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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

A ONDA AGORA É PODCAST

O rádio anda bambo das pernas, como a televisão.
Os jornais diários, semanais, mensais estão gemendo. Muitos na UTI e outros mais já devidamente mortos e sepultos. 
Isso tudo deve-se à chegada abrupta da Internet, que espalhou e continua espalhando novidades mil em todas ou quase todas as línguas conhecidas. Para o bem ou para o mal.
A Internet oferece muitas opções: jornais eletrônicos, emails, que substituiu os telegramas antes postados nos Correios e Telégrafos. E tem uma coisa boa, muito boa já correndo com pernas firmes e fortes: os Podcasts.
Há pouco, Poliana Helena e o camarada Julian Cuccarese fizeram comigo um papo que gostei muito. Interessantíssimo. Confiram:



CONFIRA O INSTAGRAM DO BLOG: https://instagram.com/assis_angelo/ 

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

GUILHERME BOULOS: 50!



Eu gostei.
Gostei de ver, quer dizer ouvir, Guilherme Boulos sendo sabatinado por jornalistas do Globo, Valor e CBN. Foi hoje 10, entre 8:30 e 9:30.
O papo rolou com Boulos 50 na Rádio CBN, cá em Sampa. 
Era pra ser debate entre Nunes e Boulos. Nunes não atendeu ao convite para discutir as necessidades que a Capital paulista precisa.
Guilherme Boulos falou com muita serenidade tudo que pretende fazer pela população paulistana. Falou com firmeza e sinceridade dos problemas graves existentes em todos os cantos da cidade. Dos problemas de moradia, de insegurança, de abandono no Centro e muita coisa.
Entendo e aposto que Boulos pode ser um grande prefeito de São Paulo. Pra isso, precisa de votos.
Não custa aqui lembrar que pelo menos 2,5 milhões de eleitores e eleitoras deixaram de votar nas urnas da capital paulista no 1º turno, ali no último dia 6 deste mês. Agora é hora. O dia 27 de outubro está chegando.
Vamos nessa? Boulos 50!
E atenção, anote aí: Guilherme Boulos é o futuro político de São Paulo e do Brasil. 
Bom, quem não pôde acompanhar o papo de Boulos na CBN, basta só clicar:


terça-feira, 1 de outubro de 2024

VIVA A RÁDIO CBN!

Eu gosto muito de rádio. Já produzi e apresentei muitos programas.
A Rádio CBN, Companhia Brasileira de Notícias, foi inaugurada no dia 1º de outubro de 1991. Começou na rua das Palmeiras, agora está lá pros lados da 9 de Julho. Faz hoje, portanto, exatos 33 anos de fundação dessa rádio. Gosto muito da CBN. E amigos como o cantor Geraldo Vandré, também.
São ótimos os repórteres e apresentadores da CBN. Meu carinho especial à apresentadora Tânia Morales.
Estive várias vezes a dizer coisas nessa emissora. A última vez foi no dia 26 de agosto, quando fui falar ao vivo sobre o livro que adaptei do poeta português Luiz de Camões. Para lembrar, clique:



terça-feira, 27 de agosto de 2024

NAVEGANDO COM CAMÕES E JÚLIO MEDAGLIA

O livro que acabo de pôr nas ruas, nas prateleiras, A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama, continua chamando a atenção por aí afora.
Ontem 26 abri a boca pra dizer um monte de coisas maravilhosas a respeito da língua portuguesa e de um de seus artífices: Luís Vaz de Camões.
Pra escrever A Fabulosa Viagem de Vasco eu me inspirei no clássico Os Lusíadas, originalmente publicado no ano de 1572.
Usei os principais personagens criados e usados por Camões na sua fabulosa obra.
Eu disse isso e disse mais à jornalista Tania Morales, titular do programa Noite Total, transmito ao vivo pela Rádio CBN.
Esse meu novo livro tem versão em braile e fonte ampliada para quem tem baixa visão. Foi apresentado pelo maestro Júlio Medaglia e pelo poeta repentista Oliveira de Panelas.
A respeito desse livro, escreveu Medaglia: 

CAMÕES NA PONTA DOS DEDOS
Júlio Medaglia

No período imediatamente posterior à Idade Média, às vezes chamado de “Noite de dez séculos”, ocorreu uma grande revolução na cultura ocidental com o nascimento dos três maiores gênios da literatura latina de todos os tempos: Dante, Cervantes e Camões. 
Curiosamente, nesse mesmo período, chamado de “Renascentista” e já entrando no estilo “Barroco”, ocorreu também a maior revolução histórica na área música. Se até então fazia-se primordialmente música vocal, a partir desse momento o ser humano resolveu fazer música fora do corpo. Começou a inventar instrumentos de cordas, sopros e teclados que inauguraram gigantescos recursos sonoros, presentes na música universal até os dias de hoje. Mas como era possível fazer essas novas “máquinas” artificiais produzirem a beleza artística? Tangendo-se as cordas do violino com a ponta dos dedos, as teclas dos cravos e logo em seguida do piano, com a ponta dos dedos e abrindo e fechando os furinhos dos tubos dos instrumentos de sopro, com a ponta dos dedos. 
Levaria, porém, 500 anos para que os seres humanos desprovidos da faculdade da visão, pudessem ler a mais importante obra de Camões, Os Lusíadas. E foi neste século XXI que um dos maiores jornalistas, pesquisadores, escritores e compositores deste país, o paraibano Assis Ângelo, encontrou a solução para esse drama. Depois de desenvolver uma das mais brilhantes e multifacetadas carreiras de intelectual, por um grave problema de saúde, ele ficou cego. Como profundo conhecedor da obra de Camões, e mais inquieto que nunca, Assis Ângelo resolveu permitir que outros seres humanos que sofreram do mesmo infortúnio, o da perda da visão, pudessem ler a obra do grande escritor português. E como? Com a ponta dos dedos. 
Foi assim que, para celebrar neste ano de 2024 os 500 anos do nascimento do grande escritor português, Assis Ângelo “traduziu” para o idioma Braile sua obra imortal numa criativa adaptação livre para canto e cordel. Se os olhos dos cegos se situam na ponta dos dedos, Os Lusíadas, em sua nova transcodificação realizada pelo brilhante paraibano, ganha novo impulso de vida – a obra em si e o prazer do cultivo da literatura daqueles que perderam a visão.



