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sábado, 20 de julho de 2024

HÁ 90 ANOS MORRIA O PADRE CÍCERO

O céu de Juazeiro do Norte, CE, amanheceu embaçado no dia 20 de julho de 1934. 

Sobre árvores, pássaros trinavam menos do que dias anteriores. 

De um lugar qualquer ouvia-se o canto agourento da acauã. 

Nas proximidades do centro da cidade, um mar de pessoas formava-se diante de uma casa. Nessa casa morava "o santo padre" Cícero Romão Batista. 

O corpo do padre Padin Cícero do Juazeiro jazia num leito, cercado pelos amigos mais próximos. 

Portanto, hoje 20 completam-se 90 anos da morte do famoso padre.

Cícero nasceu no dia 24 de março de 1844. Teve vida atribulada, atribuladíssima. Chegou até a ser castigado pelo Vaticano que o proibiu de celebrar missas, batizar e casar fosse quem fosse. Isso foi provocado por uma suposta armação que resultou num "milagre". Tal milagre teria ocorrido quando o padre enfiava uma hóstia na boca de uma beata. Essa beata, Mocinha, inspirou o rei da embolada Manezinho Araújo a compor uma música para Luiz Gonzaga gravar.

Quatro anos, uma semana e um dia depois em Sergipe, o mais famoso bandoleiro do Nordeste: Lampião. 

Virgulino Ferreira foi expulso de uma igreja em Juazeiro a bengaladas dadas pelo padre Cícero. 

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (115)

Júlia Lopes de Almeida

Os contos de Júlia Lopes de Almeida são fortíssimos como A Caolha, originalmente publicado no jornal argentino La Nación; Os Porcos, dedicado a Artur Azevedo e Os Conventos. Esse último trata de uma mulher que perde o marido e fica com as filhas para criar.

Com o passar do tempo, Artur Azevedo inspira-se num texto de Júlia (Reflexões de um Marido) para escrever uma comédia em três atos intitulada O Dote, em 1907. Essa peça o autor dedicou à escritora.

O enredo de Artur gira em torno do casal Ângelo e Henriqueta. Ambos são apaixonados.

Henriqueta é do tipo gastona, viciada em supérfluos. Isso leva o varão a tremer na base, prevendo a bancarrota. Preocupado ele procura o amigo Rodrigo, a quem pede conselho. E o conselho é: divórcio.

Machado de Assis foi também agraciado com uma dedicatória de Júlia. A dedicatória aparece no conto Perfil de Preta, escrita em 1903.

Perfil de Preta é a história de um triângulo amoroso, cuja vítima é um mulato de nome João Romão.

Entre os romances de Júlia destaco, além de A Viúva Simões, A Falência e A Intrusa.

O romance A Falência trata de um português que vem ao Brasil ainda jovem e pobre. Enriquece negociando café. Uma hora ele é tentado a investir na bolsa de valores americana. Começo do século 20. A bolsa quebra e com ela o personagem português.

A Intrusa conta a história de um advogado que depois de perder a mulher e ficar viúvo, promete nunca mais se casar. Mas há uma reviravolta. O viúvo tem um adolescente para criar e a casa para cuidar. Sozinho… É quando ele contrata uma governanta. E mais não digo.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

EU SOU DO TEMPO DA PAZ E DO AMOR

Fiquei de orelha de pé ao ouvir no rádio notícia de um "apagão cibernético mundial". Isso hoje 19.
Ouvi também tentativas de explicação da parte de empresas que monitoram o sistema responsável pela segurança geral da Internet. Não me convenceu. Pior: uma pulga instalou-se derrepentemente cá de lado do meu ouvido.
Fico pensando: e se essa história se repetir de maneira mais violenta, hein?
Fico ainda pensando se não é possível, numa hora qualquer, o caos abrir suas garras contra o mundo e também nos pegar. E aí?
Fato é que vivo num tempo, vivemos num tempo, instável e terrivelmente maligno. Pra dizer o mínimo...
Sim, sim: antes que me digam que eu sou atrasado, rebato dizendo que não sou. 
Saudoso? Também não sou, mas gosto do que canta o parceiro pernambucano e forrozeiro Luiz Wilson:

quarta-feira, 17 de julho de 2024

O REBELDE CAMÕES

Luís Vaz de Camões, o primeiro e mais famoso poeta da língua portuguesa, tinha 28 anos de idade quando foi levado de Portugal para a Índia numa esquadra comandada por Fernão Álvares Cabral (1514-1571).
Esse Fernão era filho de Pedro Álvares Cabral, nascido num 11 de julho. 
Sobre a vida pessoal do poeta português pouco se sabe, mas o pouco que se sabe já é muito.
Camões foi um jovem rebelde, de família conhecida em Lisboa. Gostava da noite e estava sempre rodeado por arruaceiros, prostitutas, deserdados da vida. Tinha entre seus admiradores e admiradoras estudantes de Coimbra e tal. Estava sempre envolvido em brigas e cachaçadas. Foi preso algumas vezes por dívidas e agressões.
Em 1549, em batalha pela praça de Ceuta, Marrocos, perdeu o olho direito.
Sua ida à Índia não foi escolha pessoal. Pra lá foi mandado como castigo e voltou em 1569.
Três anos depois de voltar da Índia, teve impressa a sua obra-prima.
Camões morreu pobre e o seu corpo foi enterrado numa vala comum.

terça-feira, 16 de julho de 2024

CAMÕES NO MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA


Atenção, atenção, amigos e amigas: o dia 2 de agosto está chegando.
"O que é que vai acontecer nesse dia?", pergunta curiosa a menina Anna Clara, Anninha.
O dia 2 de agosto, além de ser o dia do encantamento do rei do baião Luiz Gonzaga, é o dia em que faremos coisas bonitas em torno da memória do poeta português Luís Vaz de Camões.
Neste 2024 completam-se 500 anos do nascimento do poeta.
Pouco antes de findar a pandemia provocada pela Covid-19 eu me debrucei no passado recordando a beleza poética de Camões. Fiz mais: ouvi algumas vezes Os Lusíadas. Uma pérola! Fiz isso e fiz mais, adaptei Os Lusíadas "para Canto e Cordel". Imaginei essa adaptação, que ganhou título de A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama, como "ópera popular".
No próximo 2 de agosto, no Memorial da América Latina, estaremos debatendo a obra camoniana. Na ocasião será lançada, em braile, essa adaptação.
Essa obra tem a apresentação do maestro Julio Medaglia e do poeta popular Oliveira de Panelas.
Medaglia faz a apresentação em texto corrido e Oliveira, em versos.
Na ocasião também será lançada uma gravação do texto feita por profissional do ramo e que ficará à disposição de todos os internautas. À propósito, A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama será, na ocasião, interpretada por um ator especialmente convidado para o evento. Leitura dramática. 
E mais coisas havará em torno da adaptação que fiz de Os Lusíadas.
Este ano completa-se o bicentenário da criação do sistema braile de leitura para cegos.
Agendem-se!

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