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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

CARNAVAL: NEGROS NA AVENIDA

O Carnaval de 2024 terminou e não terminou. Explico: em alguns lugares do nosso imenso território nacional, o Carnaval já era. Noutros como na da Bahia, Rio e Pernambuco, ainda há samba e frevo no gogó e nos pés.
Em Sampa, e não em todo o Estado, o Carnaval ainda rola através dos bloquinhos.
No Rio, a escola Viradouro venceu pela 3ª vez. O tema abordado no enredo enalteceu a mulher negra.
Em Sampa, a escola campeã foi a Mocidade Alegre. É campeã pela 12ª vez. O tema escolhido foi Mário de Andrade.
O detalhe é que a temática negritude todo ano se faz presente nas avenidas das principais capitais brasileiras.
A tradicional Portela do Rio ficou em segundo lugar com um enredo contando a história de uma mulher que liderou uma revolta de negros africanos na Bahia. Os revoltosos eram malês e a mulher à frente deles tinha por nome Luiza Main.
Meu amigo, minha amiga, você sabe de quem foi mãe dona Main?
Dona Luiza Main foi a mãe do grande poeta negro Luiz Gama.
O enredo da Portela foi baseado no livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. Recomendo-o.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

CARNAVAL DE COLOMBINA


O Carnaval no Brasil chegou há muito tempo. Isso todo mundo sabe e se não sabe, vai ficar sabendo aqui.
O primeiro instrumento musical utilizado no período carnavalesco foi um bombo, que um cara de origem portuguesa tocava nas ruas do Império. Era um tal de Zé Pereira, que dava nome a uma musiquinha cheia de graça, ou pretensiosamente cheia de graça.
Depois do bombo outros instrumentos entraram na folia, incluindo o pandeiro.
O pandeiro é de um tempo muito antigo. Do Neolítico, quando o homem começa a tomar gosto pelas coisas e também a criá-las. A ver com festas, ritos e tal. Há uns 10 mil anos a.C.
Fora os instrumentos musicais usados no Carnaval, tem a roupa utilizada pelos foliões. Fantasias primorosas e máscaras idem.
As máscaras e as figurinhas trajadas e identificadas como Colombina, Arlequim e Pierrô surgiram no século 16, nas ruas estreitas de Veneza.
Os três personagens aqui citados formam até hoje um triângulo amoroso.
Colombina se enrola nos braços de Arlequim, mas ao descobrir o amor platônico de Pierrô, Colombina dá um basta em Arlequim e fica com Pierrô.
Nessa história não podemos esquecer que a bela Colombina tem o coração fácil. Melhor para o Arlequim...
Essa história triangular é belamente contada na marchinha Máscara Negra, de Zé Kéti e Pereira Matos.
Mas foi no Brasil que o Carnaval pegou. É o melhor do mundo. E em algumas regiões do Brasil vai muito além dos três dias historicamente reservados.
Muitos artistas da nossa música popular se destacaram pelas composições que criaram, desde Chiquinha Gonzaga a Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Nelson Sargento.
O craque do traço Fausto exibe seu talento aqui nesta página.
Ouça:



terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

MAIS UMA FOLIA DE FEVEREIRO


Pois é, mais um Carnaval está chegando ao fim.
Fazia tempo que o povo não ia pra rua pra cantar e pular, como neste Carnaval de 2024.
Milhares de blocos foram às ruas do Brasil puxando homem, mulher e menino.
Muitos artistas de nome e renome foram homenageados, estão ainda sendo homenageados: Martinho da Vila, Dominguinhos, Alcione, Chico Buarque, Antonio Nóbrega...
Em João Pessoa tem um bloco chamado As Raparigas de Chico, é coisa boa.
No Rio de Janeiro e em Recife, deu na cabeça o Nóbrega. 
Gostei de ouvir.

FOLIA NO CARNVAL NA CASA DE CAROL E DANIEL


Foi muito legal o Carnaval com forró na casa da produtora musical Carolina Albuquerque e do cantor e compositor Daniel Gonzaga. Tinham vários sanfoneiros lá, vários cantores e cantoras, tocando e foliando. Até Anastácia estava lá cantando e tocando triângulo. E toca bem, a danada! Vejam as fotos aí e o link com a fala de Expedito Duarte, o Mano Novo, dizendo porque não foi à casa da Carol. É isso aí!


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

PATATIVA É ENREDO DA X9

Pois é, em 2013 convite pra desfilar na avenida. Foi pela X9 Paulistana. O enredo falar de Portugal, Camões, etc.
A X9 está disputando vaga no Grupo Especial. O desfile ocorreu no último dia 4 e no próximo domingo 11 deverá sair o resultado da banca julgadora.
O tema este ano abordado pela escola da Zona Norte foi Nordestino Sim, Nordestinado Jamais!.
A figura de destaque no enredo foi o poeta cearense Patativa do Assaré. 
Rolou muita coisa boa e bonita nesse último desfile da X9. Torço para que volte a ocupar lugar do Grupo Especial.
Patativa representa a poesia popular autêntica do Brasil, especialmente do Nordeste. Escreveu vários livros, o primeiro foi publicado em 1956.
Ouça o enredo da X9 de 2024:


LEIA MAIS: HÁ 18 ANOS DESAPARECIA PATATIVA • PATATIVA, A VOZ DO POVO • BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

O CARNAVAL DE 24 ESTÁ CHEGANDO...

