O homem parece imitar Deus em tudo. Enfim, Deus diz que somos a sua imagem e semelhança.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
TRAMBOLHO DA NASA CHEGA À MARTE (2, FINAL)
O homem parece imitar Deus em tudo. Enfim, Deus diz que somos a sua imagem e semelhança.
TRAMBOLHO DA NASA CHEGA À MARTE (1)
O trambolho especial logrou êxito, chegando ontem 18 ao alvo programado.
HISTÓRIAS DAS ARÁBIAS. PRINCESA PRESA (1)
Não tem sapo, nem príncipe
Nem fada com seu condão
Tem uma princesa presa
Pedindo ao rei perdão
Esse rei é o seu pai
Sujeito sem coração
Pois é, parece mesmo um conto de fada. Ou de cordel. Mas não é.
Essa história é real e está em andamento nos Emirados Árabes Unidos. O nome da vítima é Latifa, uma princesa filha do rei Mohammed Bin Rashid al-Maktoum.
Não tem dragão, não tem bruxa e outras figuras do reino encantado nessa história absurda.
O caso é real, realíssimo em todos os sentidos. E aos poucos começa a aparecer no noticiário internacional.
O caso de Latifa está chegando para apreciação da Organização das Nações Unidas.
Isso é cárcere privado. Caso de investigação.
De alma e sentimento
Pelo pai foi sequestrada
Sem razão, sem cabimento
O mundo agora segue
Sua dor, sofrimento
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
O IBGE QUER SABER QUEM SOMOS
Ouvi agora há pouco a apresentadora do Jornal Hoje, Maju, da TV Plim Plim dando a notícia de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, está chamando pra trabalhar mais de 200 mil brasileiros. É uma boa, não é?
O IBGE é uma Instituição de grande importância e credibilidade, pois à ela cabe o levantamento do comportamento dos brasileiros.
Além do censo demográfico, ao IBGE cabe identificar o fazer do povo. Quer dizer: o censo praticado pelo IBGE procura, fundamentalmente, identificar quem são os brasileiros.
A propósito, Carmem Miranda gravou uma música falando desse assunto. Ouça: RECENSEAMENTO
A última vez que o IBGE publicou o resultado de um censo foi em 2010.
No censo de 2010 faltaram dados mais específicos sobre pessoas com deficiência. Cegos, inclusive.
Tomara que o censo que se iniciará ainda este ano traga dados mais reais sobre o cego. Particularmente tenho interesse nisso.
Maju é uma jornalista como eu. E ao contrário de mim, maravilhosa. Confira:
JAIR RODRIGUES, SAUDADES...
![]() |
| Assis e Jair Rodrigues, no programa São Paulo Capital Nordeste |
Depois de rir, ela diz: Eu acho que eu conheço isso. Isso é de Jair Rodrigues?
Sim, Anna. Essa música, Deixe isso pra Lá, não é do Jair. É dos compositores Alberto Paz e Edson Menezes, gravada em 1964 por Jair Rodrigues.
Aquele ano 1964, foi brabo.
Aquele ano durou até 1985.
Anna, uma menina estudante de Artes Visuais, pergunta: Por que você diz que aquele ano foi um ano brabo?
A madrugada de 1º de abril de 1964 chegou trazendo guerra de brasileiros contra brasileiros. Tanques na rua.
Jovens soldados armados marchando cegos sob o comando de velhos soldados.
Deu no que deu: um ex-capitãozinho mandando e desmandando no Brasil de hoje. Cuidemo-nos.
Anna não viveu 1964.
Anna é da safra de 98. FHC na parada.
Deixe Isso pra Lá foi um desenho do que é hoje o rap. "Eu sou pioneiro, Cachorrão", brincou comigo um dia Jair no programa São Paulo Capital Nordeste, que eu apresentava na rádio Capital AM 1040. Pra lembrar, clique:
Ah, sim! Jair Rodrigues de Oliveira nasceu no dia 6 de fevereiro de 1939, em Igarapava, SP.
DEUS E O DIABO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
É isso que eu acho. Mas: Deus e o Diabo têm o mesmo peso na conversação política.
POLÍTICOS NA MÚSICAS POPULAR
Na nossa música se acham todos os temas possíveis e inimagináveis do nosso viver cotidiano. Claro, em todos os ritmos.
Dorival Caymmi (1914 - 2008), cantor do viver baiano, tem muita coisa boa.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu João Valentão?