JÚLIO MEDAGLIA

O maestro Júlio Medaglia não é brinquedo não, é nome importante para a vida cultural do nosso país.
Não é de hoje que Júlio faz história e nos encanta com sua batuta e com seu falar bem claro.
O mais novo livro do ex-todo poderoso da TV Globo, José Bonifácio Oliveira Sobrinho, O Lado B de Boni, lê-se:


terça-feira, 26 de setembro de 2023

DIA DO RÁDIO É TODO DIA

Digo e não canso de repetir: o Dia do Rádio é todo dia. E Brasil afora tem rádio com programação das melhores, mas infelizmente isso é minoria.
Horas e horas das programações das emissoras de rádio são vendidas Brasil afora, principalmente pra pastores que representam "igrejas" e tal e coisa. É de lascar!
Eu ouço rádio desde que me conheço por gente.
Anninha da Hora Sena, mexendo aqui e acolá, achou entrevista que dei há duas décadas à revista Continente, de Recife. Essa mesma entrevista, em quatro páginas, muito bem feita pelo poeta Marcelino Freire, foi-me enviada num link pelo colega jornalista pernambucano Flávio Tiné. Compartilho com vocês:



E em homenagem ao rádio, o músico Jorge Ribbas e eu compusemos Hino ao Rádio. A inspiração foi o jornalista Líbero Badaró, assassinado em São Paulo em 1930: HINO A BADARÓ

segunda-feira, 31 de julho de 2023

RÁDIO MEC, VOTE: XOTE ERUDITO

Assis e Jorge
Com vistas às comemorações do seu centenário de fundação, a Rádio MEC soltou edital em âmbito nacional e internacional para escolher autores e intérpretes de músicas nos gêneros Erudito e Popular. Serão premiadas músicas instrumentais, infantis e canções. No item canção, o craque Jorge Ribbas e eu compusemos Xote Erudito, que versa sobre uma festa de forró com convidados como Simone de Beauvoir, Platão, Aristótes, Tinhorão, dentre outros. O ritmo escolhido foi o Xote, característico do nosso Nordeste. Veja a letra: 

ARISTÓFANES E ARISTÓTELES, CONVIDARAM SÓCRATES E PLATÃO
PARA IREM A UM FORRÓ, DANÇAR XOTE, XAXADO E BAIÃO
QUANDO LÁ ELES CHEGARAM, ENCONTRARAM SIMONE DE BEAUVOIR
TODA ARRUMADINHA E JÁ PRONTA PRA DANÇAR

O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON, NO PANDEIRO
O CANTOR ERA BEETHOVEN, O SANFONEIRO, DEBUSSY
NA ZABUMBA O BAMBA BACH E JACKSON A PANDEIREAR

ZÉ LIMEIRA E SHOPENHAUER NUM CANTINHO FILOSOFAVAM
ENQUANTO MARX E TINHORÃO     UMA CABROCHA CORTEJAVAM

A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO
A FESTA FOI ANIMADA COM ERUDITOS NO SALÃO
CANTANDO, SE DIVERTINDO AO SOM DE LUAR DO SERTÃO

Os organizadores desse concurso O Festival Musical já fizeram a primeira seleção. É uma oportunidade, agora, para os internautas escolherem eles próprios a melhor obra. Se valer uma sugestão, lá vai: votem no Xote Erudito.

CONTENDA

O músico Jorge Ribbas ganhou o 1º lugar do concurso musical da Rádio MEC, em 2021, com Pentagonia. Este ano concorre com outra música de características eruditas. Vote: CONTENDA

terça-feira, 9 de maio de 2023

MORRE RADIALISTA DE ARARIPINA

Cacá e Josafá em frente a rádio Grande Serra de Araripina

Morreu hoje 9 em Araripina, PE, o radialista Josafá da Costa Reis.
"Josafá foi um dos pioneiros do radialismo da nossa cidade. Nasceu em 1939. Começou na rádio Cultura de Araripina. Senti muito o seu passamento", diz pesaroso o cantor e compositor arapinense Cacá Lopes.
Josafá da Costa Reis morreu no começo da manhã. Seu corpo será sepultado ainda hoje.
Cacá Lopes fala do amigo radialista num folheto que publicou em 2017, A Primeira Rádio. Leia:

Cultura de Araripina
A antiga rádio local,
Gerente Arnaldo Laje,
Locutores do dial
Orlando e Gilvan Gomes
Falavam pra o pessoal.

Josafá Reis nessa época
Já fazia locução,
Sua audiência atingia
Pouco mais de um quarteirão,
Na rádio comunitária
Pioneira da região.

Gilvan o proprietário
De uma amplificadora,
Movida à luz de motor
Chamada de Difusora,
Esse antigo equipamento
Da cultura é propulsora.

A Voz de Araripina
Era o nome oficial,
O som dos alto-falantes
Fanhoso meridional,
Nas ruas e nas esquinas
Programa sentimental.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

CONECTADOS COMEMORA 7 ANOS DO PAIAIÁ

Os ouvintes da Rádio Conectados comemoram amanhã 6 os primeiros sete anos do programa Paiaiá na Conectados. O programa, sempre ao vivo, vai ao ar a partir do meio-dia. É uma hora praticamente sem interrupção, apenas com pequenas intervenções dos colunistas Darlan Zurc, José Nêumanne e Sérgio Martins. Vez por outra apareço por lá, dizendo coisas ou declamando versos.
O programa, apresentado pelo baiano Carlos Sílvio, leva no aniversário de sétimo ano de criação o poeta e jornalista Ricardo Viveiros.
Viveiros, figura de velha data, está sempre antenado com tudo que ocorre segundo a segundo neste país historicamente tão judiado.
Eu gosto de ouvir Ricardo Viveiros.
O poeta é o entrevistado nº 202 do programa.
É isso aí.

 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

O RÁDIO JÁ TEM SAMBA

Jornalista leva porrada no Rádio, na Televisão, no jornal, em todo canto e desde sempre!
O ex-ministro da ditadura militar Armando Falcão (1919-2010) costumava tratar muito mal nossos coleguinhas. Só dizia o que lhe interessava. Mais das vezes dizia a frase que ficou famosa: "Nada a declarar".
O ex-presidente Bolsonaro, que se acha escondido em algum lugar nos EUA, agredia todos dias jornalistas homens e mulheres. Tinha e tem prazer em fazer isso. É lamentável, sob todos os aspectos. É do mal, não presta.
Na última sexta 10, depois de um encontro com o presidente norte-americano Joe Biden, Lula fez o que nenhum outro presidente da República fez até agora: elogiar jornalistas que o aguardavam num frio da gota serena, em Washington. Disse: "Primeiro, eu gostaria de dar os parabéns a vocês, porque essa função de jornalista deve ser muito complicada... Ficar num frio como esse aqui, esperando pra fazer uma pergunta... Jornalismo é uma profissão que precisa ganhar muito bem. Muito bem!".
Eu gosto do rádio.
O rádio é uma das mídias mais importantes do mundo.
O rádio foi inventado pelo padre brasileiro Roberto Landell de Moura. Já escrevi a respeito: O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (1) e O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (2, FINAL).
Comecei a ocupar microfones de rádio em João Pessoa, PB. Corriam os anos de 1970. A experiência, que virou profissão, deu-se na Rádio Correio da Paraíba. Cá em Sampa, ocupei microfones da Atual Jovem Pan, Mulher, Capital, Trianon e tal. 
Com o craque da nossa música Jarbas Mariz, fiz O Samba do Rádio. Ouça:

Uma caixinha mágica
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar

Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar

Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar

Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão

O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro

 

