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sexta-feira, 18 de outubro de 2024

BOULOS PREFEITO!

Há muito Sampa sofre
Por não ter um bom prefeito
Mas isso pode mudar
Se você votar direito 

Direito é votar certo
Certo é votar direito
O povo na rua pede
Boulos para prefeito!

Pois é, minha gente, o dia está chegando. 
Vamos vestir nossa melhor roupa, calçar nosso melhor sapato, botar um tiquinho de perfume atrás das orelhas e partir com riso na cara direto para votar domingo 27 em Guilherme Boulos 50.
Há! Sim: chame os amigos, amigos dos amigos, parentes e aderentes e todo mundo para apostar em Boulos e a boa administração que certamente fará à frente da Prefeitura paulistana.
Tchau!

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

CHEGA DE FOME!

A população de mais de 100 dos 196 países passa fome. A situação mais grave se acha no Sul da Ásia e na África Subsaariana.
Segundo a ONU, Camboja, China, Congo, Honduras, Índia, Indonésia, Marrocos, Sérvia e Vietnã a fome também grassa por lá.
No Brasil a situação não é diferente, por cá a fome chega a matar. O desemprego ainda é grande e falta espaço para o povo respirar.
Cerca de 13% da população brasileira vive na miséria, sem ter o que comer e tal e coisa.
Dos nove Estados nordestinos, o Maranhão aparece como o Estado cuja população mais sofre pela falta de alimento.
O mundo, esse mundinho torto que habitamos, acolhe mais de 8 bilhões de cabeças humanas. Desse total, 1,1 bilhão passa o tempo com a barriga roncando querendo digerir comida em vão.
Hoje é o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
Enquanto isso, o cara mais rico do mundo fica jogando foguete no espaço, sabe-se lá pra quê.

FUGA

Boulos e Assis
Mais uma vez o candidato à continuar aboletado na cadeira de prefeito de Sampa, Nunes, deu no pé e deixou Guilherme Boulos a ver navios no debate marcado para as 10h de hoje na RedeTV, em parceria com a Folha de S.Paulo e UOL. A desculpa foi uma reunião "extraordinária" com o seu parceiro bolsonarista o governador Não-sei-quê-lá Freitas. Hmmmmm...
Dá-lhe Boulos 50!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

VOTEMOS NO MELHOR PARA SÃO PAULO: BOULOS, 50!


Meu amigo, minha amiga, está na hora de pôr São Paulo para andar, movimentar-se, em direção ao futuro que a cada fração de segundo bate à porta. Sim, agora é a hora de levar paz e desenvolvimento em prol da população de São Paulo.
Melhoria para esta multifacetada cidade, a 5ª maior do mundo, está nas nossas mãos. Domingo 6, pois, depositemos na urna o nosso voto no nome que nos representará na prefeitura municipal: Guilherme Boulos.
Jornalistas, escritores, compositores, atores, cantores, acabam de divulgar um manifesto pro Boulos. Leia e passe para frente:
Em poucos dias iremos às urnas definir o futuro das nossas cidades. Serão as primeiras eleições depois de o Brasil ter vivido uma das jornadas democráticas mais importantes de sua história: a construção de uma ampla frente em defesa da democracia nas eleições presidenciais de 2022.
A vitória foi grande, mas não definitiva. O bolsonarismo se reorganizou e continua ativo, sem recuar um milímetro em seu programa, cujo cerne é destruir os direitos mais básicos da república brasileira.
Neste exato momento, bolsonaristas de todo o país se articulam para transformar o próximo domingo em um momento de virada, que elegeria candidatos bolsonaristas em muitas capitais do país. Esse bloco antidemocrático tem dois objetivos: dar uma grande demonstração de força e colocar as máquinas de muitas prefeituras importantes a serviço da candidatura presidencial do bolsonarismo em 2026.
A situação de São Paulo — a maior cidade do país — é especialmente preocupante, porque estamos diante do risco de dois candidatos bolsonaristas passarem ao segundo turno: Pablo Marçal e Ricardo Nunes. Um resultado como este representaria a consagração, pelo voto popular, da violência política, da defesa da tortura, do negacionismo científico, da destruição de direitos, do descaso com os mais pobres, do desprezo com a cultura, com as minorias e com a democracia além do vasto programa de destruição do meio ambiente.
A frente ampla que impediu Bolsonaro de permanecer no poder precisa se levantar novamente para evitar que este segundo turno de consagração do bolsonarismo aconteça.
Quando olhamos para as pesquisas, fica evidente que o candidato que reúne as melhores condições de evitar o desfecho trágico de um segundo turno entre dois bolsonaristas é Guilherme Boulos. Parte dos signatários deste manifesto tem preferência por outras candidaturas e só votaria em Boulos no segundo turno, mas reconhece que estamos diante de um risco que o país não pode correr.
Diante disso, fazemos um chamado a todas as pessoas comprometidas com a empatia, a democracia, a humanidade e o futuro para que votemos, já neste domingo, em Guilherme Boulos.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

E A FALA DO GOVERNADOR GAÚCHO, HEIN?

O Rio Grande do Sul, um dos 26 Estados da Federação brasileira, tem 497 municípios. Desses, 446 foram impiedosamente atingidos por bilhões e bilhões de litros d'água caídos sem dó nem piedade do céu nos últimos dias.
A população do RS, estimada em pouco mais de 10 milhões de habitantes, está passando todo o tipo de necessidade: tristeza, mortos, feridos, desabrigados...
Um pandemônio vivem o RS e a sua população.
Diante de quadro tão dantesco, os brasileiros de todos os recantos do País estão solidários. Quer dizer, os brasileiros do bem.
O brasileiros de bem com a vida e com seu próximo estão, além de rezando e torcendo por bons tempos, provando o amor que têm mandando todo o tipo de ajuda. Tanto material, quanto financeira.
No correr de uma semana, fechada ontem 14, as doações em dinheiro via pix já havia chegado à casa dos 100 milhões de reais.
Milhares e milhares de víveres, roupas e tudo o mais continuam chegando ao Rio Grande do Sul.
Aqui, uma terrível interrogação consome meus pensamentos: O que diacho quis dizer o governador gaúcho Eduardo Leite com a declaração segundo a qual "quando você tem um volume tão grande de doações físicas chegando ao estado, há um receio sobre o impacto que isso terá no comércio local"?
Na declaração do governador dá pra encontrar brechas super duvidosas à mente comum. Ele: "O reerguimento desse comércio fica dificultado na medida em que você tem uma série de itens que estão vindo de outros lugares do país".
Diante do exposto, o astuto político reeleito no último pleito, revelou: "Pedi à nossa equipe aqui que ajude a estruturar ferramentas e canais para que aquelas pessoas que queiram fazer doações possam fazer essas doações também ajudando o comércio local, que está impactado".
Como eu tenho um raciocínio lógico bem pra baixo do mediano, concluo que o infeliz governador está querendo dizer que a solidariedade dos brasileiros, pelos irmãos tão intensamente castigados pela chuva, está demais. 
Será que o governador quer que parem com as doações aos flagelados das cheias?
O governo Federal tem dado toda a atenção possível, e imediata, ao povo do RS. Ou seja, está fazendo o que deve ser feito.
As chuvas que estão destruindo o RS já engoliram até o acervo da ex-presidente Dilma Rousseff, doado ao MST. Serviria para uma espécie de museu ou espaço cultural.
O Rio Grande do Sul é um dos Estados mais ricos e bonitos da nossa Federação.
A cultura gaúcha é forte e muito bonita. Estive algumas vezes por lá, dando palestras e tal.
A cantora paulistana Inezita Barroso gravou muita coisa bonita de compositores gaúchos, incluindo Mestre Paixão Côrtes. Um registro:



segunda-feira, 1 de abril de 2024

PAZ, SEMPRE PAZ!

A tomada do poder pela força militar em 1964 não pode ser esquecida. A coisa foi violenta, terrivelmente violenta.
Tudo começa quando Jânio Quadros renuncia à presidência da República no dia 25 de agosto de 1961.
O vice de Jânio, Jango, se achava em missão oficial na China. Ao tomar conhecimento da renúncia, Jango volta com as orelhas de pé.
Depois de muito empurra empurra e disse me disse, assume a faixa presidencial.
Jango tinha relações muito próximas com os sindicatos, com todos os sindicatos. Isso foi o suficiente para os militares chamarem-no de comunista. E aí já viu, né?
A tomada de poder ocorreu na manhã de 1º de abril de 1964.
Os generais gostaram da coisa e foi assim que permaneceram chafurdando no Brasil durante a eternidade de 21 anos seguidos. 
Durante aqueles 21 anos, os militares fecharam a boca do povo e dos artistas.
Muitos livros foram censurados e tirados de circulação.
Muitos discos foram proibidos de tocar e cantores e compositores, como Chico e Caetano, partiram para o exílio.
Vandré por pouco não foi pego e morto.
Que tal loucura nunca mais se repita.
O cantor, compositor e instrumentista Jean Garfunkel nos mandou o texto abaixo. Uma pérola. Confiram:

Bodas de Chumbo

Há que lembrar da desdita
Pa que jamais se repita
A dura dita, a dita dura
Da mentira e da impostura
Da mordaça e da censura
Da porrada e da tortura
Que rasura nossa história
De sessenta anos atrás
Nódoa escura na memória
Amarguras ancestrais
Que enxaguamos de lembranças
Pra que as gerações futuras
Construam sua esperança
Justa, lúcida e segura
Sabendo a fragilidade
Da palavra liberdade
Sabendo da relevância
Da palavra vigilância
Sabendo da inconsequência
Da palavra violência
Sabendo da desventura
Da palavra ditadura

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

A VIDA SEGUE

No nosso calendário de comemorações, o dia 21 de setembro é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. 
A data foi instituída pela Lei 11.133/2005, por iniciativa do Movimento Direitos das Pessoas Deficientes, MDPD.
Não são poucas as pessoas portadoras de deficiência.
Faz 10 anos que perdi a graça de ver com os meus próprios olhos. Mas a cegueira não é o fim:
 

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

GRAFITE PRA CEGO NO BECO DO BATMAN

A Polícia Federal apreende celulares do advogado Frederick Wassef.
A Polícia Federal e o FBI estão nas pegadas de Bolsonaro nos EUA.
O hacker Walter Delgatti abre a bocarra no Senado e dela expele bombas de todos os tamanhos.
Enquanto o cerco se fecha entorno de Bolsonaro e de seus asseclas fardados, a vida continua nos seus altos e baixos. A mais nova: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Bolsonaro e da mulher Michele. Isso ontem 17.
Hoje 18 o hacker Delgatti prestou novo depoimento à PF. No decorrer das horas, reafirmou tudo o que disse no Senado e apresentou indícios claríssimos de tudo que dizia. Mais trabalho para a PF.
O fardado de patente Mauro Cid, deve afrouxar a boca e dizer o que a Polícia e a Justiça ainda não sabem. A dica é de seu novo advogado, o terceiro, Cezar Bittencourt. E não custa lembrar que o pai desse Mauro, o também Mauro Cesar Lourena Cid, está mais enrolado do que rabo de porco, especialmente no caso das joias e relógios das Arábias. E tem mais: Bolsonaro acaba de ser condenado em 2ª instância por 175 agressões a jornalistas. O processo foi promovido pelo Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.
Bolsonaro responde a dezenas de processos na Justiça, inclusive no TSE e STF.
Pois é, o Brasil não é pra principiantes.E nem era disso que eu estava querendo falar. Queria não, quero: amanhã 19 será inaugurado no Beco do Batman, na Vila Madalena, a amostra Graffiti #PraCegoVer.
Quem me falou sobre isso foi a coleguinha jornalista Cilene Soares. Ela disse que lembrou de mim pelo fato do papai aqui não enxergar porra nenhuma pelos olhos, mas sim pela memória. E, claro, através dos olhos dos amigos e das amigas.
Lê pra mim o seguinte: 
"Muito além das legendas em braile disponibilizadas para esse público em exposições de arte, o primeiro Graffiti #PraCegoVer será em um muro do Beco do Batman, na Vila Madalena, em São Paulo, todo coberto por uma obra inteiramente tátil, impressa em 3D com texturas e contornos para que, ao ser tocado por um deficiente visual, traga detalhes da arte com texturas, dimensões espaciais e principalmente emoção".
O evento será aberto na manhã de amanhã. É de graça e tudo quanto é cego está convidado para ir nesse negócio aí. Se me levarem, eu vou.

