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segunda-feira, 18 de março de 2024

LOBATO RACISTA?

La-men-tá-vel o que algumas pessoas têm dito a respeito de Monteiro Lobato e a sua importante obra literária, toda basicamente escrita e direcionada a todos os públicos.
Dizem-me que há poucos dias houve um debate sobre Lobato, cujo o acervo se acha há uns 20 anos no Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalia.
O debate foi promovido pelo IEL, Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.
Não é de hoje que Lobato provoca polêmica por causa da obra que criou a partir da primeira década do século 20.
Seu primeiro livro foi lançado em 1914, depois de publicar textos no centenário jornal O Estado de S.Paulo.
O que se diz é que Monteiro Lobato foi um cidadão/escritor racista.
Nunca vi racismo na obra lobatiana. O que há nela é um registro de época. Pura e simplesmente, posto no papel na forma de histórias incluindo figuras do Folclore brasileiro.
O resto é balela de quem não leu, ou se leu não entendeu, a obra desse grande autor brasileiro de Taubaté.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

PRA REFLETIR: HOJE É O DIA DA ÁFRICA

  Esta tirinha faz parte do livro Histórias de Esquina, do cartunista Fausto e Assis Ângelo
 
Não é só o Brasil que tem andado de cabeça pra baixo. O mundo está de cabeça pra baixo, tonto, cambaleante. Isso, claro, não é bom.
Este nosso planetinha de josta está implodindo. Nós, seus habitantes, estamos próximos de, juntos, somarmos oito bilhões. É muita gente, é muita alma penando por aí afora sem rumo, sem nada.
Somos pretos e brancos, ricos e pobres, uma mistura danada e tonta. Ocupamos quase 200 países.
Os conflitos de todos os tipos se complicam.
O problemas reais pululam. 
Ontem 24 o jogador de futebol brasileiro Vini foi homenageado por seu time, o Real Madrid.
Ontem 24 o presidente de La Liga, Javier Tebas, pediu desculpas pelo comportamento racista dos torcedores do Valência e tal. Foram desculpas assim, assim, sem convicção. Desculpas com aspas. Assim, do tipo "pero no mucho".
O que os torcedores espanhóis estão fazendo contra o jogador Vini é lamentável. Merecem punição braba, cana com multa e tudo mais.
O futebol é receita importante na economia espanhola. Significa algo em torno de 1,7% do PIB.
O mundo civilizado está de olho na Espanha, especialmente no futebol espanhol.
O caso Vini faz-me lembrar o caso Luiz Gonzaga.
Em 1951 o rei do baião, Luiz Gonzaga, foi convidado pra uma entrevista na rádio Gazeta, cujo slogan era "A Rádio da Elite". Ao chegar à portaria foi barrado por um porteiro branco e metido a besta que o proibiu de passar na porta. Gonzaga perguntou por que estava sendo impedido de entrar. E a resposta foi que só entraria com um convite. Gonzaga perguntou onde arrumaria um convite para comprar. E aí começou um bate-boca. Rápido Gonzaga conseguiu acessar o elevador, mas foi agarrado. E antes do pau cantar de verdade, a confusão chamou a atenção do apresentador do programa e de seus assistentes. Desse modo Gonzaga, reconhecido, adentrou ao ambiente da entrevista. Depois, insatisfeito, o Rei do Baião procurou jornais pra falar do ocorrido. A ninguém interessou a questão e tudo ficou por isso mesmo.
Eu soube ontem 24 que a cantora negra norte-americana Tina Turner morreu. Pena. Grande cantora, sem dúvida. Veio do nada, sofreu, pastou, como se diz, antes de alcançar o estrelato mundial. No rádio ouço loas a seu respeito. Dizem que não podemos nos esquecer nunca de Tina. Concordo.
A olhos nus vejo grandes artistas negros da nossa música completamente esquecidos como Pattápio Silva, Pixinguinha e João da Baiana; Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara e Carmen Costa.
Carmen Costa foi a primeira cantora brasileira a gravar um chorinho de Luiz Gonzaga, em 1943. Os casos de esquecimento são muitos. E a nossa música é negra, porque não dizer?
O choro é negro, o samba é negro, o baião é negro e isso é muito bom, certo?
Em 1942 um cidadão piauiense muito afoito Berilo Neves escreveu num artigo da Revista da Semana que "O samba é uma reminiscência afro-melódica dos tempos coloniais. Não é a expressão musical de um povo: é o prurido eczematoso do morro. É o irmão gêmeo destas entidades abstrusas que se chamam Suor, Jogo do Bicho e Malandragem".
Pois é, né?
Esse Berilo nasceu em 1900 morreu 74 anos depois, sem deixar saudade.
A carioca Elza Soares partiu faz pouquíssimo tempo e já está esquecida.
Tem muita coisa errada neste mundão de meu Deus do céu!
Ah! Sim, para refletir: hoje é o Dia Mundial da África.


