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domingo, 23 de fevereiro de 2014

O FIM DOS SAMBAS DE ENREDO

Denominou-se Deixa Falar a primeira escola de samba do País, surgida no Rio de Janeiro, em 1928.
Entre seus fundadores achava-se o compositor Ismael Silva.
Em São Paulo, em 1937, a primeira escola a receber essa denominação foi a Lavapés.
O primeiro samba-enredo carioca data dos anos de 1940, mas há controvérsias em torno da questão. O primeiro LP com registro de desfile de escolas de samba foi lançado em 1958.
Em 1949, a escola de samba Império Serrano desfilou com Exaltação a Tiradentes. Seis anos depois, o cantor Roberto Silva gravou com o título reduzido para, simplesmente, Tiradentes.
Não era bem um samba-enredo.
Pela Chantecler em São Paulo, em 1969, Carmélia Alves e Geraldo Filme gravaram o primeiro LP só com sambas de enredo (acima, reprodução da contracapa), com pérolas como São Paulo Antigo, História do Aleijadinho e Biografia do Samba.
Mas o samba-enredo de qualidade acabou, ou está se acabando. E  os motivos resumem-se num só: grana.
Hoje, muito mais do que ontem, as escolas fazem tudo por dinheiro, dede aumentar o ritmo do samba a “biografar” quem pagar mais. E a constatação é mais do que simples: basta ouvir os discos dos últimos dez, 15 anos, de São Paulo ou do Rio de Janeiro.
Compor um Chica da Silva como foi composto em 1963 e a Salgueiro mostrou na avenida, impossível.
E o que dizer da obra-prima Heróis da Liberdade, que Mano Décio, Silas de Oliveira e Manoel Ferreira compuseram para a Império Serrano em 1969, em plena ditadura militar, hein?
E como compor nos dias atuais sambas da qualidade de um O Mundo Encantado de Monteiro Lobato, com o qual a Mangueira desfilou em 1967?
Esses são sambas definitivos como Os Sertões, que a escola Em Cima da Hora apresentou ao Brasil em 1976.
Um dos últimos sambas-enredo com a grandiosidade que todos merecem foi Liberdade, Liberdade, na avenida em 1989 pela Imperatriz Leopoldinense.

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