LEIA MAIS: NÃO SE VÊ SÓ COM OS OLHOS... • J&CIA ABORDA O TEMA "DEFICIENTES" • OS CEGOS, ESSES INVISÍVEIS SERES • CEGO TAMBÉM VÊ • Assis Ângelo, cego há sete anos, lança cordéis sobre a pandemia • A cegueira não é o fim

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

HISTÓRIA: CIDADANIA E BRUCUTUS

A morte ontem 13 do historiador e sociólogo mineiro José Murilo de Carvalho, aos 83 anos de idade, me fez lembrar a importância da Cidadania, do ser cidadão, por estas e outras plagas mundo afora.
A direita brucutu está pondo suas garras fascistas de fora até mesmo na vizinha Argentina, onde grande parte dos jovens estão tomando partido a favor de Javier Milei nas primárias que escolherão os candidatos à presidência no próximo ano.
Além da Argentina, os brucutus estão em ascensão na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini, no Chile de Franco e nos Países Baixos assim hoje chamada a velha Holanda. 
Na França a Marie Le Pen pode substituir Macron.
Na Turquia, Erdogan foi reeleito.
Na Grécia, o partido Nova Democracia fatura as eleições legislativas e fica no topo do poder, representado pelo primeiro ministro Kyriakos Mitsotakis.
Pois bem, os brasileiros de bom senso acabam de chutar para o esgoto político Bolsonaro e sua tchurma de lambe botas mais próxima. À propósito, parte do grupelho que vê em Bolsonaro um "deus", aos poucos está ajustando contas com a polícia e daí com a Justiça.
São inúmeros os processos que apuram as safadezas de Bolsonaro e sua gangue de desocupados verde-oliva, nos últimos quatro anos. No balaio há processos sobre desvio de grana em várias instâncias do governo, entre as quais o Ministério da Saúde. E agora tem o caso das joias das Arábias.
Será essa uma versão nova, às avessas, das Mil e uma Noites?
José Murilo de Carvalho, vítima de Covid, foi um dos grandes intelectuais brasileiros. Era membro da Academia Brasileira de Letras, ABL, onde ocupou a cadeira nº5. Deixou uma obra significativa em duas dezenas de livros. Entre esses livros Forças Armadas e Política no Brasil e o pequeno, mas significativo, Cidadania no Brasil: O Longo Caminho.
O livro sobre as Forças Armadas trata do ciclo militar no Brasil, entre 64 e 85, e suas consequências políticas refletidas ainda na atualidade.
Cidadania no Brasil tem poucas páginas e quatro capítulos cuja leitura nos prende como a um ímã. São todos ótimos, mas destaco A Cidadania Após a Redemocratização. Esse título me remeteu a um pequeno poema que fiz e que diz assim:

Diógenes foi um craque
Do escracho e do Saber
Viveu antes de Cristo
Tentando só entender
Por que se rouba tanto
E se rouba até morrer

Procurar um ser honesto
Em plena luz do dia
Com uma lanterna acesa
Como Diógenes fazia
É coisa para quem sabe
O que é cidadania

Cidadania se faz
É com Democracia
Muita força de vontade
E muita teimosia
Sem essas três "coisinhas"
Não se faz Cidadania

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

CADEIA PARA OS MACHÕES

Finalmente aconteceu: o STF jogou na lata do lixo argumento que possibilitava a absolvição de acusados por espancar e até matar mulheres com quem se casavam.
Ao se casar, homens podiam fazer com mulheres o que bem desejassem. Isso desde 1605, ainda nos tempos de Brasil Colônia. Essa loucura durou até 1830. Mas não findou de vez. A tese de "legítima defesa" levava o criminoso a sair sorrindo dos julgamentos a que eventualmente eram levados.
Muitos espancamentos e assassinatos foram praticados por machões de Norte a Sul do País. São milhares os casos. Mas isso agora acabou, definitivamente. 
O STF levou ontem à lata de lixo, por unanimidade, a vergonhosa tese de legítima defesa à honra.
Cresci ouvindo notícia dando conta de que poderosos batiam e matavam suas mulheres para "lavar a honra com sangue". Sangue das vítimas, claro.
O cantor Lindomar Castilho, preso em flagrante por matar a mulher, foi defendido por seus advogados que usaram a tese de que o acusado "matou por amor".
No seu voto, a ministra Rosa Weber disse:
"Pela legislação civil, as mulheres perdiam a capacidade civil plena ao casarem, cabendo ao marido administrar tanto os bens do casal como os particulares da esposa. Somente mediante autorização do marido, as mulheres poderiam exercer a atividade profissional".
Os feminicídios continuam ocorrendo a cada quatro horas no Brasil.

LEIA MAIS: O MACHISMO CONTINUA FAZENDO VÍTIMAS • LUGAR DE COVARDE É NA CADEIA • LUGAR DE MULHER É NO MUNDO

quinta-feira, 29 de junho de 2023

A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (4, FINAL)

João Carlos Pecci
ASSIS ÂNGELO:
Eu perdi a luz dos meus olhos há 10 anos. O motivo foi descolamento de retinas. E o acidente que paralisou você, ocorreu como e quando?

JOÃO CARLOS PECCI: Como disse antes, foi num acidente na Via Dutra. Eram 5 horas da tarde de um domingo chuvoso, eu viajava sozinho. Na época não havia cinto de segurança nos carros. Quando me socorreram, eu estava desacordado no piso de trás do Fusca. Imagina o impacto. Você perdeu a visão e continua enxergando através dos sentidos e com a profundeza da alma. Eu perdi a mobilidade e continuo me locomovendo sem deixar pegadas no chão mas exercendo minha vida no Ser, no Existir e no Evoluir. Assim, ambos enxergamos e caminhamos.


ASSIS: Pra mim é muito difícil viver sem a luz dos olhos meus. E você, adaptou-se completamente à nova vida?

JOÃO: Para quem perde alguma capacidade física ou sensorial, a adaptação dificilmente será completa. Mas a paraplegia, ao invés de me trancar, me soltou para a vida. Tornei-me mais sensível e evolui meu espírito na compreensão das diferenças. Sei que não posso tudo, mas posso muita coisa. Enveredei pelas artes, que me possibilitam expor sentimentos e angústias. Através delas eu me doo um pouco, essencial para o ser humano. O casamento fez de mim um homem maior ao lado de uma mulher ainda maior que eu. Deu-me uma filha, renovação de nossas vidas. E prossigo, velejando a vida, perseguindo a realização de novos sonhos, como um novo livro, que vem ai em breve. Há que continuar sempre em busca do novo, embora o novo seja a transformação de algo que já conhecemos…


ASSIS: Do alto dos meus 70 anos, ainda sonho. E você, já realizou todos os sonhos?

JOÃO: Sonhar é renovar caminhos e esperanças. Ai daquele que deixa de sentir o aroma desse perfume...

quarta-feira, 28 de junho de 2023

A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (3)



ASSIS ÂNGELO: Seu irmão Toquinho tem uma parceria musical com Geraldo Vandré. A última vez que você viu Vandré foi no Carnaval de 1968. O que acha da obra desse artista?