Assis e Tinhorão
O Carnaval no Brasil começou ali pelo século 16. Foi trazido pelos colonizadores portugueses.
A primeira manifestação carnavalesca no nosso País foi o Entrudo, que tinha por base emporcalhar os "foliões".
Mas o Carnaval data de tempos imemoriais. Vem da Roma antiga, da velha Grécia, por aí.
Era pagã a festa denominada Carnaval.
Confete, serpentina, essas coisas vieram da França.
A figura do personagem mascarado tem origem no Carnaval italiano. De Veneza, notadamente.
A música pra Carnaval principiou do batuque africano e ganhou forma com a compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga pondo letra na primeira marchinha: Ó Abre Alas.
Antes do surgimento das escolas de samba, surgiram cordões e tal.
A primeira escola de samba foi criada no Rio de Janeiro, em 1928, e chamou-se Deixa Falar.
Os sambas de enredo ganham forma no começo da segunda parte dos anos de 1950.
O jornalista Sérgio Cabral escreveu sobre esse assunto. E Tinhorão, também.
O jornalista e historiador paulista José Ramos Tinhorão (1928-2021) praticamente esgotou o assunto Carnaval nas suas minuciosas e ricas pesquisas. Aliás, se ainda estivesse entre nós, estaria fazendo aniversário. Ele nasceu num dia como hoje: 7 de fevereiro.
Ouça a marchinha Ó Abre Alas com Dircinha e Linda Baptista:



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

TRAGÉDIA, CARNAVAL E CINZAS


A água que tem despencado do céu vem deixando um rastro de mortes, em vários pontos do país.
Em São Sebastião, bela cidade localizada ao norte do litoral paulista, com cerca de 100 mil habitantes, entrou em parafuso no último fim de semana. Foram cerca de 700mm em 24 horas, de sábado para domingo. Isso quer dizer que choveu cerca de 700 litros de água num espaço de um metro quadrado. É volume grande, coisa feia do modo como caiu.
Até agora, no momento em que dito estas benditas linhas, equipes de salvamento retiraram 48 corpos que se achavam encobertos por lama e destroços diversos. Há notícia de que pelo menos 40 pessoas continuam desaparecidas. É grande o número de desabrigados.
Forças políticas estão juntas, unidas, trabalhando na tentativa de salvar gente e minimizar a situação.
O prefeito de São Sebastião é o PSDBista Felipe Augusto.
O governador Tarcísio Freitas, do Republicanos, está de mãos dadas com o prefeito. Juntando tudo, o presidente Lula está garantindo recursos necessários para reconstruir a cidade. Assim é que deve ser, independentemente de siglas e ideologias políticas.
Helicópteros do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Militar de São Paulo estão fazendo o que é possível fazer, segundo diz o governador.
Amanhã 23 um navio de grande porte da Marinha, com 300 leitos e mais de 20 médicos, aportará na região para receber feridos.
Diante dos problemas provocados pela chuva, o Carnaval do litoral Norte paulista foi cancelado.
São Sebastião, o mais antigo município da região, recebeu esse nome em homenagem ao santo do dia. Nesse dia, 20 de janeiro de 1502, navegava pelas proximidades o italiano Américo Vespúcio. Curiosidade: Vespúcio morreu num dia como o de hoje, 22 de fevereiro, quinze dias antes de completar 58 anos de idade em 1512, na Espanha.
Os primeiros habitantes de São Sebastião foram os índios tupinambás.
Na Capital paulista a vencedora dos desfiles foi a Mocidade Alegre, com o samba-enredo Yasuke. 
Na disputa pelo primeiro lugar, a Mancha Verde perdeu por um décimo.
A vida continua, nessa quarta-feira de Cinzas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

NOTA 10 PARA A EXPEDITA DE LAMPIÃO!

Confesso que vibrei nesta madrugada ouvindo na TV o desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, com seus 3 mil componentes divididos em 24 alas, além de 5 carros alegóricos. Num deles, o último, brilhava impoluta a única filha reconhecida como tal de Lampião, Expedita Ferreira.
Dizer mais o quê?
As escolas de samba são, no geral, colírio para os olhos das gentes de todo o canto.
Cá no meu canto já estou torcendo pela escola que levou Expedita Ferreira (ao lado) a desfilar seus 90 anos em cima de um carro alegórico do Carnaval deste ano de 2023, na Sapucaí, RJ.
Lampião é e será sempre uma figura polêmica. Herói ou bandido?
Ainda no correr do desfile dessa madrugada, no Rio, ouvi também entusiasmado a Beija-Flor, com seus 3.500 componentes em 23 alas e 6 carros, o puxador Neguinho da Beija-Flor (e Ludmilla) cantava o belíssimo enredo: Brava gente, o grito dos excluídos no bicentenário da independência.
A independência do Brasil não ocorreu, a rigor, no dia 7 de setembro de 1822. Ocorreu no dia 2 de julho de 1823, na Bahia. É essa a história que a Beija-Flor conta. Uma das heroínas da independência foi Maria Quitéria.

CARNAVAL DE SÃO PAULO

Logo mais as 16h começa a apuração das escolas de samba de São Paulo, no Anhembi.
Quem você acha que vai ganhar, a Mancha Verde?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

ATENÇÃO: FILHA DE LAMPIÃO DESFILA NA SAPUCAÍ, AOS 90 ANOS


Baseados principalmente na literatura de cordel, Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz e Renne Barbosa compuseram o enredo do samba O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida, que a escola Imperatriz Leopoldinense leva à Sapucaí lá pelo meio da próxima madrugada 21. O enredo começa assim:

Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia
Tal qual barro feito a mão misturado na areia

Quando a sanfona chora, mandacaru aflora
Bate zabumba tocando no meu coração
Leopoldinense, cangaceira é minha escola
Eis o destino do valente Lampião!


