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terça-feira, 14 de julho de 2026

O CEGO NA HISTÓRIA (48)

São frequentes as pesquisas que resultam em calhamaços estatísticos. O primeiro censo demográfico no Brasil foi feito no começo da segunda parte do século 19 a partir do Rio de Janeiro, ainda sede da governança portuguesa. O total chegou à casa de 10 milhões de homens e mulheres.

Grande parte da população, oficialmente bem contada, era constituída de pessoas escravizadas. Entre essas, crianças e adolescentes. 
A prostituição feminina, do tempo aqui lembrado, era prática comum. Os estupros também. 
Num dos seus livros, Jubiabá (1935), o escritor Jorge Amado põe na boca de uma personagem a fala dando conta de que os senhores fazendeiros chegavam a forçar seus escravos a engravidar as escravas o maior número de vezes possível.
Pesquisas pouco comuns, pelo menos no Brasil, são as que se referem à cegueira física entre a população. 
Os últimos dados colhidos pelo IBGE datam, oficialmente, do ano de 2022.
Sobre brasileiros com deficiência visual, o IBGE apurou que 7,9 milhões de pessoas com 2 anos ou mais de idade tinham dificuldade permanente para enxergar.        
No Brasil há muitas entidades direcionadas ao atendimento de pessoas portadoras de deficiências visuais. Uma dessas, a Fundação Dorina Nowill para Cegos,  também dá conta de que há no território nacional  mais de 6 milhões de pessoas com deficiência visual severa.
Essa instituição foi criada em 11 de março de 1946.
A OMS, Organização Mundial de Saúde, divulga números que se aproximam de 2 bilhões de pessoas completa ou parcialmente cegas.
E assim vai a vida e com ela nós.
As guerras se multiplicam, pipocando aqui e acolá. 
O feiticeiro francês Michel Nostradamus (1503-1566) era descendente de família judaica e por pouco escapou da ira dos inquisidores. Casou-se e foi pai de oito filhos. 
Em 1555, Nostradamus previu a morte de Henrique II, rei de França, e suas circunstâncias. Esse rei morreria quatro anos depois dessa previsão. 
Henrique II foi atingido pelos fragmentos de uma lança que  perfuraram a viseira do capacete, durante uma festa com demonstração de coragem. O cavaleiro que o atingiu fazia parte de sua guarda, Gabriel de Montgomery. Era mais jovem. Os estilhaços atingiram o olho e a têmpora do rei, resultando em duas feridas que se tornaram uma.
As previsões do notório francês foram escritas em quadras e em línguas diversas, o que possibilita as mais diferentes interpretações. 

O leão jovem vencerá o mais velho,
No campo de batalha em combate singular;
Na gaiola de ouro seus olhos perfurará, 
Dois ferimentos um, depois morrer, morte cruel.

Especialistas  debitam a Nostradamus a previsão da Queda da Bastilha (1789), a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o surgimento de Hitler e a consequente Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e tantas e tantas.
Caso fossem levadas rigorosamente a sério, as previsões de Nostradamus teriam sido sentidas por toda a humanidade. Pois, segundo elas, este nosso mundinho de coisa nenhuma teria chegado ao fim com as guerras no Oriente Médio em 2023.
E não custa lembrar que exércitos de Israel e Irã têm o péssimo hábito de ensinar a seus soldados a atirar nos olhos dos inimigos. 


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