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
CARNAVAL, PECADO E CINZAS
O amigo leitor deve ter percebido algo curioso na data de nascimento desses dois artistas brasileiros. Um nasceu em fevereiro e o outro, em março.
O Carnaval é uma festa móvel do nosso calendário de datas festivas.
Os dias de Carnaval estão atrelados à Páscoa.
O Carnaval, era nas suas origens, uma comemoração pagã. De olho nisso a Igreja entrou na parada e tomou para si essa festa, incluindo-a no seu calendário de datas comemorativas.
O Carnaval começa 46 ou 47 dias antes da Páscoa. A Páscoa começa sempre num domingo.
Depois da terça-feira de Carnaval, vem a quarta-feira de Cinzas e aí começa um período de 40 dias, Quaresma, em que os cristãos pagam seus pecados de antes e pós Carnaval.
Pecado por pecado muita gente pagou com a vida ao contaminar-se com a febre amarela, a varíola e a gripe espanhola.
Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, pegou varíola, mas escapou. Era menino quando isso ocorreu. A doença, também chamada de bexiga, virou apelido do menino: Bexiguinha.
De Bexiguinha pra Pixinguinha foi um passo.
Pixinguinha foi um grande adepto do Carnaval, chegando a desfilar ao lado de bambas da sua época, incluindo o erudito Eleazar de Carvalho.
Eleazar, por sua vez, chegou a arriscar-se a compor música para os seguidores de Momo, sob o pseudônimo Razaele. Não fez sucesso algum, sucesso faria anos depois como maestro regendo orquestras dos EUA e da Europa. Em 1962 criaria o Festival de Inverno de Campos de Jordão, mas essa é outra história.
Em 1897, uma epidemia de febre amarela desabou sobre o Rio de Janeiro. Naquele ano o Carnaval foi adiado de fevereiro pra junho. Meio boca, mas houve.
A morte do Barão do Rio Branco em 1912, levou o governo a adiar o Carnaval de fevereiro para junho. O povo não gostou, mas deu um jeito: brincou o Carnaval em fevereiro e também em junho. Clique: BARÃO DO RIO BRANCO E CARNAVAL
O Barão dizia que as únicas coisas que funcionavam no Brasil era a bagunça e o Carnaval.
Em setembro de 1918 a gripe espanhola, assim chamada uma gripe surgida nos EUA, chegou ao Brasil e matou um mar de gente.
Tão rápida e misteriosamente chegou, assim foi-se a Espanhola. Ficou por aqui durante uns três meses e no fevereiro seguinte quem escapou dessa praga caiu na gandaia.
Foi o Carnaval mais depravado da história, dizem nas suas memórias Pedro Nava e Nelson Rodrigues. Leia: GRIPE MATA!
Pixinguinha deixou centenas e centenas de músicas, entre as quais os clássicos Carinhoso e Rosa. E também muitas composições para o Carnaval.
Pois é, depois da terça-feira de Carnaval, vem a quarta-feira de Cinzas. Ouça:
TOQUINHO & VINÍCIUS - MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS • MARIA, CARNAVAL E CINZAS - LUIZ CARLOS PARANÁ
FAGNER CONTA CAUSOS NA TV CULTURA
Ao apresentador Marcelo Tas, Fagner relembrou sua trajetória artísticas e as peladas de futebol que fez com Chico, Pelé e Zico.
Fagner contou também que, verdade ou mentira, por pouco não disputou a Copa de futebol de 1982. Houve vários pontos engraçados no decorrer da entrevista.
Amigo de políticos cearenses, Fagner contou que chegou a ser convidado a concorrer aos cargos de Deputado e até Governador no seu Estado.
Sobre se voltaria a apoiar ou não Bolsonaro, Fagner subiu no muro que nem psdebista que é.
Essa história de apoiar Bolsonaro, disse ele, foi mais por um acaso. "Eu estava num avião e Bolsonaro bateu uma foto minha, com ele".
Ali pelo meio da entrevista a Tas, Fagner lembrou a "cantada" que seu futuro pai deu na futura mãe. Detalhe: na ocasião o pai, um libanês, se achava num velório velando o corpo da sua primeira mulher.
Fagner tem sempre boas histórias para contar.
Toda vez que eu o entrevistei, sempre dele colhi bons causos.
Entrevistei Fagner várias vezes, ao vivo, para o programa São Paulo Capital Nordeste que eu apresentava na rádio Capital AM 1040.