Essa não é a primeira vez que Lampião, de batismo Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), é tema de escolas de samba do Rio-São Paulo e de outros Estados. Cheguei a entrevistar DonaMocinha (1910-2012), última irmã do cabaço Lampa. Essa também não foi a primeira vez que i famoso cangaceiro pernambucano entra no vasto repertório da nossa música popular. Em Portugal ele virou ópera popular, ao lado do também celerado Zé do Telhado.
A Imperatriz Leopoldinense exibirá em destaque a única filha do Rei do Cangaço, Expedita Ferreira Nunes. O enredo ela o aprovou completamente e aceitou naturalmente o convite para desfilar na avenida.
Expedita vai completar 91 anos de idade no próximo 13 de setembro. Está, pois, com 90 anos.
A mulher com mais idade a desfilar numa escola de samba foi a nossa maior cantora lírica da história: Balduína de Oliveira Sayão, na arte Bidu Sayão. Tinha 93 anos de idade quando desfilou pela escola Beija-Flor de Nilópolis, no dia 25 de fevereiro de 1995.
Antes de Bidu ir à avenida, como tema de samba-enredo, desfilou pela Viradouro a humorista e atriz Dercy Gonçalves (1907-2008). Isso em 1991, quando tinha 84 anos de idade.
Essas jovens de idade a mais do que o natural são, de fato, incríveis.
A história do nordeste é tudo a ver com a história de Lampião e Luiz Gonzaga. À propósito, na última madrugada a escola Mancha Verde apresentou-se no sambódromo do Anhembi, SP. Tema: Oxente - Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil. Fala de Luiz Gonzaga.
Ouça o enredo da Imperatriz Leopoldinense:

LEIA MAIS: MARIA BONITA É CRIAÇÃO DE JORNALISTAS • CANGAÇO E CONGRESSO DE CANGACEIROS

FORRÓ NATIVA

Hoje 20 ali pelo meio da madrugada, ouvi os irmãos Expedito e Amorim Filho tecerem loas sobre o trabalho de pesquisa no campo da cultura popular que desenvolvo desde sempre. Os dois, famosos como Mano Novo e Mano Véio, tomaram por base textos que escrevi a respeito da história do Carnaval. Isso no programa que apresentam madrugada adentro e há anos na rádio Nativa FM (93.5). Fico grato aos dois pela deferência e pelas belas palavras a mim dirigidas.
Expedito e Amorim Filho há muito labutam no rádio paulistano. Estive várias vezes no programa Nas Quebradas do Sertão, que apresentavam ao vivo na Velha Bandeirantes. O Nordeste se acha por inteiro na cabeça e no coração desses dois craques a quem os nordestinos de boa cepa devem muito, culturalmente falando.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

ESCOLAS CONTAM HISTÓRIAS DO NORDESTE. PORÉM, A DESEJAR

O desfile das escolas de samba de São Paulo começa oficialmente hoje 17, no sambódromo do Anhembi. 
O Carnaval é uma festa boa, bonita, a mais colorida festa popular do Brasil. A história é longa. A primeira marchinha surge com Chiquinha Gonzaga, em 1899. Um clássico. Uma joia. Antes tinha o Zé Pereira, o Entrudo antes do Pereira. E tudo foi indo, foi indo.
Surgiram as escolas de samba, primeiro no Rio de Janeiro. Deixa Falar marcou época. E foi e foi.
São Paulo imitou o Rio criando suas escolas.
Desde os anos 40 que as escolas têm samba de enredo. Tudo bonito e tal, hoje está tudo meio degringolado.
A Portela, no Rio, comemora seus 100 anos de fundação.
Em São Paulo três escolas escolheram temas até bonitos e bons, mas falharam no seu desenvolver.
A Dragões da Real vai entrar na avenida não contando o que se propôs a contar: a história da fundação de João Pessoa, PB.
A Mancha Verde vai entrar na avenida contando a história do Xaxado, cantiga do cangaceiro Lampião. Ficou meia-boca.
A Pérola Negra vai entrar na avenida homenageando Jair Rodrigues. Começa falando já no título: "Prepare seu Coração"... Vandré não é citado. Ficou assim, assim.
É isso. Confira e tire suas conclusões:





terça-feira, 14 de junho de 2022

HÁ 14 ANOS MORRIA JAMELÃO

O carioca José Bispo Clementino dos Santos tinha 95 anos 1 mês e dois dias de vida quando morreu em 2008.
Esse José ganhou fama como Jamelão, um negro forte e de voz belíssima. Era pouco afável. Não costumava dar bola a desconhecidos. Era de riso contido, de pouca graça.
Jamelão começou a aparecer com esse apelido nos programas de calouro, entre os quais Calouros em Desfile. Nesse programa, apresentado pelo mineiro Ary Barroso, surgiram grandes nomes da nossa música popular.
Luiz Gonzaga, o rei do baião, apresentou-se muitas vezes no programa do mineiro Ary.
Profissionalmente, Jamelão começou a gravar músicas nos fins dos anos de 1940. Em 1950, integrou-se ao time de puxadores de samba tradicional Escola Mangueira.
Jamelão detestava ser chamado de "puxador de samba".
Estive várias vezes com Jamelão e insisti, várias vezes, para que ele participasse de programas de rádio que apresentei em São Paulo, entre esses São Paulo Capital Nordeste. Não topou. Fazer o que, hein?
Jamelão, que gostava de tocar tamborim e cavaquinho, emprestou a sua voz a compositores de clássicos como Lupicínio Rodrigues (1914-1974) e Lúcio Cardim (1932-1982). 
De Lupicínio Jamelão gravou Nervos de Aço e de Lúcio, Matriz e Filial.
Curiosidade: Jamelão é o nome de uma fruta típica da Índia, cuja a árvore pode chegar a 10 metros de altura.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