JOÃO CARLOS PECCI: Conheci Geraldo Vandré no Guarujá, carnaval de 1968. Ele tornou-se amigo de minha turma, afável, carinhoso, divertido. Disponível em muitos momentos de vários dias. Depois o vi somente em 1976, levado à minha casa por uma amiga. Era um outro Vandré. Ficou quieto, sentado em um canto, falando pouco, escrevendo o tempo todo. Vandré é um romântico revolucionário. Polêmico, sua música é forte e transformadora. No final de 1968 ele agitou o Maracanãzinho apenas com seu violão e sua voz falando de flores e canhões. Depois saiu pelo mundo propagando o Brasil e suas raízes nordestinas.


ASSIS: Você escreveu livros sobre Vinícius de Moraes. O que mais importante você vê na obra de Vinícius?

JOÃO: Vinícius é um grande poeta e um grande músico também. Aliás, a música chegou para ele antes que a poesia propriamente dita. Sua primeira canção é de 1929, com 15 anos, “Loura ou morena”. Anterior ao seu primeiro livro, “O caminho para a distância”, de 1933. Vinícius retrata o amor e a paixão em poemas, sonetos, baladas, crônicas e peças teatrais. Acredito que o mais brilhante de sua obra são os sonetos que ele criou entre 1938 e 1940 quando esteve na Inglaterra como bolsista em Oxford. Mas o mais importante de sua carreira é o fato de ele ter transferido sua poesia para a música popular, dotando-a de leveza e simplicidade, tornando-se, ao lado de Tom Jobim, artífice da mais dignificante transformação musical que encantou e encanta o mundo até hoje: a Bossa Nova. E mais: na música, ele jamais deixou escapar o viço de sua poesia, mantendo-se sempre ao lado de parceiros jovens como Baden Powell, Carlos Lyra, Francis Hime, Edu Lobo e Toquinho.


ASSIS: João, o Brasil é um país fantástico. O que falta para o Brasil ser de fato um país feliz? Os políticos atrapalham?

JOÃO: Há tempos o brasileiro descobriu a mágica de ser feliz ludibriando a realidade. Com todo direito e criatividade. Seu divertimento é fazer piada de políticos que atravancam esse país. No Brasil, o povo vive de lampejos. Com alguns clarões mais promissores, mas sempre interrompidos. Passamos por suicídio, renúncia, ditadura, morte quase no dia da posse, dois impeachments, corrupção, um ex-presidente preso, ameaças à democracia... E sempre na esperança de que algum lampejo se transforme num brilho mais duradouro. Longe disso. Vivemos hoje um parlamentarismo disfarçado. Mas o nível dos congressistas é cada vez mais desanimador....

terça-feira, 27 de junho de 2023

A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (2)



ASSIS ÂNGELO: O que ou quem inspirou você a trilhar o caminho das artes? Quando você começou a escrever livros?

JOÃO CARLOS PECCI: A deficiência física provoca obstáculos imprevisíveis, principalmente no início, quando tudo é espantoso. Mas também abre portas para a superação. Primeiro veio a pintura, como terapia para fortalecer os dedos das mãos. Jamais imaginei pintar quadros. Entre outras portas, a paraplegia me abriu também essa. A terapia foi virando profissão. De 1972 a 1978 expus meus quadros na Praça da República, numa época romântica e artesanal. Depois comecei a expor em galerias e meus quadros passaram a ser valorizados. Hoje os divulgo nas redes sociais recebendo retornos elogiosos e compensadores. A literatura surgiu de toda transformação provocada em minha vida. Mudava muita coisa, mas eu conseguia manter em torno de mim a abnegação da família, o carinho e apoio dos amigos. Além de usar a cadeira de rodas, tornei-me um itinerante apoiado em duas bengalas, o corpo suportado por uma órtese da cintura até os pés. A vida me caminhava, imitando Paulinho da Viola: “Não sou eu que me navego, que me navega é o mar...”. Namorava com mais poesia, fazia sexo – sim, fazia sexo com mais ardor. Então resolvi: “Preciso escrever sobre tudo isso”. Em 1980 foi editado pela Summus Editorial meu primeiro livro, “Minha Profissão é Andar”. Um texto transparente, real, sem pieguice nem vaidade. É um livro precursor desse tema no Brasil, virou ‘best seller”, foi adotado em escolas e faculdades, me fez palestrante. Hoje conta mais de 30 edições, sendo incentivo para que surgissem outros livros sobre o assunto. A literatura passou a fazer parte de mim e vieram mais livros. Atrevi-me a escrever crônicas e poesias em “Existência” (1984 – Summus). Enveredei pelo romance, “O ramo de hortências” (1987 – edição própria). Aí resolvi trabalhar em uma biografia sobre Vinícius de Moraes. Tarefa árdua de 4 anos de pesquisas e aprendizados resultando no livro “Vinícius-Sem Ponto Final” (1994-Saraiva). Minha filha nasceu em 1996. Dois anos após pensei em escrever sobre um outro periodo de minha vida: o do casamento com Márcia e o nascimento de Marina, concebida por meio de uma autoinseminação, método até então não experimentado no Brasil, sendo eu o primeiro brasileiro paraplégico a tentá-lo usando o próprio esperma, introduzido na mulher através de uma seringa. O livro: “Velejando a Vida” (1998-Saraiva). Entre pinturas e palestras, fui montando a trajetória musical de Toquinho, meu irmão. Deu em três livros: “Toquinho-40 Anos de Música” (2006), “Toquinho-Acorde Solto no Ar” (2010) e “Toquinho-História das Canções”, em parceria com Wagner Homem (2011-Leia do Brasil)


ASSIS: Você costuma compor música ou letras para música?

JOÃO: Não é comum. Acontece eventualmente, como “Caminhantes”, musicada e gravada por Paulinho Nogueira. “O robô”, “Doce martírio” e “Além do portão”, musicadas e gravadas por Toquinho em diferentes discos.


ASSIS: Outro dia você me falou que tem um ou dois livros inéditos. Quais são e do que tratam?