Na foto ao lado, registro de um prêmio que ganhamos em Campina Grande, PB.
DEMOCRACIA EM PERIGO
Mais uma agressão contra a nossa democracia ocorreu há poucas horas. Quando o deputado Daniel Silveira, também ex policial militar, soltou um vídeo nas redes esculhambando com os ministros do STF e pedindo de volta o Ato Institucional n5.
Um horror!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
TERÇA GORDA DE CARNAVAL
Há muito tempo não ouço a expressão "terça-feira gorda". Essa terça-feira que chamávamos de gorda talvez não exista mais, pelo menos no tocante à expressão.
Eu era menino quando ouvia minha avó falar dessa expressão: "Meu netinho, vamos comer que hoje é terça-feira gorda!".
Essa terça antecede a Quarta de Cinzas, início da Quaresma de 40 dias que finda na Páscoa.
Pois bem, a terça é o único dia de Carnaval marcado no calendário católico. E não é feriado no calendário festivo do País. Muita gente pensa que é, mas não é.
Esta terça-feira de hoje será marcada historicamente pela pandemia que ora assusta o mundo. Assusta e mata.
O vírus do novo Corona já pegou, só no Brasil, 10 milhões de pessoas.
Triste, muito triste é essa terça-feira que vivemos.
Dizer mais o quê?
Os brasileiros precisam reagir contra a desgraça que o Brasil ora vive, a partir do governo que se aboletou no Planalto.
Está tudo errado, presidente e seu governo.
Amanhã 17 é Quarta de Cinzas.
Cinzas que vivemos já a pouco mais de 2 anos. Triste.
VIVA O BRASIL, BRASILEIROS!
Claro que gostaríamos de saber o que se passa na cabeça do homem mais representativo do Brasil, politicamente falando.
Claro que gostaríamos de saber o que sente o homem mais representativo do Brasil quando o povo o classifica de tirano, canalha...
Claro que gostaríamos de saber o que pensa o mais importante figurão da República quando sabe que o povo o detesta.
Claro que gostaríamos de saber tanta coisa que não sabemos, especialmente de alguém que foi eleito equivocadamente para governar um país.
Claro que gostaríamos...
DESFALQUE NO GRUPO DEMÔNIOS DA GAROA
Sobre esse grupo escrevi o livro Pascalingundum, Os Eternos Demônios da Garoa, capa acima.
Quando esse grupo completou 50 anos de atividade, ou quase, fui convidado pela direção da extinta gravadora Warner/Continental a escrever a contracapa. Leia:
BOLSONARO QUER POR FOGO NO BRASIL
Nunca, em tempo algum, o Brasil teve um presidente tão mixuruca e espiritualmente violento como Bolsonaro.
Há menos de 24 horas, Bolsonaro ocupou as redes sociais pra disparar contra o Facebook e a Imprensa. Textualmente disse: "O certo é tirar de circulação, não vou fazer isso porque eu sou um democrata, Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Antagonista… que são fábricas de fake news. Agora, deixa o povo se libertar. Logicamente que, se alguém extrapolar em alguma coisa, tem a Justiça para recorrer”.
O bicho é invocado
Só gosta de confusão
Anda com fogo no bolso
E gasolina na mão
O que vai fazer com isso
Tacar fogo na Nação
Dizer que é bicho macho
Como macho Lampião
Que na hora derradeira
Levou chumbo no Sertão?
O Capitão é muito louco
Esse bicho é anormal
Se pudesse fecharia
O Supremo Tribunal
Mas isso ele não pode
Nem se fosse General
Jornalistas levam pau
De graça do presidente
Que adora bater forte
No lombo de sua gente
Que a Deus pede rezando
Um futuro diferente
Esse cara fala mal
Todo dia do seu povo
Caia chuva, faça sol
Ele grita que nem corvo
Alisando aquela cobra
Que tranquila choca ovo...
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
CAUBY COMEÇOU NUM CARNAVAL
O Carnaval cai em fevereiro ou março, pois é uma festa móvel que depende da Páscoa.
Este ano, por exemplo, o Carnaval caiu num fevereiro de pandemia braba. Ai, ai.
assisangelo_imb
domingo, 14 de fevereiro de 2021
HOJE É DIA DE AUGUSTO DE CAMPOS. PARABÉNS!
