
Num tempo não muito distante, quase todo o Brasil parava às 20 para ver e ouvir o que sucedia à nossa volta, da mesma forma que parava para ver a novela Selva de Pedra. Só que o que sucedia à nossa volta era real e o que se via na telinha global era meio irreal, como até hoje é, aliás.
Politicamente, portanto, incorreto
Mas sabemos que a Globo é governista, quem não sabe?
E sempre!
É filosofia do dono que parte, mas fica. Se me entendem...
Poxa! E eu trabalhei lá, na Plim, plim, onde tenho até hoje amigos.
Com o William Bonner e outros companheiros da época íamos, depois de apresentado o Jornal da Globo – que eu ajudava a produzir, pois era meu trabalho –, jantar no Metrópoles, restaurante com pista de dança localizado ali no fim da Paulista.
Delícia!
Eu jantava e bebia uns gorós e ia dançar com quem fosse.
Gostava disso, pois relaxava. Ficava bem pra pegar melhor o batente no dia seguinte.
O Bonner foi sempre certinho, digo. Não ia à pista, preferia ficar à mesa papeando com a Marilena Chauí. Era melhor, acho.
Bom, há pouco navegando pelas entranhas do Youtube encontrei um documentário que há tempo quis ver: Muito Além do Cidadão Kane, documentário de 105 minutos, que passam rápidos, dirigido por Simon Harton para a BBC de Londres em 1993 e que a Record acaba de comprar por 20 mil dólares. É baseado na carreira do bam-bam-bam das comunicações norte-americanas Randolph Hearst, lembram?
É interessantíssimo.
Recomendo.
Há ótimos e esclarecedores depoimentos de colegas jornalistas como o bom Gabriel Priolli – hoje na TV Cultura, ao lado do querido Markum –, e de artistas como o craque Chico, que diz ser a Globo “mais realista do que o rei”. E de publicitários famosos como Washington Olivetto: "Muitas e muitas vezes nossa publicidade chega a ser melhor do que o nosso País". Phtgfbnnt! E também há, nesse documentário, depoimentos de tristes figuras dos tempos da repressão, como Armando Falcão.
Falcão, aquele que sempre tinha na ponta da língua a frase feita “nada a declarar”, proferida quando lhe perguntávamos algo a ver com a área da Justiça, da qual era ministro, baba nesse documento fronhas em louvor ao Hearts tupiniquim, seu chefe eterno e igualmente falecido, Roberto Marinho.
O Lula também aparece no documentário de Harton, espinafrando a sua casa de hoje, a Globo. Ora...
Pois bem, e como Pelé, o Lula de 93 já falava na terceira pessoa: “O Lula...”. Lá pras tantas, o Lula lembra, puto, que a Globo ouvia os dois lados nas reportagens que fazia: o do empregado e o do patrão, mas só a fala do patrão ia ao ar.
Muito Além do Cidadão Kane é muito bom.
Confiram.
Ah! Hoje no Jornal Nacional foram citadas com naturalidade as televisões Bandeirantes e Record. O pretexto foram ferimentos sofridos por repórteres dessas empresas cometidos por marginais do Rio de Janeiro, em tiroteio com policiais. Mortos, quatro.
Sei não, e por não saber pergunto: a Globo comprou as referidas TVs?
E os personagens da foto acima, quem são?
Uma dica: o da ponta da mesa sou eu, em 30 de março de 1988.
O local é uma das dependências do prédio onde está instalado hoje o jornal O Estado de S.Paulo