JOÃO: São dois livros. Um deles escrito em colaboração com a Laramara, associação que cuida de deficientes visuais. O livro conta a história de 10 pessoas deficientes visuais que conseguem conviver e superar suas deficiências de diferentes naturezas enxergando a vida com sabedoria e sensibilidades que vão além da visão comum. Continuo pintando e escrevendo. Nos próximos meses será lançado meu novo livro, “Ser, Conceber, Evoluir...”. Aborda um caso real de uma mulher portadora de Esclerose Múltipla, conseguindo superar a doença com coragem e determinação.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

A VIDA POR JOÃO CARLOS PECCI (1)

Falar com o paulistano João Carlos Pecci é uma alegria. Cabra bom, de boa formação e otimista. É um velejador da vida, do mar. É um dos filhos do casal Nico e Diva. Tem um irmão famoso: Toquinho, compositor e violonista dos bons, conhecido em boa parte do mundo, parceiro eterno do poetinha Vinícius.
Esse João de quem falo é da safra de 42. Em 1965, na PUC, fez o curso de Ciências Econômicas. Sempre foi alegre, despachado. Conhece muita gente, muitos artistas. Sente saudade de Vandré, parceiro de Toquinho (Presença). "Conheci Geraldo Vandré no Guarujá, carnaval de 1968. Ele tornou-se amigo de minha turma, afável, carinhoso, divertido. Disponível em muitos momentos de vários dias. Depois o vi somente em 1976, levado à minha casa por uma amiga. Era um outro Vandré".
Após concluir Ciências Econômicas, João Carlos Pecci enveredou pelo caminho do Direito, mas não foi longe. Um acidente de automóvel, na Via Dutra, mudaria sua vida. Tinha 26 anos de idade. "... Eu cochilei na direção, meu Fusca derrapou dando várias voltas. Em consequência, deu-se uma lesão medular na altura da 6ª vértebra cervical e eu fiquei paraplégico", lembra.
A literatura e as artes plásticas alcançaram João após o lamentável acidente. Já publicou meia dúzia de livros. O primeiro: Minha Profissão é Andar (Summus; 1980). Também lançou à praça um monte de quadros. A geometria é a marca da sua obra. "De 1972 a 1978 expus meus quadros na Praça da República, numa época romântica e artesanal. Depois comecei a expor em galerias e meus quadros passaram a ser valorizados. Hoje os divulgo nas redes sociais recebendo retornos elogiosos e compensadores".
Em raras ocasiões, João também inventa de compor. Tem músicas gravadas por Paulinho Nogueira (Caminhantes) e Toquinho (O Robô, Doce Martírio e Além do Portão).
O sonho, a vontade de fazer coisas move João Carlos Pecci a seguir firme na vida. "Sonhar é renovar caminhos e esperanças. Ai daquele que deixa de sentir o aroma desse perfume...", ele diz.

A partir de hoje e até quinta-feira, os amigos seguidores deste Blog terão a oportunidade de acompanhar a entrevista que fiz com o João.

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João Carlos Pecci e o irmão, Toquinho
ASSIS ÂNGELO: Fale um pouco a respeito dos seus pais e irmãos. Em que bairro de São Paulo você nasceu e quando?

JOÃO CARLOS PECCI: Eu nasci em 1942. Morava no bairro do Bom Retiro, reduto de famílias italianas, na época. Minha mãe, Diva, falecida aos 92 anos. Mulher ativa, doadora para o marido e para os filhos. Não media esforços para dar aos filhos carinho e proteção. Tocava violino, minha mãe, e era uma grande modista. Meu pai, Antonio, conhecido como Seu Nico. Viveu bem e forte até 94 anos. Um homem além de seu tempo. Agregador, liberal, fascinado por livros, música e cinema. Tornou-se até um cinegrafista amador, na época, coisa incomum. Deixou para a família, em filmes, momentos inestimáveis. Fazia de tudo, meu pai. Foi alfaiate, taxista, industrial e empreendedor no ramo imobiliário. Dona Diva e Seu Nico. Ela nos ensinou o amor sem limites. Ele nos ensinou a acariciar as adversidades com ternura; a amenizar as ansiedades com paciência; a buscar os objetivos com determinação; a absorver cada momento difícil para poder vencê-lo com o gosto do prazer. Eles são responsáveis pelos Homens que somos hoje, eu e meu irmão Antonio, nascido em 1946. A música o tomou desde os 13 anos, estimulado pela Bossa Nova e João Gilberto. Abraçado ao violão, tornou-se o Toquinho, violonista, compositor e intérprete, cujas músicas alcançam uma dimensão internacional. Vivemos uma infância livre, o bairro facilitava. Tudo era muito bucólico, apesar de um bairro central da cidade. Brincadeiras de rua, jogo de botão, pipa, rolimã, pega-pega. Em junho, cadeiras na calçada, balão, fogueira, quentão, batata doce. A várzea nos oferecia campos de grama e traves com rede, e o futebol impregnou-se em nós desde crianças, fanáticos pelo Corinthians. Com vários campos à disposição, a vida se abria em lampejos de prazer: nas primeiras corridas atrás da bola, na escolha dos times, no barato de constatar que tinha rede nas traves! Era diferente jogar com rede nas traves. Podia-se vibrar mais ainda nos gols vendo a bola estufá-la e correr pela extensão dela rumo ao chão. Num gol com rede nas traves, parece que a bola desliza pelo coração do jogador fazendo-o pulsar com mais força. Sem rede é como se se esquecesse um poema no fim da última estrofe. E esse poema prosseguia quando nosso pai nos levava aos treinos do Corinthians, na velha Fazendinha, onde podíamos chegar perto dos ídolos da época, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Gilmar, e tirar fotos com eles. Mais que irmãos, tornamo-nos amigos e cúmplices em venturas e aventuras pela vida. Hoje, além de meus pais, minha esposa e minha filha, ele é um dos orgulhos de minha existência.
 

ASSIS: Fale um pouco da sua formação.