ÁGUA É VIDA

Ilustração do cartunista Fausto Bergocce
Pela segunda vez a escola de samba Mancha Verde ganha o Carnaval de São Paulo.
Seu enredo ressaltou a importância da água e do uso da água por todos. Assinado por 11 pessoas, entre as quais duas mulheres, diz o seguinte:

Oh, mãe
Eu vejo a vida refletir em teu espelho
Vim pedir teus conselhos
Pra minh’alma lavar
Em prece, deixei o meu pranto
Para o Deus sol quarar
Eu pedi que o céu levasse
Esperança pro sertão
Como acorde de viola
Faz chover no coração
Luz dos olhos doces de sereia
Encontra o balanço da maré
Revela o encanto…
Estende seu manto num canto de fé!

Iemanjá! Iê Iemanjá!
Rainha das ondas, senhora do mar!
Iemanjá! Iê Iemanjá!
No azul dos teus mistérios eu também quero morar

Nem tudo que deságua é tempestade
Nem todo choro é saudade
Vejo o mundo em outras cores
Lágrimas que encharcam esse chão
Fertilizam a semente
Sob as nuvens de algodão
Ciclo da vida que move moinhos
Tantos caminhos pra um dia voltar
À Terra, deixando um clamor pra humanidade
A nobre missão de preservar
Nosso futuro, nosso lar!

Água de benzer… purificar
Água da fonte do rio que corre pro mar
Planeta água, nascente da vida
Sou Mancha Verde e mato a sede na avenida
 

Autores: Marcio André Filho, Marcelo Lepiane, Lico Monteiro, Rafael Ribeiro, Richard Valença, João Perigo, Solano Mota, Leandro Thomaz, Telmo JB, Lanza Muniz Moraes e Rosali Carvalho.
Intérprete: Fredy Vianna.

Ouça:

O tema água é sempre atual e necessário apresentá-lo de todas as formas. Em música, por exemplo.
O enredo da Mancha Verde teve por base a canção Planeta Água, de Guilherme Arantes.
No dia 22 de março de 2012, abordei esse tema no Blog. Leia: HOJE É O DIA MUNDIAL DA ÁGUA
O Brasil e o mundo tem sofrido muito com a escassez de água potável.
A devastação das nossas matas têm provocado grande preocupação por parte dos ambientalistas e de outros profissionais ligados à questões da natureza.
No Nordeste, especialmente, há secas históricas.
O livro de estreia da cearense Rachel de Queiroz, O Quinze, trata desse assunto. Leia: A SECA MATA SEM O GOVERNO VER...
Atenção: neste 2022 os reservatórios do Brasil, incluindo os do Nordeste, estão praticamente cheios. Isso, porém, não pode ser incentivo para as pessoas desperdiçarem água.

domingo, 24 de abril de 2022

ONHONHA, CARNAVAL E COISA E TAL (2, FINAL)

Assis Angelo com diversas
obras sobre o Carnaval

Pelo menos 50 blocos deverão sair pelas ruas da Capital paulista, sem especificar o roteiro.
No Rio vários blocos também prometem sair, mesmo sem a autorização da Prefeitura. Mas o prefeito, Eduardo Paes, garante que não vai sair por aí correndo atrás de folião.
Cordões e blocos ainda pululam por aí. Mais blocos.
Em 2019, no extremo sul da Capital paulista, surgiu o Cordão das Amoxtradas. Esse Cordão reúne mulheres e a sua fundadora, a cantora e produtora musical mineira Fatel Barbosa, explica: “Já estava mais do que na hora de as mulheres se juntarem para brincar o Carnaval, num Cordão especialmente pra nós. E cá estamos”.
A primeira vez que o Cordão das Amoxtradas saiu foi em 2020. Saiu também, discretamente, em 2021. E agora, em 2022, promete botar pra quebrar. “Vamos arrasar, mas acho importante seguir a programação da prefeitura de São Paulo. A Prefeitura está programando a saída dos blocos em julho. Importante, até porque precisamos do incentivo financeiro do Governo municipal”, diz Fatel.
Neste ano de 2022 o Cordão das Amoxtradas sairá às ruas com a marcha Carolina Maria de Jesus: Uma Amoxtrada sem Parelha, de Fatel e Rosa Morena (ouvir, abaixo).

Vera Eunice (filha da homenageada, Carolina Maria de Jesus)em destaque no Cordão das Amoxtradas

 
Fatel Barbosa com o estandarte
do Cordão das Amoxtradas

Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais e morreu em São Paulo.
Para a literatura nacional, Carolina foi descoberta pelo jornalista alagoano Audálio Dantas.
Há um movimento silencioso, quase silencioso, em movimento para apagar o nome de Audálio. Inexplicável.
Carnaval é uma expressão originária do latim “carnem levare” que significa “afastar-se da carne”, segundo a Enciclopédia Larousse. E segundo o dicionário Houaiss “fixa-se no italiano Carnevale (séc. 14) e daí no francês Carneval (1552), Carnaval (1680), passando às demais línguas europeias ainda no século 17”. E por aí vai. Meio incongruência, porque é o período em que mais há junção de corpos. A ausência da carne, no caso na mesa, fica por conta da Igreja. Páscoa.
É difícil falar da história do Carnaval sem falar dos grandes sambistas, grandes intérpretes da nossa música como Donga, Almirante, Noel Rosa, Pixinguinha…No Carnaval tudo é liberado, incluindo críticas ao poder estabelecido. E aos costumes, ao dia a dia.
Em 1921, no Rio, Pixinguinha saiu às ruas vestido de mulher. Uma graça.
Pixinguinha vestido de mulher,
o segundo da esquerda pra direita

