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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

O BRASIL GANHA MAIS UM ENFERMEIRO

Seu Claudio e Dona Silvana estão todo anchos com a profissão escolhida pelo filho varão Wallace Silva: enfermagem.
Wallace é um jovem de 27 anos que nasceu com o sentimento de paz e dom de ajudar o próximo. Isso o leva pelos caminhos da medicina, da enfermagem, da solidariedade humana...
Eu conheci Wallace, que virou meu mais novo amigo de infância, há uns dois anos. Por aí. Chegou-me através de pessoas que trabalham com ele, aqui perto num posto da UBS.
Por esse tempo eu já havia perdido o brilho dos meus olhos e andava meio borocoxô. E ainda ando. Fiz até cirurgia de câncer e escapei, como se vê.
A gente dá muita risada, quando ele e a turma dele chegam aqui, em casa.
A turma do Wallace é formada por uma dezena de pessoas que escolheram dar um pouco de si a quem anda por aí sofrendo e tal.
Entre as pessoas do grupo de Wallace estão a doutora Daniele, as enfermeiras Grazi e Alessandra...
Aproveito aqui para mandar meu abraço à psicóloga Sara e ao psiquiatra Claudio.
Ah! Sim: Os pais de Wallace também são pais da menina Joyce.
O mundo, é bom que se diga, comemora o 12 de maio como o Dia Mundial da Enfermagem e do Enfermeiro, em homenagem à norte-americana Florence Nightingale (1820-1910). No Brasil há 2,7 milhões de enfermeiros, de acordo com o Conselho Federal de Enfermagem, Cofen.
E para fechar, recomendo a beleza de conto que é O Enfermeiro, do gigantesco escritor Machado de Assis:

Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página
de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes
da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos;
estou desenganado.
Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há outras coisas
interessantes, mas para isso era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho papel;
o ânimo é frouxo, e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o
sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável como a vida. Adeus, meu caro
senhor, leia isto e queira-me bem; perdoe-me o que lhe parecer mau, e não
maltrate muito a arruda, se lhe não cheira a rosas. Pediu-me um documento
humano, ei-lo aqui. Não me peça também o império do Grão-Mogol, nem a
fotografia dos Macabeus; peça, porém, os meus sapatos de defunto e não os dou a
ninguém mais.
Já sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu
quarenta e dois anos, fiz-me teólogo — quero dizer, copiava os estudos de teologia
de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava,
delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele
uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa
entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel
Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as
mãos, estava já enfarado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à
corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila.
Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável,
estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais
enfermeiros que remédios. A dois deles quebrou a cara. Respondi que não tinha
medo de gente sã, menos ainda de doentes; e depois de entender-me com o vigário,
que me confirmou as notícias recebidas, e me recomendou mansidão e caridade,
segui para a residência do coronel.
Achei-o na varanda da casa estirado numa cadeira, bufando muito. Não me
recebeu mal. Começou por não dizer nada; pôs em mim dois olhos de gato que
observa; depois, uma espécie de riso maligno alumiou-lhe as feições, que eram
duras. Afinal, disse-me que nenhum dos enfermeiros que tivera, prestava para
nada, dormiam muito, eram respondões e andavam ao faro das escravas; dois eram
até gatunos!
— Você é gatuno?
— Não, senhor.
Em seguida, perguntou-me pelo nome: disse-lho e ele fez um gesto de espanto.
Colombo? Não, senhor: Procópio José Gomes Valongo. Valongo? achou que não era
nome de gente, e propôs chamar-me tão-somente Procópio, ao que respondi que
estaria pelo que fosse de seu agrado. Conto-lhe esta particularidade, não só porque
me parece pintá-lo bem, como porque a minha resposta deu de mim a melhor ideia
ao coronel. Ele mesmo o declarou ao vigário, acrescentando que eu era o mais
simpático dos enfermeiros que tivera. A verdade é que vivemos uma lua-de-mel de
sete dias.
No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não
dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias, e, às vezes, rir delas, com um
ar de resignação e conformidade; reparei que era um modo de lhe fazer corte.
Tudo impertinências de moléstia e do temperamento. A moléstia era um rosário
delas, padecia de aneurisma, de reumatismo e de três ou quatro afecções menores.
Tinha perto de sessenta anos, e desde os cinco toda a gente lhe fazia a vontade. Se
fosse só rabugento, vá; mas ele era também mau, deleitava-se com a dor e a
humilhação dos outros. No fim de três meses estava farto de o aturar; determinei
vir embora; só esperei ocasião.
Não tardou a ocasião. Um dia, como lhe não desse a tempo uma fomentação,
pegou da bengala e atirou-me dois ou três golpes. Não era preciso mais; despedime imediatamente, e fui aprontar a mala. Ele foi ter comigo, ao quarto, pediu-me
que ficasse, que não valia a pena zangar por uma rabugice de velho. Instou tanto
que fiquei.
— Estou na dependura, Procópio, dizia-me ele à noite; não posso viver muito
tempo. Estou aqui, estou na cova. Você há de ir ao meu enterro, Procópio; não o
dispenso por nada. Há de ir, há de rezar ao pé da minha sepultura. Se não for,
acrescentou rindo, eu voltarei de noite para lhe puxar as pernas. Você crê em almas
de outro mundo, Procópio?
— Qual o quê!
— E por que é que não há de crer, seu burro? redarguiu vivamente,
arregalando os olhos.
Eram assim as pazes; imagine a guerra. Coibiu-se das bengaladas; mas as
injúrias ficaram as mesmas, se não piores. Eu, com o tempo, fui calejando, e não
dava mais por nada; era burro, camelo, pedaço d'asno, idiota, moleirão, era tudo.
Nem, ao menos, havia mais gente que recolhesse uma parte desses nomes. Não
tinha parentes; tinha um sobrinho que morreu tísico, em fins de maio ou princípios
de julho, em Minas. Os amigos iam por lá às vezes aprová-lo, aplaudi-lo, e nada
mais; cinco, dez minutos de visita. Restava eu; era eu sozinho para um dicionário
inteiro. Mais de uma vez resolvi sair; mas, instado pelo vigário, ia ficando.
Não só as relações foram-se tornando melindrosas, mas eu estava ansioso por
tornar à corte. Aos quarenta e dois anos não é que havia de acostumar-me à
reclusão constante, ao pé de um doente bravio, no interior. Para avaliar o meu
isolamento, basta saber que eu nem lia os jornais; salvo alguma notícia mais
importante que levavam ao coronel, eu nada sabia do resto do mundo. Entendi,
portanto, voltar para a corte, na primeira ocasião, ainda que tivesse de brigar com
o vigário. Bom é dizer (visto que faço uma confissão geral) que, nada gastando e
tendo guardado integralmente os ordenados, estava ansioso por vir dissipá-los
aqui.
Era provável que a ocasião aparecesse. O coronel estava pior, fez testamento,
descompondo o tabelião, quase tanto como a mim. O trato era mais duro, os breves
lapsos de sossego e brandura faziam-se raros. Já por esse tempo tinha eu perdido a
escassa dose de piedade que me fazia esquecer os excessos do doente; trazia
dentro de mim um fermento de ódio e aversão. No princípio de agosto resolvi
definitivamente sair; o vigário e o médico, aceitando as razões, pediram-me que
ficasse algum tempo mais. Concedi-lhes um mês; no fim de um mês viria embora,
qualquer que fosse o estado do doente. O vigário tratou de procurar-me substituto.
Vai ver o que aconteceu. Na noite de vinte e quatro de agosto, o coronel teve
um acesso de raiva, atropelou-me, disse-me muito nome cru, ameaçou-me de um
tiro, e acabou atirando-me um prato de mingau, que achou frio; o prato foi cair na
parede, onde se fez em pedaços.
— Hás de pagá-lo, ladrão! bradou ele.
Resmungou ainda muito tempo. Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele
dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d'Arlincourt, traduzido,
que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha
de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro,
antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do
coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos
mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim.
Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor
que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e
esganei-o.
Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas
ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo à vida, era tarde;
arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante
duas horas não ousei voltar ao quarto. Não posso mesmo dizer tudo o que passei,
durante esse tempo. Era um atordoamento, um delírio vago e estúpido. Parecia-me
que as paredes tinham vultos; escutava umas vozes surdas. Os gritos da vítima,
antes da luta e durante a luta, continuavam a repercutir dentro de mim, e o ar, para
onde quer que me voltasse, aparecia recortado de convulsões. Não creia que esteja
fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que
me bradavam: assassino! assassino!
Tudo o mais estava calado. O mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
sublinhava o silêncio e a solidão. Colava a orelha à porta do quarto na esperança de
ouvir um gemido, uma palavra, uma injúria, qualquer coisa que significasse a vida,
e me restituísse a paz à consciência. Estaria pronto a apanhar das mãos do coronel,
dez, vinte, cem vezes. Mas nada, nada; tudo calado. Voltava a andar à toa, na sala,
sentava-me, punha as mãos na cabeça; arrependia-me de ter vindo. — “Maldita a
hora em que aceitei semelhante coisa!” exclamava. E descompunha o padre de
Niterói, o médico, o vigário, os que me arranjaram um lugar, e os que me pediram
para ficar mais algum tempo. Agarrava-me à cumplicidade dos outros homens.
Como o silêncio acabasse por aterrar-me, abri uma das janelas, para escutar o
som do vento, se ventasse. Não ventava. A noite ia tranquila, as estrelas
fulguravam, com a indiferença de pessoas que tiram o chapéu a um enterro que
passa, e continuam a falar de outra coisa. Encostei-me ali por algum tempo, fitando
