
Férias.
Mas por que lembro isso?
Porque vi/ouvi o cantor Toninho Nascimento assassinando a canção - na verdade, uma guarânia - Caminhando ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, de Vandré.
Conheci Toninho de vista, de sopetão, e o elogiei na acústica do Parque Villa-Lobos, há uns dois anos. Talvez três ou um ou um menos.
Boa voz, performance etc.
Mas ele se apresenta em público de forma como se fosse o dono de todas as canções que canta.
Tem de baixar um pouquinho a bola, senão não vai pra lugar nenhum.
Sem câmera a sua frente, aliás, ele é bem melhor.
Mas, enfim, antes de Toninho ter a cara posta no ar, o compadre lembrou de uns causinhos de cana.
Uma: aquela que o cabra tá pra lá das tantas, carregando uma garrafa e a garrafa cai no chão fazendo crac! E o tal lamenta, com a língua enrolada:
- Tomara que seja a minha perna.
A platéia cai na risada.
Outra: o cabra vai se consultar com dores e o médico pergunta:
- Você bebe?
E ele, dobrando também a língua:
- Sim, doutor. Aceito.
Boldrin conta essas coisas de forma pra lá de natural.
Como eloe não tem ninguém. Nisso, é fantástico.
Lembro, porém, que uma vez o chamei prum papo num programa que eu apresentava na Rádio Capital.
Ele foi com uma garrafa de vinho tinto debaixo do braço, e dizendo:
- Só vou ficar uns dez minutos.
E o programa de duas horas, ao vivo, rolando.
E ele bebendo.
Lá pras tantas, num intervalo, pedi um gole. E ele, imperativo:
- Não!
Resultado: ele bebeu o vinho todo sem a minha ajuda - um pecado, não é? - e terminei passando com ele pelo menos dez minutos, além do horário.
Viva Boldrin!