Anos depois, ali pela metade dos anos de 1950, um anônimo fez o que Pixinguinha fez: vestiu-se de mulher e o resultado, lamentavelmente, foi o linxamento do anônimo folião.
Onde isso ocorreu?
Em João Pessoa, PB.
Pois é, há muitas histórias tristes no que deveriam ser só histórias alegres. O carnaval é, em tese, só alegria.
Não posso encerrar este texto sem falar da presença feminina na chamada “música de Carnaval”.
Em 1969, a carioca Carmélia Alves e o paulista Geraldo Filme gravaram pelo extinto selo Chantecler o LP Sambas Enredo das Escolas de Samba de São Paulo. Foi o primeiro, no gênero, gravado por uma cantora e um cantor.
O Carnaval brasileiro é conhecido em todo o mundo. Muitos discos têm sido lançados na França, Alemanha, Itália, em todo o canto. Como a mostra, não custa lembrar do compacto duplo (45 RPM) Carnaval Brasilien. No repertório, Adoniran Barbosa interpretando seu personagem Charutinho.
A propósito, a escola de samba Dragões da Real apresenta neste ano de 22 o samba enredo Adoniran.
Beleza!
Viva o Carnaval e vá de retro Covid-19!

E DE LAMBUJA, LEIA: J&CIA Especial: Memória da Cultura Popular, nº 10 • NEGAR, NÃO NEGO: FOI BOM PULAR NO CARNAVAL

sexta-feira, 22 de abril de 2022

ONHONHA, CARNAVAL E COISA E TAL (1)

Ilustração de Fausto Bergocce
 
O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo começaram nesta sexta-feira 22, a partir das 22h.
Na Sapucaí desfilarão Imperatriz Leopoldinense, Estação Primeira de Mangueira, Acadêmicos do Salgueiro, São Clemente, Unidos do Viradouro e Beija-Flor de Nilópolis.
A Salgueiro e a Beija-Flor desenvolveram seu samba com base no negro escravizado, no Brasil.
Em São Paulo, nessa primeira noite de desfile, estarão no Sambódromo do Anhembi as escolas 
A Colorado do Brás escolheu a mineira negra Carolina Maria de Jesus como enredo do seu samba.
A Mocidade, por sua vez, escolheu a cantora negra fluminense Clementina de Jesus mexer com a sensibilidade dos foliões. É maravilhoso esse samba.
Curiosidade: A Academicos do Tatuapé entrará na avenida com o samba Preto Velho Conta A Saga Do Café Num Canto De Fé, assinado por 22 compositores. É demais, não?
A história segue.
Representação de um Entrudo
A pandemia provocada pelo Novo Coronavírus tirou da avenida o Carnaval e carnavalescos de 2020 e 2021.
Essa pandemia, que no Brasil já matou quase 700 mil pessoas, promete não sair do ar tão cedo.
Domingo 17 o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ocupou a cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar aos brasileiros e brasileiras que chegara ao fim a Emergência em Saúde Pública relacionada à Covid-19. Decisão sua e do jeitinho que seu chefe queria. Ora, ora. Queiroga pegou onhonha e ficou doido.
Onhonha é um mal ainda desconhecido pela Ciência, mas especialistas em bestialidade garantem que quem o pega são cretinos, puxa-sacos, que desse modo lutam para garantir o seu nome na lata de lixo da história.
Bolsonaro tem onhonha desde pequeno, desde quando começou a dedurar pessoas e a fazer mal a elas.
Numa tentativa talvez inconsciente e quase desesperada de exorcizar todos os malefícios e mágoas advindos do Coronavírus, neste 2022 os foliões prometem descontar e pular e beber até o corpo aguentar. É isso, pelo menos, o que sugere o noticiário de rádio, jornal e TV.
O Carnaval cai normalmente no mês de fevereiro, às vezes em março. Neste ano, em abril.
O mês de abril foi escolhido por causa do feriado de Tiradentes.
Sobrou pra Tiradentes.
Tiradentes foi o primeiro herói reconhecido oficialmente pela luta que travou contra os invasores portugueses.
Existem ampla literatura e vários sambas de enredo enaltecendo o nome de Tiradentes.
Em 1949, a escola de samba Império Serrano entrou na avenida com o enredo Exaltação a Tiradentes.
Os desfiles de escolas de samba em São Paulo começaram em 1968, na avenida São João. Depois em 1977, os desfiles foram transferidos para a avenida Tiradentes e daí para o Sambódromo, em 1991.
Neste ano de 2022, a escola Acadêmicos do Tucuruvi entra no Anhembi lembrando velhos carnavais e dos desfiles da avenida Tiradentes.
Carro dos Democráticos
E a história segue…
Os desfiles de escolas de samba começaram no Rio, todo mundo ou quase todo mundo sabe disso.
São Paulo sempre ficou em 2º plano nos desfiles de avenida. Mas hoje São Paulo não deve nada ao Rio de Janeiro, e se deve é muito pouco.
A primeira escola de samba surgida no Brasil foi Deixa Falar, no Rio. Em São Paulo, Lavapés, em 1937.
Os sambas de enredo são marcas indeléveis na história do nosso Carnaval. Contam a trajetória de grandes nomes da nossa história, como Tiradentes e Castro Alves. Mas antes de falar disso, quero lembrar dos primórdios. Lá de trás, dos tempos do Entrudo.
O Entrudo era uma graça sem graça. Coisa de mau gosto.
O tempo foi passando e as coisas se modificando, claro.
Enquanto rolava a brincadeira sem graça do Entrudo, foram surgindo cordões, ranchos e blocos que faziam a festa do povo e da elite.
No Rio surgiram grandes grupos de foliões, como Tenentes do Diabo (1855), Democráticos (1867) e
Fenianos (1869).
Tenentes do Diabo, embora criado em 1855, só começou a funcionar em 1867. Curiosidade: o Fenianos deve seu nome aos soldados que lutaram pela libertação da Irlanda contra as amarras inglesas.
No século seguinte, 20, os grupos carnavalescos continuaram surgindo no Rio e São Paulo, principalmente.
Fala meu Louro ficou marcado na história do Carnaval carioca.
No Carnaval carioca também ficou marcado o Cordão do Bola Preta, criado em 1918 e em atividade até hoje. É assim, o mais antigo do Brasil e o que arrasta mais foliões. O seu berço é a Lapa.
Os corsos ganharam formas e adeptos nas avenidas dos grandes centros, como o Rio de Janeiro.
E em São Paulo, hein?
Além dos corsos, surgiu o Grupo Carnavalesco da Barra Funda, criado por Dionísio Barbosa. Esse grupo, cujo integrantes utilizavam vestimenta verde e branca, foram perseguidos pela ditadura Vargas. Motivo: as cores lembravam a bandeira dos Integralistas de Plínio Salgado. Durou até 1936.
No carnaval paulistano há, hoje, mais de 700 blocos. E no Rio, pelo menos 500.
Em Recife, João Pessoa, Florianópolis e outras capitais brasileiras também têm grandes blocos carnavalescos.O maior bloco do Nordeste é o Galo da Madrugada.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