a noite, deixando-me ir a uma recapitulação da vida, a ver se descansava da dor
presente. Só então posso dizer que pensei claramente no castigo. Achei-me com um
crime às costas e vi a punição certa. Aqui o temor complicou o remorso. Senti que
os cabelos me ficavam de pé. Minutos depois, vi três ou quatro vultos de pessoas,
no terreiro, espiando, com um ar de emboscada; recuei, os vultos esvaíram-se no
ar; era uma alucinação.
Antes do alvorecer curei a contusão da face. Só então ousei voltar ao quarto.
Recuei duas vezes, mas era preciso e entrei; ainda assim, não cheguei logo à cama.
Tremiam-me as pernas, o coração batia-me; cheguei a pensar na fuga; mas era
confessar o crime, e, ao contrário, urgia fazer desaparecer os vestígios dele. Fui até
a cama; vi o cadáver, com os olhos arregalados e a boca aberta, como deixando
passar a eterna palavra dos séculos: “Caim, que fizeste de teu irmão?” Vi no
pescoço o sinal das minhas unhas, abotoei alto a camisa e cheguei ao queixo a
ponta do lençol. Em seguida, chamei um escravo, disse-lhe que o coronel
amanhecera morto; mandei recado ao vigário e ao médico.
A primeira ideia foi retirar-me logo cedo, a pretexto de ter meu irmão doente,
e, na verdade, recebera carta dele, alguns dias antes, dizendo-me que se sentia mal.
Mas adverti que a retirada imediata poderia fazer despertar suspeitas, e fiquei. Eu
mesmo amortalhei o cadáver com o auxílio de um preto velho e míope. Não saí da
sala mortuária; tinha medo de que descobrissem alguma coisa. Queria ver no rosto
dos outros se desconfiavam; mas não ousava fitar ninguém. Tudo me dava
impaciências: os passos de ladrão com que entravam na sala, os cochichos, as
cerimônias e as rezas do vigário. Vindo a hora, fechei o caixão, com as mãos
trêmulas, tão trêmulas que uma pessoa, que reparou nelas, disse a outra com
piedade:
— Coitado do Procópio! apesar do que padeceu, está muito sentido.
Pareceu-me ironia; estava ansioso por ver tudo acabado. Saímos à rua. A
passagem da meia-escuridão da casa para a claridade da rua deu-me grande abalo;
receei que fosse então impossível ocultar o crime. Meti os olhos no chão, e fui
andando. Quando tudo acabou, respirei. Estava em paz com os homens. Não o
estava com a consciência, e as primeiras noites foram naturalmente de
desassossego e aflição. Não é preciso dizer que vim logo para o Rio de Janeiro, nem
que vivi aqui aterrado, embora longe do crime; não ria, falava pouco, mal comia,
tinha alucinações, pesadelos...
— Deixa lá o outro que morreu, diziam-me. Não é caso para tanta melancolia.
E eu aproveitava a ilusão, fazendo muitos elogios ao morto, chamando-lhe boa
criatura, impertinente, é verdade, mas um coração de ouro. E, elogiando,
convencia-me também, ao menos por alguns instantes. Outro fenômeno
interessante, e que talvez lhe possa aproveitar, é que, não sendo religioso, mandei
dizer uma missa pelo eterno descanso do coronel, na igreja do Sacramento. Não fiz
convites, não disse nada a ninguém; fui ouvi-la, sozinho, e estive de joelhos todo o
tempo, persignando-me a miúdo. Dobrei a espórtula do padre, e distribuí esmolas à
porta, tudo por intenção do finado. Não queria embair os homens; a prova é que fui
só. Para completar este ponto, acrescentarei que nunca aludia ao coronel, que não
dissesse: “Deus lhe fale n'alma!” E contava dele algumas anedotas alegres,
rompantes engraçados...
Sete dias depois de chegar ao Rio de Janeiro, recebi a carta do vigário, que lhe
mostrei, dizendo-me que fora achado o testamento do coronel, e que eu era o
herdeiro universal. Imagine o meu pasmo. Pareceu-me que lia mal, fui a meu irmão,
fui aos amigos; todos leram a mesma coisa. Estava escrito; era eu o herdeiro
universal do coronel. Cheguei a supor que fosse uma cilada; mas adverti logo que
havia outros meios de capturar-me, se o crime estivesse descoberto. Demais, eu
conhecia a probidade do vigário, que não se prestaria a ser instrumento. Reli a
carta, cinco, dez, muitas vezes; lá estava a notícia.
— Quanto tinha ele? perguntava-me meu irmão.
— Não sei, mas era rico.
— Realmente, provou que era teu amigo.
— Era... Era...
Assim, por uma ironia da sorte, os bens do coronel vinham parar às minhas
mãos. Cogitei em recusar a herança. Parecia-me odioso receber um vintém do tal
espólio; era pior do que fazer-me esbirro alugado. Pensei nisso três dias, e
esbarrava sempre na consideração de que a recusa podia fazer desconfiar alguma
coisa. No fim dos três dias, assentei num meio-termo; receberia a herança e dá-laia toda, aos bocados e às escondidas. Não era só escrúpulo; era também o modo de
resgatar o crime por um ato de virtude; pareceu-me que ficava assim de contas
saldas.
Preparei-me e segui para a vila. Em caminho, à proporção que me ia
aproximando, recordava o triste sucesso; as cercanias da vila tinham um aspecto
de tragédia, e a sombra do coronel parecia-me surgir de cada lado. A imaginação ia
reproduzindo as palavras, os gestos, toda a noite horrenda do crime...
Crime ou luta? Realmente, foi uma luta em que eu, atacado, defendi-me, e na
defesa... Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa ideia. E
balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as injúrias... Não era culpa do
coronel, bem o sabia, era da moléstia, que o tornava assim rabugento e até mau...
Mas eu perdoava tudo, tudo... O pior foi a fatalidade daquela noite... Considerei
também que o coronel não podia viver muito mais; estava por pouco; ele mesmo o
sentia e dizia. Viveria quanto? Duas semanas, ou uma; pode ser até que menos. Já
não era vida, era um molambo de vida, se isto mesmo se podia chamar ao padecer
contínuo do pobre homem... E quem sabe mesmo se a luta e a morte não foram
apenas coincidentes? Podia ser, era até o mais provável; não foi outra coisa. Fixeime também nessa ideia...
Perto da vila apertou-se-me o coração, e quis recuar, mas dominei-me e fui.
Receberam-me com parabéns. O vigário disse-me as disposições do testamento, os
legados pios, e de caminho ia louvando a mansidão cristã e o zelo com que eu
servira ao coronel, que, apesar de áspero e duro, soube ser grato.
— Sem dúvida, dizia eu olhando para outra parte.
Estava atordoado. Toda a gente me elogiava a dedicação e a paciência. As
primeiras necessidades do inventário detiveram-me algum tempo na vila. Constituí
advogado; as coisas correram placidamente. Durante esse tempo, falava muita vez
do coronel. Vinham contar-me coisas dele, mas sem a moderação do padre; eu
defendia-o, apontava algumas virtudes, era austero...
— Qual austero! Já morreu, acabou; mas era o diabo.
E referiam-me casos duros, ações perversas, algumas extraordinárias. Quer
que lhe diga? Eu, a princípio, ia ouvindo cheio de curiosidade; depois, entrou-me
no coração um singular prazer, que eu sinceramente buscava expelir. E defendia o
coronel, explicava-o, atribuía alguma coisa às rivalidades locais; confessava, sim,
que era um pouco violento... Um pouco? Era uma cobra assanhada, interrompia-me
o barbeiro; e todos, o coletor, o boticário, o escrivão, todos diziam a mesma coisa e
vinham outras anedotas, vinha toda a vida do defunto. Os velhos lembravam-se das
crueldades dele, em menino. E o prazer íntimo, calado, insidioso, crescia dentro de
mim, espécie de tênia moral, que por mais que a arrancasse aos pedaços,
recompunha-se logo e ia ficando.
As obrigações do inventário distraíram-me; e por outro lado a opinião da vila
era tão contrária ao coronel, que a vista dos lugares foi perdendo para mim a feição
tenebrosa que a princípio achei neles. Entrando na posse da herança, converti-a
em títulos e dinheiro. Eram então passados muitos meses, e a ideia de distribuí-la
toda em esmolas e donativos pios não me dominou como da primeira vez; achei
mesmo que era afetação. Restringi o plano primitivo; distribuí alguma coisa aos
pobres, dei à matriz da vila uns paramentos novos, fiz uma esmola à Santa Casa da
Misericórdia, etc.: ao todo trinta e dois contos. Mandei também levantar um túmulo
ao coronel, todo de mármore, obra de um napolitano, que aqui esteve até 1866, e
foi morrer, creio eu, no Paraguai.
Os anos foram andando, a memória tomou-se cinzenta e desmaiada. Penso às
vezes no coronel, mas sem os terrores dos primeiros dias. Todos os médicos a
quem contei as moléstias dele, foram acordes em que a morte era certa, e só se
admiravam de ter resistido tanto tempo. Pode ser que eu, involuntariamente,
exagerasse a descrição que então lhes fiz; mas a verdade é que ele devia morrer,
ainda que não fosse aquela fatalidade...
Adeus, meu caro senhor. Se achar que esses apontamentos valem alguma
coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio
esta emenda que faço aqui ao divino Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os
que possuem, porque eles serão consolados.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

