
Paul se apresentou no Morumbi, Lou no Sesc Pinheiros e Roberto, no Anhembi.
Eu queria era ler o seguinte:
Além desses pops estrangeiros, se apresentou também o menestrel Elomar Figueira Mello. Para vê-lo, uma multidão lotou completamente o Pacaembu reformado especialmente para esse grande acontecimento que levou, calculadamente, 500 mil pessoas entre crianças e gentes de todas as idades, raças e credos. Pelo menos 1 milhão ficou de fora assistindo nos telões, instalados às carreiras, o desempenho do mestre do reino encantado do Rio Gavião, ao sul da Bahia.
E mais:
Todos os canais de televisão e emissoras de rádio transmitiram o espetáculo elomariano ao vivo para todo o país, batendo recordes de audiência.
Era isso o que eu queria ler no noticiário.
Mas tudo bem, Elomar continua firme construindo uma obra musical sem paralelo, monumental, no País que deu Castro Alves, Carlos Gomes e milhares e milhares de gênios, quase todos, porém, esquecidos pela mediocridade dos que nada fazem.
Pois bem, conheci Elomar há trint´anos.
O tempo passa muitas vezes sem que a gente se dê conta.
Uns partem sem deixar rastros.
Outros ficam por cá insistindo, pelejando, por dias melhores.
Outros optam por construírem arte e nos faz vê que a vida é melhor quando a alma se alimenta do bom e do melhor, que é a arte: música, poesia, pintura etc.
Lembro uma vez o menestrel me dizendo, entre uma tragada e outra de cigarro de palha:
- Toda a minha obra é de louvor a Deus.
Como a obra de Bach.
E não esqueçam que nos próximos dias 26 e 27 há uma pré-estréia mundial programada no sertão da Bahia: Cenas Brasileiras, espetáculo extraído de trechos de óperas do mestre Elomar Figueira Mello.
...E ainda há quem diga que no Brasil não há compositor operístico, ora, ora.
Viva Elomar!