JOÃO: Completei o curso de Ciências Econômicas na PUC em 1965, com 23 anos. Trabalhava na Philips do Brasil e ao mesmo tempo cursava o 5º ano de Direito na USP, visando exercer uma atividade conciliando os dois setores, Economia e Direito. Mas, em março de 1968, com 26 anos, sofri um acidente na Via Dutra, indo para o Rio de Janeiro. Eu cochilei na direção, meu Fusca derrapou dando várias voltas. Em consequência, deu-se uma lesão medular na altura da 6ª vértebra cervical e eu fiquei paraplégico. Tive de interromper meu trabalho e meus estudos. A vida dava uma guinada de 180 graus...

quinta-feira, 25 de maio de 2023

PRA REFLETIR: HOJE É O DIA DA ÁFRICA

  Esta tirinha faz parte do livro Histórias de Esquina, do cartunista Fausto e Assis Ângelo
 
Não é só o Brasil que tem andado de cabeça pra baixo. O mundo está de cabeça pra baixo, tonto, cambaleante. Isso, claro, não é bom.
Este nosso planetinha de josta está implodindo. Nós, seus habitantes, estamos próximos de, juntos, somarmos oito bilhões. É muita gente, é muita alma penando por aí afora sem rumo, sem nada.
Somos pretos e brancos, ricos e pobres, uma mistura danada e tonta. Ocupamos quase 200 países.
Os conflitos de todos os tipos se complicam.
O problemas reais pululam. 
Ontem 24 o jogador de futebol brasileiro Vini foi homenageado por seu time, o Real Madrid.
Ontem 24 o presidente de La Liga, Javier Tebas, pediu desculpas pelo comportamento racista dos torcedores do Valência e tal. Foram desculpas assim, assim, sem convicção. Desculpas com aspas. Assim, do tipo "pero no mucho".
O que os torcedores espanhóis estão fazendo contra o jogador Vini é lamentável. Merecem punição braba, cana com multa e tudo mais.
O futebol é receita importante na economia espanhola. Significa algo em torno de 1,7% do PIB.
O mundo civilizado está de olho na Espanha, especialmente no futebol espanhol.
O caso Vini faz-me lembrar o caso Luiz Gonzaga.
Em 1951 o rei do baião, Luiz Gonzaga, foi convidado pra uma entrevista na rádio Gazeta, cujo slogan era "A Rádio da Elite". Ao chegar à portaria foi barrado por um porteiro branco e metido a besta que o proibiu de passar na porta. Gonzaga perguntou por que estava sendo impedido de entrar. E a resposta foi que só entraria com um convite. Gonzaga perguntou onde arrumaria um convite para comprar. E aí começou um bate-boca. Rápido Gonzaga conseguiu acessar o elevador, mas foi agarrado. E antes do pau cantar de verdade, a confusão chamou a atenção do apresentador do programa e de seus assistentes. Desse modo Gonzaga, reconhecido, adentrou ao ambiente da entrevista. Depois, insatisfeito, o Rei do Baião procurou jornais pra falar do ocorrido. A ninguém interessou a questão e tudo ficou por isso mesmo.
Eu soube ontem 24 que a cantora negra norte-americana Tina Turner morreu. Pena. Grande cantora, sem dúvida. Veio do nada, sofreu, pastou, como se diz, antes de alcançar o estrelato mundial. No rádio ouço loas a seu respeito. Dizem que não podemos nos esquecer nunca de Tina. Concordo.
A olhos nus vejo grandes artistas negros da nossa música completamente esquecidos como Pattápio Silva, Pixinguinha e João da Baiana; Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara e Carmen Costa.
Carmen Costa foi a primeira cantora brasileira a gravar um chorinho de Luiz Gonzaga, em 1943. Os casos de esquecimento são muitos. E a nossa música é negra, porque não dizer?
O choro é negro, o samba é negro, o baião é negro e isso é muito bom, certo?
Em 1942 um cidadão piauiense muito afoito Berilo Neves escreveu num artigo da Revista da Semana que "O samba é uma reminiscência afro-melódica dos tempos coloniais. Não é a expressão musical de um povo: é o prurido eczematoso do morro. É o irmão gêmeo destas entidades abstrusas que se chamam Suor, Jogo do Bicho e Malandragem".
Pois é, né?
Esse Berilo nasceu em 1900 morreu 74 anos depois, sem deixar saudade.
A carioca Elza Soares partiu faz pouquíssimo tempo e já está esquecida.
Tem muita coisa errada neste mundão de meu Deus do céu!
Ah! Sim, para refletir: hoje é o Dia Mundial da África.


LEIA MAIS: O CHORO É NEGRO 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

CÃO-GUIA, CÃO DE PAVLOV

O russo Ivan Pavlov nasceu em 1849, morreu em 1936. A experiência científica que o deixou famoso ele o desenvolveu no universo canino. É uma história curiosa.
Pavlov provou que o cães podem ser treinados para as mais diferentes atividades do cotidiano. Ele chegou a essa conclusão batendo uma sineta que fazia despertar algo nos cães. No caso, o interesse pela comida.
Quem primeiro me falou de Pavlov foi o cantor e compositor Taiguara, pessoa de muita inteligência e sensibilidade.
A vida é cheia de graça e de problemas, também.
Eu nasci no ano da graça de 1952. Contando nos dedos, tenho 70 anos, 2 meses e uns 15 dias. Escolhi como profissão o jornalismo. Antes me engracei pela música e as plásticas. Estudei com Aldo Parisot, João Câmara Filho, Raul Córdula, Celene Sintonônio e outros bambas. Aprendi pouco. O muito que eu aprendi foi bater palmas pra quem tem talento, se é que me entendem.
Passei por muitos jornais, rádios e TVs, entre os quais Folha, Estadão, Rádio Capital e TV Globo. E aí, há quase 10 anos, um descolamento de retina tirou-me dos olhos as cores.
Domingo ontem 15 o colega jornalista Marco Antônio Zanfra andou escrevendo no seu blog impressões pessoais e autoquestionando-se sobre o que faria se perdesse a visão.
É difícil falar a respeito dessa questão.
Hoje consigo falar com certa destreza os problemas que vivi, e ainda vivo, pelo fato de não enxergar com meus olhos. Já não os tenho. Melhor: eu os tenho apenas a enfeitar a minha cara redonda de lua cheia da Paraíba.
Doeu, doeu muito perder a visão. Mas a gente vai levando. Ou a gente segue, ou a gente cai. Na vida há dois caminhos: ou a gente antecipa a morte, ou espera a morte chegar. É assim que é.
Também ontem 15, ouvi um podcast produzido pela Rádio Novelo. O texto, na verdade um áudio, trata de uma jovem que ficou cega. É de São Paulo. Seu nome: Maria Stockler Carvalhosa.
Maria, ela mesma conta, estava em casa quando o telefone tocou e pelo fio veio a voz de uma amiga falando de Café e tal. Café é o nome de um cachorro, treinado como guia. E que ela ganharia como presente.
O depoimento de Maria Stockler Carvalhosa é claro, nítido, que nem a água mais pura de um riacho. Emociona.
Não é fácil um cego conseguir um cão para guiá-lo.
Existem apenas 3 treinadores no Brasil autorizados. Dois deles desenvolvem suas funções no Instituto Magnus.
O Instituto Magnus situa-se no município de Salto de Pirapora, região de Sorocaba, à cerca de 120km da Capital de São Paulo.
Há pelo menos 500 pessoas a espera de um cão para guiá-las.
O treinamento de um cão para um cego dura em torno de 2 anos, e o seu custo chega à R$60.000.
Não, eu nunca estaria pronto para ser guiado por um cão. E nem ele a mim. Tenho necessidade urgente de desenvolver textos jornalísticos e literários. Quero apresentar um programa de rádio ou TV, ou os dois, pra falar a respeito da questão cegueira. Gostaria de transmitir o que tenho aprendido. Gostaria de voltar também a fazer palestras Brasil afora. O Blog, este Blog, continuo fazendo. E fazendo também poemas, músicas. Confira:



LEIA MAIS: ESPECIAL DIA DO JORNALISTA Depois de ficar cego, Assis Ângelo luta para digitalizar acervo Assis Ângelo, cego há sete anos, lança cordéis sobre a pandemia Poeta cego transforma 'Os Lusíadas' em cordel

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

MATUSALÉM VAI AO INSS

 
Fui dormir ontem pensando no homem, vejam só!
Fui dormir pensando em Matusalém. E como uma coisa puxa outra, pensei nos brasileiros com mais de 100 anos. São muitos.
Segundo dados do IBGE, já passa de 20 mil o número de brasileiros e brasileiras que flanam por aí. Flanar é voar, embora essa palavra não conste no dicionário da nossa língua. Origem francesa, mas essa é outra história.
Fui dormir pensando em Matusalém.
Enquanto eu dormia, também sonhava.
Sonhei vendo Matusalém diante de um funcionário do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS. Diante do burocrata, Matusalém pergunta o que é preciso pra uma pessoa se aposentar. O burocrata olha pra ele e diz: "Primeiro, antes de tudo, tem de ter mais de 60 anos de idade".
Atualmente, no Brasil, há cerca de 22 milhões de homens e mulheres aposentados. Pessoas que trabalharam, que deram o sangue, pelo Brasil. Entre essas não há nenhuma mais velha do que o goiano Andrelino Vieira da Silva, pai de 7 filhos e avô muitas vezes.
Andrelino completou 121 em fevereiro deste ano de 2022.
A primeira instituição, no Brasil, a dar atenção aos trabalhadores de idade foi o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS). Isso em 1923, no governo de Artur Bernardes.
O burocrata de plantão, perguntou a idade e Matusalém respondeu: "Eu vou fazer 969 anos".
Pois é, Andrelino é na figura de Matusalém uma pedra no sapato do INSS.
Matusalém era avô de Noé, aquele da barca que salvou um monte de animais.
Ah! Sim: Adão, de Eva, morreu com 130 anos de idade.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

HOJE É O DIA DO CEGO

Todos os dias são dias importantes. Mas há determinados dias que a gente considera mais importante que os outros. Hoje, por exemplo, é o Dia do Cego.
No dia 13 de dezembro de 1912 nasceu em Exu, PE, um menino a que os pais dariam o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento.
Luiz Gonzaga, que se tornaria o rei do baião, nasceu exatamente há 100 anos.
Já famoso e correndo o Brasil de ponta a ponta, Gonzaga sofreria dois grandes acidentes de carro. Um em Santos, SP, e outro na cidade do Rio de Janeiro. O resultado disso foi a perda do olho direito.
Num tempo já distante, uma jovem estuprada e morta por algozes. Nome: Luzia.
Hoje é o dia de Santa Luzia, a padroeira dos cegos.
Eu conheci muitos cegos e cegas na minha vida, mas em nenhum momento imaginei que eu faria parte dessa enorme legião de pessoas que não veem com os olhos.
Perdi meus olhos em 2014, em consequência de descolamento de retina. Mas a vida continua. A gente vai se equilibrando aqui e ali. E assim, desse jeito, vi ser possível ver com a memória. Já escrevi bastante a respeito. Ouça:
 
 
O tema cego/cegueira é bastante comum no nosso repertório musical.
Luiz Gonzaga, ele mesmo, gravou várias músicas falando de cego. A última ele compôs ao lado do violeiro mineiro Téo Azevedo: Padroeira da Visão.
E à Santa Luzia andei também fazendo uns versos. Ouça: 

 

LEIA MAIS: A CEGUEIRA NÃO É O FIM DEPOIS DE FICAR CEGO, ASSIS ÂNGELO LUTA PARA DIGITALIZAR ACERVO A CULTURA SOB UM NOVO OLHAR ASSIS ÂNGELO, CEGO HÁ SETE ANOS, LANÇA CORDÉIS SOBRE A PANDEMIA

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

"MEU VOTO É 13!", DIZ STREAMER CASIMIRO

O dia D está chegando: domingo 30.
O Brasil da liberdade e da responsabilidade é um Brasil bonito.
O Brasil da irracionalidade e da censura é triste, é feio, é horroroso. Não é esse Brasil que o Brasil bonito, livre, quer.
O que o Brasil bonito quer é a beleza cada vez mais reluzente na cara, no rosto, na alma.
O Brasil, como um todo, está quebrado. Mas tem jeito. Ainda tem jeito. 
O Brasil da cultura popular, o Brasil da cultura erudita, é o Brasil cidadão. O Brasil que deu Câmara Cascudo, Bernardinho José de Souza, Mário Souto Maior e artistas da música como Chiquinha Gonzaga, Joaquim Antônio da Silva Callado, Patápio Silva, Chico Alves, Pixinguinha, Braguinha, Noel Rosa, Villa-Lobos, Carlos Gomes, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Manezinho Araújo e tantos e tantos mais.
O Brasil bonito é incomparável com quaisquer dos quase 200 países alinhados e identificados na Organização das Nações Unidas, ONU. E no cinema, hein?
E nas artes plásticas, hein?
No canto operístico o Brasil bonito guarda no coração e na memória Bidú Sayão.
O dia D, domingo 30, está chegando.
Domingo que vem será o dia que a Democracia se levantará, combalida que anda, para espraiar-se sobre nós.
Domingo será o dia D: 13!
Segunda 24 o teatro da PUC recebeu grandes representantes da nossa democracia, incluindo artistas de todos os seguimentos.
Entre os compositores, cantores e instrumentistas que apoiam a bandeira da democracia, via PT, se acham Jarbas Mariz, Jorge Ribbas, Cacá Lopes, Luiz Wilson, Costa Sena, Wilson Seraine, Dantas do Forró, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e suas filhas Preta e Bela Gil; Djavan, Martinho da Vila e sua filha Mart'nalia; Ivete Sangalo, Maria Rita, Gal Costa, Fatel, Socorro Lira, Anastácia, Anitta...
Mas há no Brasil ainda pessoas em dúvida, que não sabem exatamente ainda em quem votar.
Numa conversa ontem 25 com o amigo Geraldo Vandré, ousei perguntar sobre a atual situação política. O que ele está achando e tal. Se vai votar no Lula ou no outro. Sua resposta, melancolicamente: "Pra mim, tanto faz".
Problemas de foro íntimo têm deixado Geraldo muito triste. Já não faz poesia, já não faz música, já não lê livros nem nada: "Fico vendo TV, Ângelo".
O cidadão Geraldo Pedrosa de Araújo Dias completou no último setembro 87 anos de idade.