DRAUZIO VARELLA E NÓS...


Esta semana o médico Drauzio Varella esteve por cá. Tivemos uma ótima conversa. Tudo gravado para em breve ser mostrado num podcast semanal.
O podcast, ainda sem título, tem como integrantes os craques Alex, Abreu, Magrão, Cilene e eu.
O papo com o Drauzio começou com lembranças à memória do biólogo e compositor paulistano Paulo Vanzolini (1924-2013) e seguiu por aí afora.
Drauzio contou um pouco da sua história e do tempo em que Vanzolini foi seu professor na Faculdade de Medicina na USP. Contou também do tempo em que atendia presidiários na velha casa de detenção, que também frequentei como repórter da Folha. E também como repórter frequentei a Penitenciária Feminina do complexo Carandiru. Mas essa é outra história...
Durante certo período, Drauzio distribuiu na penitenciária uma revista em quadrinhos intitulada Viralata. Essa revista, com roteiro assinado por Paulo Garfunkel (Magrão) e quadrinhos por Libero Malavoglia, foi de especial importância para conscientizar os presidiários aidéticos no período mortal da doença.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

HOMEM TEM 93 ANOS COM CARA DE 40 DE IDADE

A vida corrida que todos nós temos, cansa.
Embora canse essa vida corrida que temos, preciso é que acordemos para o bem bom da vida. E o bem bom é vivermos em paz. Nos alimentando com a menor quantidade possível de veneno, dormir mais ou menos na hora e não deixarmos de por o corpo em movimento.
Noutras palavras: o exercício físico nos faz bem e o corpo e a alma agradecem.
O Brasil é um país ainda novo, com os seus mais de 8,5 km². O clima é bom e o povo, também.
A população brasileira já passa da casa de 200 milhões de pessoas. Desse total, pelo menos 30 milhões se acham na faixa etária compreendida de 0 a 14 anos.
Os brasileiros com mais de 60 anos chegam a 32 milhões, mais ou menos.
Dados colhidos recentemente pelo IBGE dão conta de que há cerca de 37 mil homens e mulheres com 100 ou mais anos de idade.
Tudo isso pra dizer que hoje 23 ouvi no rádio notícia de um norueguês de 93 anos com a aparência de 40. Com seus 74 kg e  80% do corpo de músculos, Richard Morgan começou a fazer exercícios há exatos 20 anos. Considera-se um cidadão comum, mas mesmo assim médicos estão de olho nele. Querem saber segredos que tem para manter-se tão bem.
É isso!

sábado, 9 de setembro de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (43)

Paulistano do bairro do Brás, da safra de 43, Drauzio Varella estudou na Universidade de São Paulo e lá formou-se em Medicina especializando-se em Oncologia, mas foi combatendo a AIDS entre os presos do Carandiru que ficou nacionalmente conhecido.
Seu trabalho voluntário na Casa de Detenção findou por gerar o livro Estação Carandiru, que virou filme.
E foi para o Carandiru que o Dr. Drauzio Varella levou o Vira Lata, personagem criado pelo roteirista Paulo Garfunkel, Magrão e transposto para a revista desenhada pelo quadrinista Líbero.
Eu pedi e Drauzio não se negou a dar um depoimento sobre a importância do Vira Lata entre os presos. Aproveita pra dizer como conheceu Magrão e Líbero. Leia, vale a pena:

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“Eu conheci o Paulo Garfunkel, o Magrão, através da minha mulher, Regina Braga, que fez uma peça com ele e o Jean Garfunkel, irmão do Magrão. E aí o Vira-Lata caiu nas minhas mãos um dia, era o primeiro número e eu achei muito interessante. Gostei muito do personagem e das ilustrações feitas pelo Líbero Malavoglia. E aí, um dia na cadeia, eu estava no Carandiru nessa época, eu levei uns folhetos de um Congresso Internacional de AIDS e distribui a cadeia. Era bonito, sabe? Um papel de ótima qualidade. Daí conversei com o pessoal da faxina e disse, “como é que o esses folhetos são recebidos aí?” Um deles falou: “ah, doutor... os folhetos são bonitos, mas o pessoal dá uma olhadinha e joga no lixo.

Bom, não é assim que a gente vai atingir essas pessoas. Então, lembrei do Vira-Lata e pensei: quem sabe um gibi? Porque eu via “eles” lendo gibis, especialmente naquelas celas coletivas, naquelas celas do “Amarelo”, por exemplo, para onde iam os marcados para morrer, via o pessoal lendo histórias em quadrinhos. “Pô” quem sabe, essa não é a linguagem pra atingir esse alvo, né? E aí conversei com o Magrão: por que que a gente não faz o Vira-Lata adaptado para a situação de cadeia? Ele gostou muito e conversou com o Líbero e já começou a pensar nas histórias, e a gente definiu quais eram as características principais do herói: ele não usava droga injetável de jeito nenhum, porque na época a cocaína injetável era muito usada nas cadeias e era a principal forma de transmissão do HIV e das hepatites. Segundo lugar, ele era um ex-presidiário, tinha cumprido pena no Carandiru, no passado. De tempos em tempos ele voltava à cadeia para visitar velhos amigos e alguns desses amigos contavam um problema que estavam tendo na rua. E o Vira-Lata saía então, para ajudá-los a resolver esse problema. E aí ele se envolvia em aventuras que tinham basicamente violência e sexo. Só que, e isso era uma característica fundamental do personagem, é que ele não fazia sexo sem preservativo. E na época, o que a gente queria falar na cadeia era exatamente isso, divulgar o preservativo, como parte da vida sexual. E os desenhos eram muito bem-feitos, era um gibi de cenas eróticas fortes.
Eu, quando era menino, tinha um gibi, que era feito pelo pelo Carlos Zéfiro que tinha histórias de sexo, era um Gibi de sacanagem, os “catecismos”. E dizem que o Carlos Zéfiro foi o grande educador sexual dos anos 50 e 60. E o Líbero era um desenhista, lógico, mais preparado do que o Carlos Zéfiro, e as cenas do Vira-Lata eram muito bem desenhadas com uma ilustração ótima. Ele ficou muito conhecido na cadeia, né(?), porque foram criados 7 números. A gente distribuía, à noite de cela em cela, juntava um bando de amigos íamos pra a Detenção e fazíamos a distribuição. A cadeia era muito grande tinha mais de 7.000 presos. A gente distribuía o Vira-Lata e imediatamente eles começavam a ler. Eu acho que esse tipo de personagem que foi popular lá no antigo Carandiru, seria popular hoje também nas outras cadeias. Lógico que teria que ser adaptado para os problemas atuais. Hoje droga na veia não é mais problema nas nossas cadeias. Mas o sexo sem preservativo é, então, se nós conseguíssemos adaptar para a situação atual, porque, afinal, já se passaram aí 30 anos, né(?). Mas eu acho que esse personagem poderia fazer sucesso entre a população carcerária se fosse distribuído pelos presídios todos. Eu fico muito feliz de ter participado do Vira-Lata, com toda historia escrita pelo Paulo Garfunkel, o Magrão e o Líbero Malavoglia fazia aqueles desenhos maravilhosos”.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

