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sexta-feira, 24 de maio de 2024

ASSOCIAÇÃO PARA VICIADOS EM LIVROS

Vivemos um tempo de alucinações, de loucuras catastróficas.
Vivemos um tempo perigoso, de banalidades absolutamente vulgares, sem uso, sem préstimos, sem nada.
De fato, vivemos um tempo perigosíssimo. Um tempo de desentendimentos, de brigas, de malvadezas, de injustiças, traições, guerras e tudo mais. A minha sábia avó Alcina, do alto das suas reflexões, disse muitas vezes que o mundo estava pra se acabar. E o fim da Terra e de todos nós seria violento e definitivo, com bolas de fogo enormes rolando ladeira abaixo. Eu a ouvia dizer isso já ali pela metade dos anos de 1950.
Drogas de todos os tipos são consumidas à
granel.
Hoje em dia há vício pra todo tipo de viciado...
"Você tá lendo feito um doido, Assis!", interrompeu-me a querida e paciente Anninha, acrescentando: "Se não existe, é melhor criar o Leitores Anônimos".
"O que viria a ser isso?", pergunto. Ela: "Sei lá! Algo como uma associação de leitores viciados em livros, como Alcoólicos Anônimos. Por aí".
Isso!
Acho que Anninha, nossa Anna da Hora, que de certo modo lamenta não ler tanto quanto eu, tem razão. Sim, a ideia dela é boa. Viria, pois, a calhar um tipo de, por exemplo, Associação para Viciados em Livros. AVL!
Viria à calhar até porque pesquisas indicam que há cada vez mais queda no índice de leitores de livros.
Nos últimos anos tenho, de fato, consumido muitos livros. Consumido porque ler, ler mesmo, não leio. Ouço. 
Tenho ouvido centenas de livros. No mínimo dois por semana. Essa semana, por exemplo, ouvi três: os romances Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar e Os 12 Mandamentos, de Sidney Sheldon; e o Infantojuvenil Ilha Perdida, de Maria José Dupré, mesma autora de Éramos Seis. Agora, hoje, comecei a devorar Felicidade Clandestina, da imensa Clarisse Lispector. 
"Isso é ou não é vício?", com deboche pergunta Anninha. Ela acrescenta: "Do mês passado pra cá li o romance Orgulho e Preconceito, da Jane Austen".
Acho graça do jeito como ela conta isso. De que fala esse livro, Anninha?
"Fala de uma mulher chata e um pouco arrogante que detesta um cara mais chato e mais arrogante ainda. No final os dois se apaixonam, é mole?".
Bom, ainda bem que o personagem aí é completamente diferente de mim. Eu sou um doce!
Nesse meio tempo vou dizendo coisas neste Blog e cumprindo o compromisso de preencher uma página no Newsletter Jornalistas&Cia. 
Ano passado publiquei mais um livro, dessa vez em parceira com o cartunista Fausto Bergocce. Titulo: Histórias de Esquina. 
Também tenho publicado folhetos de cordel como O Sedutor Casanova e tal.
Ainda este ano lançarei o livro A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama, uma adaptação que fi de Os Lusíadas, de Camões; e mais um: Do Popular ao Erudito: O Sexo como Expressão Artística. 
Pois é, é isso.


quarta-feira, 22 de maio de 2024

O BAIÃO SUMIU. POR QUÊ, HEIN?

O dia 22 de maio de 1946 caiu numa quarta, como hoje. Naquele dia o grupo musical Quatro Ases e um Goringa entrou em estúdio e gravou para a extinta RCA Victor o primeiro baião de toda a historiografia discográfica. Título: Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. 

O lançamento de baião como ritmo e gênero musical provocou espanto crescente entre produtores e consumidores de discos de 78 RPM, que era o que se tinha pra rodar num fonógrafo e tal. 

À medida que o tempo ia passando, multiplicavam-se as gravações do ritmo criado por Gonzaga e Teixeira. Até no exterior o interesse foi indubitável. 

Baião foi gravado em diversas línguas, japonesa inclusive. 

A curiosidade é que nos dias de hoje o baião já não desperta tanto interesse dos artistas e consumidores de música. Por quê, hein?

Sobre esse assunto já escrevi muito. Não custa averiguar o que digo sapiando nesse blog.

terça-feira, 21 de maio de 2024

TODO DIA É DIA DA NOSSA LÍNGUA


As datas comemorativas existem para nos lembrar algum feito ou algo mais de relevância a um país.
No nosso calendário existem muitos dias comemorativos. Temos o Dia Mundial da Paz, em janeiro; o Dia Mundial da Luta dos Povos Indígenas, em fevereiro; o Dia Internacional das
Mulheres, em março; o Dia do Descobrimento do Brasil (descobrimento?), em abril; Dia de São João, em junho; Dia Nacional da Capoeira, em julho; Dia do Folclore, agosto; Dia da Independência do Brasil, setembro; Dia das Crianças, outubro; Dia da Proclamação da República, novembro e o Natal, em dezembro.
Ah! Ia-me esquecendo, temos o mês de maio. Estamos no mês de maio.
Neste mês de maio há o Dia da Língua Nacional, que coincidentemente ou não, é hoje 21.
Existem milhares de línguas vivas batendo no céu da boca de mais 100 milhões de pessoas mundo afora. Algumas já morreram, como o Latim. Língua que deu origem de outras línguas, como a portuguesa. 
Falamos a língua portuguesa desde o século 16, quando o Marques de Pombal decidiu extinguir o Tupi-guarani falado por nossos indígenas.
Não se sabe bem, claro, mas quando Cabral aportou na costa baiana havia mais ou menos 5 milhões de indígenas. Hoje, infelizmente, há pouco mais de 1 milhão falando 270 línguas de raiz completamente própria.
Bom, o fato é que falamos o português com variantes trazidas de Portugal.
O português é falando por cerca de 280 milhões de pessoas.
Camões, o grande poeta português Luís Vaz de Camões, fez muito pelo idioma português. A respeito dele andei falando, em 2023, na 2ª maior biblioteca do Brasil: Biblioteca Mário de Andrade, cá em Sampa. Ouça:



Há uns 30 anos, Téo Azevedo e eu nos juntamos e fizemos um livrinho muito interessante: Dicionário Catrumano — Pequeno Glossário de Locuções Regionais (capa acima). São milhares de palavras que reunimos, a maior parte ainda sem dicionarização ou classificação (acima).

segunda-feira, 20 de maio de 2024

AMIGOS SE DESPEDEM DE TÉO



À Missa do 7º dia em memória do cantor, compositor e violeiro mineiro Téo Azevedo compareceram amigos de longa data como Moisés da Rocha, Caju e Castanha; Cacá Lopes, Costa Senna, Raimundo José, Dantas do Forró e muito mais gente ciceroneada pela cantora e produtora musical Fatel. Foi sexta-feira às 18h na igreja de Santa Cecília, na Capital paulista.
Cecília é a Santa Padroeira dos Artistas.
O ato religioso foi muito bonito. 
Depois de sairmos da igreja fomos Fatel, Dantas do Forró e eu petiscar no restaurante Virgulino (rua Martim Francisco, nº 111). Aliás, foi nesse restaurante que eu e Téo Azevedo nos encontramos pela última vez. Conosco estavam o cantor, compositor e radialista Luiz Wilson (programa Pintando o Sete; Rádio Imprensa FM 102,5).
Téo Azevedo deixa muita saudade. Suas músicas foram gravadas por grandes intérpretes brasileiros e até estrangeiros, como o gaitista norte-americano Charlie Musselwhite.
Téo Azevedo partiu para Eternidade na madrugada de sexta para sábado (11). Ao velório, em Minas, estiveram muitos admiradores e amigos como o empresário Wagner Martins.
Abaixo, um momento do evento fúnebre.


RÁDIO ATUAL FM

Sábado 18 estive revendo velhos amigos na rádio Atual FM. Comigo estiveram Mano Novo, Carlos Silvio, Dantas do Forró e a estrela de belíssima voz Glória Rios. E mais gente, muito mais. Fizeram-me ocupar o microfone pra lembrar do programa Gente e Coisas do Nordeste, que apresentei durante bom tempo nessa rádio. Depois fomos almoçar no CTN junto com Ismênia, Patrícia, Carlos Silvio e tantos. Claro, conosco também esteve a deputada federal por São Paulo Renata Abreu. Bons tempos! O encontro foi uma boa.


domingo, 19 de maio de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (98)

James Joyce
Não são poucos os escritores que têm vício; um vício qualquer. Uns bebem, bebem… Outros se drogam.

James Joyce, autor do clássico Ulysses, apreciava os puns da mulher, mostrando assim ser um ser normal como outro qualquer. Ele: “É maravilhoso comer uma mulher peidorreira, quando cada estocada arranca um peido de dentro dela. Acho que eu reconheceria um peido da Nora em qualquer lugar. Eu acho que eu saberia qual é o dela numa sala cheia de mulheres peidando. É um barulhinho bem feminino, nem um pouco parecido com o peidão molhado que eu espero das esposas gordas. É súbito e seco e sujo como o que uma garota ousada soltaria por diversão, de noite, no dormitório de uma escola. Eu espero que Nora não se prive de peidar na minha cara, para que eu também possa conhecê-los pelo cheiro”. E ainda foi mais longe na mesma carta: “Nora, minha doce putinha, eu fiz como você mandou, sua garotinha safada, e bati duas punhetas enquanto lia a sua carta”.

A Nora aí citada era a futura esposa do escritor e pra ela, noutra carta, ele mandou ver: “... Nora, minha querida e adorada, minha colegial de doces olhos e boca suja, seja minha puta, minha senhora, tanto quanto você quiser (minha pequena e fodida senhora! Minha maldita putinha!) você é sempre minha, minha bela flor selvagem das sebes, minha flor azul escura, encharcada de chuva”.

Será demais dizer que o amor tem segredos claros?

Ao contrário de James Joyce, Ernest Hemingway (1899-1961) teve uma vida pessoal um tanto

atribulada. Pra começar a mãe, Grace, o criou como gêmea da irmã Marcelline até os seis ou sete anos de idade. Cresceu traumatizado, mas publicamente exibia um perfil másculo. Teve quatro esposas e com elas dois meninos e uma menina.

A menina, Glória, era trans.

Num dos seus livros, O Jardim do Éden (1986), romance que deixou inacabado, Ernest cria um personagem identificado por muitos como seu alter ego: David. Numa noite de amor pede à mulher que corte seu cabelo a moda feminina e o sodomize sem dó nem piedade.

Ernest Hemingway era, no fundo, uma pessoa melancólica, depressiva.

Detalhe lamentável: o pai de Ernest se suicidou, o irmão e a irmã também se suicidaram; e suicidou-se também a neta de Ernest, depois de ele mesmo tirar a própria vida com um tiro no peito. Isso depois de receber alta de um manicômio. 


Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

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