FAKE NEWS E STF

O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem 25, por 9 a 2, pedido de revisão a um processo que dava mais forças ao exército de mentirosos do presidente Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao STF pelo PGR Augusto Aras. Em suma: Aras queria que o STF não retirasse das redes sociais as fake news postas pelos bolsonaritas. Caiu do cavalo. À propósito, o streamer Casimiro Miguel abriu o bocão para protestar contra o uso da sua imagem. O causo é que Casimiro teve um de seus posts adulterado, dando a entender que ele estaria apoiando a reeleição do atual presidente. Disse o famoso streamer:


ENTREVISTA

Amanhã, quinta 27, a partir das 16h estarei falando a respeito de jornalismo e tal no programa BOTECO APJor. O papo será transmitido ao vivo pelo Youtube/Facebook. Convido todo mundo a acompanhar nossa conversa, que terá entre os entrevistadores o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo Fred Ghedini.
APJor é a sigla para Associação Profissão Jornalista.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (49)

"Seu Assis! Seu Assis! O Brasil tá pegando fogo. O fim do mundo parece que já começou", entrou afobado na casa o botão Biu.
Enquanto Biu afobado falava, o botão Barrica disse não estar espantado com o que está ocorrendo: "Essa violência toda já estava prevista, já estava e está no nosso radar".
É, eu disse. A situação está esquentando. O que aconteceu ontem no Rio não foi garapa. Como é que um ex-deputado e presidente de um partido político não só descumpre uma ordem policial como ataca a tiros e granadas policiais federais destacados para cumprir a determinação da Justiça, de um juiz?
"O que o Jefferson fez foi um crime calculado, previamente calculado. Ele estava armado até os dentes e com armas pesadas, sem que o Exército fizesse nada. E isso é grave!", disse analisando o caso o poeta botão Zilidoro.
"E ainda tem mais um detalhe, seu Assis. O tal Jefferson, uma besta horrorosa, mantinha e mantém um arsenal na sua casa como um CAC", emendou à fala de Zilidoro o botão paraibano Mané.
"O que é CAC, Mané?", quis saber Jão. 
"Iiiih! CAC, Jão, é Colecionador, Atirador desportivo e Caçador", esclareceu Mané.
O mais grave nessa situação, eu disse, é que existem milhares e milhares e milhões, talvez, de CACs espalhados Brasil afora. E armados por incentivo do presidente da República.
"Esse presidente aí, o Bolsonaro, é um criminoso e o lugar dele, mais cedo ou mais tarde, é na cadeia", disse nervoso Zoião.
Barrica, coçando a cabeça, dirigiu-se a mim tecendo elogios por um poema que fiz e que falo de cadeia. Zilidoro pediu a palavra e de memória declamou as duas últimas estrofes do poema referido. Assim:

...Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
 
A cadeia te espera 
Presidente predador
Hoje quem foge é caça
Amanhã é caçador
 
Ainda não de todo calmo, Biu disse que além dos dois policiais atingidos à bala por Jefferson, um cinegrafista da TV Globo foi atacado covardemente por um bolsonarista que fora prestar "solidariedade" ao ex-deputado Jefferson. O profissional da Globo, Rogério de Paula, continua nesta manhã 24 internado na UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no Rio. E acrescentou Biu: "Enquanto ocorria o furdunço provocado por Jefferson, no município potiguar de Macaíba um bolsonarista numa moto meteu bala contra uma passeata pacífica que tinha a frente o candidato Lula. A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, estava presente e foi retirada às pressas por sua segurança".
Pois é, pois é, a coisa tá feia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

O MALIGNO E CRIANÇAS EM ARMAS

Uma coisa é certa: a coisa tá feia, como diria o violeiro mineiro de Monte Azul Tião Carreiro (1934-1993), que durante anos e anos fez dupla com o paulista de São Carlos Pardinho (1932-2001).
O presidente Bolsonaro não para de mandar o povo se armar. O povo dele, diga-se de passagem.
Ouvi no rádio e TV noticiário dando conta de que autoridades de Uberaba (MG) e do Rio, RJ, "comemoraram" o Dia das Crianças ensinando a elas como mexer com armas. E de grosso calibre. E bombas de gás lacrimogênio. Um horror! Disseram que era para as crianças começarem a perder o medo de armas de fogo e de bombas. Deus do céu!
Os agentes do Ministério Público estão investigando esses horrores.
Enquanto isso, e no mesmo dia das crianças, Bolsonaro agarra-se no vácuo à cata de votos de cristãos e evangélicos, depois de flertar com a Maçonaria.
Ontem 12, Em Aparecida (SP), o arcebispo dom Orlando Brandes mandou um recado curto e grosso direto a Bolsonaro no correr da homilia: "Nossa Senhora gloriosa no céu, depois da cruz e o céu, é a nossa pátria definitiva. Maria venceu o dragão. Temos muitos dragões que ela vai vencer. O dragão que é o tentador. O dragão que já foi vencido – a pandemia". E disse mais: "Mas temos o dragão do ódio, que faz tanto mal. E o dragão da mentira, e a mentira não é de Deus, é do maligno. E o dragão do desemprego, o dragão da fome. O dragão da incredulidade. Com Maria, vamos vencer o mal e vamos dar prioridade ao bem, à verdade e justiça que o povo merece porque tem fé e ama Nossa Senhora Aparecida".
A minha conclusão é simples: esse cara que mente, mente e mente, não tem o menor escrúpulo. É horroroso de nascença. O objetivo dele é praticar o mau, especialmente a quem dele discorda. 
O Brasil está se cobrindo de irracionalidade da Direita extremosa, assassina.
Bolsonaro não tem limite. Ele rasga as leis e cospe na cara do povo. Do povo brasileiro, do povo pacato, simples, trabalhador. E aos poucos recomeça sua ladainha contra as urnas eletrônicas. E o Exército, na moita.
Cadê o relatório das Forças Armadas sobre o desempenho das urnas eletrônicas?

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