O amigo radialista Carlos Sílvio telefona pra dizer que não tem o que fazer. E por não ter o que fazer está atualizando leituras. Um dos livros cuja leitura está concluindo é Balanço da Bossa e Outras Bossas, do poeta Augusto de Campos. Rápido como um raio pergunta: você conhece esse poeta?
Bom, vamos falar sobre o poeta contextualizando sua história.
Muita gente boa nasceu e nascerá em fevereiro de Carnaval. O santista José Ramos Tinhorão nasceu no dia sete de fevereiro de 1928.
O paulistano Augusto de Campos nasceu no dia 14 de fevereiro de 1931.
Augusto, irmão de Haroldo (1929-2003), é um intelectual de respeito. Poliglota, o escambau.
Tinhas uns vinte anos quando foi às livrarias o seu primeiro livro, de poesia.
Aparentemente Augusto de Campos é um poeta normal, com traços de fina ironia. Nesse ponto, faz par com Tinhorão.
Tinhorão e Campos têm textos primorosos. Só que Tinhorão sempre acreditou ser possível ter o Brasil uma identidade cultural própria, pura sem estigmas.
Ainda muito cedo, começos dos anos de 1950, Campos juntou-se ao irmão Haroldo e a Décio Pignatari(1927-2012). Os três mexeram profundamente na estrutura da poesia tradicional brasileira.
Enquanto Tinhorão fazia-se presente no País através do textos brilhantes que publicava no Jornal do Brasil, os três os poetas detonavam a poesia como tal conhecemos e inventavam o Concreto, a poesia concreta.
Quem faz poemas concretos é poeta concretistas.
A poesia movimentou-se nas águas do Naturalismo, do Realismo, do Romantismo, do Simbolismo e do Parnasianismo.
Aloísio de Azevedo foi Naturalista. Esse movimento começou ali pela metade do século 19.
Castro Alves foi um representante fortíssimo do Romantismo como fortíssimo fora no Simbolismo Alphonsus de Guimarães (1870-1921)e o paraibano Augusto do Anjos(1884-1914).
Olavo Bilac, que além de poeta foi jornalista, representou muito bem o Parnasianismo.
Pra quebrar a monotonia dos versos presos por rimas, os Campos e Pignatari chutaram o pau da barraca que resultou no Concretismo.
Para os tradicionalistas, foi um Deus nos acuda.
Um dos primeiros seguidores desse movimento, o paulista de Cajobi, Mário Chamie(1933-2011), achou esse movimento chato. E também chutou o pau da barraca. Resultado: Praxis.
O movimento Praxis foi inventado pra demolir com toda energia possível, o Concretismo.
O primeiro livro que marcou esse movimento foi Lavra Lavra, de 1962.
Chamie, que chegou a gravar um CD declamando seus poemas(CPC Umes) morreu emburrado com os poetas concretistas, especialmente Augusto.
E Tinhorão, hein?
Os concretistas continuaram achando o contrário do que sempre achou Tinhorão, em termos culturais.
Para os Concretistas a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo são a essência da essência do nosso Patropi, mesmo sem a pureza perseguida por Tinhorão.
Augusto de Campos acha João Gilberto(1931-2019) um gênio da raça, por exemplo.
O livro Balanço da Bossa e Outras Bossas(Ed. Perspectiva, 1978) trás nas suas trezentas e tantas páginas uma geral sobre o que representou a Bossa Nova no Brasil e no Exterior. Além disso, o autor não se omite de expor seu pensamento sobre o Tropicalismo e dos festivais de música popular.
É um livro bom, sem dúvida. E ainda legível, principalmente pra quem não viveu os movimentos musicais a parti da Bossa Nova.
Sílvio conta que os livros de Tinhorão são livros necessários à compreensão do Brasil desde o achamento pelos portugueses e outros povos que pisaram o nosso solo."Não li tudo do Tinhorão, mas eu acho esse cara fundamental pra todos nós", ressalta o radialista.
O poeta Augusto Luís Browne de Campos está completando hoje 90 anos de idade.
Ao poeta, meu respeito e admiração.
sábado, 13 de fevereiro de 2021
CARNAVAL DA PANDEMIA
Oficialmente, as ruas e avenidas de São Paulo e Rio de Janeiro estão em silêncio. Motivo: a Pandemia provocada pelo Novo Coronavírus.
Apesar disso, os brasileiros que gostam de sambas de enredo não vão dormir cedo. Motivo: a TV Globo vai retirar dos seus arquivos pérolas de antigos carnavais do Rio e São Paulo.
