos todos nós com o mesmo problema que ela enfrenta lá em Tatuí.
O I Encontro Internacional de Discotecas serviu para mostrar a deficiência do Estado no que diz respeito à manutenção da sua história.
Há dinheiro para tudo e muito mais, menos para a manutenção da história que faz o Brasil.
Até quando?



Veja a mesa 4 do I Encontro Internacional de Discotecas. A participação de Assis começa a partir de 1:01.




sexta-feira, 15 de julho de 2016

VIVA A ESPERANÇA!

O 14 de Julho é uma data que nos remete diretamente à expressão liberdade.
Foi em 1789 que o mundo livre passou a pautar-se pela igualdade e fraternidade; e, claro, liberdade.


Um soldado francês, Claude Joseph Rouget de Lisle, compôs numa madrugada a Marselhesa, o hino da França, o hino da liberdade do mundo livre. Mas nem todo o mundo é livre, tão pouco muitos dos seres que o habitam.
Ontem fui dormir com o coração sangrando de dor pelos mortos de mais um alienado que atirou o bólide que dirigia sobre uma multidão que comemorava alegremente o 14 de Julho.
Hoje nos reunimos com amigos em casa para comemorar o 27º aniversário da minha caçula, Clarissa. Ela é o presente que Deus nos deu em 1989, o dia exato em que o mundo livre comemorava os 200 anos da queda da Bastilha, na França.
O mundo anda de cabeça pra baixo, mas um dia se ajeitará.
Antigo ditado popular diz que "enquanto há vida há esperança". Nessa mesma linha outro ditado nos reforça "a esperança é a última que morre".
Enquanto houver Deus, a esperança viverá!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

ERA DEUS ASTRONAUTA?

Deus criou tudo e tudo mais, mas quem criou Deus?
Deus foi criado ou foi criador?
Para os antigos, não havia um Deus. Havia deuses. Mas, quando damos uma topada, automaticamente, blasfemamos e inconscientemente, soltamos a expressão clássica: “Meu Deus!”.
Quer dizer, há um só Deus?
É tudo muito complexo, incluindo nós. Mas é tudo muito complexo, porque somos complexos; insistimos em ser complexos.
Todos os deuses se resumem num só: o Criador.
O Criador é um ser invisível, é aquele que se multiplica em nós. No Velho Testamento, está dito que somos a semelhança de Deus.
O problema maior que nós criamos para nós é: quem é Deus?
Deus somos nós.
E vem também questão do tipo: há vida depois da morte?
Tudo é muito complexo...
Nascemos, viemos de onde?
A gente passa o tempo todo procurando sarna pra se coçar.
Uma vez, entrevistei para o jornal Folha de S. Paulo, caderno Ilustrada, o escritor Erich von Daniken, autor do clássico livro Eram os deuses astronautas?
A conversa foi longa e o tema, eterno.
Pra mim, só há um Deus: o que nos criou, o que nos inventou, aquele sobre quem nos disseram quando crianças que era Ele.

  
Fui a Marte e fui a Júpiter
e também fui a Plutão
visitei os sete mares
montado num tubarão
e depois voltei à Terra
mas a razão não digo não

Evitei mais de mil guerras,
na Terra, no Céu e no Mar
desarmei mais de mil bombas
de origem nuclear
e depois voltei pra casa
pra beber água e descansar

Mas descansar, não descansei,
mandei Hitler se matar
Lampião ir pro inferno
e Obama se lascar
e não fiz mais porque não quis
o mundo todo se acabar!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

QUEM FOI DEUS, QUEM É DEUS?...

Já faz um tempo enorme que inventaram o mundo. Na verdade, na verdade, ninguém sabe quem fez o mundo. Tudo quanto foi filósofo, incluindo o grande Aristóteles tentou dar credibilidade e autoria ao dono do mundo.
Quem foi ou quem é o dono do mundo?
Obama, Putin, ou quem?
Digamos que foi... Deus.
Quem foi Deus, quem é Deus?
Quando crianças, aprendemos que Deus foi e é o criador de tudo; do mundo, inclusive.
Eu sempre gostei de Deus.
Eu estudei em colégio de padres seguindo os ensinamentos divinos, crendo que Deus criou tudo. Inclusive eu, meu pai, minha mãe, meus avós, os avós dos meus avós, todos e tudo!
Pois bem, Deus sempre soube tudo e por isso é único. Independentemente do nome que lhes dão noutras línguas, além do português/brasileiro.
Que Deus sempre soube de tudo, isso soube –e sabe. E sabe também que o bom gosto é fundamental na boa convivência humana. Pra ter bom gosto, tem que ter cultura. Este, o ponto!

