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quarta-feira, 27 de março de 2024

VAMOS BRINCAR DE CIRCO?

Eu sou do tempo em que criança vivia sua fase criança.
Eu sou dos tempos passados de 50. Pra ser exato, 1952.
Brinquei de esconde-esconde, de amarelinha, de pula fogueira, pula-pula, corrida do saco...
Eu gostava também muito de adivinhas. 
Lembro que a primeira vez que eu vi bobagens como: o que é o que, pula pra rir e faz béh?
Coisa boba, né?
Outra: o que é o que é, cai de pé e corre deitado?
E os circos, hein?
Frequentava muito os circos. Eu rachava o bico com as bobagens e bagunças dos palhaços. 
Houve muitos palhaços famosos, que marcaram Arrelia, Piolin, Carequinha, Fuzarca e Torresmo.
Já na fase adulta, privei da amizade de Waldemar Seyssel, que vem a ser Arrelia. Tudo bem, tudo bem, tudo bem!
Hoje a brincadeira da criançada é o celular.
Ah, sim: hoje é o Dia do Circo.


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

MILLÔR, 100 ANOS

Millôr no traço de Fausto Bergocce

É certo que a população de um país que ri, vive melhor. E já não rimos como outrora, pois são muitas as desgraças e tragédias que ocorrem no nosso dia a dia. Pena. Muita gente boa, de bom traço e graça hilários, já nos deu adeuzinho e foi para um lugar que só Deus sabe.
Assim pensando, de repente, lembro de figuras incríveis que amenizaram momentaneamente nossas dores e mágoas com seus remédios de nos fazer rir.
Lembro-me de José Vasconcelos, Zé Fidélis, Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Jô Soares. Mas houve outros, muitos outros: Paulo Silvino, Bussunda, Juca Chaves, Rony Cócegas e Paulo Gustavo.
E Millôr Fernandes, hein?
Millôr Fernandes foi um dos mais completos intelectuais do Brasil. Fez tudo de bom no tocante ao intelecto, entre 16 de agosto de 1923 e 27 de março de 2012. Era carioca de Ipanema. Começou a carreira ainda meio moleque na extinta revista A Cigarra, em 1939; e daí sentou seu talento na famosa O Cruzeiro, do conglomerado do imperador da imprensa Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello. Seu primeiro pseudônimo artístico foi Vão Gôgo (ao lado). 
Não custa lembrar, e é sempre bom lembrar, que Millôr desenhava e fazia graça de tudo, hora pelo caminho filosófico e coisa e tal. Escreveu belas peças e traduziu vários livros. Deixou uma obra bonita e gigantesca. Nessa obra, impossível esquecer suas milhares e milhares de frases definitivas sobre tudo. Aqui, uma dúzia delas:
  • Em agosto, nas noites de frio, a pobreza entra pelos buracos da roupa.
  • A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota o ovo.
  • Em política nada se perde e nada se transforma - tudo se corrompe.
  • Além de ir pro inferno só tenho medo de uma coisa: juros.
  • Brasil: um filme pornô com trilha de Bossa Nova.
  • Ainda está pra nascer o erudito que se contenha em saber só o que sabe.
  • Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo.
  • Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.
  • Está bem. Deus é brasileiro. Mas pra defender o Brasil de tanta corrupção só colocando Deus no gol.
  • Aviso aos navegantes: Em Brasília ainda tem dois deputados do baixo clero sem patrocinador.
  • Além de transformarem o Brasil num cassino, viciaram a roleta.
  • Canalhas melhoram com o passar do tempo (ficam mais canalhas).
O cartunista Fausto e a torcida do Corinthians concordam comigo.
O cartunista lembra a vez que assistiu embevecido a um debate entre Millôr e o publicitário Carlito Maia, no Salão de Humor de Piracicaba. "Foi incrível! Lá pras tantas, lembro que Carlito caiu na besteira de dizer que era da Globo. Todo mundo caiu na risada e o chamou de bozó".
Bozó foi o personagem inventado por Chico Anysio, que fez muito sucesso na TV Globo.
O debate aqui referido foi mediado pelo mestre maranhense Fortuna. Aliás, foi Fortuna quem me levou uma vez à Piracicaba para uma tarde de autógrafos do livro O Coronel e a Borboleta e Outras Histórias Nordestinas. Capa e edição dele. Foi no Salão e lá reencontrei o craque Jaguar, do velho Pasquim de saudosa memória. Publiquei muitas coisas nesse heroico hebdomadário carioca.
E por falar nesse povo todo aí, bonito de traço e ação, não dá pra esquecer do querido Paulo Caruso.
Um dia pedi ao Paulo que me mandasse alguma foto em que se achasse ao lado do Millôr. Fez isso no dia 1º de março de 2019. Ele, por e-mail:
Assis amigo véio,
aqui uma legenda de quem está na foto,
de cima pra baixo, da esquerda pra direita:
Chico, Jaguar e Claudius; abaixo: Cláudio Paiva, Eu, Reinaldo, Ziraldo e Millôr; em pé encostado na parede o Amorim;
em baixo, à frente rabiscando, o velho Nássara, logo atrás o Hubert, Nani ajoelhado e Mariano o bigodudo...
baitabraço
Paulo Caruso