Ao todo, serão 28 enredos escolhidos a dedo pelas ligas das escolas de samba e RJ e SP.
Caso queiram, os mais apressados podem acompanhar aqui alguns dos sambas que irão ao ar hoje 13 e amanhã 14 na telinha da plin, plin:
Liberdade ! Liberdade! Abre as asas sobre nós
https://www.youtube.com/watch?v=vtItwpeTqmk
Salgueiro: Peguei um Ita no norte
HISTÓRIA
Se o amigo e a amiga clicarem aqui, saberão como e quando começaram a ser feitos os sambas de enredo:
http://assisangelo.blogspot.com/2014/02/o-fim-dos-sambas-de-enredo.html
A RAINHA DO BAIÃO ERA DE SAMBA ENREDO
![]() |
| Assis junto com Marinês (rainha do xaxado), Carmélia (rainha do baião) e Anastácia (rainha do forró), foto feita num estúdio da Rádio Capital |
É certo, certíssimo, que pouquíssimas pessoas sabem que Carmélia Alves, a Rainha do Baião, foi a primeira mulher na história da nossa música a gravar um disco (LP) inteiro com sambas de enredo. Pois é.
Isso aconteceu em 1969 e o seu parceiro de empreitada foi um cabra incrível nascido em São Paulo chamado Geraldo Filme (1927-95).
Era paulistano, descendente de escravos. Gente fina, bonita, respeitosa, um cidadão do tamanho de Deus. Amigo e parceiro de Osvaldinho da Cuíca. Dele é, por exemplo, o samba Silêncio no Bixiga. Ouça: SILÊNCIO NO BIXIGA
Em 1969, Geraldo e Carmélia se juntaram pra gravar sambas de enredo. Coisas bonitas, que tratam da nossa história.
A voz de Carmélia tinha a beleza do rufar dos tambores de África, embora fosse ela de pele branca. Era grandona, que nem a nossa Aparecida.
O amor não é cor. Melhor: o amor tem, traz e mostra todas as cores da vida, da natureza.
O disco Sambas Enredo das Escolas de Samba de São Paulo é uma pérola. Clique:
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
MESTRES DE FEVEREIRO: MARTINHO DA VILA, OSVALDINHO DA CUÍCA...
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de Américo Jacomino?
Martinho, Osvaldinho e Dominguinhos.
Dos três, José Domingos de Moraes é o mais novo. Já está no céu tocando sanfona pra Deus e seu filho Cristo e todo mundo que gosta de alegria e ama. Deixou uma obra incrível, iniciada em 1964 com a gravação do LP Fim de Festa (Cantagalo; Direção de Pedro Sertanejo).
Martinho José Ferreira, da Vila, é o mais velho, nascido em 1938.
Osvaldo Barro, o Osvaldinho da Cuíca, nascido em 1940, acaba de trocar a Capital paulista por Atibaia, SP, lugar onde viveram seus últimos dias Noite Ilustrada (Mário de Souza Marques Filho; 1928-2003) e Sílvio Caldas (1908-1998). Começou a gravar discos pela extinta Marcus Pereira, nos anos 70.
Osvaldinho tem uma obra fenomenal e fundamental para que o Brasil seja melhor visto através da música, naturalmente.
No decorrer de todos os anos que até aqui tem vivido, Osvaldinho acompanhou Adoniram Barbosa, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Cartola, Zé Keti, Nelson Sargento, Elton Medeiros, Clementina de Jesus, Beth Carvalho, Toquinho e Vinícius de Moraes, Paulinho da Viola, Martinho da Vila…
A história de Osvaldinho da Cuíca, como a história de Martinho da Vila e Dominguinhos, não cabe neste espaço. É grande demais.
Os três artistas aqui lembrados nasceram no mesmo dia e mês: 12 de fevereiro.
Um testemunho: vivi de perto com Dominguinhos (1941-2013), que chegou a prefaciar um livro meu (Eu Vou Contar pra Vocês; Ed. Ícone, 1990) e a gravar uma música que fiz em parceria com Gereba, Hino ao Céu. Ouça:
Pra Osvaldinho compus Batuque pra Cuíca, este:
Em São Paulo tem batuque
Digo e provo, sim senhor!
E muita gente bonita,
Demonstrando seu valor
Osvaldinho da Cuíca
Do pandeiro e do tambor
É um grande ritmista
Do batuque, professor!