INSTAGRAM

Estou ficando moderno. Até instagram agora eu tenho. E no pique. Confira, clicando: https://www.instagram.com/assis_angelo/

sábado, 28 de janeiro de 2023

A ARAPUAN E A HISTÓRIA DO RÁDIO NA PARAÍBA

Sob a direção geral de Otinaldo Lourenço, o Rádio Arapuan constituiu, durante o consulado militar, instrumento da mais autêntica resistência democrática.
É claro que esta deve ser considerada em termos. A certa altura, a emissora sabia que não poderia conceder passo em falso. Na reabertura, o próprio Governo advertira:
— Vocês tomem cuidado para evitar novo fechamento!
(Do livro A Arapuan e o Rádio Paraibano; pág. 103)

O documentarista Vladimir Carvalho
A história do rádio é pra ser lembrada sempre. Tudo começa na virada do século 19 para o 20, a partir de experiências científicas do padre gaúcho Roberto Landell de Moura.
A luta do padre foi titânica. Lutou, lutou e morreu na praia, triste e decepcionado pela indiferença dos homens poderosos de seu tempo, que poderiam ter reconhecido seus estudos científicos que apontavam o rádio como sua grande descoberta.
O louvor da invenção do rádio coube ao italiano Guglielmo Marconi.
No Brasil o rádio deu seus primeiros sinais de vida, oficialmente falando, no dia 7 de setembro de 1922. O presidente da República era o paraibano Epitácio Pessoa, cujo governo e o País comemoravam o 1° centenário do falacioso "grito do Ipiranga".
Para efeitos históricos, a primeira emissora de rádio a entrar no ar com um esboço de programação própria foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, no dia 20 de abril de 1923.
Em 1936 a Rádio Sociedade, que tinha à frente o cientista Roquette Pinto, seria doada ao governo Vargas e ganharia o nome de Rádio MEC.
A partir dos anos 30, o rádio começava a se espalhar pelo território nacional.
Enoque Pelágio
A primeira emissora de rádio na Paraíba chamou-se Rádio Clube da Paraíba. Essa rádio passaria a se chamar Tabajara, em 1937. Oficial, do governo do Estado. Existe até hoje e foi lá, nela, que o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré quebrou seu longo silêncio na terrinha deixando-se entrevistar. Ao vivo. Isso em 2 de abril de 2018. E foi lá também que Jackson do Pandeiro nasceu para o Brasil.
No dia 16 de agosto de 1950 os paraibanos foram presenteados com a inauguração da Rádio Arapuan.
O novo livro do historiador José Octávio de Arruda Mello trata do que bem diz o título: A Arapuan e o rádio paraibano (Uma Biografia Dual).
Desde o título, passando pelo preâmbulo e dados finais, José Octávio mostra a importância de Otinaldo Lourenço, seu irmão, na radiodifusão paraibana. E à página 69, escreve:
Foi com Otinaldo Lourenço, na direção artística do Rádio Arapuan, em 1959, que teve início a mais ampla renovação do rádio paraibano.
Começou na Tabajara, na área de esportes, e na Arapuan mostrou seu talento por completo. Foi inovador tanto na redação, reportagem e direção.
Não é demais afirmar que Otinaldo inovou na forma de transmitir notícias. Isso em áreas diversas. Esportiva, por exemplo. Formou ao lado de nomes importantes da imprensa local como Ivan Bezerra, Bernardo Filho e Vladimir Carvalho.
Pra quem não liga o nome à pessoa, necessário se faz dizer que o Vladimir aqui citado é o famoso e mais importante documentarista cinematográfico do Brasil, autor da pérola O País de São Saruê, baseada no folheto de cordel de Manoel Camilo (1905-1987).
O País de São Saruê foi um dos primeiros filmes nacionais censurados pela ditadura militar.
A Rádio Arapuan levava a seus ouvintes programas dos mais diversos: Dramas e Comédias da Cidade, por exemplo, com o repórter policial Enoque Pelágio (1934-1987) e Antena Política, com Otinaldo e seu irmão José.
Otinaldo Lourenço e José Octávio entrevistaram expressivos nomes da política brasileira, como Ulisses Guimarães, Abelardo Jurema, ex-ministro da Justiça e o general Costa e Silva que na ocasião, em 1967, soltou a gracinha: "Jornalista sem gravador é como soldado sem fuzil".
A religião também não ficou de fora da grade da emissora.
Otinaldo entrevista o general Costa e Silva
Aos sábados e domingos os ouvintes podiam ouvir representantes das igrejas católica e evangélica. Até representantes da umbanda tinham espaço na velha Arapuan.
Sem dúvida, afirmo com todas as letras que a Rádio Arapuan marcou época.
A Arapuan foi a primeira emissora do Brasil a dar em primeira mão a notícia do assassinato do presidente chileno Salvador Allende, no dia 11 de setembro de 1973. Furo!
O jornal Furo… Essa é outra história.
Otinaldo era natural de Surubim, PE, nascido em 1934. Foi, além de radialista, bacharel em Direito e professor da Universidade Federal da Paraíba, como o irmão José. Morreu no dia 13 de fevereiro de 2021, quando se comemora o dia mundial do rádio, criado pela UNESCO em novembro de 2011. Em abril de 2022 foi lançado um livro póstumo: A Revolução do Rádio na Paraíba e Anotações Autobiográficas.

Foto e reproduções Flor Maria e Anna da Hora

SÃO PAULO 469 ANOS

Nesse dia 25 de janeiro os paulistanos comemoram com ênfase o 469º aniversário de fundação. São Paulo é a cidade mais cantada do mundo em músicas de todos os gêneros: forró, baião, xote, xaxado, samba, rock, choro e tudo o mais. Eu mesmo cheguei a compor música em homenagem à Sampa. Jarbas Mariz e eu compusemos São Paulo Esquina do Mundo. Compus e interpretei Declaração de Amor a São Paulo. Sobre essa cidade, que tão bem me acolheu em 1976, já escrevi muita coisa e até uma exposição/ocupação fiz em 2012 intitulada Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, na unidade Sesc Santana/SP. Para o Newsletter Jornalistas&Cia escrevi o texto abaixo. Leia: SÃO PAULO EM MÚSICA, PROSA E VERSO

domingo, 9 de outubro de 2022

DOMINGUINHOS É TEMA DE MUSICAL EM SÃO PAULO (2, FINAL)