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

PODCASTS DISCUTEM O BRASIL

 
A revista Piauí é uma revista ótima, de leitura necessária, que vai às bancas todo mês. Pode se dizer até que já é antiga, pois foi lançada em outubro de 2006. A sede da redação fica no Rio.
Em 2018 foi lançado o podcast Foro de Teresina, que é ligado umbelicalmente à Piauí. Apresentado pelos jornalistas Fernando de Barros e Silva, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky. A produção é da rádio Novelo.
O Foro de Teresina discute os problemas gerados pela política, no Brasil. É cáustico. Necessariamente cáustico. É o exato contraponto do Medo e Delírio em Brasília.
Medo e Delírio em Brasília tem a produção e apresentação de Pedro Daltro e Cristiano Botafogo.
Como o Foro de Teresina, Medo e Delírio em Brasília trata a bizarrice gerada por políticos sem vergonhas do País. Com um detalhe: é cheio de graça, por inserir aqui e ali palavras de baixo calão quase sempre engasgadas no gogó do povo. Nota 10!
O Foro de Teresina vai ao ar toda sexta-feira, via Internet.
Medo e Delírio em Brasília vai ao ar todas terças e sextas, também via Internet.
O número de dezembro da revista Piauí já se acha nas boas bancas. Como sempre, boas reportagens tem chamada na capa. E até gracinhas tem como leitura: "Esposa Michelle: Jair, vamos levantar da cama, por favor? Já faz 15 dias e nem o lençol você trocou...".
Não sei se tem a ver, mas ontem o maridão da Michelle apareceu em público com os olhos inchados, marejando. O quê que há, hein?
O natal está chegando. O que Papai Noel trará de presente para Bolsonaro? Hmmm...
 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A GENTE CHEGA, PASSEIA E PARTE. É DA VIDA

 

A impressão que eu tenho é que o dia amanheceu, hoje 5, mais triste. E não à toa, pois acabo de ouvir no rádio que o multitudo Jô Soares, 84 anos, partiu para a Eternidade. Foi às 2h20 no Sírio Libanês, em São Paulo.
Jô fez tudo, ou quase tudo, no campo das artes. Foi ator, autor, diretor de teatro, escritor, pintor, e tudo mais. Destacou-se em todas as áreas que entrou, inclusive na televisão.
Deixou muitos e muitos personagens e uma legião sem fim de admiradores, entre os quais eu.
No final dos anos de 1980, a contragosto, trocou a TV Globo pelo SBT. Motivo: queria virar apresentador, mas a direção da Globo não o quis para isso.
Fez um sucesso estrondoso no SBT e aí, Plim! Plim!, a Globo o chamou de volta pagando o que não lhe pagava antes. E é assim a história.
Eu participei de um dos seus programas. Foi no SBT, ao tempo em que eu lançava o livro Eu Vou Contar Pra Vocês (Ícone, 1990). Comigo participou do programa Onze e Meia a cantora e compositora pernambucana Anastácia.
O pai de Jô Soares, Osvaldo Heitor Soares, era paraibano. E Jô, carioca.
A vida é assim: a gente chega, passeia e parte.

domingo, 14 de novembro de 2021

CRIANÇAS PORTUGUESAS APRENDE O PORTUGUÊS CERTO!

A pandemia endoidou e continua endoidando o mundo. Reflexos dessa doidice acham-se até na língua portuguesa dos portugueses.
Os portugueses estão de orelhas de pé, assustados, pelo simples fato de a criançada estar-se afinando melhor com o português brasileiro. Isso mesmo!
A permanência mais longa diante da telinha do computador tem feito a petizada imbuir-se no idioma por nós, brasileiros, falado.
É grave a situação, ora pois, ressalta uma professora de lá. "A maioria (das crianças) usa expressões soltas, como 'estás a trolar comigo'. Mas aquele menino falava com sotaque e dizia todas as palavras tal e qual como nos vídeos a que assistia na internet, reproduzindo as expressões [...] O que sei, e tenho vindo a conversar com as minhas colegas, é que os meninos estão viciados, tal qual como os adolescentes estão com os jogos, por exemplo".
A fala aspeada acima é da educadora portuguesa Ana Sofia.
O youtuber Luccas Neto tem sido um verdadeiro "terror" para os pais portugueses.
A mãe de uma das crianças seguidoras de Luccas, Alexandra Patriarca, chegou a dizer: "Todo o discurso dele (filho) é como se fosse brasileiro. Chegámos ao ponto de nos perguntarem se algum de nós era brasileiro, eu ou o pai". 
Já há até crianças se submetendo em sessões de fonoaudiologia.
Mas para a professora Catarina Menezes, também portuguesa, a situação pode ser relativizada. E explica: "Quando eu era menina havia o mesmo pânico social com os livros do tio Patinhas, que era traduzido em português do Brasil. Lembro-me bem da minha professora do primeiro ciclo ter esse pânico. A mesma coisa quando apareceram as novelas...que eram completamente massificadas. Ora, eu acho que esta discussão dos youtubers não é muito diferente".
Pois, pois, a situação não é tão grave, creio. De qualquer modo é, digamos, "a volta do cipó no lombo de quem mandou dar", como diria o compositor e cantor brasileiro Geraldo Vandré. 
Enfim, é o português de hoje experimentando um pouco do que o Marquês de Pombal (1699-1782) nos empurrou goela abaixo, ao decidir pela extinção da língua geral que se falava no Brasil. 
Foi Pombal quem, por decreto, trocou a língua geral (Tupy) pela língua portuguesa lá dele. Isso em 1758. 
Camões deve estar morrendo de rir.
 

