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sexta-feira, 16 de junho de 2023

A MORTE TEM NOME: VIDA (6, FINAL)

A População de humanos deste nosso planetinha já passa de 8 bilhões.
Diariamente nascem cerca de 200 mil pessoas e morrem a metade disso. Quer dizer, continuamos a nos multiplicar como disse Deus, na Bíblia.
E se não morrêssemos o que seria da morte, hein?
Desde tempos imemoriais rola na boca do povo, e em todas as línguas, histórias que põe a Morte como imorrível e sábia. Dela ninguém escapa, é claro.
Nas histórias contadas pelo povo sempre aparecem malandros querendo passar a perna na morte. E perdem, claro.
O escritor paulistano Ricardo Azevedo reuniu num livro quatro histórias originárias de Portugal. São ótimas. Começa com o personagem procurando padrinho para o seu sétimo filho. É pobre, afunhenhado. Numa estrada dá de cara com alguém que se identifica como Morte. Vira a madrinha do filho.
A segunda história adaptada por Azevedo e inserida no seu livro Contos de Enganar a Morte trata de dois jovens, um deles ganancioso e o outro tranquilo, pacato, trabalhador, de profissão ferreiro. E não vou contar mais a respeito.
Mas foi em histórias desse tipo que o escritor português José Saramago inspirou-se para nos presentear com o livro As Intermitências da Morte, publicado originalmente em 2005.
No livro, o fabulista Saramago cria um país onde, de repentemente, ninguém morre. E de repentemente as pessoas se multiplicam, se multiplicam, se multiplicam. Caos. As funerárias vão à falência, os hospitais ficam atulhados de pacientes que envelhecem e não morrem. Preocupado com a situação, o cardeal liga para o primeiro ministro dizendo que sem morte não há ressurreição e sem ressurreição não há igreja.
A morte se acha em todas as narrativas, em todas as histórias desde sempre. Desde que mundo é mundo.
Há histórias sobre a Megera, como também é chamada a Morte, no folclore de todos os países.
Lá pras bandas da Europa há história do Cavaleiro Sem-Cabeça. As versões da história desse Cavaleiro variam. Contam que o tal foi decapitado pelo próprio pai. Há filmes a respeito.
No Brasil, que é rico de histórias de Trancoso e tal, tem a Mula Sem-Cabeça. Teria surgido no Nordeste. Fala-se de uma mulher que fora amaldiçoada por Deus, ou sei lá por quem, pelo fato de envolver-se sexualmente com um padre.
Tem também a história de um certo Corpo Seco. No caso um cara mão de vaca e mau. Xingava todo mundo, batia em todo mundo. Canalha. Ao morrer a terra recusou-se a comê-lo. Não foi parar no Inferno e tampouco no Céu.

Há casos reflexivos no vasto manto do folclore nacional. O Negrinho do Pastoreio é um desses casos. Cenário é uma fazenda no Sul. O Negrinho do título deixa escapar um animal e por isso é punido pelo patrão, um fazendeiro maldito. Ele apanha e tem o corpo ferido num formigueiro onde fora posto. Ressuscita montado num bonito cavalo e, como herói da história, liberta as pessoas escravizadas pelo fazendeiro.
E o Saci-Pererê, hein? O Saci, nosso Saci, aparece pela primeira vez em histórias escritas num livro do paulista Monteiro Lobato.
Foi também Monteiro Lobato que deu voz em livro à Mula Sem-Cabeça.
Vale sempre a pena ler e reler as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Um dos mais queridos personagens folclóricos é João Grilo. Grilo é cheio de onda, esperto. Tira proveito de quem esbanja fortuna e tal. Esse conseguiu vencer a morte. Nessa façanha, teve a mão santa de Nossa Senhora. Provoca boas gargalhadas. Foi morto por um cangaceiro, mas retornou ao convívio entre os vivos. Rouba cenas da peça O Auto da Compadecida, que virou filme.
A população mundial continua se multiplicando. O número de pessoas que nascem é o dobro das pessoas que morrem.
No auge da pandemia o Brasil registrou a média de 7 mil morte/dia.
Nascem mais homens do que mulheres, os dados são do Country Meters.
No Brasil nascem cerca de 7.700 crianças diariamente, segundo o IBGE.
Mas e se não morrêssemos, o que seria da morte?

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