Nos escritos sagrados que formam a Bíblia há mais de duas centenas de citações da velhíssima cidade de Jerusalém, por onde um dia passaria Jesus Cristo. Nessa sua passagem, chegou a curar um cego.
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quinta-feira, 30 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (52)
domingo, 26 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (51)
Senhora! A Poesia outrora era Estrangeira,
Pálida, aventureira, errante a viajar,
Batendo em duas portas — ao grito das procelas —
Ao céu — pedindo estrelas, à terra — um pobre lar!
Visão-de áureos lauréis-porém de manto esquálido,
Mulher-de lábio pálido-e olhar-cheio de luz.
Seus passos nos espinhos em sangue se assinalam...
E os astros lhe resvalam-à flor dos ombros nus...
- II
Olhai! O sol descamba... A tarde harmoniosa
Envolve luminosa a Grécia em frouxo véu.
Na estrada ao som da vaga, ao suspirar do vento,
De um marco poeirento um velho então se ergueu.
Ergueu-se tateando... é cego... o cego anseia...
Porém o que tateia aquela augusta mão?...
Talvez busca pegar o sol, que lento expira!...
Fado cruel... mentira!... Homero pede pão!
- III
Mas ai! volvei, Senhora, os vossos belos olhos...
Como se vê no trecho aí do poema Poesia e Mendicidade, publicado no livro Espumas Flutuantes (1870), tema algum escapou da visão aguçada e privilegiada de Castro Alves. Falou e escreveu tudo que lhe vinha à mente. Escreveu sobre sol, lua, céu, estrelas, flor, justiça, Deus, natureza, amor, paixão, liberdade, liberdade, liberdade... Também não deixou de referir-se nos seus textos a nomes consagrados na literatura universal como Victor Hugo, Dante, Camões e Homero.
O autor de Os Escravos conheceu de perto José de Alencar e o bruxo Machado de Assis.
Castro Alves não foi vítima da seca ou de qualquer outra catástrofe natural, mas entendia perfeitamente as mazelas do tempo.
As desgraceiras da vida ocorrem em todo e qualquer lugar, mas parece que Deus escolheu o Nordeste brasileiro para testar a força e a paciência do povo que vive lá.
As três maiores secas ocorridas no Brasil até hoje ocuparam espaço violento e fatal no Ceará de José de Alencar. Essas catástrofes tiveram lugar nos calendários de 1877, 1915 e 1932.
A seca de 1877 durou até 1879, deixando mais de meio milhão de mortos.
Essa primeira grande seca, que durou três anos, passou incrivelmente despercebida pelos poderosos de plantão daquele tempo. Entre esses e mais aqueles se achavam intelectuais e políticos do porte de José Martiniano de Alencar. À época, o autor de O Sertanejo, livro publicado em 1875, não dava bola para os miseráveis da vida.
Jornais da Corte começaram a dar uma nota aqui e outra acolá sobre o que acontecia no Ceará a partir do momento em que um cara de nome José do Patrocínio (1854-1905) arrumou as malas e decidido partiu rumo ao local para cobrir, jornalisticamente, a tragédia que caía sobre os cearenses. Essa viagem deu-se no dia 10 de maio de 1878. Alguns colegas seus, de jornal, chegaram a ironizar sua ida à região, dizendo algo como "não vá morrer de fome por lá, hein?".
Patrocínio retornou são e salvo ao Rio, nem mais magro nem mais gordo, no dia 12 de agosto do trágico ano de 1878. Mais triste, é verdade.
No geral, deve ser dito que os textos de Patrocínio chamaram a atenção dos leitores que mais e mais pareciam ter interesse ou curiosidade do que se passava na terra de Alencar.
No jornal Gazeta de Notícias, RJ, os textos de Patrocínio ganhavam destaque na 1a. página sob o título Viagem ao Norte, por ele mesmo assinada.
Destaque também ganhavam os textos e fotos que Patrocínio enviava para o semanário anarquista O Besouro, criado e editado pelo chargista de origem portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).
As duas primeiras fotos, de uma série de 14, foram publicadas na edição do dia 20 de julho de 1878. Chocantes.
Essas fotos podem ser classificadas hoje como fotorreportagens do repórter fotográfico Joaquim Antônio Correia ou J. Correia. Detalhe: à época, as expressões fotorreportagem e repórter fotográfico ainda não existiam.
Depois de tudo, em 1879, José do Patrocínio pôs à praça o livro Os Retirantes. Arrepia. Personagens masculinas e femininas movimentam-se como podem e até morrendo à míngua. É romance. Entre as personagens desse livro, achavam-se crianças e idosos. Mulheres, muitas delas ainda na flor da idade, entregavam seus corpos por migalhas oferecidas por canalhas, como o padreco sem escrúpulos denominado Paula.
No livro de Patrocínio, o pai de uma das jovens vítimas da seca, Rogério Monte, acaba morrendo doente e cego. A essa altura, a sua família já estava destroçada.
Cenas igualmente violentas são narradas no livro de poucas páginas, mas denso, intitulado Violação (1898). O autor foi o baiano radicado no Ceará Rodolfo Teófilo (1853-1932).
Teófilo era farmacêutico de formação, como coincidentemente o fluminense José do Patrocínio.
Sem dúvida, esses são dois dos grandes heróis do Brasil.