AUDÁLIO, CLEMENTINA E CAROLINA NO CARNAVAL

Eu tenho uma coisa a dizer, uma coisa a revelar. Eu conheci Clementina ali pelos anos de 1978/79, talvez 80. Mas a revelação, é: no primeiro momento em que eu me apresentei disse-lhe batendo a porta do hotel onde ela estava hospedada, ali na avenida São João: "Obrigado por me receber, dona Ivone...".
Clementina riu com um desenho bonito na cara, que identifiquei somente depois: "Entre, você é da Folha, não é?".
Guardei comigo esse encontro durante muito tempo e só agora tive a coragem de revelar, de contar a beleza da Clementina diante de mim, um simples jornalista.
A história de Clementina é uma história muito grande. 
A história de Clementina, uma negra, é a história de quem sempre viveu à sombra do branco.
Clementina é, de fato, uma deusa como define no seu canto a escola Mocidade Alegre (abaixo).
Clementina, artisticamente, foi descoberta por Hermínio Belo de Carvalho.
Outra negra que está sendo cantada na avenida, memorialmente necessária, em São Paulo com muita beleza e reconhecimento tardio é a escritora mineira Carolina Maria de Jesus. 
Carolina também foi muito grande. Viveu tempestades.
E Audálio Dantas?
O jornalista alagoano Audálio Dantas foi quem descobriu o talento de Carolina, para a literatura brasileira. Sem ele, nesse ponto, ela não teria existido. 
O enredo, da Colorado do Brás, parece ter sido encomendado para apagar o nome de Audálio.
Os desfiles de escola do Carnaval paulistano começam amanhã 22.

sábado, 5 de março de 2022

BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO


Foram os invasores portugueses que trouxeram o Carnaval para o Brasil. À época, o Carnaval não era como o Carnaval que hoje conhecemos. Entrudo era assim chamado.
Na biblioteca pública da cidade portuguesa do Porto, encontrei muitas referências sobre o Entrudo.
Era um horror o Entrudo, uma brincadeira de extremo mau gosto. Até mijo e merda eram atirados nas pessoas.
Dom Pedro I, no primeiro momento identificado curiosamente como “anarquista”, gostava do Entrudo. Incentivava o Entrudo.
No Brasil, o Entrudo durou até 1930 ou 40. Por ali.
O Entrudo foi abolido do Carnaval quando começaram a surgir as primeiras escolas de samba. A primeira, Deixa Falar, delineou-se como tal em 1928. Um dos seus fundadores foi o compositor Ismael Silva (1905-1978).
Antes da primeira escola de samba, surgiram cordões, ranchos e blocos.
Os cordões e ranchos já não existem no Brasil e em lugar nenhum no mundo.
Atualmente há mais de 500 blocos carnavalescos, no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, o número de blocos carnavalescos chega à casa dos 700.
O Bola Preta, carioca, existe há mais de 100 anos.
Tanto no Rio quanto em São Paulo, há blocos de Carnaval surgindo todos os anos.
Um dos blocos cariocas mais novos, digamos assim, é O Rabugento.
O Rabugento é um bloco que surgiu pra encher o saco de muita gente, como geralmente o são todos os blocos. Os blocos são a alegria do povo.
Em 2010, o Rabugento ocupou ruas e avenidas do Rio com uma belíssima letra (e música) assinada pelo porralouca carnavalesco Manoel Gomes, autointitulado O Audaz. A letra:

BLOCO DO RABUGENTO 2010
ENREDO: OS RABUGENTOS DA CULTURA
AUTOR: MANOEL GOMES, O AUDAZ


I
Nós somos o Rabugento,
O bloco que não tem frescura,
E vamos homenagear
Os rabugentos da cultura

IIGente que não se curvou
Ao que o Rei mandou
E fez valer sua vontade
E, por manter essa coragem,
nossa homenagem
se faz em nome da verdade

III
O velho Nelson percebeu
A burrice da unanimidade
Os idiotas da objetividade
E arrasou com o senso-comum (mais um?)