É certo que Dominguinhos não estaria dando a mínima ao desmantelado PSDB ou ao inescrupuloso, homofóbico e negacionista Bolsonaro.
O Nordeste inteiro apoiou Lula, levando-o ao 2° turno. Detalhe: Lula só não ganhou no 1° turno porque o ressentido Ciro Gomes inventou de esculhambá-lo chamando-o disso e daquilo.
O embate entre Bolsonaro e Lula está deixando muita gente assustada. Isso porque, de repentemente, o Brasil de uma hora para outra foi coberto pelo manto da direita extremada.
A campanha na rua para o 2° turno começou segunda 3 no fim da tarde. A propaganda política obrigatória, no rádio e TV começou sexta-feira 7. Um dia antes, aliás, estreou no teatro da FAAP (rua Alagoas, 903, Higienópolis) o musical Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais, idealizado e dirigido por Gabriel Fontes Paiva. O texto é da jornalista Silvia Gomes e a parte musical coube a Myriam Taubkin.
Participam do espetáculo Hugo Lins, Jam da Silva, Cosme Vieira e Zé Pitoco, além da filha de Dominguinhos, a cantora Liv Moraes, e os atores Luiza Fittipaldi e Wilson Feitosa.
Dominguinhos estreou em LP no ano de 1964, a convite do baiano Pedro Sertanejo.
Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, era o criador e diretor do selo musical Cantagalo.
Depois dos primeiros discos gravados na Cantagalo, Dominguinhos transformou-se num dos mais importantes sanfoneiros do Brasil. Entre LPs, compactos simples e duplos e CDs, Dominguinhos deixou mais de 50 títulos.
Eu conheci Dominguinhos num ano qualquer dos 80. Em 99, ele assinou o prefácio de um livro de minha autoria Eu Vou Contar Pra Vocês (Editora Ícone). Foi o primeiro e único prefácio que escreveu. E à mão. Participou várias vezes do programa que eu apresentava na Rádio Capital, São Paulo Capital Nordeste. Em 2006 apresentei e dirigi o espetáculo Baião, no Sesc Pinheiro. Desse espetáculo participaram, além de Dominguinhos, Anastácia (rainha do forró), os emboladores Caju e Castanha, Carmélia Alves (rainha do Baião), Cezar do Acordeon, o poeta repentista Oliveira de Panelas, a cantora e compositora Socorro Lira e o cantor e também compositor Gereba. Com Gereba, a propósito, compus Hino ao Céu. Essa música foi gravada por Dominguinhos e Gereba, num ano que não me lembro.


AULA DE RÁDIO

Os jornalistas Heródoto Barbeiro e José Nêumanne deram uma verdadeira aula de conhecimentos no campo do jornalismo radiofônico, sábado 1, no programa Paiaiá na rádio Conectados. O programa é apresentado pelo radialista baiano Carlos Silvio. Confiram: 


SAMBA DO RÁDIO

Até hoje ninguém ousou compor e gravar um hino ao rádio. Por não ter lá muito o que fazer, convidei o craque da nossa música Jarbas Mariz e com ele fiz o Samba do Rádio. Ouçam:

domingo, 11 de setembro de 2022

O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (2, FINAL)

Em 1919, ano que os pernambucanos reivindicavam para si a instalação do rádio, o carioca Chico Alves fazia sua primeira gravação em disco. Título da música, uma marcha: Pé de Anjo, de autoria do compositor Sinhô.
Naquele mesmo ano de 19, nascia em Santana do Livramento, RS, Antônio Gonçalves Sobral. Esse Antonio viria a se tornar o primeiro cantor Rei do Rádio: Nelson Gonçalves.
O curioso nessa história toda é que até agora, 100 anos passados, ninguém teve a ideia de compor um hino em homenagem ao Rádio.
Em 1936 João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro compuseram a marcha Cantores do Rádio, que foi gravada pela primeira vez, na Odeon, pelas irmãs Carmen e Aurora Miranda no dia 18 de março daquele ano de 36.
Hoje em dia é comum as emissoras de rádio venderem horários.
É comum também as emissoras abrirem espaço para programas temáticos.
Há programas longevos que tratam especificamente de gêneros musicais. Na Rádio USP, por exemplo, há um programa dedicado ao samba, há 40 anos. Título: O Samba Pede Passagem, apresentado por Moisés da Rocha. Ainda na USP há o programa Vira e Mexe, de forró, apresentado pelo paulistano Paulinho Rosa. Na Rádio Imprensa FM 102,5 há o programa Pintando o Sete, também de forró, apresentado pelo pernambucano Luiz Wilson. Esse programa já dura 15 anos, como 15 anos dura também Vira e Mexe.
Em Teresina, PI, o professor universitário de física Wilson Seraine apresenta todos os sábados o programa A Hora do Rei do Baião, que já dura 15 anos e é todo dedicado a Luiz Gonzaga e a sua obra. Ele diz:
“Não lembro bem da primeira vez que ouvi um rádio, mas sei bem que ouvi várias vezes na infância com os moleques nordestinos nas ruas do subúrbio de Realengo, no RJ, donde saí para o meu Piauí aos 12 anos. Depois, ao longo da vida, não ouvia muito. Mas, um dia um amigo me convenceu a apresentar um programa sobre as coisas do Nordeste. Luiz Gonzaga inclusive. Resumo, lá se vão 15 anos do programa – A HORA DO REI DO BAIÃO, na FM Cultura de Teresina. Nunca mais largo esse vício, o rádio me fisgou de vez”.
Em Recife, PE, pela Rádio Universitária, é apresentado diariamente o programa Forró, Verso e Viola. Apresentador: Ivan Ferraz, que também é compositor e cantor com um compacto, nove LPs, 11 CDS e um DVD na bagagem.
É inegável a importância do rádio em qualquer lugar do mundo.
No Brasil, o rádio ajudou a enterrar a República Velha e a criar o lamentável Estado Novo (1937-1945) de Getúlio. Ajudou também no fortalecimento da Democracia, antes e depois da ditadura militar (1964-1985).
Há até uma rádio, no Brasil, cuja programação é toda direcionada ao jornalismo: CBN, levada ao ar pela primeira vez em outubro de 1991. À época, um de seus criadores foi o jornalista Heródoto Barbeiro, autor do livro 100 anos de Rádio no Brasil (Ed. Lafonte).
Eu, da minha parte, lembro aos desavisados que há muito estou fora do "dial". Ah! Sim: iniciei a carreira de jornalista e radialista no jornal O Norte e na Rádio Correio da Paraíba, em João Pessoa, PB.
Bom, por não ter o que fazer, compus uma letra e convidei o craque Jarbas Mariz para melodia-la. Título: O Samba do Rádio.

Uma caixinha mágica
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar

Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar

Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar

Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão

O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
Charge de Fausto Bergocce

sábado, 10 de setembro de 2022

O RÁDIO GANHA HINO EM RITMO DE SAMBA (1)

