É de Adoniran o clássico popular Trem das Onze, gravado em 1964, pelo grupo paulistano Demônios da Garoa.
O Demônios da Garoa encontrou em Adoniran a sua cara e, de tabela, a cara da Capital paulista.
A parceria de Adoniran e Demônios começou na década de 1950 e durou até 68,70. Detalhe: Adoniran e Demônios nunca se apresentaram juntos e também nunca gravaram uma música juntos. Esquisito, não? E querem saber o motivo? Pois bem, cá está: Essa parceria não se concretizou por uma razão: Adoniran não aceitava receber em partes iguais, queria mais um pouco e nesse ponto nunca chegaram a um acordo.
Adoniran Barbosa era um péssimo cantor e como instrumentista, a rigor, nunca existiu, mas era melodioso. Suas letras já nasciam com melodia, que ele extraía de uma caixa de fósforos ou batucando numa mesa.
Adoniran Barbosa veio ao mundo no dia 06 de Agosto de 1910 e partiu em novembro de 1982.
Eu conheci bem Adoniran. Conversávamos bastante nos bares da cidade. Ele gostava de beber uísque Passport, um horror! E fumava muito, embora não gostasse de gastar dinheiro com cigarros e também com bebidas que passarinho não bebe.

Algumas músicas do disco: Minha Vida se Consome; Socorro; Teu Sorriso e Mamaô, respectivamente os dois primeiros sambas, uma marcha e um ponto de macumba.
Coisa boa vem aí, portanto. Fiquem ligados.
A obra de Adoniran é, como toda boa obra, imortal.
Quem conhece a obra de Adoniran Barbosa, os bons ouvintes mais de ontem, continuam cultuando-a, e os mais novos, de hoje, estão eufóricos descobrindo o talento de Adoniran. Exemplo? O músico Paulo Miklos, do Titãs, estrelou um curta intitulado Dá Licença de Contar, no papel de Adoniran. O mesmo Miklos promete levar levar à frente o projeto de transformar a história de Adoniran em um longa metragem. Adoniran Barbosa foi o sambista popular de São Paulo e Paulo Vanzolini, o erudito.