Mas pra ele tanto faz
O pandeiro ou o tambor
Importante no batuque
É o que vem da sua cor
O batuque vem de longe
Vem da alma, vem da dor
Vem dos olhos, vem das mãos
E dos pés do dançador
Todo mundo bate palmas
Pra quem é batucador
Quem batuca também dança
Ao som livre do tambor
Osvaldinho da Cuíca
Também é batucador
Ele toca ele encanta
Abraçado a bom tambor
Osvaldinho da Cuíca
Do batuque é professor…
Sobre Martinho e Dominguinhos, mais Osvaldinho, já escrevi tanta coisa e temendo repetir, sugiro que vocês acessem os links: OSVALDINHO DA CUÍCA, 80 • JOSÉ DOMINGOS DE MORAES, 70. VIVA! • O HISTÓRICO DIA DO FICO
Martinho da Vila vocês vão encontrar no programa São Paulo Capital Nordeste. Aqui: SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE, parte 4
Ia-me esquecendo: Américo Jacomino foi um violonista nascido em São Paulo no dia 12 de fevereiro de 1889. Era canhoto. E por ser canhoto ganhou o apelido “Canhoto”. Gravou o primeiro disco em 1912. O tempo foi correndo e ele encantando quem o ouvia. Morreu em 1928. A sua obra é fabulosa. Dela consta
Abismo de Rosas. Ouça: ABISMO DE ROSAS, por Canhoto
CARMÉLIA DE BAIÃO TAMBÉM ERA DO FREVO
Você já ouviu falar de Carmélia Alves?
Carmélia Alves era uma mulher arretada, filha de cearense com carioca. Cheia de graça. Risonha o tempo todo. Cativante.
Muita gente pensa que Carmélia era nordestina. Pois é, não era não.
Carmélia nasceu em 1923, no Rio de Janeiro.
Era uma grande intérprete, composição não era com ela. Mas ela sabia distinguir o bom do não bom. E foi assim que ela conheceu Luiz Gonzaga e suas músicas e seus parceiros, como Zé Dantas e Humberto Teixeira.
Virou Rainha do Baião, com coroa e tudo posta na sua cabeça pelo, rei Luiz Gonzaga.
Carmélia foi minha amiga. Ela vinha a minha casa e eu à casa dela, em Teresópolis, RJ.
Carmélia Alves começou a carreira imitando Carmen Miranda (1909-1955).
O primeiro disco de Carmélia, um 78RPM, foi gravado de modo independente na RCA. Final dos 40. Nelson Gonçalves e outros bambas participaram do coro.
De voz possante, ela gravou de um tudo. Até música de Carnaval. Ouça:
FOME COM VONTADE DE COMER. EITA!
Nesta semana que termina, muitas incógnitas surgiram no mundo político. De repentemente.
É CARNAVAL. E AS MARCHINHAS?
Chiquinha esteve muitos anos a frente do seu tempo. Muitos carnavais se passaram desde que ela compôs Ó Abre Alas.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
HISTÓRIA VIVA, MEMÓRIA MORTA. PAÍS SEM MEMÓRIA
Somos um país sem memória porque somos um país com grande número de analfabetos.
Os números indicam que somos um país com 12% de analfabetos totais e 30 não sei quanto porcento de analfabetos funcionais.
No quesito história, somos praticamente zero.
É como não nos interessássemos pela vida que vivemos e pela vida do nosso País.
Em andamento no STF, mas já com maioria alcançada, o Brasil não terá juridicamente direito ao esquecimento.
Esse é um assunto importantíssimo, pois tem a ver com censura e impedimento do trabalho do jornalista. Se isso passa, estaríamos historicamente todos fritos.
Fatos são fatos.
Fatos contam histórias e a história do Brasil não pode nunca ser esquecida, jamais apagada.
Apesar dos pesares fato algum pode ser levado ao esquecimento. Se assim fosse, nada saberíamos da presença dos invasores estrangeiros no território brasileiro, as revoltas populares, a escravidão e por aí vai.
A conclusão a que chegou a maioria dos ministros do STF deveu-se a um processo provocado por uma família do Rio de Janeiro que teve um dos seus integrantes morto violentamente. No caso, uma jovem de 25 anos chamada Aída Cury. Esse caso aconteceu em 1958 e foi amplamente noticiado pela Imprensa da época.
FOLCLORE DA CACHAÇA
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
A CACHAÇA NA MÚSICA POPULAR
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