Para radialistas e especialistas em radiodifusão o dia 7 de setembro é o Dia do Rádio no Brasil, mas a data é questionada por pesquisadores do tema em Pernambuco, PE.
Segundo pesquisadores da terra de Capiba, grande compositor e pianista reinventor do frevo, no dia 6 de abril de 1919 um grupo de amadores diletantes do telégrafo fundou a Rádio Clube de Pernambuco. Na ocasião foi instalada uma geringonça que permitia a transmissão de voz a pouca distância. Era o rádio chegando em Pernambuco de modo amadorístico.
No estrangeiro, o italiano Marconi patenteava o que afirmava ser invenção sua. Pegou.
Em São Paulo, SP, o padre cientista Roberto Landell de Moura queimava as pestanas fazendo cálculos e cálculos e testes direcionados a mais uma de suas investidas no mundo encantado da Ciência. O objetivo, desafio mesmo, era transmitir a voz humana através de fios e tal.
Os esforços do padre Landell não receberam atenção nem compreensão de ninguém, nem dos membros da sua congregação. Achavam-no louco e até feiticeiro. Se a Inquisição ainda estivesse em voga, Landell teria certamente ardido em chamas numa fogueira qualquer.
No Brasil corria o ano de 1881.
Por meios próprios, sem apoio econômico ou político, Landell de Moura conseguiu patentear suas pesquisas em torno do rádio nos EUA. Mas já era tarde e, assim, Guglielmo Marconi levou todos os créditos e aplausos como inventor do rádio.
No dia 7 de setembro de 1922, realizava-se no Rio de Janeiro uma exposição multifacetada para lembrar e comemorar o primeiro centenário da independência do Brasil. Marconi foi convidado e lá esteve. Uma antena transmissora foi instalada no Corcovado e, como num passe de mágica, habitantes de Niterói,
Petrópolis e adjacências, além das capitais fluminense e paulista, ouviram extasiados o presidente Epitácio Pessoa proferir laudatório discurso sobre o evento.
No ano seguinte, 1923, o cientista Roquette Pinto juntava-se a amigos e fundava a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, oficialmente considerada a primeira emissora de rádio do Brasil.
A Rádio Sociedade tinha como programação música de boa qualidade, erudita e popular.
Antonio Carlos Gomes e Sinhô, de batismo João Batista da Silva, foram os primeiros compositores a terem obras executadas pela Rádio.
Era tudo feito de forma precária, amadorística.
Roquette Pinto usava muito o microfone da sua emissora para ler notas sobre artes e música, publicadas nos jornais da época. Talvez tenha sido ele o inventor do radiojornalismo. É meio esquisito dizer isso, mas a possibilidade não pode ser afastada.
Antes de 1930, as emissoras foram se multiplicando no Rio e em outros lugares.
Em 1926, surgiu a primeira rádio "comercial" do País: a Mayrink Veiga.
Logo após a tomada do poder por Getúlio Dornelles Vargas, as emissoras de rádio foram autorizadas por decreto para faturar com comerciais. A propósito: foi no governo Vargas que surgiu o programa A Voz do Brasil, no começo chamado Programa Nacional e A Hora do Brasil.
A Voz do Brasil é o programa de rádio mais antigo do mundo. Foi criado em 22 de julho de 1935, por um cara chamado Armando Campos. Esse Campos vinha a ser amigo de infância de Vargas.
Em 1936, Roquette Pinto doou a Rádio Sociedade para o Ministério da Educação e Cultura, MEC.
A Rádio MEC está no ar até hoje com programação voltada à cultura.
No mesmo ano de 36, precisamente no dia 12 de setembro, era inaugurada a Rádio Nacional.
A Nacional marcou época na radiodifusão, no Brasil. Seus estúdios eram amplos, modernos, e funcionavam no prédio do jornal A Noite, localizado na praça Mauá, RJ.
Todos os grandes artistas da época passaram pela Nacional. Inclusive os humoristas.
A Rádio Nacional era riquíssima no item humor com Castro Barbosa, inclusive.
Em janeiro de 2003, o jornalista Paulo Perdigão lançava à praça o livro PRK-30, contando a história da Rádio Nacional e os artistas que por lá passaram. Detalhe: Esse livro traz dois importantíssimos CDs com trechos de vários programas apresentados na Nacional.
E não custa lembrar que a primeira radionovela no Brasil foi apresentada na Rádio Nacional. Título: Em Busca da Felicidade, do cubano Leandro Blanco. Essa mesma novela iria, em 1965, para a televisão. No caso, a extinta Excelsior.
Nos fins de 1937, começaram os concursos para "eleger" as cantoras mais admiradas. Foi assim, no começo de 1938, que a cantora Linda Batista virou a primeira Rainha do Rádio. As quatro seguintes foram: Dircinha Batista, Marlene, Emilinha Borba e Ângela Maria.
Linda Batista ficou como "rainha" durante quase 11 anos.
Emilinha Borba era a favorita, a preferida, da Marinha. E Marlene, a cantora do Exército.
Ângela Maria foi a "rainha" que mais recebeu votos na história dos concursos do gênero: 1,5 milhão. Ângela era, para Getúlio Vargas, a melhor cantora do Brasil. Foi ele quem a apelidou de Sapoti.
Atualmente existem mais ou menos 10 mil emissoras de rádio no Brasil, metade delas comunitárias.
Os tempos hoje são, claro, bem diferentes dos tempos de ontem.
Hoje tudo parece correr na velocidade dos raios.
A rádio, diziam, que estava com os dias contados com a chegada da televisão no Brasil, ocorrida no dia 18 de setembro de 1950. Coisa nenhuma, rádio e TV deram-se as mãos e continuam vivendo muito bem. Detalhe: entre os anos de 1940 e 1950 havia no país a Revista do Rádio e Radiolândia, que destacavam os artistas e apresentadores do rádio. E existia também revistas abordando temas ligados à rádio e a TV.
O rádio está na TV e a TV, no rádio.
E agora tem o Podcast chegando e, pelo jeito, pra ficar.
Fora isso, tem as rádios Web, como a rádio Conectados. Nessa rádio o baiano Carlos Silvio apresenta, ao vivo, o programa Paiaiá na Conectados. Sobre a sua relação com o rádio, diz o apresentador:
“Como nasci e vivi até os meus 21 anos na roça, lá no Paiaiá (Bahia), sem luz elétrica e o luxo da televisão, o meu companheiro sempre foi o rádio. O rádio de pilha. Ao chegar na maior cidade do País, São Paulo, em busca de uma vida melhor, o amor pela comunicação me levou para o maravilhoso mundo do rádio. Jamais imaginaria ser indicado ao Prêmio Melhores do Rádio, pela APCA. O rádio é, para mim, o veículo de comunicação mais importante e com o advento da internet, deu mais vida ao que jamais morrerá. Viva o rádio!”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

NO RÁDIO, O NORDESTE EM SÃO PAULO

Assis Angelo e convidados do
São Paulo Capital Nordeste
Eu comecei a minha carreira de jornalista e radialista em João Pessoa, PB.
Meus primeiros textos foram publicados no jornal O Norte, da cadeia associada formada pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. À época, 1972, eu assinava meus textos sob o pseudônimo Di Angelus. Esses textos ocupavam uma coluna intitulada Arte e Espetáculos. 
No rádio iniciei carreira, ainda nos anos de 1970, na Correio da Paraíba como produtor e locutor noticiarista, à tarde de hora em hora. À época eu me identificava pelo pseudônimo D'Ângelo Bianchini.
No decorrer do tempo, usei quase duas dezenas de pseudônimos.
Na Paraíba, o rádio foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1937. Era estatal e se chamava, como se chama até hoje, Tabajara.
Depois da rádio Tabajara, foi inaugurada a Arapuan no dia 18 de agosto de 1950. Eu nasceria dois anos, uma semana e 2 dias depois: a 27 de setembro.
No dia 22 de agosto de 1976, eu chegava à Capital paulista.
Em São Paulo apresentei programas nas rádios Mulher, Atual, Capital e Trianon. 
Na rádio Atual eu apresentei o programa Gente e Coisas do Nordeste.
Na rádio Capital eu apresentei o programa São Paulo Capital Nordeste.
Na rádio Trianon eu apresentei o programa O Brasil Tá Na Moda.
Na rádio Jovem Pan trabalhei na chefia de reportagem.
Entrevistei centenas e centenas de artistas como Dominguinhos, Inezita Barroso, Mário Zan, Otacílio Batista. Muitos.
Otacílio Batista foi um dos mais importantes repentistas do Brasil.
Muitos nordestinos ocuparam, e continuam ocupando, os microfones de rádio em São Paulo. Entre esses, Germano Júnior, Mano Veio e Mano Novo e Luiz Wilson.
No dia 9 de setembro de 2007, o compositor e cantor pernambucano Luiz Wilson entrava no ar pela rádio Imprensa FM 102,5 apresentando o programa Pintando o 7. É ele quem conta:
 