sábado, 13 de abril de 2019

SEM CHICO O BRASIL PERDEU A GRAÇA


Chico Anysio partiu para a Eternidad no dia 23 de março de 2012. Seu corpo foi velado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Cerca de 5 mil pessoas estiveram por lá. Foi cremado.
O mais importante humorista do Brasil era cearense. Seu nome: Francisco Anysio de Oliveira
Paula, artisticamente conhecido como Chico Anysio .
Chico foi um brasileiro incrível. Digo de novo in-crí-vel!
Era um domingo quando Chico e família apearam no Rio de Janeiro, de mala e cuia. Ele nasceu do dia 12 de abril  de 1931 e tinha 8 anos de idade quando lá chegou.
O Rio do tempo de Chico era um deslumbre. 
Chico queria abarcar o Rio como a mãe o abarcava  nos seus braços.
Os pais desse Chico queriam que ele fosse advogado. Ele estudou e tal. Mas foi no rádio que encontrou o caminho das pedras.
Chico Anysio fez de tudo na vida. Foi tudo. Cidadão principalmente. Respeitava todo mundo e todo mundo o respeitava, ora rindo ora gargalhando.
Chico inventou 234 personagens e deixou duas dúzias de livros publicados. Quer dizer: ele sozinho era uma multidão. Até uma autobiografia teve ainda tempo de fazer: Eu sou Francisco. Ganhou muito dinheiro e morreu pobre, abandonado pela TV Globo.
Chico deixou uma trintena de músicas de sua autoria gravadas por artistas entre os quais Dolores Duran (1930-1959), aí na foto acima. Seu parceiro mais frequente foi o pernambucano de Serra Talhada,  Arnaud Rodrigues (1942-2010).
Arnaud morreu num dia de carnaval, afogado no rio Tocantins. Chico morreu no dia 23 de março de 2012, de tristeza.
Chico era tão bom, mas tão bom que era capaz de fazer até o diabo rir. E fez.
Em plena ditadura, Chico Anysio levava suas piadas num quadro do programa Fantástico. 


Você sabia meu amigo minha amiga que Chico Anysio chegou a gravar uma quadrilha junina com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga?

No acervo do Instituto Memória Brasil, se acham todas as músicas e discos de Chico.

A fia de Chico Brito
A turma (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ah! Ah! Ah! (Chico Anysio / Raymond)
Aldeia (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Cidadão da mata (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ciranda (adaptação c/ Arnaud Rodrigues)
De quem é essa morena (Chico Anysio / Benito Di Paula)
Dendalei (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Folia de rei (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Maristela (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Monólogo nº 1 (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Monólogo nº 2 (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Não se avexe não (Chico Anysio / Haydée Paula)
Nega brechó (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
O poste da rua Jorge Lima (Chico Anysio / Durval Ferreira e Arnaud Rodrigues)
Rancho da Praça Onze (Chico Anysio / João Roberto Kelly)
Saudade jovem (Chico Anysio / Raymond)
Tá nascendo fio (Chico Anysio / Haydée Paula)
Tango (Chico Anysio / Raymond)
Tributo ao regional (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Tristeza mora comigo (Chico Anysio / Raymond)
Véio Zuza (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues e S. Valentim)
Verde (Chico Anysio / Arnaud Rodrigues)
Ya no quiero (Chico Anysio / Raymond)
Zéfa Cangaceira.




Essa música aí está fazendo 60 anos de gravação. Pois é, na voz da grande Dolores Duran. Dolores chegou em casa, exausta, pedindo para que ninguém a acordasse. Amanheceu morta, na cama. Mas essa é outra história.
Eu conheci o Chico Anysio no começo dos anos de 1980. Sempre que dava, a gente se encontrava no bar de um hotel qualquer de Sampa. Sempre bons papos. Não custa lembrar: foi com ele que comi pela primeira e última vez o tal do caviar, com whisky.


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