IV
Nas quatro linhas do gramado
ninguém piava com saldanha
Que cometeu grande façanha
desafiando o ditador

V
Oswaldo Nunes e Satã
Brigavam com afã
Comendo macho na porrada
Valente essa rapaziada
sem medo de nada
Que em nossa História despontou

VI
Bezerra, porta-voz do morro.
Com seu “sambandido”
O candidato execrou
Intérprete era Jamelão
Que não se conformava
Com a palavra “puxador”

VII
E também tem o Tinhorão
Que sempre disse não
A toda influência gringa
E o Rabugento com sua ginga
Entra na avenida
No maior descaramento
denunciando as pilantragens
E as sabotagens
Da indústria do entretenimento


O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão (1928-2021), foi o grande homenageado — E que homenagem! — naquele ano de 2010. Até uma camiseta foi feita em seu louvor.
Tinhorão entrou pra história como uma das mais brilhantes inteligências do nosso País. Antes dele, costumo dizer, que não havia uma bibliografia da nossa música popular. Ele a fez.
Os blocos de carnaval pululam alegremente no Brasil. São milhares.
Em 2010 surgiu na Capital paulista o Urubó.
Urubó “é o urubu da Freguesia do Ó”, define rindo, sarcasticamente, o cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz. Ainda ele:

“O Urubó é o meu bloco do coração. Nasceu na Freguesia do Ó, Zona Norte da Capital paulista e faz um verdadeiro carnaval com marchinhas e canções de todas as épocas: Mocotó, Passoca, Carioca, Pedro, Carol, Odo, Rodrigo e tantos e tantos amigos do bloco, são a alegria mais completa do nosso Carnaval. Em 2020, mais de 100 mil foliões dançaram, pularam no nosso bloco”.

Na madrugada última madrugada de segunda para terça-feira, Jarbas concluiu mais uma belíssima música em homenagem ao bloco de sua predileção: NESSE CARNAVAL
Para Jarbas a pandemia provocada pelo novo Coronavírus pouco ou quase nada interferiu “na nossa alegria".
Pra Jarbas, “não seria ou será uma pandemia de meia tigela que iria, ou irá, acabar com a nossa festa”.
Eu, por mim, defino a pandemia provocada pelo novo Coronavírus como uma merda.
Em 2016, 3 anos depois de a luz dos meus olhos se apagarem, compareci ao estúdio da rádio CBN para falar a respeito do nosso Carnaval e origens. Ouça: 
 
 
O cartunista paulista Fausto Bergocce fez uma pintura muito especial para esta coluna. Sinto-me honrado.

LEIA MAIS: CARNAVAL SEM POVO • HISTÓRIA DOS VELHOS CARNAVAIS

quinta-feira, 3 de março de 2022

CARNAVAL, SEMPRE CARNAVAL

O Carnaval é todo dia. Todo dia e toda hora, independentemente do local ou lugar. 
O Carnaval eu já disse, e tantos também já disseram, chegou ao Brasil pelas mãos dos invasores portugueses. Mas só com a chegada da família Real portuguesa é que o Carnaval começou a ganhar forma. Antes era, literalmente, uma merda. E estou falando do Entrudo. A respeito já falei, aqui não é o caso.
Conheci grandes carnavalescos, grandes compositor de música de Carnaval.
O especial que ora compartilho com vocês eu o fiz há uns anos. Cliquem:


QUEM PODE, PODE

Eu não sei de nada, no máximo de coisas poucas, mas fico pensando a respeito da máxima popular: "quem pode, pode". A propósito eu gostaria de saber de vocês, amigos e amigas leitoras, o que acham dessa frase que também é música.

terça-feira, 1 de março de 2022

HISTÓRIA DOS VELHOS CARNAVAIS

Em fevereiro de 1997, o jornalista carioca Sérgio Cabral foi o convidado especial do programa Roda-Vivam, da TV Cultura. Entre os convidados para entrevistá-lo estavam o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013), o carnavalesco Seu Nenê, fundador da escola Nenê de Vila Matilde (1921-2010); a cantora Leci Brandão e eu.
Foi uma conversa muito boa com o entrevistado declarando o seu amor ao Rio de Janeiro.
Cabral também falou dos velhos carnavais e da modernização das escolas de samba. Acompanhe:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

CARNAVAL SEM POVO

História é história.
A história não morre, pelo contrário. A história reflete o passado e para nos guiarmos no presente é preciso história. Por isso, viva.
A história não se modifica, a história é um recipiente no qual guardam-se todos os acontecimentos de uma pessoa, de uma coisa, de uma cidade, de um estado, de um país...
Como convidado participei, como entrevistador, de várias edições do programa Roda Viva (TV Cultura, canal 2).
Em fevereiro de 1994 eu e Zuza Homem de Mello (1933-2020) e outros colegas jornalistas, navegantes da história, entrevistamos dona Zica (1913-2003), a última companheira de um dos mais importantes compositores do Brasil, Cartola (Angenor de Oliveira, 1908-1980).
Sob a batuta do querido Jorge Escosteguy (1946-1996), dona Zica falou e falou e falou tantas coisas interessantes sobre ontem e sobre hoje. Falou, por exemplo, sobre o Carnaval sem povo.
Dona Zica também falou dos velhos Carnavais, dos bicheiros, das escolas virando empresas e tal e tal e tal. Revelou-se até uma grande saudosista.
Meu amigo, minha amiga, você quer ouvir uma coisa bonita?
Clique:


CARNAVAL DA PANDEMIA

Este é o 2º ano seguido sem Carnaval oficial no Brasil. Isso porém não quer dizer que em 2021 e, agora em 2022, não tenha havido Carnaval. O Carnaval da Elite é o Carnaval da avenida, dos salões, de portas fechadas, com as orgias dionisíacas. Pois é, enquanto isso o povo fica em casa sem direito sequer a pular num bloco.

Amanhã falarei de blocos.

EU E MEUS BOTÕES (14)

Boa tarde pessoal!, fui chegando e assim dizendo aos meus botões que pareciam muito quietos em suas casas. Casas vizinhas, tipo parede e meia. Mané foi o primeiro a dizer "boa tarde".
Mané parece ser, sabe, o tipo quieto que não desperta a atenção de ninguém. Mas é dos bons.
Jão e Zé perguntaram, quase em uníssono: "Tudo bem com o sinhô?".
Claro que nada está nem comigo nem com o mundo que pensa, pois o mundo que pensa anda preocupadíssimo com a irracionalidade explicitada pelo presidente russo. O mundo corre perigo.
Ouvi no rádio agora pouco, começou Zilidoro, "que a Ucrânia acaba de assinar oficialmente um documento no qual expõe, ardentemente, o desejo de integrar-se à OTAN".
"Eu sabia! Eu sabia!", exultou Mané lembrando a sua rápida intervenção sobre a OTAN, no nosso último encontro.
A coisa tá feia, eu disse a todos.
A ouvir o que eu disse, Lampa olhou-me com aquele olhar enigmático. Disse: "Eu vou juntar meu pessoal lá de Pernambuco e, juntos, vamo dar uma liçãozinha chamado Pute, Pótin, Puntin... sei lá, mas do meu punházin, ele não escapa".
Barrixa e Zoião acharam graça na fala manhosa e perigosa de Lampa.
Quieto como estava, quietinho Biu falou: "Né nada não, mas eu gostaria de saber é como anda o Carnaval. O sinhô gosta de Carnaval?".
Eu disse que gosto do Carnaval, que gosto do que é bom brincar.
"E por que o sinhô não fala de Carnaval pra gente, agora?".
E aí, claro, eu tive que dizer alguma coisa. E disse, perguntando: Vocês querem, mesmo, que eu fale de Carnaval? 
Como se tivessem combinado, falaram ao mesmo tempo: "SIIIIIIIMMMMM!!!".
Então tá, minha gente. Leiam, daqui a pouco o Blog do Assis Angelo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

HOJE É DIA DO FREVO. VIVA O FREVO!

 
A riqueza cultural do Brasil é imensa, sem paralelo.
O criador do Baião, Luiz Gonzaga, deixou Pernambuco para inventar o Baião no Rio de Janeiro.
O Baião, como ritmo musical, foi gravado pela primeira vez no dia 22 de maio de 1946. Um ano depois do fim da 2ª Guerra. Nessa empreitada, o cearense Humberto Teixeira aparece como parceiro. 
Gonzaga e Teixeira produziram 20 parcerias. Todas viraram clássicos da música.
Pernambuco é a terra do bandoleiro Lampião. Mas não é disso que quero aqui falar.
Pernambuco, um dos 9 Estados Nordestinos, é uma terra de muita história. De muitas guerras, incluindo a de Guararapes e a de 1817, que teve entre seus líderes Bárbara de Alencar e Frei Caneca.
Bárbara de Alencar, perseguida pelas forças imperiais, morreu anonimamente no Piauí.
Frei Caneca foi fuzilado. Mas não é também sobre isso que quero aqui falar.
Pernambuco é terra bonita, alegre, cheia de graça e cor.
Foi na virada do século 19 que em Pernambuco surgiu a dança do frevo.
O frevo é dança e música e pode ser dividido de três formas: frevo de rua, frevo canção e frevo de bloco.
O frevo de bloco é desenvolvido com instrumentos de pau e corda. E um de sopro: pífano, ou pife.
O frevo canção difere-se muito do samba-canção. É mais agitado, mais colorido.
O frevo de rua, como o frevo canção e o frevo de bloco é uma graça.
Quem dança o frevo é denominado de passista. 
O frevo já foi tombado e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A iniciativa foi da Unesco, em 2012.
Não existe um inventor para o frevo. Sabe-se, porém, que foi resultado da mistura da capoeira com a marcha militar. 
O gingado do frevo é especialíssimo, único.
Para dançar o frevo os passistas fazem uso de uma sombrinha estilizada.
Capiba, de batismo Lourenço da Fonseca Barbosa, escreveu muitos frevos. Era pianista. Nasceu em Pernambuco e viveu bom tempo na Paraiba. Eu o conheci em São Paulo e foi em São Paulo, capital, que eu o levei para o programa Gente e Coisas do Nordeste. Esse programa, de grande audiência, eu o apresentava pelas ondas da extinta rádio Atual.
O dia 9 de fevereiro é o Dia do Frevo. 
 
 



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