LEIA MAIS: O CHORO É NEGRO 

terça-feira, 23 de maio de 2023

PELO JEITO, NÃO TEMOS SALVAÇÃO

 
Um horror! Um horror! Um horror!
Lamentável sob qualquer aspecto os horrores que ocorrem no mundo deste já terceiro milênio: fome, desemprego, guerra, latrocínio, feminicídio, homofobia, racismo...
Em todos os canais, incluindo rádio, ouço notícias terríveis de gente matando gente, de gente humilhando gente, de gente fazendo o que gente que é gente não deveria fazer.
Agora mesmo tomo notícia de que mais um brasileiro é atacado violentamente por racistas espanhóis. A vítima, no caso, é o jogador Vini Júnior, do Real Madrid.
Com isso, chego à conclusão de que nós humanos estamos regredindo voltando ao tempo da pedra lascada, quando trogloditas arrastavam pelos cabelos as mulheres às suas tocas.
O dia a dia nos oferece cada vez mais surpresas lamentáveis.
Ontem 22 o Cristo Redentor, no Rio, chorou. Empreteceu, em protesto ao que acaba de acontecer na Espanha. Foi uma homenagem ao jogador, e ele:

"Preto e imponente. O Cristo Redentor ficou assim há pouco. Uma ação de solidariedade que me emociona. Mas quero, sobretudo, inspirar e trazer mais luz à nossa luta. Agradeço demais toda a corrente de carinho e apoio que recebi nos últimos meses. Tanto no Brasil quanto mundo afora. Sei exatamente quem é quem. Contem comigo porque os bons são maioria e não vou desistir. Tenho um propósito na vida e, se eu tiver que sofrer mais e mais para que futuras gerações não passem por situações parecidas, estou pronto e preparado."

Bom, costumo dizer que nós, humanos, não temos e dificilmente teremos salvação.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

POBRES E PRETOS AINDA SÃO VÍTIMAS DO SISTEMA

A cegueira não pode motivo para a Justiça
condenar inocentes
O Brasil, como certa vez disse o compositor maestro carioca Tom Jobim, "Não é para amadores".
Pois é, o Tom tinha razão.
Lembro da fala do Tom por causa de notícia que acabo de ver no rádio e no jornal. Trata-se de um caso envolvendo um homem negro, nordestino, pobre, semi-analfabeto; filho de pais separados, casado, dois filhos... Estou falando do porteiro, sem carteira assinada, Paulo Alberto da Silva Costa, 36 anos.
Esse Paulo foi "identificado" através de fotografias por supostas vítimas. Ocorreu no Rio, mais precisamente em Belford Roxo. Preso, Paulo se acha na cadeia até o momento em que batuco estas tontas, tortas, tantas linhas. Está preso desde o dia 6 de maio de 2020, em Bangu.
Ontem 10, o Supremo Tribunal de Justiça, STJ, anunciou o absurdo da prisão de Paulo Alberto e emitiu mandato de soltura, que até este momento não foi cumprido. Isso, claro, depois de reconhecê-lo inocente.
Paulo Alberto da Silva Costa é acusado de cometer 62 crimes. Notícia publicada há pouco no portal de O Globo, RJ, destaca que entre os crimes cometidos pelo acusado estão 59 roubos de veículos, cargas, uma receptação, um homicídio e um latrocínio na mesma região, leia-se: Belford Roxo.
Como esse Paulo, nas cadeias brasileiras existem muitos outros Paulos, Josés, Joões, Marcos, Rogérios, Antônios, Franciscos; Marias, Ritas e tantos outros brasileiros e brasileiras pobres, negros, analfabetos ou semi-analfabetos; putas, homossexuais...
Enquanto isso, Bolsonaro continua na moita, assediado por puxa-sacos e cercado por advogados contratados a peso de ouro.
Meu amigo e minha amiga, vocês sabem o que eu acho disso?
Acho uma vergonha que a polícia encerre um processo sem fazer as precisas e necessárias investigações. Faço minhas as palavras do ministro do STJ Sebastião Reis: 
 
“O sistema (Judiciário) não está funcionando. Em situação anterior, já tinha votado aqui minha preocupação com o racismo. Ele existe, não há como contestar. Basta a leitura dos processos que a gente vai perceber que o preto pobre é principal alvo da atuação policial. Se pegar mesma situação em região periférica do Rio e no Leblon, o comportamento é diferente. Quando é branco, de melhor condição, há tratamento cuidadoso e quando é preto a violência prepondera.”



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