Deus fez o mundo porque se não o fizesse faria algo diferente do seu gosto pessoal.
Deus é criador, é artista.
Eu tenho um monte de amigos artistas. O cartunista Fausto, por exemplo, não viveria feliz se não fizesse cartum. E o tempo todo. A isso damos o nome de necessidade visceral. As cantoras Celia e Celma, eu não imaginaria, nunca, vivendo sem cantar; mesmo a alma alheia.
Dá pra pensar em fortuna sem fazer cartum? Sem Ziraldo fazer cartum? Sem Jaguar fazer cartum? Sem Alcy fazer cartum? Angeli, Paulo e Chico Caruso... E Glauco, hein?
Aliás, acabo de saber pela querida Chris Rufatto, e Fausto, que boa parte da obra do Glauco está sendo exposta nas dependências do Itaú Cultural, ali na Av. Paulista.
A vida que Deus nos deu, e nos dá, é incrível. Incrível sob qualquer aspecto.
Da segunda metade do século passado até os dias atuais, a minha profissão de jornalista, levou-me a conhecer, em parte, o mundo e pessoas que Deus criou. Eu conheci todos os nomes aqui citados e dele tornei-me próximo.
Continuo recebendo muita gente bonita no lugar onde moro. Tinhorão, quando vem aqui – e vem pelo menos uma vez por semana – conversamos sobre tudo e mais e mais. O mesmo acontece quando aqui chegam Fausto, José Cortêz, Vitor Nuzzi, Zé Hamilton Ribeiro, José Pinto, Osvaldinho da Cuíca, Rômulo Nóbrega, Téo Azevedo, Jackson Antunes, Jorge Ribbas, José Antonio Severo, Celia e Celma...
É fantástico o mundo que Deus criou, incluindo este Brasil...
A tarde de hoje foi pouca pra Fausto e eu entendermos a sinuca em que o mundo de Deus hora se transformou. A Europa tá como tá, com gente morrendo, se lascando pelo individualismo...
A xenofobia e a homofobia são males que o mundo passou a identificar recentemente e as vítimas estão na casa dos milhões, talvez bilhões. Pois nesse mundo de Deus há mais de 7 bilhões de almas morrendo e renascendo todos os dias. Aliás, daqui a duas semanas a Cortêz Editora porá nas livrarias, um livro tratando desse gravíssimo assunto que é a xenofobia.
Pois é, ou salvamos o mundo que Deus criou, ou morremos com ele, o mundo.  






domingo, 10 de julho de 2016

VIVA ROSIL CAVALCANTI!

Em dimensões territoriais, o Brasil ocupa o 5º lugar entre todos os países identificados pela ONU (Organização das Nações Unidas). Em termos populacionais, o Brasil está na lista dos dez mais. Quer dizer, o nosso é um país e tanto! Aqui tem de um tudo, como diria a minha avó Alcina, do alto da sua sabedoria. E tem de um tudo mesmo. Por exemplo, tem ladrão a dar com pau e nossas riquezas são tantas que não acabam nunca. É o que parece, não é mesmo?
E sobre a nossa história, a história do nosso país, hein?
As escolas estão muito aquém da necessidade. Alunos de todas as idades estão aprendendo por conta própria, ou seja: na universidade livre da vida.
Seria muito importante se todos nós soubéssemos da história do nosso País. Para quem ainda não sabe e é fácil não saber, o Brasil foi invadido e sucateado há pouco mais de 500 anos, por Cabral e celerados.
Essa história pode ser ouvida através da nossa música popular.
Os primeiros registros fonográficos que foram feitos no Brasil datam de 1902. A primeira gravação já traz citação em um dos nossos Estados: Rio Grande do Norte.
Pois bem, na música popular brasileira se acha praticamente toda a história do nosso País, mas pouca gente sabe disso, por incrível que pareça.
Na nossa música se acha a nossa história em detalhes. Basta ouvir Ary Barroso, Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré, Chico Buarque, João do Vale, Noel Rosa e  Rosil Cavalcanti.
Você conhece a obra do pernambucano Rosil Cavalcanti, cujo centenário de nascimento completou-se em dezembro do ano passado? Para saber mais, sugiro a leitura do livro “Para dançar e xaxar na Paraíba - andanças de Rosil Cavalcanti”, de Rômulo C. Nóbrega e José Batista Alves.

Ah, Jorge Ribbas e eu fizemos uma pequena homenagem a esse grande compositor, autor de pérolas gravadas por Jackson do Pandeiro e algumas mais pelo Rei do Baião. 

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