A SAÚDE ESTÁ DOENTE

Não é de hoje, infelizmente, que nós brasileiros estamos perdidos, afunhenhados, abandonados pelo poder público. 
Pois é, que estamos lascados, ao Deus dará. 
O desemprego come solto na buraqueira.
A educação foi arrasada, em todos os sentidos. Professor, e tenho uma filha professora, come o pão que o diabo faz nos fornos do Inferno. Trabalha e trabalha por uma merrequinha ao fim do mês. Como se não bastasse, vivemos um tempo em que aluno xinga, bate e até mata professor e professora. 
A área da saúde, por sua vez, está inteiramente devastada. As filas de doentes portadores de câncer e de outros males dobram esquinas e quarteirões. Uma lástima!
Sábado 3 o diário Folha de São Paulo estampou chamada na 1a. página sobre o abandono da saúde no Brasil. Título: SP descumpre lei para iniciar tratamento de câncer em até 60 dias.
A matéria, de página inteira, tem a assinatura do repórter Fábio Pescarini.
Ao mesmo tempo que nos dói ler a reportagem fica claro o abandono das pessoas que precisam de atendimento do SUS, Sistema Único de Saúde.
Coitado de quem precisa do SUS.
Com vocês compartilho a reportagem da Folha:
 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

EU E MEUS BOTÕES (63)

"Seu Assis! Seu Assis!"
Calma, calma, Barrica. O que houve? O que é que há pra você falar desse jeito chamando a atenção de todos, gritando?
"Estão acontecendo absurdos. Olha aqui na Folha. Vou ler em voz alta. Logo de manchete, aspas: Em crise, planos de saúde rescindem contratos e deixam crianças sem tratamento".
É, realmente é absurdo o que está acontecendo nos planos de saúde.
"E a matéria começa assim, aspas: A Unimed Nacional valoriza a transparência em todas as suas relações. Comunicamos, portanto, a rescisão do plano de saúde celebrado com a sua empresa, encerrando a vigência do seu plano no dia 27 de junho de 2023".
Lamentável, lamentável. E o pior é que isso não está acontecendo agora, já faz tempo. São centenas de planos de saúde passando a perna em muita gente. Eu entendo o seu desabafo, Barrica.
O irmão de Barrica, Biu, entra na história lembrando que a Unimed é a empresa que mais ludibria a sua clientela: "E essas empresas não só deixam na mão as crianças, mas os pais e todo mundo! A Justiça, por sua vez, dá ganho de causa às vítimas desses planos. Mas fica nisso e terminam pagando o pato. Isso é caso de polícia!".
"E como se não bastasse, o SUS também não está atendendo a população como deveria", foi a vez de Zilidoro falar. E acrescentou: "Eu ouvi no rádio que no SUS tem uma fila de 680 mil brasileiros e brasileiras esperando agendamento pra cirurgias. É muita aflição. Fico imaginando a pessoa que está com câncer, por exemplo. Deve está sofrendo muito, ansiosa. E nessa fila infinita, certamente muita gente já morreu".
Lampa, quieto no seu canto, levanta as sobrancelhas enquanto cutuca as unhas com o seu inefável punhalzinho. De repente levanta a cabeça e dá uma geral no ambiente. Parece que vai dizer alguma coisa, mas cala.
Jão cutuca Mané, que diz: "A verdade, a verdade verdadeira, é que estamos todos a-fu-nhe-nha-dos! As empresas de planos de saúde fazem o que querem, rompem contratos a hora que querem... Na verdade, na verdade, o Brasil está doente! Muito doente!".
Zé, que permanecia em silêncio até agora, diz: "Eu tinha um plano com essa tal de Unimed. E sempre paguei em dia, mas mesmo assim os sacanas me cortaram. Bastou eu ficar doente e precisar de uma cirurgia de hérnia. Recorri à Justiça, ganhei, mas a tal Unimed mandou eu catar coquinho. Procurei o SUS e estou esperando uma cirurgia até agora e nada!".
Bom, pessoal. O papo tá bom...
Lampa interrompe, bruscamente: "O papo tá bom coisa nenhuma! É um horror! E tem mais. Eu soube que aquele órgão... Ibama! Sim, o Ibama, não está deixando a Petobrás tirar petróleo do chão da Amazônia. É briga grande. A Marina, ministra do Meio Ambiente, está tiririca da vida. Vão ter que passar por cima do cadáver dela. Eu gosto dela. Briga bem, defende os índios e as matas".
Surpreendi-me, devo dizer, com a interrupção inesperada do nosso Lampa. Sempre fechado em si, silencioso. 
"Muito bem, Lampa. Gostei de ver!", aplaudiu Zilidoro contando que tem briga feia na causa Amazônica.
Pra relaxar, Jão lembrou que Deltan Dallagnol teve o cargo de deputado federal cassado pelo STF e que seu coleguinha Sérgio Moro está se borrando todo, com medo de perder o mandato de senador. " E por falar do STF, os juízes formaram maioria para mandar o ex-senador e ex-presidente da República Fernando Collor à cadeia", emendou Zé. E Mané, pegando a deixa, lembrou: "O Bolsonaro que se cuide, pois a vez dele está chegando!".
Pois é, pessoal, a semana que está terminando foi intensa, movimentadíssima. O que falta ainda acontecer?
E como se tivessem ensaiado, todos disseram: "Cadeia pra Bolsonaro!".

quarta-feira, 3 de maio de 2023

VIVA DRAUZIO VARELLA!

Nestes tempos de horrores, que vivemos todos os dias, bom é falar de gente que engrandece o nosso País.
No dia 3 de maio do ano de1943, quando o mundo em guerra tentava se defender de Hitler, nascia na Capital de São Paulo Drauzio Varella.
Drauzio Varella, de origem humilde, mostrou riqueza na inteligência e ajudou, e ainda ajuda, o Brasil a ter consciência da beleza e grandeza que é.
Drauzio cresceu no bairro do Brás, um bairro construído por gente de todo o canto. Do Nordeste, inclusive.
Drauzio é aquele doutor que em 1985 escreveu um artigo pioneiro no massudo jornal paulistano O Estado de S.Paulo a respeito da peste que contaminou gente no mundo todo: AIDS.
Esse cidadão, Drauzio, é uma referência de cidadão.
Como cidadão, o Dr. Drauzio Varella é completo.
A história de Drauzio Varella é enorme, incrível, fantástica.
À propósito, foi em 2003 que Drauzio Varella estreou um quadro no programa Fantástico, da TV Globo, acho.
Muitas e muitas histórias há em torno de Drauzio Varella.
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar de um personagem chamado Vira-Lata?
Voltaremos ao assunto.
Ah! Ia-me esquecendo: num ano qualquer fui mediador de um debate sobre a obra de Paulo Vanzolini, autor do samba-canção Ronda, no SESC Pinheiros. Na mesa Eduardo Godin, Fernando Faro e Drauzio Varella.
Drauzio foi aluno de Medicina do professor e compositor Paulo Emílio Vanzolini, na USP.
Antônio Drauzio Varella completa hoje 80 anos de idade. Hoje, portanto, é dia de bater palmas para esse grande brasileiro!