Minha inspiração começou na infância, no Sítio Recanto Verde-Sertânia, PE, com aproximadamente 10 anos ouvindo a Rádio Cardeal de Arcoverde. Iniciei na carreira musical e abracei o rádio depois. Já  gostava do Rádio,  mas só tive oportunidade de me dedicar quando deixei a área comercial, onde trabalhava. Iniciei no rádio gravando uns Programas e seleções musicais para a Rádio Nacional de Cotia, a pedido do saudoso Sr Waldemar Ciglione. Posteriormente apresentei Progranas em Rádios Comunitárias. Estreei o Programa Pintando o 7 na Rádio Imprensa FM 102,5 de São Paulo. Comemorando 15 Anos, o programa é compromissado com o resgate e a Preservação do Forró Pé de Serra e demais segmentos da cultura popular. Em 2016 ampliei o Pintando o 7 para a Rádio Itapuama FM 92,7 da Cidade de Arcoverde, PE, a caminho de sete anos no ar. Como Intérprete gravei 15 discos, sendo dois compactos duplas,  01 LP e 12 CDs. Aproximadamente 140 músicas gravadas. Como Cordelista são aproximadamente 20 folhetos, em destaque o Livro/ Método de Vendas: Vendendo e Aprendendo em Cordel.

O programa Pintando o 7, produzido pela cantora mineira Fatel, é um programa recheado de xotes e
Beto Alves, Paulinho Rosa e Dominguinhos na Rádio USP
forrós, como é o programa do paulistano Paulinho Rosa. É ele quem conta:

Talvez por amar rádio e achar um veículo de comunicação fantástico acabei conseguindo criar, produzir e apresentar um programa chamado Vira e Mexe na Rádio USP, programa este que mostra tudo sobre o FORRÓ desde de 2009 e que teve ninguém menos que Dominguinhos como parceiro e ainda o Beto Alves, um ótimo técnico que ajuda em tudo o programa. O programa reflete a minha vivência como produtor de FORRÓ há 22 anos no Canto da Ema e muito do que aprendo na musica sendo sócio da Casa Natura Musical.
 
Outro paulistano que fazia da música do Nordeste bandeira no rádio foi Jorge Paulo (1938-2015).
Durante anos e anos Jorge apresentou o programa Chapéu de Couro nas rádio Bandeirantes, Cultura, Globo. Até um filme ele estrelou. Neste filme, Chapéu de Couro, participou o rei do baião Luiz Gonzaga. Éramos amigos e ele costumava abrilhantar nossas conversas com suas histórias. Chegou a ser deputado.
O compositor e cantador mineiro Téo Azevedo também usou os microfones de rádio (Record e Atual) para mostrar os artistas da sua terra e do Nordeste.
Ao lembrar do rádio da Paraíba, lembro-me imediatamente de nomes famosos como Enoque Pelágio e Bernardo Filho, com quem trabalhei na rádio Correio da Paraíba.
Enoque, durante anos, apresentou o programa líder de audiência Eu Sou Eu e o Povo é o Povo. Essa história é contada pelo historiador José Octávio de Arruda Mello, no Livro A Arapuan e o Rádio Paraibano — Uma Biografia Dual (Ed. A União, 2020).
Por ninguém ter se tocado em compor um hino para o rádio, Jarbas Mariz e eu compusemos O Samba do Rádio. Abaixo, na voz do próprio Jarbas: 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

JÚLIO MEDAGLIA E A IMPORTÂNCIA DO RÁDIO

Júlio Medaglia e Assis Angelo
O erudito e o popular se misturam no rádio e televisão.
Há 100 anos, quando o rádio foi inaugurado no Brasil, ainda não havia repórteres pondo a voz e as reportagens no ar. Só no final dos anos 30, começo dos 40, é que a figura do rádio-repórter passou a informar os ouvintes. Hoje há rádios voltadas especialmente para o radiojornalismo, como a CBN (Central Brasileira de Notícias; FM 90,5).
A primeira emissora de rádio com Frequência Modulada (FM) surgiu em 1971. Nome: Imprensa, FM 102,5.
Todos os grandes artistas, principalmente da música popular, passaram e continuam passando pelas emissoras de rádio. E até compositores e maestros, como o paulistano Júlio Medaglia, tem programa no rádio. No caso, na Cultura FM 103,3.
Há 35 anos, Júlio Medaglia faz-se presente com o programa Fim de Tarde. 
A história de Júlio Medaglia é uma história interessantíssima, importantíssima. Fez parte do Tropicalismo e até um programa de TV criou e apresenta desde outubro de 2005 na TV Cultura. Título: Prelúdio. E chegou a ser até diretor da rádio Roquette Pinto. 
Eu pedi e Júlio escreveu o texto que segue:

O rádio brasileiro representa (ou representou) um dos exemplos mais significativos de nossa cultura popular. Na época de sua implantação na Europa, os profissionais foram logo buscar em suas tradições culturais, a matéria prima do veículo. O rádio europeu transmitia peças literárias, teatrais, concertos, o máximo a que chegaram da cultura mais popular, era o cabaré. Ou seja. O rádio naquele continente era um veículo de outros veículos.
Como o Brasil não possui tradições tão pesadas como as europeias, os brasileiros foram brincar com o som transmitido e acabaram criando uma linguagem própria e muito original. O radialista nacional imediatamente inventou uma forma de jogar com a imaginação dos ouvintes, manipulando de forma brilhante o feitiço sonoro, fazendo o fazendo absorver aquelas sonoridades de forma criativa. As radiofonizações de novelas eram um primor, pois envolvidas em riquíssima sonoplastia de música clássica do século XX e final do XIX, transformava as ingênuas novelinhas em verdadeiras óperas faladas. Sim, porque os radio-atores impostavam a voz como se estivessem cantando.
Toda a música popular brasileira, da fundação do rádio até os anos 60, tinha no rádio seu principal veículo. Todas as emissoras possuíam orquestras sinfônicas – algumas enormes, como as da Rádio Nacional ou as das grandes emissoras de São Paulo, ou menores, de acordo com as possibilidades comerciais da empresa.
O noticiário era envolvido num tipo de locução e sonoplastia como se a coisa acontecesse num palco teatral em sua casa.
Quando o rádio completou 50 anos eu era diretor da Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro. Recebi na época, patrocinado pelo Goethe Institut uma visita de radialistas alemães que aqui exibiram suas riquíssimas produções.
Deveriam fazer 4 palestras e eu uma pelo rádio brasileiro. Reuni trechos de novelas, humor dos mais variados, exibição de músicos populares famosos, irradiações de jogo de futebol e coisas assim. Quando acabou minha palestra um radialista alemão disse: não queremos fazer nossa última palestra. Pois o rádio que estamos trazendo e começando a fazer na Alemanha, moderno e criativo, é o que vocês fazem aqui no Brasil há 50 anos... Me orgulho, portanto, de ter, nesse veículo, um programa diário na Rádio Cultura de São Paulo à 5 da tarde, há 35 anos. Fim de tarde com o maestro Júlio Medaglia que assina esta crônica.
 