Cá pra nós, considero também Joaquim Maria Machado de Assis um herói. Das letras, pelo menos.
E coincidência por coincidência, não será impróprio dizer que Castro Alves estreou na literatura com 15 anos de idade, mesma idade em que estreou em jornal o bruxo do Cosme Velho.
O poema de estreia de Castro Alves foi A Destruição de Jerusalém.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (50)
Castro Alves morreu de tuberculose com 24 anos, três semanas e um dia, em 1871.
sábado, 18 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (49)
Guerra por guerra ou isso mesmo no plural, há registro na história dando conta de que algumas centenas de soldados franceses foram obrigados a voltar para casa com olhos cegos. A luta de que participaram teve lugar no Egito do século 13, ali pelo ano de 1254. Foram cegados pelos sarracenos. A partir daí, o rei Luís IX (2014-1270) criou o que se pode considerar a primeira entidade construída especialmente para o acolhimento de soldados cegados em batalhas e civis em geral.
terça-feira, 14 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (48)
São frequentes as pesquisas que resultam em calhamaços estatísticos. O primeiro censo demográfico no Brasil foi feito no começo da segunda parte do século 19 a partir do Rio de Janeiro, ainda sede da governança portuguesa. O total chegou à casa de 10 milhões de homens e mulheres.
quarta-feira, 8 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (47)
As desgraças do mundo foram tantas que quase desnecessário é dizer que já não cabem no balaio do passado. E por não caberem completamente nesse balaio, dificilmente caberão no espaço do presente que vivemos.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (46)
A onda de cristãos-novos começou na última década do século 15 em Portugal, quando o rei D. Manuel I determinou que judeus e muçulmanos assumissem a fé católica.
paixão de frade
em seu engenho
da Paraíba
repele o amor
pecaminoso.
O amor se vinga:
é acusada
de judaísmo.
Já vão prendê-la.
Atira joias
e prataria
na correnteza.
A água vira
Riacho da Prata.
Morre queimada
no santo lume
da Inquisição
em Portugal.
Reaparece
na Paraíba
em Pernambuco
sob o luar
toda de branco
sandálias brancas
cinto azul-ouro.
Branca Dias
— garantem livros —
nunca existiu,
é lenda pura
de lua cheia.
E a Inquisição
provavelmente
outra ilusão.
Eram. O pai sentado,
Calado e triste. Reclinada a fronte
No espaldar da cadeira, a filha os olhos
E o rosto esconde, mas tremor contínuo
De um abafado soluçar o esbelto
Corpo lhe agita. Nuno aos dois se chega;
Ia a falar, quando a formosa virgem,
Os lacrimosos olhos levantando,
Um grito solta do íntimo do peito
E se lhe prostra aos pés: “Oh! vivo, és vivo!
Inda bem... Mas o céu, que por nós vela,
Aqui te envia... Salva-o tu, se podes,
Salva meu pobre pai!” Estremecendo
Nela e no velho fita Nuno os olhos,
E agitado pergunta: “Qual ousado
Braço lhe ameaça a vida?” Cavernosa
Uma voz lhe responde: “O santo ofício!”
Volve o mancebo o rosto
E o merencório aspecto
De dois familiares todo o sangue
Nas veias lhe gelou...
segunda-feira, 29 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (45)
Não foram muitos os astrônomos e intelectuais que tais que escaparam vivos da fogueira dos juízes malucos do Tribunal do Santo Ofício. Galileu foi uma dessas figuras que ganharam a oportunidade de viver por mais algum tempo ao concordar, sob pressão, com a tese católica de que a Terra seria o centro do Universo.
Um negro magro de sufulié justo,
Dois azorragues de um joá pendentes,
Barbado o Peres, mais dois penitentes,
Seis crianças com asas sem mais custo.
De vermelho o mulato mais robusto,
Três fradinhos meninos inocentes,
Dez ou doze brichotes mui agentes,
Vinte ou trinta canelas de ombro onusto.
Sem débita reverência seis andores,
Um pendão de algodão tinto em tijuco,
Em fileira dez pares de menores.
Atrás um cego, um negro, um mameluco,
Três lotes de rapazes gritadores:
É a procissão de cinza em Pernambuco.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (44)
segunda-feira, 15 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (43)
A terra prometida constante da Bíblia hebraica ficava ali onde hoje se acham Israel e Palestina.
quarta-feira, 10 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (42)
Em 1968 quando França, Vietnã e EUA pegavam fogo e mudavam até o modo de pensar e agir de muita gente ao redor do mundo, países emblemáticos e poderosos como os aqui já citados, tinham representantes sentados à mesa de discussões para assinar o que passou a ser chamado Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
segunda-feira, 8 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (41)
Pois é, o filho do Homem dá um beijo no Inquisidor e vai-se embora depois que a porta da prisão lhe é aberta. E vai-se com a expressa recomendação de que nunca mais retorne à Terra. Nossa Terra, nosso planetinha, que parece a tudo sobreviver engolindo seus entes. Algo como a mitológica Fênix, aquela que renasce com mais vigor das próprias cinzas.
quarta-feira, 3 de junho de 2026
O CEGO NA HISTÓRIA (40)
Não é de todo surpreendente a afirmação de que a montanha de páginas que forma Os Irmãos Karamázov é pérola de brilho tão intenso capaz de até cegar olhos desavisados.
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