terça-feira, 19 de abril de 2022

ONHONHA PEGA O MINISTRO DA SAÚDE. CASO GRAVE

Hoje é o Dia do Índio.
Os índios sofrem no nosso País desde sempre. Mais ainda quando chegaram os primeiros invasores. Portugueses.
Com o incentivo do atual presidente da República, grileiros invadem as terras indígenas e delas extraem todas riquezas. O ouro principalmente.
Os invasores das terras indígenas incentivados pelo presidente da República, além de roubar a riqueza do subsolo indígena, ainda poluem os rios e matam peixes e matam tudo...
E atenção! Atenção!
O titular deste blog descobriu que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pegou o mal da onhonha. E ficou doido.
Ficou doido e não se conteve a anunciar o fim da pandemia. 
O fim da pandemia provocada pelo novo Coronavírus cabe à Organização Mundial da Saúde, OMS.
Onhonha é um mal maior do que o Novo Coronavírus que resulta na Covid-19.
Quem pega a onhonha está condenado ou condenada à lata do lixo da História.
Marcelo Queiroga, como o seu chefe Bolsonaro, vai pro lixo.
Como descobrir que alguém tem onhonha?
Os primeiros sintomas do onhonha são falta de ar, tontura, dor de cabeça, caminhar bambo, pernas dormentes e tal.
E tem mais: o sujeito que pega onhonha costuma andar nu de madrugada, dizer besteira o tempo todo e entregar a própria mulher aos amigos. Às vezes até a inimigos.
A onhonha não pega trabalhador, pessoas simples e honestas.
O ministro da Saúde está com onhonha.

sábado, 12 de março de 2022

HÁ DOIS ANOS O MUNDO SOFRE COM PANDEMIA

Há exatamente dois anos a Organização Mundial da Saúde, OMS, declarava, com todas as letras, que a população deste planetinha de berda estava doente. Noutras palavras: declarava pandemia do novo Coronavírus.
O novo Coronavírus é a praga que gera outra: Covid-19.
A Covid-19 já matou, oficialmente no mundo, mais de 5 milhões de pessoas.
Especialistas afirmam que o número de mortos pela Covid-19 já pode passar de 18 milhões.
No Brasil, já morreram quase 700 mil pessoas. O números, porém, podem superar a casa do milhão.
A primeira morte no Brasil pela Covid ocorreu no dia 12 de março de 2020. Era uma mulher, de 57. A segunda vítima foi um homem de 62 anos.
As duas primeiras vítimas Covid no Brasil, eram de São Paulo.
Logo após a primeira morte, escrevi e publiquei 4 folhetos de cordel (ao lado).
Já falei à exaustão sobre essa praga. E sobre a praga que é Bolsonaro, a quem já chamei de presidente sem noção.


LEIA MAIS: 
 
Acesse também o portal do Instituto Memória Brasil

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

BOLSONARO, A PESTE

Hoje 8 faz um ano que uma pessoa recebeu a primeira vacina, no braço, contra a Covid-19. Era mulher, natural do Reino Unido. Seu nome: Margaret Keenan. 
O novo Coronavírus, que desemboca na Covid-19, surgiu no final de 2019 na China.
A primeira morte chinesa provocada por esse vírus foi um médico otorrinolaringologista, seu nome: Liang Wudong. 
Wudong morreu no dia 25 de janeiro de 2020.
Desde 2020 já morreram, no mundo, quase 5 milhões de pessoas. Só no Brasil, mais de 600 mil.
Essa praga, o novo Coronavírus, já está se multiplicando nas 4 ou 5 fases que marcou presença. 
Como o novo Coronavírus, o negacionismo se expande mundo afora.
O primeiro e mais violento negacionista é o fela Bolsonaro, que no começo de tudo disse que era "uma gripezinha".
Essa "gripezinha" tem afunhenhado o Brasil, como o próprio "Boçalnaro".
Bom, dias mais, dias menos, o cara que ocupa hoje a cadeira de presidente vai para o lugar que merece: o Inferno.
Lá no Nordeste, de onde eu venho, a gente costuma dizer que quem nos azucrina e mal a todos nos faz é uma "peste".
Sobre essa peste, Bolsonaro, já andei falando em verso e prosa.
Até já publiquei 4 folhetos de cordel nos quais a referida figura aparece encarnando o mal.
E também andei gravando alguma coisa a respeito. Confira: VIVA A IMPRENSA LIVRE!
Confira também:

sexta-feira, 16 de abril de 2021

PANDEMIA COMO ROMANCE (1)

É uma história forte, tocante.
É uma história que foi não foi, mexe com o mundo. Com a humanidade. É cíclica.
A história que acabo "ler" começa num dia 16 de abril. Não tem ano, mas tem personagens muito interessantes: Rieux, médico; Rambert, jornalista; Paneloux, padre...
A história tem por título A Peste. É um romance (1947) do escritor Albert Camus (1913-60).
Começa numa cidade fictícia da Argélia denominada Orã com população de 200 mil habitantes.
Naquele 16 de abril, o doutor Rieux tropeça ocasionalmente num rato morto. Não liga. 
E a história vai começando, ratos mortos se multiplicando nas casas, vielas, ruas, corredores. E de repente, seres humanos morrendo de modo como nunca antes ocorrera naquele lugar.
É uma história incrível, que ora se repete na rua.
A Peste, de Camus, é atualíssima de todos os ângulos.
Amanhã contarei melhor essa história.

sexta-feira, 26 de março de 2021

VACINA SIM, JÁ, IMEDIATAMENTE! (8)

A cantora e compositora pernambucana Anastácia acaba de telefonar toda feliz da vida. "Já recebi a segunda dose", disse.
Como Anastácia, famosos brasileiros continuam esticando o braço para a sempre esperada picadinha.
É isso aí, gente! 
Só os crentes de pedra e loucos sem salvação é que acham desnecessário tomar vacina. Então, tá!
Muitos jornalistas já receberam, pelo menos, a primeira dose, como Juca Kfouri, Carlos Alberto Sardenberg e tantos outros. 
Muitos artistas continuam produzindo maravilhas, mesmo diante dessa maldita pandemia. Téo Azevedo é exemplo. E Anastácia, também. 
O novo CD de Anastácia trará a participação especial de Gilberto Gil e Alceu Valença.    