LEIA MAIS: JÚLIO MEDAGLIA, DO POPULAR AO ERUDITO 

domingo, 29 de maio de 2022

RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (2, FINAL)

Ilustração de Fausto Bergocce

Geraldo Nunes como repórter-aéreo, em 2004
Eu conheci Geraldo Nunes no começo dos anos de 1990. E quando ele traçou o plano de levar ao ar o programa São Paulo de Todos os Tempos, me telefonou. E conversa vai, conversa vem, me chamou para abrir o programa com uma entrevista de uns 15 minutos. Essa entrevista ocupou o programa inteiro, de uma hora.
O ano de estreia de São Paulo de Todos os Tempos foi 1994.
A deficiência física que Geraldo Nunes carrega consigo até hoje nunca o impediu de desenvolver suas funções como profissional do jornalismo. Também não o impediu, nem o impede, de mover-se por onde quer que queira. Anda com o auxílio de aparelhos ortopédicos. O seu carro é adaptado e assim ele segue a vida. Serelepe.
É certo que há muitos Geraldo Nunes por aí, tentando alçar vôo como profissional e cidadão. Mas a sociedade os impede, mesmo depois da aprovação pelo Congresso Nacional do Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2015. Já no início, destaca o Estatuto:

É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.
E destaca mais: 

A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. 

Atualmente, aposentado, Geraldo Nunes escreve livros sob encomenda. Mas, segundo ele, poderia estar atuando na reportagem ou dirigindo uma redação, pois talento para isso não lhe falta.
Quanto a mim, faço minhas as palavras dele. Com um agravante: procurei sarna pra me coçar ao decidir adaptar Os Lusíadas de Luís de Camões para Canto e Cordel. O meu desejo, com isso, era levar a adaptação da obra-prima de Camões ao teatro como Ópera Popular. Não, não está dando, mesmo sendo 2022 o ano de comemoração, por que não dizer, da primeira edição de Os Lusíadas.
Os Lusíadas foi publicado em 1572, em Portugal.
Como cego dos olhos, apenas dos olhos, a meu modo continuo a ver a vida. Ouça: POEMAS DOS OLHOS
Um dos meus maiores desejos atualmente é voltar às rádios, ou televisão, para apresentar um programa provisoriamente intitulado Visão Cidadã.
Enquanto isso, continuo escrevendo poemas, canções e folhetos de cordel.

Você conhece o Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br

sábado, 28 de maio de 2022

RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (1)

Em 1968, o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré já proclamava na sua famosa guarânia Pra Não Dizer que Não Falei de Flores:

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…


Em 1988, a atual Constituição brasileira já garantia, no seu art. 5º que:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...
Noutras palavras: é livre o ir e vir, movimento esse garantido firmemente pela Constituição. Infelizmente na prática, porém, isso não ocorre 100% como deveria ocorrer.
A população brasileira já passa dos 200 milhões de habitantes. Mais mulheres.
O número de desempregados, no nosso País, já passa de 11 milhões de pessoas.
No seu art. 6º, garante a Constituição:
São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados…
Números divulgados pelo IBGE em 2019 indicavam que mais de 13 milhões de brasileiros viviam na pobreza.
Números que acabam de ser divulgados pelo próprio IBGE mostram que só na Capital paulista há mais de 600 mil famílias vivendo com apenas R$105/mês.
A desigualdade entre pretos e brancos, entre brasileiros enfim, continua de modo crescente.
As pessoas que estão aptas para trabalhar, não acham emprego. Imaginemos, agora, as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, embora aptas para o trabalho, o que devem fazer para sobreviver no seu dia a dia. 
Há no jornal e revista poucos profissionais portadores de deficiência em atividade. No rádio, menos ainda.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colhidos em 2010, indicam que pelo menos 24% da população brasileira sofre de algum tipo de limitação. Diz a pesquisa:
Quase 46 milhões de brasileiros declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental / intelectual (…) A deficiência visual estava presente em 3,4% da população brasileira; a deficiência motora em 2,3%; deficiência auditiva em 1,1%; e a deficiência mental/intelectual em 1,4%...
Em 2013, eu perdi a visão dos olhos.
Geraldo Nunes, em registro Geraldo Nunes da Silva, perdeu os movimentos dos membros inferiores ainda no tempo de criança.
Geraldo Nunes, paulistano da gema, entra para a história do jornalismo brasileiro como o primeiro “repórter-aéreo” portador de deficiência física provocada pela poliomielite. E também como o primeiro repórter a mostrar e a traduzir os encantos da Capital paulista no plano de cima pra baixo. Lembra:
“Fui o primeiro a falar de Memória Afetiva no rádio, através do programa São Paulo de Todos os Tempos (Eldorado) que permaneceu no ar durante 14 anos, entre 1994 e 2008”.
Corriam os últimos anos do século 20 quando Nunes foi convidado a integrar o quadro profissional de repórteres da Eldorado, emissora que fazia e ainda faz parte do grupo Estadão.
Antes de passar pela Eldorado, Geraldo Nunes passou pelas rádios Capital, Bandeirantes e Pan.
Para a rádio Bandeirantes, Nunes chegou a transmitir boletins diretamente do Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP, onde pegou gosto por avião. Num desses boletins ele registrou a transferência do presidente-eleito, Tancredo Neves, de Brasília para São Paulo onde morreria no dia 21 de abril de 1985.
Os primeiros voos desse repórter levaram à chancela da rádio Eldorado. Conta: “Quando a Rádio Eldorado me convidou, em 1989, para ser o repórter-aéreo aceitei de imediato pelo prazer de voar e ao longo do tempo incorporei em meus boletins de trânsito, curiosidades históricas sobre os bairros e ruas de São Paulo o que tornou meu trabalho diferenciado dos demais repórteres da área. Desde então me especializei nas atividades voltadas à pesquisa histórica e aos assuntos ligados à memória paulista e brasileira”.

domingo, 22 de maio de 2022

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (3, FINAL)

No último fim de semana, o jogador do Corinthians chamou de macaco um jogador do Internacional. O corintiano acusado, Rafael Ramos, português, foi preso em flagrante e levado à Delegacia para esclarecimentos, foi solto após seu time pagar fiança.
Lamentável, sob qualquer aspecto. E isso tem origem.
O professor João Baptista conta no seu livro que os programas de rádio com auditório atraíam, e ainda atraem, público diverso:

“Tão acentuada é a presença da mulher de cor entre esses frequentadores de auditórios, e é de tal maneira efervescente, barulhento e espetaculoso o seu comportamento, que nos meios radiofônicos tais grupos promocionais são chamados depreciativamente de “macacas de auditório”, numa alusão direta àquelas generalizações populares que procuram identificar características negróides a traços simiescos.”
Mas, evidentemente, no geral o rádio representa muito no Brasil.
O artista e apresentador do programa Pintando o 7, Luiz Wilson, diz:
“O Rádio sobreviveu e sobrevive a toda evolução no mundo inteiro. Desde a chegada da Televisão que se popularizou até a chegada da Internet e todas as suas ferramentas até aqui criadas, o Rádio se mantém na liderança como o principal veículo de comunicação.
Como Radialista, digo que o Rádio é o maior companheiro, sendo a principal razão de que uma vez sendo um meio de comunicação auditivo podemos escutá-lo enquanto realizamos outras atividades, desde os afazeres domésticos às mais variadas funções.”
Pois é, apesar de tudo.
O rádio continua sendo o meio mais rápido pra se saber o que acontece no mundo. Fora isso, é através dele que os ouvintes tomam posição política ou não. E ainda tem o dado musical, embora esse seja hoje bastante discutível. Falo do gosto. Melhor: do mau gosto. Música de má qualidade. Aliás, só existem dois tipos de música, já dizia o maestro Eleazar de Carvalho (1912-1996), a boa e a má.
Grosso modo, o que é levado ao ar é música de má qualidade, com raríssimas exceções.
Os narradores profissionais de futebol como Fiori Gigliotti e Estevam Sangirardi, deixaram em disco passagens históricas do nosso futebol. Pérolas, na verdade.
Há poucos dias, Carlos Silvio entrevistou uma lenda do rádio paulistano: Salomão Ésper.

VEJA E OUÇA MAIS: CLAUDIO JUNQUEIRA NO PAIAIPA NA CONECTADOS • SÍLVIO MENDES NO PAIAIÁ NA CONECTADOS • JÚLIO MEDAGLIA NO PAIAIÁ NA CONECTADOS • PAULO CARUSO NO PAIAIÁ CONECTADOS • JOSÉ HAMILTON RIBEIRO NO PAIAIÁ NA CONECTADOS

Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 21 de maio de 2022

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (2)

Não só de alegria vive o rádio, no tocante à transmissões de partidas de futebol.
Grosso modo, são poucos os profissionais que atuam no setor. Mais brancos do que negros. Mulheres são minoria absoluta, embora haja mulheres já transmitindo jogos. E não só no futebol, no rádio em geral.
O paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, professor emérito da USP publicou em 1967 o livro Cor, Profissão e Mobilidade: O Negro e o Rádio de São Paulo, no qual analisa o setor radiofônico, desde os anos de 1950. Lá pras tantas, ele diz:
“Do total de radialistas, 1.854 (83,7%) são homens e 362 (16,3%) são mulheres: destas, 334 (15%) são brancas e apenas 28 (1,2%) são de cor; enquanto no grupo masculino, 1.610 (72,6%) são brancos e 244 (11,4%) são pretos ou mulatos. Observa-se portanto que o número de homens brancos não chega a ser 7 vezes o total de profissionais não-brancos, ao passo que o número de mulheres brancas chega a ser quase 12 vezes o de mulheres de cor. Nota-se, também, que o total de profissionais brancos mal atinge 5 vezes o número de mulheres brancas; já o número de profissionais de cor chega a ser quase 9 vezes superior ao total de mulheres não-brancas.
No grupo branco, as 334 mulheres correspondem a 17,6% do total de profissionais; por sua vez no grupo de cor, as 28 mulheres representam 11,4% do total de radialistas com as mesmas características raciais. Estes dados permitem estabelecer a percentagem diferencial entre elementos brancos e de cor, nas diferentes categorias de sexo: dentro do grupo feminino, 92,3% são brancas e 7,7% são de cor. No masculino, 86,8% são brancos e 13,2% são pretos ou mulatos.”
Os dados antigos, dos anos de 1950.
Carlos Silvio (esq.) e Salomão Ésper
Faltam dados atualizados, mas surpresa não será se o resultado for pior ou igual aos números do passado.
Negros famosos no rádio de São Paulo contam-se nos dedos: Moisés da Rocha, que há mais de 30 anos produz e apresenta na rádio USP, uma vez por semana, o programa O Samba Pede Passagem e Maria Júlia Coutinho Portes, a Maju, que apresentava um belíssimo programa de entrevistas, ao vivo, na extinta rádio Globo paulista.
O radialista Carlos Silvio, apresentador do programa Paiaiá na Conectados, reforça a ausência do negro na rádio brasileira. E diz:
"Em várias áreas, o negro ainda tem pouca representatividade. Fato. No mundo do rádio, não é diferente.
Uma rápida passagem pela memória, não conseguir lembrar, de bate-pronto, se há negros trabalhando no rádio paulistano. Ou há?
Num País mestiço como o Brasil, em que muitas vezes pessoas se identificam como 'moreno' ao invés de negro, a ausência é mais evidente.
Quando morava na Bahia eu ouvia muito as transmissões futebolísticas, pela Rádio Sociedade da Bahia, uma das principais vozes era o narrador Silvio Mendes, um negrão.
Hoje, com 76 anos e narrando futebol pela Rádio Metrópole e Salvador, Mendes diz que vai narrar futebol até os 80 anos.
Mendes simboliza que o negro pode e deve estar em todos os lugares e profissões, sem que haja a necessidade de incluir em qualquer tipo de 'cota'.
Negro, assim como o branco, amarelo, albino ou sei lá o que mais, é capaz"
Pois é, e o problema se agrava. Sempre.
Frequentemente atletas negros enfrentam xingamentos de torcedores. E não só no Brasil. Na Inglaterra, na França, na Itália… Mais grave: jogador chamando jogador de macaco.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (1)

Definitivamente podemos dizer que o futebol é o esporte mais popular e seguido em todos os cantos do planeta. É a alegria do povo. Chova ou faça sol; e esteja em que situação estiver o país, em guerra ou paz; dirigido por democrata ou ditador.
As primeiras transmissões de jogos de futebol, no Brasil, começaram nos anos de 1930. O compositor e pianista mineiro Ary Barroso, fez a festa. Era flamenguista. História incrível, bonita.
O rádio ganhou muitos bons comentaristas e narradores de futebol. Entre os mais famosos se acham Geraldo José de Almeida, Sílvio Luiz, José Silvério, Luciano do Valle, Oscar Ulisses e seu irmão Osmar Santos.
Muitos profissionais do rádio entraram para a história por gravarem expressões definitivas a respeito dos jogos.
Osmar Santos eternizou-se por expressões como “Ripa na chulipa!”, “Pimba na gorduchinha!”.
José Geraldo de Almeida ficou famoso ao repetir a frase “Linda! Linda! Linda!”.José Silvério, marcou: "E que golaço!"; “Dominou, limpou, bateu”; “No peito e na raça”.
E Luciano do Valle, que já não se acha entre nós, diante de um belo gol dizia: “Golaço-aço!”.
Outro narrador de futebol famoso foi o paulista de Barra Bonita Fiori Giglioti (1928-2006), que começava a transmitir as partidas com a belo frase, alto e bom som: “Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo” e, não resistindo a um clima de tensão, repetia: “É fogo, torcida brasileira!”.A propósito acha-se na praça um livro contando sua história: Fiori Gigliotti, o locutor da torcida brasileira.

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