quinta-feira, 25 de março de 2021

JÁ SÃO 300 MIL OS MORTOS PELA COVID

Em poucos dias, em 76 dias, é como se acordássemos com a notícia de que a população inteira da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte, Mossoró, não houvesse mais nenhum habitante. Assim, de repente.
Mossoró fica a 273 km de Natal. 
É como se todos os habitantes de Maringá amanhecessem mortos. 
Maringá fica a 349 km de Curitiba. 
A população de Mossoró e Maringá é de 300 mil habitantes, de acordo com dados do IBGE. 
Todas cidades brasileiras, como Suzano, SP, também apresentam números de habitantes idênticos a Mossoró e Maringá. 
Mossoró foi a única cidade que Lampião (1897 -1938) tentou invadir, mas não conseguiu. A população não deixou, recebendo o bandoleiro a bala. 
Maringá é uma jóia, cujo o nome foi inspirado na belíssima canção do compositor mineiro Joubert de Carvalho (1900 - 1977).
Pois é, hoje eu amanheci com uma tristeza. 
A razão da minha tristeza foram os números de mortos pela Covid-19, no Brasil: 300 mil.
Essa tragédia, claramente anunciada, para o celerado presidente da República é nada.
Pessoas para o presidente nada significam. 
Pena. 
Bolsonaro é um idiota perigoso. 
Quando o número de mortes pela Covid chegaram a 100 mil, em agosto de 2020, escrevi e gravei o poema este: 

   


Quando o número de mortes pela Covid alcançaram a casa dos 200 mil, em janeiro, no Brasil, eu também compus e gravei o poema este:

 


E agora, quando os mortos por essa peste chegam a 300 mil...

A tragédia se espalha
Apocalipticamente
Devastando nosso mundo
O nosso mundo presente
Tal tragédia só não vê 
Quem é burro ou demente
 
O Brasil está morrendo 
Morrendo sem respirar 
Hospitais estão lotados 
O que dizer, o que falar 
Os mortos se multiplicam 
Toda hora, sem parar 

E os políticos blábláblá 
Falando fala diferente 
Enrolando todo mundo 
Como faz o presidente 
Um sujeito sem vergonha 
Mentiroso, prepotente 

A pandemia já matou 
Milhares de brasileiros 
Milhares de inocentes 
Entre os quais alguns guerreiros 
Até alma penada 
Já tem pena dos coveiros

O novo coronavírus 
Já ceifou 300 mil 
Já levou gente bonita 
Gente boa, gente vil 
Mas um dia essa peste
Vai pra longe do Brasil

Leia mais:

https://assisangelo.blogspot.com/2021/01/covid-19-mata-200-mil-no-brasil.html

terça-feira, 16 de março de 2021

EXÉRCITO, POVO E CIÊNCIA

O Exército brasileiro já matou muitos brasileiros em 1817 (Revolução Pernambucana), em 1896/97 (Guerra de Canudos), em 1912/16 (Guerra do Contestado), em 1932 (Revolução Constitucionalista), e em outros momentos históricos como o período compreendido em 1964/85.
No último período referido, o Brasil teve cinco presidentes generais: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.
Dentre todos os militares presidentes, apenas três chegaram lá pelas urnas. O último, Bolsonaro.
Nunca o Brasil sofreu tanto na unha de um Capitão, ex-capitão.
Esse ex capitão humilhou e continua humilhando o Exército. 
Esse ex capitão humilhou e continua humilhando o Povo.
Esse ex capitão humilhou e continua humilhando a Ciência.
Nunca, na história, o Brasil teve um presidente tão negacionista como esse que aí está. 
Negacionismo é o contrário de Positivismo.
O Positivismo é a filosofia que valoriza a ciência. 
O Positivismo foi criado pelo francês Auguste Comte (1798 - 1857), na primeira metade do século XIX. 
Foi com base no Positivismo que a República posicionou seu destino: ordem e progresso, que se lê na bandeira nacional inaugurada oficialmente, no dia 19 de novembro de 1889. 
É lamentável, sobre qualquer aspecto, o que Bolsonaro anda fazendo com o Brasil. 
Como pode o presidente de um país incentivar a desordem, o caos, entre as pessoas?
Enquanto isso, mais de 280 mil brasileiros e brasileiras já foram levados pela covid-19. 
Como prêmio pelos "bons" serviços prestados à população através do ministério da saúde, o general Pazzuelo pode assumir o cargo de adido militar em Paris. Que tal? 
O substituto de Pazzuelo, Marcelo Queiroga, promete fazer tudo o que o chefe mandar.
Pois é, estamos afunhenhados ou não?  



domingo, 7 de março de 2021

VACINA SIM, JÁ, IMEDIATAMENTE (5)

 Profissionais e todas as áreas continuam sendo vacinados contra a peste que é o Novo Coronavírus.


Muitos oitentões e noventões já receberam pelo menos uma picada no braço. Entre esses, o cartunista Ziraldo, o imortal Loyola Brandão, o ex-apresentador do JN Cid Moreira, a deputada Federal Luiza Erundina, o ex-jogador e treinador de futebol Zagallo e o cantor e compositor Geraldo Vandré.

Falei ontem6, no final da noite com Vandré. Ele no Rio e eu em São Paulo. Estava contentíssimo, alegríssimo, soltíssimo, parecendo um menino ao receber uma balinha de ortelã.

Curiosidade: em 1968, Vandré lançou a emblemática canção Terra Plana. Ouça:

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

VACINA SIM, JÁ, IMEDIATAMENTE! (4)

 
 
Vacinas continuam chegando aos braços dos brasileiros como Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Rolando Boldrin, Ary Toledo e Suzana Vieira.
Disse Paulinho: "". 
E o Ary Toledo disse também: "".
Leia mais:

ANIVERSARIANTE DO DIA


Murilo é um garoto que hoje completa 12 anos. É paulistano. Seus pais Carlos e Gleice são naturais da Bahia. Os três estão numa felicidade só. Claro, daqui a pouco haverá bolo, pipoca, suco e tal. Daqui bato palmas para Murilo Fonseca Ramos e seus pais. Façam da minha ausência uma presença. Arriba!

terça-feira, 2 de março de 2021

VACINA SIM, JÁ, IMEDIATAMENTE! (1)

Bolsonaro e o seu vice são farinhas do mesmo saco. Da pior qualidade, não se enganem. Tanto um quanto o outro são negacionistas. Para eles, o Coronavírus é nada. Andam sem máscaras por aí...
O ministro titular da Saúde é outro negacionista.
O governo brasileiro está sem rumo.
Todos os integrantes do governo federal dizem sim a morte.
O titular da Saúde diz que até junho a metade da população brasileira estará vacinada, o restante até dezembro.
Ver pra crer, eu heim!
Você meu amigo, minha amiga, acredita no que dizem os negacionistas desse governo?
Os cidadãos de bem, de pés no chão, continuam na expectativa de receber no braço a vacina que os imunizará do novo Coronavírus.
Ney Matogrosso e outras estrelas da nossa música popular, incluindo Roberto Carlos, acabam de dar o braço à vacina. Disse Roberto: “Todo mundo tem que vacinar, deve vacinar, é importante. VACINA SIM!”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

COVID MATA MAIS DO QUE GUERRAS

A Guerra do Paraguai começou em 1864 e terminou em 1870, envolvendo além do Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil.
A Guerra de Canudos começou em novembro de 1896 e terminou em outubro do ano seguinte, envolvendo grandes levas de nordestinos que não tinham o que comer nem onde morar.
A primeira vítima fatal da Covid-19 no Brasil ocorreu em março de 2020.
Pois bem, na Guerra do Paraguai morreram cerca de 50 mil brasileiros.
No decorrer da Guerra de Canudos, no interior da Bahia, morreram 25 mil pessoas.
No decorrer de 11 meses a contar de março de 2020, morreram 251.661 pessoas sufocadas pela Covid-19 no Brasil.
Nos seis anos que durou a Guerra do Paraguai, houve grandes perdas de todos os lados. O confronto mais sangrento dessa guerra ocorreu na região pantanosa de Tuiuti, no dia 24 de março de 1866, quando morreram 737 brasileiros.
O número de mortos pela Covid ontem 25 foi de 1582, ou seja: mais do que o dobro de mortes ocorridas na terrível batalha de Tuiuti.
Não dá pra esquecer: a Covid-19 já matou 5 vezes mais do que a Guerra do Paraguai.
Não dá pra esquecer: a Covid-19 já matou 10 vezes mais do que a Guerra em Canudos, quando sobraram pouquíssimas pessoas para contar aquela história.
Enquanto isso, o presidente da República dá de ombros à tragédia que vivemos. Chegou a dizer ontem 25 que as máscaras provocam efeitos colaterais nos usuários. É o capeta. LEIA MAIS: O CRIMINOSO BOLSONARO

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

CHOREI POR NÓS

Hoje eu acordei triste, profundamente triste.
Eu não sei direito porque acordei tão triste.
Quase chorando sem nem saber porque.
Sim, claro, há mil razões para chorarmos.
A desatenção um pelo outro é motivo suficiente para deixar até um poste triste.
Nem dormi. Chorei por mim chorei, por nós e por tantos que nem conheço.
Chorei pelos sem teto, pelos pés descalços, deserdados e pela vida pobre que corre solta pelas vielas e becos escuros.
Chorei por minha mãe, que se matou. chorei por Deus, que nem sei se existe.
Enfim, chorei por vivos e mortos...
Logo cedo ouvi no rádio que o Brasil chegou à triste marca de 250.079 mortes provocadas pela Covid-19.
Isso dói, não dói?
Dói e faz chorar a alma de quem tem pelo outro o mínimo de amor, o mínimo de carinho, o mínimo de respeito.

O piolho está feliz
Por sua triste missão
Duzentos e cinquenta mil
Já ceifou com seu facão
Isso porém é pouco
Para ele e seu patrão

O patrão desse piolho
É o próprio Cramunhão
Sujeito dono das trevas
Maldito, sem coração
Seu novo Coronavírus
É para o mundo maldição

Invisível ele chegou
Devagar e sutilmente
Enganando todo mundo
Ao lado do presidente
Covarde o bicho segue
Matando impunemente

Não há o que fazer
A não ser sentar, chorar, rezar
Pedindo a nosso deus
Pra do bicho nos livrar
O bicho é violento e
Mata mata por matar

É isso o que ele faz
Dia e noite sem parar
Pra cair nas garras dele
Basta só se descuidar
Esse bicho muito feio
Veio ao mundo pra ficar


O primeiro caso de morte pela covid-19 ocorreu, no brasil, no dia 16 de março de 2020. No dia seguinte, inventei de publicar o primeiro dos quatro folhetos de cordel (Capas acima) que escrevi sobre a nova praga que do mundo se avizinhava.
Em dezembro do ano citado, o repórter Ivan Finotti procurou-me pra falar sobre o que eu andava fazendo durante essa maldita pandemia que não nos larga. E aí falei. E aí ele publicou uma reportagem bem legal no Caderno Ilustrada no jornal Folha de S.Paulo. Confira: Assis Ângelo, cego há sete anos, lança cordéis sobre a pandemia

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

PLANTAÇÃO DE PÉ DE CEPA

Você sabia que cepa tem a ver com planta?
Cepa também tem a ver com pessoas de boa linhagem, mas esse não é o causo.
O Brasil está correndo pra trás, como uma peça dos diabos.
Essa corrida pode ser definida como vitória do atraso, da ignorância, da irresponsabilidade, da incompetência, da prepotência e de tudo o mais que habita o negacionismo e as trevas.
É um governo que vive à deriva do racional, do ético.
O chefe dessa coisa chamada governo é um negacionista histórico, que vive no mundo da lua. 
Propositadamente?
Nem os idiotas tem essa capacidade, não é mesmo?
Bolsonaro é sinônimo de tudo quanto é atraso.
Depois de fazer de gato e sapato seus últimos Ministros da Saúde, cruzou os braços pra dizer que já fez tudo que tinha de fazer. Pois, enfim, "todos morreremos um dia, inclusive eu".
O general titular da Saúde, a contragosto, se acha em Manaus, capital do Amazonas. 
A população manauara, de resto o Amazonas, está morrendo sufocada. 
Iniciativa do ministro foi mandar pacientes com a Covid-19 a outros Estados. 
As vítimas dessa doença podem estar levando no corpo variantes do novo Coronavírus. 
Até agora, médicos especialistas identificaram mais de duas dezenas de variantes da Covid. 
E se as pessoas que estão sendo levadas para tratamento noutras unidades da Federação contaminarem médicos e enfermeiros que estão lhes atendendo? 
A possibilidade de haver transmissão das variantes do novo corona, chamo de "plantação de vírus".
Vírus da nova cepa, claro. 
 


O número de mortes pela Covid-19 já passa de 222 mil, no Brasil. No mundo, o número se aproxima dos dois milhões. 
Contaminados neste nosso Patropí pela Covid já passa de 9 milhões de pessoas. 
Enquanto isso, o presidente continua tirando sarro do povo. 

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